domingo, 18 de agosto de 2013

HINO DA CANALHA - AFFONSO ROMANO DE SANT'ANNA por Oscar Brisolara


AFFONSO ROMANO DE SANT’ANNA

         É um poeta brasileiro, mineiro, professor universitário. Formado em Letras pela Universidade Federal de Minas Gerais, lecionou na Universidade de Los Angeles, nos USA.
         É doutor em Letras pela Universidade Federal de Minas Gerais. Lecionou também na PUCRJ. Ministrou cursos na Universidade de Colônia, na Alemanha, na Universidade de AARHUS, na Dinamarca, EM Portugal, na Universidade Nova de Lisboa, e na França, na Universidade de Aix-em-Prtovence.
         Foi também diretor da Fundação Biblioteca Nacional. Além do mais, foi jornalista exercendo suas funções em jornais como Jornal do Brasil e O Globo, trabalhando, atualmente no Correio Brasiliense e Estado de Minas Gerais. É casado com a também escritora Marina Colassanti.
OBRAS
1962 -"O Desemprego da Poesia" (ensaio);
1972 - "Análise estrutural de romances brasileiros";
1975 - "Poesia sobre Poesia";
1978 - "A grande fala do índio guarani";
1980 - "Que País é Este?";
1984 - "O Canibalismo Amoroso", que lhe deu o prêmio Pen-Club;
1984 - "Política e Paixão";
1985 - "Como se Faz Literatura";
1986 - "A Mulher Madura";
1987 - "O Imaginário a Dois" (com Marina Colassanti);
1988 - "O homem que conheceu o amor";
1991 - "Agosto 1991: Estávamos em Moscou" (com Marina Colassanti);
1993 - "O Lado Esquerdo do Meu Peito";
1994 - "Fizemos bem em Resistir";
1994 - "Mistérios Gozosos".2011 - "Sísifo desce a montanha"

HINO DA CANALHA

Affonso Romano de Sant’Anna
A canalha se ajuntou de novo, a canalha!
Em torno da mesma mesa e toalha
E acanalhando-se outra vez
Acanalhou-nos a todos, a canalha!

A canalha é ávida e inquieta, a canalha!
tem a audácia do corvo e a avidez da gralha,
com bico de urubu fuça a mortalha,
a canalha não larga o osso, a canalha!

No jogo do faz-desfaz, a canalha
nos  mantém no fio da navalha,
vive brincando com o fogo
e sai rindo da fornalha, a canalha!

Achincalha tudo o que toca, a canalha!
E ela nuca tarda e nunca falha,
sabe onde semeia e amealha,
mistura o trigo com a palha, a canalha!

Trabalha em silêncio, a canalha!
E  pode ter cara jovem ou grisalha.
De novo vão fazer o banquete
e nos jogar a migalha, a canalha!

A canalha não tem ética, a canalha!
Mostra os seus brasões e medalhas,
guarda os cofres na muralha
e faz da história uma bandalha, a canalha!

Diante dessa canalha
não sei se é melhor falar direto
ou se a metáfora atrapalha.
Bato no meu poema ou cangalha
e denuncio à minha gente a gentalha.

Pudesse fugir, fugia
para Pasárgada, Maracangalha,
Diante dessa canalha
Valha-me Deus!
e o próprio demônio valha!


SANT'ANNA, Affonso Romano de . O lado esquerdo do meu peito: livro de
aprendizagens. Rio de Janeiro: Rocco, 1992.