quarta-feira, 15 de março de 2017

A FAMÍLIA BÓRGIA - ASCENSÃO E QUEDA DA FAMÍLIA BÓRGIA NO VATICANO



ASCENSÃO E QUEDA DA FAMÍLIA BÓRGIA NO VATICANO
Prof. Dr. Oscar Luiz Brisolara
O longo período feudal estabelece poderosas famílias que assumem gradativamente o poder regional, a fim de suprir a ausência da potente Roma, que, no período antigo, mantinha a ordem e a organização social, nesse imenso território, que se estendia desde a Europa até a Ásia, passando pelo norte da África.
Esses papas monarcas eram escolhidos, tradicionalmente, por um colegiado regido por intrincado jogo de poder político, militar e econômico. O novo chefe era tradicionalmente eleito dentre os cardeais pertencentes a um grupo restrito de influentes famílias, mormente italianas, entre as quais se destacavam sobrenomes como Medici, Gonzaga, Sforza, della Rovere, Colonna, Orsini e alguns outros.
Com o advento de poderosos reinos na península ibérica, mais precisamente os de Castela e Aragão, cujo crescimento era resultado das grandes navegações, o centro de poder econômico e militar na Europa deslocou-se para essa região. As influências desse deslocamento não tardariam a manifestar-se também no centro de poder dentro da própria Igreja. Já em 1473, Isabel de Castela tinha assumido o reinado de sua pátria. Casando-se com Fernando de Aragão, une dois poderosos reinos. Formaram, assim, o famoso casal conhecido como os reis católicos.
A esse tempo, a família Bórgia, até então pertencente à pequena nobreza, passa a ser uma das mais importantes do reino do Aragão. Alcançou fama mundial quando Afonso Bórgia foi eleito papa, com o nome de Calisto III.

Afonso Bórgia - Papa Calisto III
Isso ocorreu quando o cardeal já se avizinhava dos 80 anos e o papa Nicolau V havia falecido inesperadamente. Não havia consenso sobre o nome de seu substituto. A figura do cardeal Bórgia surge como conciliadora. Além do mais, havia o generoso contributo dos regentes espanhóis, além da avançada idade do futuro pontífice, o que apontava para um mandato exíguo, período em que os grupos concorrentes poderiam buscar um candidato que atendesse aos interesses da maioria.
Inicia-se, então, uma temporária influência espanhola no Vaticano. Nesse período, houve um processo de popularização dos Bórgia em Roma, a partir de, até mesmo uma mudança no nome da família: Bórgia passou a grafar-se com g na Itália. O nome original espanhol era Borja, com j, e com a característica pronúncia aspirada da língua espanhola.
Calixto nascera com o nome grafado em espanhol como Alonso Borja. Assim que assume o papado, toma medidas populares, como a revisão do processo contra Joana D’Arc. O processo revisório tem como resultado final a declaração de inocência da jovem guerreira francesa. Mas sua medida de maior impacto foi a instituição do padroado português e espanhol. Essa é sua maior interferência em favor dos reis ibéricos. Consistia de um acordo político-religioso entre Igreja e estado, em que era delegada aos monarcas destes reinos ibéricos, a administração e organização da Igreja Católica em seus domínios.
O rei mandava construir igrejas, nomeava os padres e bispos, sendo estes depois aprovados pelo Papa. Esse processo estendeu-se, posteriormente, também às colônias subjugadas aos mesmos reinos.
Calixto III escolhe também dois sobrinhos, filhos de sua Irmã Isabella, Pedro e Rodrigo Bórgia, para sua assessoria pessoal. Com apenas 25 anos, Rodrigo é nomeado cardeal e vice-chanceler do Vaticano, o que equivale a primeiro ministro do papa. Pedro recebe o cargo de prefeito de Roma. Veja-se que o nepotismo era um processo administrativo comum nessa época e considerado regular.
O papa, que tinha profundo afeto aos sobrinhos, não tinha sobre eles nenhuma autoridade. Pedro, que era desprovido de qualquer habilidade política, teve uma péssima atuação em seu ofício, especialmente pela arrogância com que tratava os polidos cidadãos romanos. O prefeito governava a grande metrópole de Roma em nome do papa. Esse cargo fora tradicionalmente reservado à família Orsini, cujo preterimento pelo papa estrangeiro gerou forte oposição de seus influentes membros a ambos: prefeito e papa, criando-lhes toda a sorte de obstáculos.
Já Rodrigo, que havia estudado Direito na universidade de Bolonha e era brilhante no raciocínio e amável no tratamento, conquistou a benevolência dos sempre insatisfeitos romanos, e, de modo especial, de muitos poderosos do momento, tornando-se prestigiado nos círculos influentes das poderosas famílias ligadas ao Vaticano e, consequentemente, ao poder eclesiástico.
Como assumira o papado em avançada idade, Calixto esteve à frente da Igreja por apenas três anos e alguns meses (08/04/1455 a 06/08/1458). Além de idoso, estava constantemente enfermo. Não fora a forte influência de Afonso II de Aragão, jamais teria alcançado o poder papal. O vetusto prelado, no entanto, cumpriu plenamente a função que o rei de sua pátria esperava dele.
Estando Sua Eminência à morte, Pedro, temendo os romanos na ausência da proteção do tio, fugiu à noite para Civitavecchia, porto junto ao mar Tirreno, com o auxílio pessoal do irmão que o acompanhou até a costa. Porém, aí chegado, contraiu uma febre em conseqüência da qual faleceu prematuramente. Rodrigo, no entanto, julgando que o irmão estivesse a salvo, retornou corajosamente à cidade eterna, e permaneceu junto ao leito do tio agonizante até o desenlace. É preciso salientar que os nobres da família Orsini, afastados do poder por estrangeiros, estavam sedentos de vingança, não fazendo distinção entre espanhóis maus e bons.
O cardeal Bórgia, com apenas 27 anos, no entanto, graças a seu posto no Vaticano, era a maior autoridade purpurada no conclave que aconteceu em 17 de agosto de 1458, para a eleição papal. Esses embates são extremamente complicados e envolvem poderosos interesses, e foi desse conclave que Rodrigo Bórgia saiu consagrado politicamente.
Havia uma disputa acirrada entre o cardeal Enea Silvio Piccolomini, bispo de Siena, e o cardeal francês Guillaume D’Estouteville, Decano do Colégio dos Cardeais,da Câmara Apostólica, além do mais, riquíssimo e poderoso Arcebispo de Rouen.Rodrigo preferia o cardeal francês, mas, percebendo a clara tendência do colégio cardinalício em favor de seu adversário, manifestou-se aberta e publicamente a favor de Piccolomini. Usou de toda a sua habilidade política de persuasão em favor do bispo de Siena, de tal forma que, esse prelado foi confortavelmente eleito papa, com margem segura de votos, assumindo o pontificado como Pio II. Embora as razões do cardeal espanhol não fossem absolutamente pias, sua atuação valeu-lhe a manutenção no cargo de vice-chanceler também do novo papa.
Agora Rodrigo não era mais apenas o sobrinho de papa, caminhava com suas próprias pernas e esse início de carreira se mostrava promissor, estabelecido em Roma, Rodrigo Bórgia pensou na construção de um palácio digno de sua posição social. Executou seu plano com a elevação de um palacete exatamente de fronte o Vaticano, na outra margem do Tibre. Era um palácio-fortaleza, como o eram todos os construídos nessa época: adequado a propiciar uma moradia suntuosa e confortável para seu proprietário, mas também a oferecer-lhe proteção nos frequentes períodos de caos.
O cardeal Ascânio Sforza assim o descreve em correspondência a seu irmão Ludovico, poderoso duque de Milão: "Trata-se de uma construção com enorme e desarmônica demonstração de riqueza: louça requintada, tapetes preciosos, móveis acolchoados em tecidos refinados; todo mobiliado sem um plano preciso, a não ser o de destacar a própria riqueza e magnificência".

Piazza Sforza Cesarini - L'edificio fu costruito per Rodrigo Borgia quando nominato vice cancelliere di Santa Romana Chiesa da suo zio, papa Callisto III. Quando Rodrigo Borgia divenne papa con il nome di Alessandro VI (1492 - 1503) lasciò il palazzo al cardinale Ascanio Sforza, como compenso per il sostegno da lui avuto in conclave.
Em breve, a praça em frente ao palácio Bórgia torna-se palco de frequentes espetáculos que o cardeal espanhol oferecia à população: representações teatrais ao ar livre, espetáculos musicais e até mesmo promoveu uma competição de corrida. O povo miúdo não participava dos conclaves, mas tornar-se popular era uma boa política, fazia parte dos requisitos de quem olhava para o alto, para muito alto.
Pio II morreu em 1464, tendo sido o único papa que escreveu uma autobiografia intitulada Comentarii. Foi substituído pelo papa Paulo II (nascido Pietro Barbo), eleito por unanimidade, que se comprometera por juramento a eliminar o nepotismo do Vaticano e a convocar um concílio. Há comentários velados sobre sua suposta homossexualidade. Não convocou o concílio e pouco realizou de suas promessas de campanha.
O papa seguinte, Sisto IV, pertencia à tradicional família romana dos della Rovere (fora Francesco della Rovere). Era homem severo, porém, de refinado gosto artístico e cultural. Criou a poderosa e controvertida inquisição espanhola, cuja administração entregou aos frades dominicanos, os quais, em razão dessas atribuições, passaram a ser sarcasticamente designados de Domini canes, ou seja, cães do Senhor. Também ordenou a construção da incomparável Capela Sistina, relicário da arte renascentista romana, que recebe este nome em sua memória.
Com o óbito de Sisto IV, sobe ao poder pontifício o cardeal Giovanni Battista Cybo, que assume o nome eclesiástico de Inocêncio VIII. Continua a política de seu antecessor, perseguindo aqueles aos quais considera inimigos da Igreja, elaborando uma bula papal contra a bruxaria. Dá plenos poderes à inquisição para prender, torturar e punir a todos aqueles que até mesmo fossem suspeitos de crime de feitiçaria. Essa campanha desencadeou uma perseguição implacável e extremamente cruel contra esse tipo de prática, muito bem narrada em uma obra de 1487, dos frades dominicanos Heinrich Kraemer e James Sprenger, que recebeu o título de Malleus Maleficarum (O Martelo das Feiticeiras). Essa obra foi traduzida há alguns anos e teve grande aceitação por parte do público contemporâneo.
Nesses tempos de grande afrouxamento moral, cada vez mais o cargo papal se tornava objeto de barganha e manobras de alianças políticas, para cuja conquista os pretendentes despendiam somas milionárias. Reconhecido por sua habilidade nessas práticas e sem escrúpulos de consciência, o cardeal Rodrigo Bórgia foi mantido em seu elevadíssimo cargo durante os mandatos de todos os papas cujos mandatos se seguiram ao de seu tio Calixto III. Julgou, então, o cardeal espanhol, que chegara o seu momento de tomar o pontificado. Ninguém como ele estivera tão envolvido nos afazeres da política interna e externa do Vaticano nos tempos que se seguiram à eleição do primeiro papa de origem ibérica, que se estendiam por mais trinta anos (mais precisamente, 37).
A eleição papal de 11 de agosto de 1492 não fora mais do que o lógico epílogo de um processo urdido com paciência, argúcia e tenacidade. Ninguém melhor do que ele estaria habilitado a exercer o poder supremo de uma Igreja infectada de toda a espécie de interesses de toda sorte, desde os puros lucros econômicos, passando pela concupiscência e culminando nas vaidades salomônicas. Quando chega ao pontificado, já tinha ele sete filhos, quatro dos quais de sua amante mais conhecida, Rosa Vanozza dei Cattanei, e três de outras diferentes mulheres. Surgia, então, uma nova e envolvente mulher em sua vida, jovem e belíssima, Giulia Farnese, casada com Orsino Orsini, de nobilíssima família romana, mas, por outro lado, filho de uma prima do prelado.
Não esqueçamos que a celibato sacerdotal já era uma exigência desde o século XI (1073), quando o papa Gregório VII estendeu-o a todos os sacerdotes. Até então, casados poderiam ser ordenados, porém os que se ordenassem solteiros deveriam permanecer assim para continuar exercendo o sacerdócio.
A vida amorosa do novo pontífice, bem como seu amor acentuado pelos filhos foram seu calcanhar de Aquiles, não que, nesse tempo, se desse importância demasiada a esses desvios de conduta, que eram considerados normais por toda a comunidade, a não ser quando eles se tornavam objeto de fuxicos e maledicências. Alexandre VI sempre foi generoso com seus familiares. Para dotar seu filho Pedro, comprou o ducado de Gandía, (em Valência, Espanha).Pedro, por sua vez legou-o a seu filho João, que foi assassinado pouco depois de seu matrimônio. Seu filho, o terceiro duque de Gandía, casou-se com a filha natural de um filho de Fernando V de Aragão. Deste matrimônio nasceu em 28 de outubro de 1510 Francisco de Borja e Aragão, o qual seria canonizado santo. Francisco era neto de um Papa (Alexandre VI) e de um rei (Fernando de Aragão) e, além disso, primo do imperador do Sacro Império Romano-Germânico, Carlos V.
Estranho era, mesmo aos costumes dessa época, o fato de o cardeal Bórgia casar sua amante com funcionários eclesiásticos. Isso ocorreu pela primeira vez em 1474, quando casou Vanozza com o notário Camillo d’Arignano, na opulenta mansão dos Bórgias. Desde esse momento, o cardeal Rodrigo Bórgia escolheu sucessivos maridos para a amante. Esses maridos formais davam legalidade à vida da concubina do prelado e evitavam o falatório dos cidadãos romanos que amavam esse tipo de fuxico.
Vanozza, ao contrário da maioria das cortesãs do seu tempo, era discreta e prudente. Rodrigo, por sua vez, era riquíssimo e generoso, além do que parecia amar sinceramente a bela companheira, tendo sido muito pródigo em suas doações para ela. Soube ela, também, afastar-se discretamente, quando o amante a substituiu pela jovem Giulia, da qual teve também uma filha. Além do mais, submeteu-se, quando ele levou os filhos para a mansão dos Orsini, e colocou-os sob a guarda de Adriana Mila Orsini, prima do pontífice, e sogra de Giulia Farnese Orsini. Essa prima era mulher requintada que residia no exuberante palácio Orsini de Monterotondo e poderia dar uma refinada educação aos filhos do papa.
Palazzo Orsini a Monterorundo - Di Adriana de Mila Orsini
O desregrado cardeal tinha uma situação bastante confortável em relação aos demais líderes eclesiásticos da época, pois, embora não fosse nenhum modelo de virtudes, seus opositores, cada um por seu lado, na maioria dos casos, tinha uma vida de crimes e depravações iguais ou piores do que a dele. Embora se deva fugir a generalizações inconsequentes, pode-se constatar que a virtude era objeto raro nas elites daqueles tempos.
Outrossim, o novo papa granjeara certa popularidade desde o início de seu mandato. Durante os dias do conclave, Roma caíra, como de costume nessas ocasiões, em verdadeiro caos. Uma horda de bandidos havia infestado a cidade e já se contavam 200 assassinatos. O pontífice eleito entendeu que era preciso dar uma resposta á altura aos criminosos. Como a impunidade de há muito se consagrara na capital do cristianismo, identificar os malfeitores não era trabalho difícil, pois faziam questão de jacta-se de suas façanhas, o que lhes dava prestígio na comunidade. Deu ordens às milícias papalinas para que fossem rigorosas no castigo aos infratores. Ordenou que os assassinos tivessem suas casas destruídas, e no lugar delas se erguessem forcas em que se pendurassem os criminosos, que deveriam ficar expostos à vista dos passantes a fim de servirem de desestímulo a possíveis malfeitores.
Nos dias que precederam a posse do novo pontífice, suas novas regras disciplinares foram executadas com tamanho rigor que no dia 26 de agosto, em que ocorreu a coroação oficial de Alexandre VI, Roma estava tranquila e todos mantinham o maior respeito às ordens policiais. O papa desfilou majestoso montado em exuberante cavalo branco, transitando por ruas e becos durante seis horas contínuas, na mais perfeita ordem, sem que nenhum desordeiro ofuscasse o brilho e a suntuosidade dos festejos, que se caracterizaram por uma exibição de luxo, organização e até mesmo um elevado grau de exibicionismo.
Embora a Igreja tivesse diversas fontes de receita, como o monopólio da produção de sulfato de alumínio, substância necessária para tingir tecidos, não havia suficientes proventos para fazer frente às despesas crescentes de um estado opulento e perdulário. Havia necessidade de novas formas de suprimento para o governo. Foi então que o novo regente apelou para a já existente venda de indulgências. Porém, fez isso de maneira tão exorbitante, que gerou exacerbadas críticas, e provocou reações em diversas regiões do mundo cristão, as quais culminaram com a futura Reforma Luterana de 1517, quando o pontífice espanhol já havia falecido há mais de dez anos.
Em 18 de agosto de 1503, após numerosos escândalos, parte deles atribuídos a sua filha Lucrécia, muitíssimos ao seu filho César, condottiere (comandante) dos exércitos papais, e tantos outros ao próprio papa, o malfadado Bórgia, de execrável memória dentro da Igreja Católica, acaba falecendo. Os menos radicais atribuem sua morte a um acometimento de febre malária. Outros afirmam ter sido ele envenenado com arsênico, chegando os mais radicais a afirmar que o autor do envenenamento foi o próprio filho, o monstruoso assassino César Bórgia. Essa questão permanece insolúvel até o presente.
Como ato mais ousado de sua administração, Alexandre VI havia feito aprisionar o cardeal Giovanni Battista Orsini nas deploráveis celas do Castelo Sant’Angelo e depois mandado envenená-lo, tendo, em seguida, confiscado todos os bens de família, despejando, após, familiares e escravos.Para completar a desgraça dos Orsini, César Bórgia mandou estrangular os dois sobrinhos do cardeal em Senigália. Como sucessor dos Bórgias, Giuliano della Rovere, grande opositor de Rodrigo, é eleito papa, adotando o nome de Júlio II.
Conforme já foi mencionado acima, a família Bórgia teve também em seu seio um santo: São Francisco de Bórgia. Era bisneto do papa Alexandre VI e do rei Fernando II, rei católico, marido de Isabel de Castela. Era também primo do rei Carlos V, do Sacro-Império Romano-Germânico (Carlos de Habsburgo), que, no seu ápice, englobou os territórios dos modernos Estados da Alemanha, Áustria, Suíça, Liechtenstein, Luxemburgo, República Tcheca, Eslovênia, Bélgica, Países Baixos, Polônia, França e Itália, que reinava ainda sobre a Espanha, como Carlos I; e também sobre Nápoles e a Sicília, como Carlos IV.
Desde menino, desejava ser monge, porém seus pais o encaminharam à corte de Carlos V, em que foi companheiro do rei por diversas campanhas militares. Casou-se, então, com uma nobre portuguesa, Eleonor de Castro Melo e Menezes, com a qual teve oito filhos. Enviuvando, decidiu entrar para a recém fundada Companhia de Jesus, em latim Societas Iesu, SJ, cujos membros são conhecidos como jesuítas, caso do atual papa Francisco. Em 1546, abdicou de todos os seus bens em favor de seu primogênito, Carlos. Ao ingressar nessa ordem religiosa, ofereceram-lhe, de imediato, o título de cardeal, ao qual recusou, preferindo tornar-se pregador itinerante. Era humilde e simples no relacionamento com seus irmãos e com o povo em geral.
São Francisco de Bórgia SJ
Em 1554, por insistência dos companheiros de batina, aceita, finalmente, a púrpura cardinalícia.Foi incumbido de reformular as normas internas da congregação dos jesuítas. Escreveu a Ratio Studiorum. Por fim, tornou-se superior geral da ordem.
O cardeal Ipólito d’Este foi também um dos importantes descendentes da família Bórgia. Seu avô materno era o papa Alexandre VI, seu avô paterno era Ercole d’Este, sua mãe, Lucrezia Bórgia e seu pai, Afonso d’Este, duque de Ferrara. Foi o construtor da encantadora Vila d’Este, ao sul de Roma, nas proximidades da Vila Adriana.
Villa D'Est - Tivoli - Itália
Jardim das Cem Fontes



Villa Adriana





Voltando a São Francisco de Bórgia, foi em memória dele que se deu o nome à cidade missioneira de São Borja, no Rio Grande do Sul, fundada pelos jesuítas espanhóis no século XVII, momento histórico em que essa região ainda pertencia ao Reino do Prata, ligado à coroa hispânica.
Esses são alguns dados referentes à família Bórgia, que se tornou famosa na história, mormente por seus crimes de diversas naturezas, o que, de certa forma, influiu definitivamente na construção da imagem de Lucrécia Bórgia.

BRISOLARA, Oscar Luiz. Ascensão e queda da família Bórgia no Vaticano.

Lucrécia Bórgia 

Nasceu em Subiaco, ao sul de Roma, numa fortaleza de propriedade do pai dela, primeiro cardeal Rodrigo Bórgia e depois papa Alexandre VI.
Lucrécia teve três casamentos: o primeiro foi com Giovanni Sforza, duque de Pesaro e descendente dos poderosos duques de Milão.
O segundo foi com Afonso de Aragão (duque de Bisceglie), filho bastardo do rei de Nápoles e Aragão, assassinado pelo irmão dela, César Bórgia.
O terceiro foi com Afonso D'Este, duque de Ferrara, cidade do norte da Itália.



Rocca dei Borgia - Subiaco
Fortaleza situada em Subiaco a aproximadamente 20 km ao sul de Roma. Foi construída entre 1073 e 1077 da era cristã, pelo abade beneditino Giovanni V, para assegurar o domínio da abadia sobre a região. Em 1476, o cardeal Rodrigo Bórgia adquire a propriedade e transfere para lá sua amante Rosa Giovanna dei Cattanei (Vanozza dei Cattanei), depois de fazer uma reforma geral nos prédios. É nessa fortaleza que nasce Lucrécia Bórgia em 18 de abril de 1480, o terceiro fruto desse relacionamento ilegítimo. O cardeal Bórgia viria a ser o papa Alexandre VI em 10 de agosto de 1492.

Scalinata dei Borgia
Eleito papa, o cardeal Bórgia transfere a família, Vanozza e os quatro filhos que com ela tinha: Giovani, César, Lucrécia e Jofré, para um palacete no centro histórico de Roma conhecido como Scalinata dei Borgia. Trata-se de uma antiga construção existente até hoje, situada à rua Cavour, na saída em direção à praça São Francisco de Paula, próxima também à tradicional igreja de São Pedro in Vincoli, ao Coliseu e aos Museus Capitolinos.

Scalinata dei Borgia



Locanda della Vacca - Roma

La Locanda della Vacca era um palacete no Vicolo del Gallo (Beco do Galo), onde funcionava uma casa de tolerância de propriedade de Vannozza dei Cattanei. Situava-se nas proximidades do Campo dei Fiori, centro de negócios de Roma, passagem obrigatória de muitas procissões, e o mais fundamental, ficava muito próxima dos palácios do Vaticano. A casa era frequentada pela elite romana, mormente por alguns importantes cardeais como Rodrigo Bórgia e Juliano della Rovere, ambos futuros papas. 



Palácio Sforza - Pesaro
Em seu primeiro matrimônio com Giovanni Sforza, descendente dos duques de Milão, Lucrécia vive neste luxuoso palácio em Pesaro, cidade da qual o marido era duque.

Palácio Sforza - Pesaro

Castelo de Nepi – Viterbo
O castelo de Nepi, hoje em ruínas, situa-se ao sul da Itália, na província de Viterbo. Alexandre VI deu à filha Lucrécia essa fortaleza e as regiões de Spoleto e Foligno para que ela as governasse. Lucrécia, pela primeira vez, mostrou a quem quisesse ver, que ela não era apenas bonita, mas também muito inteligente e perspicaz. Afinal, ela sabia falar várias línguas (além de seu italiano, francês, espanhol, latim e um pouco de grego). Governou os lugares com eficiência, justiça e piedade. Viveu em Nepi, com seu segundo marido, Afonso de Aragão, que foi em seguida assassinado pelo irmão dela César.

Castelo de Nepi – Viterbo


Castelo D’Este – Ferrara

Após alguns anos solitária, por fim, Lucrécia casa-se com Afonso D’Este, duque de Ferrara: rica e poderosa cidade do norte da Itália, próxima a Veneza. No castelo Estense, vive os derradeiros anos de sua inesquecível existência, patrocinando as artes e dedicando-se aos pobres como membro da Ordem Terceira das Irmãs Clarissas, além de cuidar dos filhos que esse último casamento lhe proporcionou.

Castelo D’Este – Ferrara












Cabelos de Lucrécia Bórgia 

"São os cabelos mais loiros que se podem imaginar e que jamais vi tão loiros", escrevia o poeta romântico inglês George Byron a propósito da mecha de cabelos de Lucrécia Bórgia que se encontra na Pinacoteca Ambrosiana, em Milão. Foi um presente enviado ao grande amigo dela, o cardeal Pietro Bembo, com quem a duquesa de Ferrara manteve correspondência por muitos anos.

Cabelos de Lucrécia Bórgia 

Cabelos de Lucrécia Bórgia 



Bilhete de Lucrécia Bórgia









Manuscrito de Lucrécia Bórgia








Lápide do túmulo de Lucrécia Bórgia - Mosteiro do Corpus Domini - Ferrara - Itália


Lápide do túmulo de Lucrécia Bórgia


Mosteiro do Corpus Domini

Mosteiro do Corpus Domini


Mosteiro do Corpus Domini



Porta principal do Mosteiro do Corpus Domini

Interior do Mosteiro do Corpus Domini








O jovem era uma moça. E a moça era Lucrécia Bórgia.


Desde 1965, uma pintura figurava nas paredes da Galeria Nacional de Vitória, em Melbourne (Austrália), sem muito alarde. Retrato de um jovem, de autoria de um pintor italiano desconhecido. Depois de uma longa pesquisa, o museu acaba de anunciar que não só seu “jovem” é uma moça, como a tela é provavelmente o único retrato existente da lendária Lucrécia Bórgia (1480-1519), duquesa de Ferrara, reputada na época romântica como uma das mulheres mais cruéis da história, o “veneno dos Bórgia”.
Em 2004, especialistas descobriram que a obra tinha sido realizada entre 1515 e 1520, por Dosso Dossi (c.1486-1542). Outros estudos depois, historiadores concluíram que, apesar de o personagem do quadro segurar uma adaga (geralmente incluída em figuras masculinas), a retratada era uma moça. O fato de que naquela época retratos eram um privilégio da alta nobreza, sobretudo os femininos, levou à conclusão de que a personagem era Lucrécia. No fundo do quadro pode-se ver uma Vênus, símbolo da família Bórgia. A adaga seria uma referência a outra Lucrécia, da Roma Antiga, do século VI a.C.
Segundo Carl Villis, autor da descoberta, “até agora, a única imagem confiável que se tinha de Lucrécia Bórgia era um perfil em uma medalha de bronze de 1502”. E a mulher da medalha se parece com a moça da pintura.
Atualmente, Lucrécia Bórgia está entre os planos do cineasta Neil Jordan para uma megaprodução que terá Christina Ricci como personagem-título. 





Lucrecia Borgia

Filmes e Óperas


Lucrèce Borgia 




1498. Roma, a potência do Renascimento, é governada pelo tirânico Cesar Borgia, um homem que não tem escrúpulos. Para garantir uma aliança com Nápoles, ele providenciou que sua irmã Lucrecia casasse com Alphonse, o Duque de Aragão.
Na véspera de seu casamento, Lucrécia secretamente se junta ao carnaval de rua, onde ela conhece e se apaixona imediatamente por um estranho. Um jogo de poder implacável!
Estrelas: Martine Carol, Pedro Armendáriz, Valentine Tessier
Direção: Christian-Jaque
Duração: 1 hora 34 minutos

Le notti di Lucrezia Borgia - 1960

Estrelado por: Belinda Lee & Jacques Sernas





Série televisiva "Os Borgias"


Os Bórgias é uma série televisiva de ficção histórica, que estreou em 2011, de produção canadense-húngara-irlandesa, criada por Neil Jordan. A série é baseada na história da Família Bórgia, uma dinastia italiana de origem espanhola, que tornou-se proeminente durante o Renascimento. Estrelada por Jeremy Irons como Rodrigo Bórgia (Papa Alexandre VI) e pelos atores David Oakes, François Arnaud, Holliday Grainger e Aidan Alexander que interpretam respectivamente os filhos Juan (Giovanni), Cesare, Lucrezia e Gioffre Bórgia. Derek Jacobi aparece como o Cardeal Orsini. Estreou em 03 de abril de 2011, no canal Showtime nos Estados Unidos e no canal Bravo! no Canadá. A série atualmente é transmitida no Brasil pelo canal TNT. 

Holliday Grainger como Lucrécia Bórgia


“Lucrezia Borgia”, de Gaetano Donizetti

Uma ópera com enredo forte, criada a partir de peça de Victor Hugo.Lucrezia Borgia é um “melodramma”, em um prólogo e dois atos, de Gaetano Donizetti (1797-1848). Sua estreia ocorreu em dezembro de 1833, no Teatro alla Scala de Milão, na Itália.
O enredo da ópera é bastante forte, já que o libreto de Felice Romani baseia-se em peça original de Victor Hugo que, por sua vez, originou-se na lenda dos Borgia, marcada por escândalos sexuais e assassinatos por envenenamento.


Programa

Ópera Lucrezia Borgia, de Gaetano Donizetti
Interpretada pelos solistas Montserrat Caballé, Alfredo Kraus, Shirley Verrett, Ezio Flagello e outros; e Coro e Orquestra de Ópera da RCA Italiana, sob a regência de Jonel Perlea.