sábado, 22 de novembro de 2014

SANTA CECÍLIA – PADROEIRA DOS MÚSICOS

Francisco da Silva Romão (1834-1895)
Santa Cecília

Prof. Dr. Oscar Luiz Bisolara 
Santa Cecília é uma jovem romana do século II d. C., consagrada no cristianismo como protetora dos músicos. Descendia das nobres gens romanas dos Cecilii e dos Metelli, tendo como ancestral a importante senhora romana do século I a. C. Cecilia Metella, filha de Quinto Cecílio Metello Crético e esposa de Marco Licínio Crasso, filho do triúnviro de Júlio César.
A jovem Cecília, padroeira dos músicos, nascida de uma nobre família romana, converteu-se ao cristianismo e junto com seu noivo, dedicaram-se à vida religiosa, tendo ambos sido executados como mártires em 180 d. C., durante o governo do imperador Marco Aurélio.
Segundo uma tradição cristã, o papa Pascoal I (817-824) teria mandado abrir o caixão da santa e visto que o corpo estava intato, ainda com o corte da execução no pescoço, na mesma posição em que havia sido enterrado. O papa ordenou que fechassem o caixão e o colocassem em capela consagrada a Santa Cecília, no Trastevere, em Roma.
O cardeal Sfondrati, em 1599, pediu que abrissem novamente o caixão.
Estátua de Stefano Maderno sobre sua tumba,
imitando a postura em que seu corpo foi descoberto
 O corpo da santa foi encontrado da mesma forma como o papa Pascoal havia descrito. Chamou-se então o escultor Stefano Maderno que fez um esboço da imagem e depois esculpiu o que vira em mármore branco, resultando a imagem em tamanho natural, que se encontra na igreja romana de Santa Cecília. 
Desde o século XV, Santa Cecília é nomeada santa protetora da música sacra. A data de 22 de novembro lhe é consagrada, que também é o Dia da Música e dos Músicos. 

Imagem de Santa Cecília no altar-mor da igreja a ela dedicada em Porto Alegre
Muitos artistas elaboraram obras em sua homenagem como o pintor Botticini, e o escultor Stefano Maderno, músicos como Henry Purcell, Georg Friedrich Händel e Benjamin Britten fizeram composições em sua honra. Também os poetas John Dryden, Alexander Pope e Wystan Hugh Auden homenagearam-na com sua arte. Até mesmo músicos populares como Paul Simon, David Byrne e Brian Eno dedicaram composições a Santa Cecília, isso apenas para citar alguns.




Igreja de Santa Cecília - Trastevere - Roma
 Waterhouse, John William - Saint Cecilia -1895


             O ilustre pintor inglês nascido em Roma, John William Waterhouse, tem um memórável quadro intitulado O Sonho de Santa Cecília. 

segunda-feira, 17 de novembro de 2014

VIENA – A ANTIGA CAPITAL DO IMPÉRIO AUSTRO-HÚNGARO - ONDE JOGOU A SELEÇÃO BRASILEIRA EM 2014

Prof. Dr. Oscar Luiz Brisolara
Jardins do Palácio Belvedere - Viena 
A seleção brasileira joga hoje na maravilhosa Viena, a capital da Áustria. Com mais de um milhão e meio de habitantes, é cidade da cultura e dos magníficos palácios. Para se entender esta cidade, é preciso recuperar um pouco a história do surgimento da Europa.
Com a queda do Império Romano do Ocidente no século V d. C., lentamente começou o formar-se o continente que hoje chamamos de Europa. No ano 476, da era cristã, os Hérulos, um grupo de tribos germânicas nômades, lideradas por Odoacro, invadiu o norte da Itália e conquistou a cidade de Roma.
O último imperador romano do ocidente, Rômulo Augusto, abdicou. Os invasores saquearam a cidade, destruíram-na parcialmente e a abandonaram. Desde esse momento, os papas supriram parcialmente o papel de autoridade dos imperadores. Porém, foi-se gradativamente organizando um novo sistema que ficou conhecido com feudalismo.
Pequenos líderes regionais foram construindo fortalezas que ficaram conhecidas como castelos, ao redor dos quais se organizavam vilas e cidades. O pátio do castelo era cercado por muros fortificados e servia como proteção ao povo em épocas de invasões ou guerras. Os donos dos castelos passaram a organizar-se hierarquicamente, de acordo com a riqueza de cada um, em classes de nobreza: os mais poderosos eram os duques, abaixo deles estavam os condes e, por fim, vinham os barões.
Um concerto em Viena
Foi-se estabelecendo uma contribuição de dez por cento da produção, chamada de dízimo, que deveria ser paga como vassalagem. Os pequenos agricultores eram servos e pertenciam à gleba rural. Assim, os proprietários pagavam dízimo aos barões, os barões, aos condes e os condes aos duques. Quando surgiram os reinos, os duques pagavam dízimo aos reis.
Porém, os papas, no período em que Pepino o Breve era rei do Império Franco, tomaram uma área central da Itália a que chamaram de Estados Pontifícios. O rei dessa região era o papa. Acontece que diversas invasões de hordas de povos nômades criavam insegurança nos estados pontifícios. O papa Adriano I, na Páscoa de 774 d. C., solicita a proteção do rei dos Francos, Carlos Magno. Por fim, no Natal do ano 800 d. C., o papa Leão III consagra Carlos Magno como imperador e funda, assim, o Sacro Império Romano Germânico, que se compromete proteger os Estados Pontifícios e garantir a autoridade papal sobre todo o mundo cristão.
Um concerto em Viena
Diversas famílias imperiais ocuparam o cargo de imperador nesse enorme império, que não tinha uma capital definida. Porém, em 1804, Napoleão Bonaparte cria o Império Francês, com sede em Paris. Então, Francisco I, da Áustria, cria o Império Austríaco, que vai ser transformado em Império Austro-Húngaro em 1867, pelo imperador Francisco José I. A capital desses dois impérios é a cidade de Viena.





 Palácio de Schönbrunn
Essa capital é banhada pelo grande rio Danúbio, o segundo maior curso de águas da Europa, com mais de 2.500 km de extensão. Nasce na Floresta Negra, no sudoeste da Alemanha e deságua no Mar Negro, na Romênia. É navegável em grande parte de seu curso e estabelece a frinteira entre diversas nações. O Danúbio é azul apenas nas valsas de Strauss. São encantadoras as diversas pontes do majestoso rio Danúbio em Viena.
O Império Austro-Húngaro acaba no  fim da Primeira Guerra Mundial. Cria-se, então, a República da Áustria, em 1919, com o Tratado de Saint-Germain-en-Laye.
Em 13 de março de 1938, a Áustria é anexada ao Terceiro Reich, pela Alemanha nazista de Hitler. Em 1945, após o fim da Segunda Guerra Mundial, fizeram-se novas eleições e reestabeleceu-se a República da Áustria, como está hoje.
 Palácio de Schönbrunn
Em Viena situa-se o magnífico Palácio de Schönbrunn, cujo nome significa bela fonte, e foi residência de Verão dos Habsburgos, nomeadamente da Imperatriz Maria Teresa, seu consorte Francisco Estêvão de Lorena e a numerosa prole - 16 filhos - 11 mulheres e 5 homens. Mulher enérgica e decidida, subiu ao trono em 1748.
Durante o seu reinado, a Áustria viveu um dos mais prósperos períodos da sua história. Seus inúmeros filhos povoaram as cortes do velho mundo, por via de casamentos estrategicamente acordados. A mais nova, Maria Antonieta, ficou célebre por casar-se com o rei francês Luís XVI e perder a cabeça no final da Revolução Francesa.
Palácio Belvedere - Viena 







Situa-se também na capital austríaca o portentoso Palácio de Belvedere (Schloss Belvedere), que foi residência de Verão do Príncipe Eugênio de Saboia, aclamado militar amplamente condecorado, graças às inúmeras e vitoriosas campanhas bélicas, por exemplo, nos Bálcãs, quando repeliu a ameaça turca.
 Palácio de Schönbrunn
O palácio, que tem estilo barroco, foi vendido a Maria Teresa da Áustria pelos herdeiros do príncipe. Maria Teresa deu o nome ao lugar de Belvedere, que em italiano significa Bela Vista. Na parte onde fica a Casa dos Habsburgos, o palácio foi ampliado. Desde a Primeira Guerra Mundial, o Belvedere também é um museu (Österreichische Galerie Belvedere). O edifício sofreu danos durante a Segunda Guerra Mundial, mas foi reconstruído.
Esfinge feminina junto ao Palácio Belvedere
Dos jardins, que percorremos e admiramos, avista-se a Catedral de Santo Estêvão e os célebres Bosques de Viena, imortalizados nas partituras de Strauss. Aí, podem observar-se grandiosas figuras mitológicas de pedra, de uma anatomia estranhíssima. Aladas, corpo de felino, mas busto e face femininas. Diz a lenda que, quem tocar os seios das esfinges com a palma da mão bem aberta, regressa breve a Viena e é amplamente contemplado pela sorte.


sexta-feira, 14 de novembro de 2014

POÉTICOS JACARANDÁS DE RIO GRANDE NA PRIMAVERA DE 2014


Também nossos jacarandás de Rio Grande, nesta primavera, estão poeticamente encantadores. Como não posso me locomover, tomei emprestadas de Belas Imagens Rio-Grandinas estas magníficas tomadas. Vejam-se também as belezas dos verdes da praça Xavier Ferreira.
RUA VISCONDE DE PARANAGUÁ


JACARANDÁS DA ESTAÇÃO FERROVIÁRIA

PRAÇA XAVIER FERREIRA - RIO GRANDE

quinta-feira, 13 de novembro de 2014

POETA MANOEL DE BARROS – O MUNDO É UM POUCO MAIS FELIZ PORQUE NELE VIVESTE


 Prof. Dr. Oscar Luiz Brisolara
Manoel de Barros
Os poetas não morrem, mas continuam vivos em sua arte. Manoel de Barros é uma comprovação disso. Hoje, ele nos deixou, com a idade de 97 anos. Nasceu em Cuiabá em 19 de dezembro de 1916 e faleceu em 13 de novembro de 2014. Formou-se em Direito no Rio de Janeiro. Na juventude, foi militante de esquerda. Foge para oi exterior, Bolívia, Peru e Usa durante a ditadura Vargas. Dedica-se às artes, mormente à pintura e ao cinema.
Retornando ao Brasil, dedica-se à pecuária.  Porém, a vidada toda, dedicou-se à literatura, mormente à poesia, sendo classificado entre os poetas pós-modernos. Foi fecundíssimo em sua produção poética, tendo recebido duas vezes o prêmio Jabuti de literatura.
OBRAS DO AUTOR
1942 — Face imóvel
1956 — Poesias
1960 — Compêndio para uso dos pássaros
1966 — Gramática expositiva do chão
1974 — Matéria de poesia
1980 — Arranjos para assobio
1985 — Livro de pré-coisas
1989 — O guardador das águas
1990 — Gramática expositiva do chão: Poesia quase toda
1993 — Concerto a céu aberto para solos de aves
1993 — O livro das ignorãças
1996 — Livro sobre nada
1996 — Das Buch der Unwissenheiten - Edição da revista alemã Akzente
1998 — Retrato do artista quando coisa
2000 — Ensaios fotográficos
2000 — Exercícios de ser criança
2000 — Encantador de palavras - Edição portuguesa
2001 — O fazedor de amanhecer
2001 — Tratado geral das grandezas do ínfimo
2001 — Águas
2003 — Para encontrar o azul eu uso pássaros
2003 — Cantigas para um passarinho à toa
2003 — Les paroles sans limite - Edição francesa
2003 — Todo lo que no invento es falso - Antologia na Espanha
2004 — Poemas Rupestres
2005 — Riba del dessemblat. Antologia poètica — Edição catalã (2005, Lleonard Muntaner, Editor)
2005 — Memórias inventadas I
2006 — Memórias inventadas II
2007 — Memórias inventadas III
2010 — Menino do Mato
2010 — Poesia Completa
2011 — Escritos em verbal de ave
2013 — Portas de Pedro Viana


         Em artigo sobre Manoel de Barros intitulado “A Metalinguagem em Manuel de Barros: Uma Tática da Criação”, Suzel Domini dos Santos afirma:
A poesia moderna, antes de qualquer coisa, volta-se para si própria, enfocando a matéria que a torna arte, ou seja, a linguagem. Um dos grandes traços marcantes da poética de Manoel de Barros, poeta brasileiro contemporâneo que vem na esteira da modernidade, é justamente a auto-reflexão, o pensar sobre a poesia dentro da própria poesia, o que o poeta faz utilizando, entre outros recursos, a função metalinguística, que tem como base as concepções de consciência e construção. No presente artigo, objetivamos analisar justamente o processo de criação que se volta para a própria criação em alguns poemas de Manoel de Barros, poemas retirados dos livros O guardador de águas (1993) e O livro das ignorãças (2009).

Manoel de Barros usa o poema para fazer metalinguagem. As palavras são usadas para contemplar as próprias palavras. Veja-se o poema a seguir:

O APANHADOR DE DESPERDÍCIOS

Uso a palavra para compor meus silêncios.
Não gosto das palavras
fatigadas de informar.
Dou mais respeito
às que vivem de barriga no chão
tipo água pedra sapo.
Entendo bem o sotaque das águas
Dou respeito às coisas desimportantes
e aos seres desimportantes.
Prezo insetos mais que aviões.
Prezo a velocidade
das tartarugas mais que a dos mísseis.
Tenho em mim um atraso de nascença.
Eu fui aparelhado
para gostar de passarinhos.
Tenho abundância de ser feliz por isso.
Meu quintal é maior do que o mundo.
Sou um apanhador de desperdícios:
Amo os restos
como as boas moscas.
Queria que a minha voz tivesse um formato
de canto.
Porque eu não sou da informática:
eu sou da invencionática.
Só uso a palavra para compor meus silêncios.

terça-feira, 11 de novembro de 2014

ISTAMBUL, ONDE JOGARÁ A SELEÇÃO BRASILEIRA

Prof. Dr. Oscar Luiz Brisolara

                A seleção brasileira de futebol joga amanhã em Istambul, a maior cidade da Turquia, e fantástica, tanto pela sua situação geográfica, quanto por seu papel na história da humanidade. Geograficamente, é uma cidade situada em dois continentes. Como ela é dividida pelo enorme canal, o Bósforo, que liga o Mar Negro ao Mar Mediterrâneo, a parte da cidade que se situa a oeste do canal está na Europa, e a parte leste pertence ao continente asiático. Atualmente, a Istambul europeia possui em torno de quatro milhões de habitantes, e a asiática, em torno de dez milhões de cidadãos. Diversas pontes ligam uma parte a outra da grande metrópole.
                A Turquia é um país majoritariamente asiático, tem apenas uma província na Europa, a antiga Trácia grega. Na Ásia, situam-se suas demais províncias. Atualmente, seu grande objetivo é ser aceita na União Europeia.
ISTAMBUL

                Voltando, porém a Istambul, sua história milenar é rica e variada. No período pré-romano, pertencia ao antigo Império Grego e tinha o nome de Bizâncio, de onde vem o adjetivo bizantino, que, de modo especial, caracteriza um modelo multissecular de arte.
                Porém, no século IV da era cristã, com a ascensão do imperador Constantino, vai tornar-se a capital do Império Romano, tomando, desse imperador, o nome de Constantinopla. No século V, com a tomada de Roma e do Império Romano do Ocidente pelos povos do norte europeu, Constantinopla passa a ser a capital do Império Romano do Oriente, por quase mil anos. Em 1453, é conquistada pelos turcos e vem a tornar-se a Capital do Império Otomano, com o nome de Istambul. o Império Otomano termina em 1922, quando surge a República da Turquia, sob a liderança de Mustafa Kemal Atatürk, e Istambul não mais é a capital, mas sim Ankara, que se situa na Anatólia, parte asiática do país.

          Os dois maiores times de futebol da Turquia são o Fenerbace e o Galatasaray. Cada um dos clubes é de um continente. O Galatasaray é europeu e o Fenerbace é asiático. O jogo da seleção brasileira será realizado no estádio Sukru Saracoglu Stadium, do Fenerbace, na parte asiática de Istambul.

              
ISTAMBUL - MESQUITA
  A Turquia é um país encantador e possui muitas semelhanças ao Brasil, especialmente no que se refere à alimentação. Estivemos lá, eu e minha esposa Cristina em 2008. Eles usam muito arroz na alimentação, ao contrário dos europeus, que consideram esse cereal como alimento de doentes.






Oscar e Cristina em Éfeso


          Viajamos de ônibus pelo interior do país, que tem uma paisagem maravilhosa, com lindos pomares de frutas muito variadas, e monumentos históricos milenares como as ruínas do templo de Ártemis (Diana - uma das sete maravilhas do mundo antigo), próximo a Éfeso, cidade que possuía mais de quatrocentos mil habitantes no tempo de Cristo. Depois de uma série de terremotos, por fim, em 614 d. C essa cidade foi completamente destruída por um tremor de terra gigantesco.