domingo, 7 de dezembro de 2014

A ELEIÇÃO DE OBAMA É FRUTO DO DIFERENCIADO CRESCIMENTO POPULACIONAL ENTRE RAÇAS NOS ESTADOS UNIDOS

Prof. Dr. Oscar Luiz Brisolara
Um fazendeiro do sul dos Estados Unidos, em 1863, por ocasião da libertação dos mais de quatro milhões de escravos negros, jamais poderia sonhar que um dia pudesse existir um Obama, um negro na Casa Branca, como supremo mandatário do país.
Há um percurso enorme, desde a campanha inglesa pela abolição da escravidão, que tinha razões especiais, até as últimas eleições estadunidenses. Geralmente, os antiescravagistas não eram movidos por nenhuma espécie de espírito humanitário.
Não se pode esquecer que, havia um tipo de servidão europeia, desde o início do feudalismo, que consistia na instituição dos servos da gleba. Como se sabe, era uma legião de agricultores, que pertenciam às terras, e que os senhores feudais compravam e vendiam, em suas transições de glebas rurais.

Com o início da revolução industrial, na primeira metade do século XIX, havia uma grande necessidade de mão-de-obra nas fábricas das cidades. Houve, primeiramente, um afrouxamento do controle da fuga de servos e, a seguir, a libertação de todos os eles. Veja-se que na Rússia, essa emancipação dá-se em 1861; na França, ocorrera com a Revolução de 1789; a Inglaterra já o fizera no século XVII.
Mas a grande razão da campanha emancipatória dos escravos, especialmente, é a constatação de que escravo não era consumidor, ou era um subconsumidor do patrão. A campanha baseada nessa constatação vai eliminar definitivamente a escravidão em todo mundo. O escravo, como homem livre, aumentaria em muito seu consumo, absorvendo os muitos produtos que a nova indústria em série produzia.
Geralmente, o processo foi realizado sem planejamento, com o abandono do escravo à sua sorte, sem processos de inserção dos libertos no mercado do trabalho.
Porém, com o crescimento do poder econômico das classes trabalhadoras, há também um índice diversificado de controle de natalidade. Classes mais bem aquinhoadas têm um índice de crescimento de natalidade menor.
Além disso, esse crescimento não é uniforme em todas as raças e grupos sociais. Temos constatado isso, em nossas viagens à Europa e aos Estados unidos, observando as crianças nas ruas.
Na Europa, há um grande número de crianças árabes e negras, e pouquíssimas de raças europeias. Nos Estados unidos, são muitas crianças negras e latinas e, também, um número considerável e crescente de crianças árabes.
A eleição de Obama é resultado desse crescimento. Negros e latinos conscientizaram-se de que constituíam a maioria. Os antigos membros dos clãs de colonizadores estão perdendo a batalha reprodutiva. E isso vai ocorrer brevemente na Europa. Isso já havia ocorrido no Império Romano, com o crescimento de estrangeiros.
Com a instabilidade política em muitos países árabes, há um forte movimento migratório desses povos para todos os países da Europa. Há também um grande número de migrantes de toda parte para esses países. Na Alemanha, é notório o contingente enorme de migrantes turcos, que acorrem ao país para exercerem as profissões que os alemães rejeitam. Isso mudará os mapas políticos e eleitorais dos países.