segunda-feira, 27 de fevereiro de 2017

ORIGEM HISTÓRICA DA PALAVRA ÔNIBUS



Prof. Dr. Oscar Luiz Brisolara
Ônibus em português (em inglês bus, em francês bus, em espanhol autobús, em alemão Bus, em italiano autobus, em polonês autobus, em romeno autobuz e assim por diante), é um termo que tem sua origem etimológica no pronome latino omnes, cujo significado é todos. No seu caso ablativo, indicando para todos, a palavra muda para omnibus.
Esta é a história da evolução do termo ônibus até receber a significação atual de meio de transporte coletivo. Em torno de 1826, um jovem empresário, Etienne Bureau, decidiu usar uma carruagem tracionada por cavalos para levar os funcionários de seu avô, que era armador, dos escritórios para os serviços alfandegários junto ao porto, na cidade francesa de Nantes, no rio Loire.
Na mesma cidade de Nantes, havia um chapeleiro chamado Omnès, que tinha uma loja: “Omnes Omnibus”, que significa tudo para todos. A carruagem do jovem Etienne estacionava diante dessa loja. Assim, os usuários da linha de transporte costumavam dizer que iam para a Omnibus.
Nessa mesma época, também em Nantes, havia um coronel do exército de Napoleão, Stanislas Baudry, que se estabelecera com um moinho movido por uma máquina a vapor. Para otimizar o emprego da caldeira, passou a oferecer banhos públicos. Para levar as pessoas que se destinavam aos banhos, colocou à disposição dos fregueses uma carruagem puxada por cavalos.
Há mesmo quem diga que a loja de Omnès, a qual iniciava a vender roupas prêt-à-porter, ou seja, prontas para usar, também se valeu dos serviços dos banhos públicos. Saliente-se que até o início do século XIX costumavam-se fazer somente roupas sob medida. Assim, as pessoas pobres confeccionavam em casa suas vestes. Os mais abastados dependiam de alfaiates e costureiras.
Com a produção em série, no início da revolução industrial, surgiu também a produção de roupas prontas para o uso. Acontece que os compradores deveriam provar as roupas antes de comprá-las para confirmar a peça do tamanho adequado a cada indivíduo. 
Como os hábitos de higiene pessoal a esses tempos não eram muito exigentes, os clientes chegavam à loja de Omnès suados e, muitas vezes, sujos. Para não comprometerem a qualidade das roupas que porventura não fossem compradas, o comerciante passou a valer-se dos serviços de banho do industrial. Para esse fim, o moleiro Baudry teria colocado uma linha de carruagens entre a loja de roupas prontas e seus banhos públicos. 
Com a sequência das suas atividades, Stanislas Baudry conclui que seria muito mais lucrativo usar sua linha de carruagens para transporte coletivo urbano e não apenas conduzir os clientes da loja para os banhos. Assim, ele abandonou o moinho e conseguiu no município de Nantes permissão para abrir a primeira linha regular de transporte coletivo.
O contratante estende a sua atividade para Paris a partir de 30 de janeiro de 1828 com a inauguração da Companhia Geral de Omnibus . O sucesso do empreendimento dos ônibus revela também que esse sistema coletivo era muito mais barato do que as pequenas carroças individuais, equivalentes aos nossos táxis. Porém, a concorrência levou Baudry à falência e ao suicídio. As empresas do setor, no entanto, multiplicaram-se.
É historicamente comprovado que o transporte por carruagens já existia bem antes desses fatos. Acontece, no entanto, que o nome ônibus dado ao transporte coletivo provém daí. 
Antes do século XVII, cada cidadão precisava dispor de seu próprio meio de transporte: uma carruagem ou cavalo. Isso tornava esse serviço impossível aos cidadãos de rendimentos medianos. Já por volta de 1617, Nicolas Sauvage teve a iniciativa de criar a primeira empresa de carros contratados, os ancestrais dos táxis. Em 1640, esse cidadão instalara um depósito em Paris, na Rue Saint-Martin, que contava com vinte carros. Como esse depósito estava situado em frente ao hotel de Saint Fiacre, os carros rápidos recebem o nome do santo. Passam a chamar-se de fiacres.
A concepção de ligações urbanas regulares é atribuída mais tarde ao genial pensador Blaise Pascal. Associam-se ao cientista nessa ocasião homens de negócios como o Duque de Rouanez e outros. Obtiveram cartas patentes do rei Louis XIV com o privilégio de abrir cinco linhas com horários fixos, a partir do palácio de Luxemburgo, cobrindo diversas áreas da cidade. Pascal, que investira todos os seus bens pessoais na empreitada, faleceu pouco tempo depois de estabelecida a empresa, em 1662. O empreendimento fracassou no momento em que políticos passaram a tomar parte no negócio, estabelecendo regras que restringiam os usuários do serviço.
A partir de então, foram feitas novas concessões e criadas outras empresas que evoluíram até o nosso sistema atual de transporte urbano. Todos os países desenvolveram processos semelhantes de transporte coletivo. O substantivo ônibus ou sua forma reduzida bus passou, pelos fatos históricos relatados, a designar esse meio de transporte de massas tão útil ainda nos tempos hodiernos.