quarta-feira, 2 de março de 2016

OS FALSOS PROFETAS DA ECONOMIA – THE FALSE PROPHETS OF ECONOMY

Prof, Dr. Oscar Luiz Brisolara
Estamos cansados do processo manipulatório diário da imprensa em que somos induzidos a concluir que os problemas mundiais que enfrentamos neste momento são meras consequências de má gestão econômico-fncanceira ou simples resultado de leis econômicas universais.
Economistas como Carlos Alberto Sardenberg e jornalistas como William Waack, por sinal muito competentes em suas funções, parece estarem a serviço de entidades cujas finalidades fogem ao alcance do simples cidadão.
Com tabelas estatísticas muito bem manejadas, querem levar-nos a concluir que tudo o que fazem é apenas demonstrar cientificamente o que se passa como nossa economia. Trazendo apenas dados verdadeiros, conduzem a uma ilação de verdade indiscutível.
Acontece que jamais trazem à baila fatos históricos que comprovem ser a economia mundial manipulada e toda asas crises, como a de 1929, ou mesmo as guerras, são resultado de manobras e disputas econômicas e políticas.
Para não nos atermos a fatos muito próximos que podem distorcer as análises, da mesma forma como um espelho colado à face distorce as imagens, como estudioso da história antiga e de antropologia, passo a analisar apenas um fato de manipulação da economia ocorrido na antiga República Romana pré-cristã.
Aconteceu no primeiro século antes de Cristo. Já viviam os romanos há mais de quatrocentos sob o regime republicano. Acumulavam-se conquistas por parte das classes menos favorecidas.
A mais recente delas era a reforma agrária aprovada séculos antes pelos tribunos Sextius e Licinius, e posta em prática com a divisão dos latifúndios pelos Irmãos Gracos, Tiberius e Caius, que formaram a controversa comissão agrária para a divisão dos latifúndios.
Palavras de Tiberius em defesa das reforma agrária citadas por Plutarco: "Que os animais selvagens que viviam por toda a Itália tinham pelo menos suas tocas, [...] (mas os cidadãos que lutam pela pátria) falsamente são chamados de senhores e dominadores do mundo, quando na verdade não têm uma só polegada de terra que lhes pertença". (Plutarco: Tibério Graco).
As leis agrárias dos Gracos não permitiam que o cidadão que tivesse recebido terras do Estado as vendesse. Caso não desejasse mais dedicar-se à agricultura, devolveria a propriedade ao governo, que o indenizaria pelas benfeitorias aí edificadas.
Porém, essa reforma durou pouco tempo. Com o argumento de que nada mais plenificaria o poder de posse de suas terras do que o direito de dispor delas como bem entendesse, inclusive vendê-las, foi aprovado um adendo à lei, permitindo ao cidadão vender as terras recebidas do Estado.
Já nesses tempos, os agricultores financiavam suas plantações junto a instituições de crédito ou com outros agricultores mais abastados. Sabedores disso, os senadores da república, que também eram os maiores latifundiários de Roma, no momento da colheita fizeram uma grande importação de produtos agrícolas, mormente de trigo, o produto de maior representatividade na agricultura romana, exatamente no momento da colheita. Isso aviltou os preços de tal maneira que sequer havia compradores para safra do momento.
A grande maioria dos produtores rurais de então entrou em situação de insolvência junto às instituições financeiras. A solução foi vender as terras para pagar os bancos. As terras, que haviam sido indenizadas por um valor de mercado foram recompradas por valores aviltados pelo excesso de oferta. Esse fato mostra que as leis da economia podem ser e são manipuladas.
Num momento como o presente, em que os instrumentos de manipulação agem de forma muito mais sutil sobre os agentes econômicos, devido ao poder da alta tecnologia, dificilmente se podem identificar os reais agentes do processo. Percebem-se facilmente os efeitos.

O que está ocorrendo com a economia deste século XXI é muito mais resultado de disputas econômicas entre poderosos blocos de instituições internacionais, do que pura e simplesmente efeito inexorável de leis mecanicistas do processo econômico mundial. Max Weber afirma que as disputas entre os poderosos criam brechas pelas quais podemos observar um pouco do que acontece nas lutas entre os diferentes grupos de interesses internacionais.
Muito mais nos aguarda no futuro próximo em diversas áreas. Na disputa energética, estamos entre a eletricidade e o petróleo. O próprio Estado Islâmico, vendendo petróleo a menos de vinte dólares ao barril, é um instrumento para aviltar os preços internacionais dessa commodity, o que prejudica economias poderosas como a Rússia, maior exportador mundial do produto. 
Não podemos olhar para os fatos com o olhar ingênuo do "Cândido" de Voltaire e acreditar que "tudo é para o nosso bem"