quinta-feira, 16 de fevereiro de 2017

PAPA FRANCISCO E SEUS PROBLEMAS CADA VEZ MAIORES COM OS CONSERVADORES

    Papa Francisco em guerra                                     com conservadores
    Posted by Thoth3126 on 16/02/2017
Há duas semanas, como diria Bento XVI em sua despedida, as águas estão um pouco agitadas no Vaticano. Além da já conhecida resistência de alguns setores da Cúria aos ares de mudança trazidos pelo papa Francisco, há dois importantes acontecimentos recentes: a guerra em plena luz do dia com o Grão-Mestre da Ordem de Malta, que acabou destituído pelo próprio Pontífice, e o surgimento de diversos cartazes contra as medidas de abertura de Francisco colados nos muros de algumas ruas de Roma.
Edição e imagens: Thoth3126@protonmail.ch
Cardeais respaldam papa Francisco e expõem guerra com conservadores. A recente campanha ultraconservadora leva os prelados reformistas a se manifestarem publicamente
Daniel Verdu-Roma 15 FEV 2017-Fonte: http://brasil.elpais.com
A confirmação desse mal-estar chegou com um gesto pouco habitual do grupo de cardeais mais próximos do Papa, que lhe manifestaram seu apoio público em resposta aos “últimos acontecimentos”. Um comunicado que é bastante revelador, tendo em vista a obviedade que expressa e a rara disposição dos religiosos em ventilar assuntos internos.

Um operário cobre um cartaz contra o Papa em uma rua de Roma. (Max Rossi-Reuters)
O chamado C9, grupo de cardeais aos quais o Pontífice encarregou o estudo e o projeto das reformas da Igreja, reuniu-se pela décima oitava vez nesta semana. Tais encontros ocorrem desde 2013 sem divulgação de grandes anúncios, exceto a importante criação da comissão para a defesa dos menores. No entanto, no começo da reunião de segunda-feira, o grupo de cardeais se aventurou com um brevíssimo texto. “Em relação aos recentes acontecimentos, o Conselho de Cardeais expressa o pleno apoio ao Papa, assegurando, ao mesmo tempo, a adesão e o apoio pleno à sua pessoa e ao seu magistério”.
A que acontecimentos se referem os cardeais do C9? Um de seus integrantes, o monsenhor Reinhard Marx, esboçou nesta terça uma resposta às perguntas da imprensa. “Vocês sabem quais acontecimentos… Era hora de repetir que o apoiamos. Não queremos dramatizar esse tema. Temos discussões na Igreja, mas a lealdade ao Papa é inerente à fé católica. O que queríamos dizer está no comunicado.”
O alemão Marx, além de muito próximo de Francisco, foi um dos cardeais que defenderam publicamente a Amoris Laetitia, a exortação católica com a qual o Papa pediu que se aja com discernimento, estudando cada caso e não apenas aplicando leis na hora de dar os sacramentos, inclusive a pessoas divorciadas, segundo se deduzia. “É mesquinho” limitar-se a considerar “se o agir de uma pessoa corresponde ou não a uma lei ou norma geral. Lembro aos sacerdotes que o confessionário não deve ser uma sala de torturas, mas sim o lugar da misericórdia do Senhor”, disse Francisco na ocasião.

“E eu vi uma mulher assentada sobre uma besta de cor escarlate (vermelho, a cor dos CARDEAIS), que estava cheia de nomes de blasfêmia, e tinha sete cabeças e dez chifres. E a mulher estava vestida de púrpura (violeta) e de escarlate, e adornada com ouro, e pedras preciosas e pérolas; e tinha na sua mão um cálice de ouro cheio das abominações e da imundícia da sua prostituição; e na sua testa estava escrito o nome: Mistério, a grande babilônia, a mãe das prostituições e abominações da terra”. O fim da Grande Prostituta (a igreja romana) está MUITO PRÓXIMO…
Feito publicamente em abril, o pedido está na origem de muitas das críticas feitas pelo setor mais conservador, personificado – ou talvez superdimensionado, em algumas ocasiões – na figura do cardeal norte-americano Raymond Leo Burke. Foi ele que em setembro, juntamente com outros quatro cardeais, escreveu publicamente ao Papa expressando suas dúvidas sobre a Amoris Laetitia e exigindo publicamente que fossem esclarecidas ou ele as corrigiria. Desde então, cada vez que as águas ficam turvas, alguns dirigem o olhar para Burke.

RAYMOND BURKE E A SOBERANIA DA ORDEM DE MALTA

O cardeal norte-americano Raymond Leo Burke é também patrono da Ordem Soberana e Militar de Malta. Uma organização que remonta a 1048, formada hoje por laicos de famílias nobres dedicados a trabalhos humanitários e cujo Grão-Mestre, Matthew Festing, envolveu-se numa guerra contra Francisco que terminou com sua renúncia, imposta pelo Pontífice.
Trata-se de um novo cenário da luta entre a resistência dos tradicionalistas e a tendência de abertura do Papa. O conflito partiu justamente de uma decisão tomada pelo cardeal norte-americano – ou que pelo menos teve seu consentimento – sobre a destituição do Grão Chanceler Albrecht Freiherr von Boeselager, acusado de permitir a distribuição de preservativos na África e na Ásia por uma ONG que colabora com a Ordem.
O Papa decidiu nomear uma comissão para investigar o fato, mas a Ordem, representada por seu Grão-Mestre, reivindicou sua soberania e se negou. No fim das contas, Festing e Burke perderão poder ao conviver com um delegado do Papa.

“E não sejais cúmplices com as obras infrutuosas das trevas, mas antes condenai-as. Porque o que eles fazem em oculto até dizê-lo é torpe. Mas todas estas coisas se manifestam, sendo condenadas pela luz, porque a luz tudo manifesta. Por isso diz: Desperta, tu que dormes, e levanta-te dentre os mortos, e Cristo te esclarecerá. Portanto, vede prudentemente como andais, não como néscios, mas como sábios” – Efésios 5:11-15

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