quarta-feira, 15 de janeiro de 2014

LA MUSA

(Delmira Agustini - Montevidéu, 24 de outubro de 1886 — idem, 6 de
julho de 1914)
Yo la quiero cambiante, misteriosa y compleja;
con dos ojos de abismo que se vuelvan fanales;
en su boca, una fruta perfumada y bermeja
que destile más miel que los rubios panales.

A veces nos asalte un aguijón de abeja:
úna raptos feroces a gestos imperiales y sorprenda en tu risa el dolor
de una queja;
¡En sus manos asombren caricias y puñales!

Y que vibre, y desmaye, y llore, y ruja, y cante,
y sea águila, tigre, paloma en un instante,
que el Universo quepa en sus ansias divinas.

Tenga una voz que hiele, que suspenda, que inflame,
y una frente que, erguida, su corona reclame ¡de rosas, de diamantes,
de estrellas o de espinas!
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Delmira Agustini nasceu e foi criada em uma família de origem italiana que, apesar de conservadora, mimava-a muito. Seu pai era o uruguaio Santiago Agustini (morto em 1925) e sua mãe, a argentina María Murtfeld Triaca (morta em 1934). Além de compor versos já aos dez anos de idade, Delmira realizou estudos de francês, música e pintura.
Colaborou com a revista La Alborada, bem como na Apolo do poeta Manuel Pérez y Curis. Agustini se tornou parte da chamada Geração de 1900, ao lado de Julio Herrera y Reissig, Leopoldo Lugones e Rubén Darío. Este último ela o considerava seu mestre. Darío chegou a compará-la com Santa Teresa, dizendo que ela era única, desde a santa, a expressar-se como mulher.
Agustini especializou-se na sexualidade feminina em uma época em que o mundo estava dominado pelos homens. Seu estilo pertence à primeira fase do Modernismo, e seus temas tratam da fantasia e de matérias exóticas.
Eros, deus do amor, é a fonte de inspiração para os poemas de Agustini sobre os prazeres carnais, sendo protagonista de muitas obras literárias da escritora. Além disso, Los cálices vacíos (1913), sua terceira obra, foi dedicada a Eros e significou sua entrada ao movimento de vanguarda modernista.
No dia 14 de agosto de 1913, Delmira Agustini contraiu matrimônio com Enrique Job Reyes. Porém, devido às inúmeras desavenças conjugais, ela o abandonou apenas um mês e meio depois, divorciando-se em 5 de junho de 1914. Em julho do mesmo ano, ela morreu assassinada por seu ex-marido, que depois cometeu suicídio.