sexta-feira, 2 de agosto de 2019

ATLÂNTIDA - UM HABITANTE DE DOIS PLANETAS (24-B) - O DEVACHAN


Atlântida: Um Habitante de Dois Planetas (24-B) – O Devachan
Posted by Thoth3126 on 22/07/2019

Atlântida, a rainha das ondas dos oceanos. 
“O propósito desta história é relatar o que conheci pela experiência, e não me cabe expor ideias teóricas. Se levares alguns pontos pequenos deixados sem explicação para o santuário interior de tua alma, e ali neles meditares , verás que se tornarão claros para ti, como a água que mitiga a tua sede. . .
“Este é o espírito com que o autor (Philos, o Tibetano) propõe que seja lido este livro. E chama de história o relato que faz de sua experiência. Que é história?. . . Ao leitor a decisão.
“O medo é a emoção predominante das massas que ainda estão presas no turbilhão da negatividade da estrutura de crença da (in)consciência de massa. Medo do futuro, medo da escassez, do governo, das empresas, de outras crenças religiosas, das raças e culturas diferentes, e até mesmo medo da ira divina. Há aversão e medo daqueles que olham, pensam e agem de modo diferente (os que OUVEM e SEGUEM a sua voz interior), e acima de tudo, existe MEDO de MUDAR e da própria MUDANÇA.” Arcanjo Miguel
Edição e imagens: Thoth3126@protonmail.ch
Livro: “Um Habitante de Dois Planetas”, de Philos, o Tibetano, Livro Primeiro, Capítulo XXIV – DEVACHAN

CAPITULO XXIV – DEVACHAN – Parte B, final

Com a serenidade de um sonho, a visão do palácio e das coisas familiares foi se apagando e tive a impressão de entrar num lindo vale entre montanhas azuladas. Diante de mim encontrava-se um edifício cujo exterior era despretensioso. De linhas irregulares, parecia ter sido construído por partes, com novos aposentos acrescentados quando necessário. Que excelente ideia aquela, pensei. A edificação era formada por grandes lajes de pedra, não alisadas, permanecendo tal como eram antes de serem retiradas das rochas. Em algumas partes tinha três andares, em outras só dois, mas a maioria dos aposentos estava no térreo. Que tipo de gente morava ali?

Com certeza seriam pessoas cujas tendências arquitetônicas combinavam muito bem com as minhas. Antes mesmo de vê-las, senti que eram de índole amigável. Concluí que não lhes faltava o amor pela beleza, pois, cobrindo a pitoresca e insólita construção, havia heras perenes e em volta estendiam-se bonitos jardins. Deveria eu me aventurar a introduzir ali minha presença? Enquanto eu pensava no caso, um homem abriu a porta mais próxima de mim e se adiantou. Tinha uma aparência familiar; onde eu o teria visto? Eu havia esquecido completamente a última vida que havia vivido como Zailm, filho de Menax, como se ela nunca tivesse acontecido.


Meus sentidos agora estavam dominados pelas sensações da infância, pelos pensamentos, ideias e conhecimentos simples do meu tempo de criança na casa das montanhas ao pé do Pitach Rhok. Quando chegou perto de mim, o estranho que me parecia conhecido disse: “Conheces-me, como teu pai Merin Numinos?” Isso acalmou a apreensão que havia surgido vagamente em minha consciência, a de que estando morto eu estava sozinho e invisível para as pessoas, e desfez a ideia que havia esmaecido rapidamente enquanto eu olhava para a casa de pedra, a ideia de que eu estava morto. Eu já não tinha mais noção daquela experiência e o conhecimento da morte tinha se apagado no que se aplicava ao meu próprio falecimento.

Senti-me tomado de prazer com a pergunta do homem que ali estava e percebi então que ele era o pai idealizado de minha infância, mas não aquele que minha mãe sempre apresentara sob uma luz depreciadora. Como o leitor sabe, ela não gostava dele. Mas este pensamento não surgiu em minha mente naquele momento; eu só sabia que estava olhando para o homem que eu reconhecia como sendo meu pai. Eu estava exultante por tê-lo encontrado e respondi: “certamente eu te conheço bem!” Então ele perguntou: “queres descansar?”

“Como estou fatigado, aceito, e sem dúvida isto será muito benéfico.” Merin Numinos me guiou para dentro da grande casa, conduzindo-me ao que devo chamar antro ou “cantinho especial”, embora o primeiro nome possa parecer deselegante. Era um local desse tipo, limpo mas encantadora e deliciosamente confuso e sem ordem; livros e espécimes de rochas, e todas as coisas que os meninos apreciam estavam espalhados ali numa inextricável confusão, das que enchem de desespero qualquer dona de casa ordeira. Meu prazer não tinha limites, pois senti que eu era um menino, apenas um menino; não tinha ainda alcançado a maturidade e as desconhecidas possibilidades da idade adulta enchiam todo o meu ser com uma agradável antecipação do futuro; eu era um garoto de espírito exuberante à solta em seu próprio reino, e naquele quarto eu me sentia livre do medo da mão ordeira que sempre me restringira em outros locais.

Numa cama, desajeitadamente arrumada num canto do quarto obscuro, estava um pacote de livros da biblioteca distrital, cada um deles com a marca “Pitach Rhok Distrito 5” em caracteres poseidanos. Os livros estavam no meu caminho, por isso coloquei-os cuidadosamente (pois os livros sempre foram objetos quase sagrados aos meus olhos) no chão, para poder deitar na cama. Então me acomodei para dormir no rústico leito que sempre parecera mais macio e confortável em minha memória do que qualquer almofada macia de minha vida em Caiphul.

Não que eu soubesse disso quando me deitei; sabia apenas que estava vivenciando um estado de coisas que se ajustavam perfeitamente aos meus desejos. Eu não tinha uma ideia clara de qualquer acontecimento de minha antiga vida em Poseid, nenhuma lembrança da morte, nada. Tudo tinha se esvaído como aqueles sonhos que tentamos em vão recordar na hora do café, no dia seguinte. Contudo, quando me encontrei diante de coisas de meu novo estado que eram semelhantes às que eu havia conhecido e amado no estado anterior; quando encontrei coisas iguais às que eu sonhara realizar um dia, então as novas realidades que, afinal de contas, não eram novas, pareceram inteiramente satisfatórias, acrescidas do encanto da consecução, apesar de eu não poder lembrar do passado.

“A cena que saúda meus olhos, de um modo estranho eu reconheço como algo cujo todas as partes místicas sinto prefiguradas em meu coração.”

Embora apresentasse algumas novidades, a natureza daquelas coisas não era tão diferente que suscitasse uma atenção especial. Um dia eu me levantara e partira do local de minha vida de menino, descrito acima. A cortina subiu deixando-me entrever coisas provindas da vida passada após minha saída de Pitach Rhok para ir a Caiphul, onde me vi envolvido pelo pesado trabalho de obter o conhecimento relativo ao grau de um Xio-Incalithlon, um grau mais alto que qualquer outro alcançado por qualquer cientista do mundo moderno. Mas essa fase do devachan logo passou porque, não tendo eu alcançado esse grau na terra, nem feito a tentativa de obtê-lo, não dispunha de uma base real para esboçar cenas devachânicas.

Assim o “tempo” foi passando rápido por mim, às vezes com egos reais de pessoas terrenas que haviam trabalhado intimamente comigo na terra e colhiam comigo os resultados de sua colaboração. Outras vezes eu me via sozinho com meus conceitos, que entretanto pareciam tão reais quanto pessoas verdadeiras, pois tudo me parecia absolutamente autêntico. Lolix ali estava sob seus melhores aspectos, mas o nosso pecado nos impedia de retornar à terra. Nada me pareceu mais natural do que encontrar Anzimee uma noite quando eu vagava pela praia adjacente a um ermo artificial, onde todas as coisas estavam dispostas em harmonia com meu ideal de solidão, com o qual tinha sonhado em meio ao burburinho de Caiphul; um lugar para onde eu a levaria quando estivéssemos casados.


Foi muito comovente ouvi-la dizer, quando nos encontramos, “meu esposo”, e a paz subsequente à agitação foi tão deleitosa quanto eu imaginara que seria. Mas minha pena se adianta, pressurosa. Voltemos ao pequeno quarto: Sem tirar a roupa, pois o ar estava fresco, deitei e dormi. Quando acordei, desci, passando pela sala e indo até o jardim. Uma mudança havia ocorrido. Eu estava mais velho; a paisagem era diferente, as casas mais parecidas com o que minhas necessidades de rapaz tinham imaginado enquanto eu ainda vivia em Pitach Rhok. Não havia mais um rio na frente, mas um mar do qual eu só conseguia ver a praia mais próxima.

A mudança correspondia aos meus desejos de adolescente. Essas alterações, embora espantosas do ponto de vista terreno e físico, não me surpreendiam nem me pareciam notáveis. Que espécie de vida era aquela que permitia tais mudanças mas não me fazia pensar que eram extraordinárias? Nem mesmo a verdade deve ser contada de maneira prolixa, e tudo que posso responder agora é que era a vida após a morte, para usar uma frase um tanto paradoxal. Entretanto, ainda não era a Grande Vida com Deus. Teria sido consumido algum tempo para efetuar aquelas mudanças, ou era aquela uma terra da espécie criada pela lâmpada de Aladin, em que bastava esfregar uma lâmpada e outro conjunto de aparências surgia imediatamente?

Nem sequer parei para considerar o caso, pois essa conjetura não me ocorreu. Para mim as coisas eram reais. É a terra real? O Espírito, Deus, é real, e a terra e o universo são fiats, ideias externalizadas de Deus. As coisas da terra são palavras do grande Verbo Divino a nos falar. Assim são, também, as coisas do devachan ou céu. Ambos são reais mas de maneira oposta, mas só são reais em nosso interior, não no exterior. Procurei meu pai, Merin Numinos, e perguntei: “quanto tempo eu dormi?” Não passava de um hábito do pensamento essa pergunta, pois eu não tinha nenhum motivo para fazê-la. O fato de que no processo da morte os hábitos da mente não são extinguidos, como não é a memória dos acontecimentos da vida, foi provado por minha ação quando ouvi a resposta de meu pai: “Dormiste por vários anos.”

“Anos!” – dissestes? Para mim não foi nada surpreendente ouvir essa resposta sobre meu longo sono. Não, mas o hábito da mente que me fazia dar importância à boa apresentação de minhas vestes me fizeram olhar para meu traje para ver se não tinha se estragado com tão longo uso. A alusão aos vários anos de sono tinha atraído minha atenção e, tendo examinado minhas roupas e visto que estavam apresentáveis, continuei a olhar para elas, mas de forma distraída. Falei: “Disseste vários anos e, também, “dormiste desde que chegastes neste lugar”. Então pergunto, estive em algum outro lugar?”

Não recebendo resposta, levantei os olhos, para encontrar no rosto de meu pai uma expressão igual à de uma estátua. Obviamente ele nada sabia de qualquer estado anterior nem eu sabia mais do que ele, pela pergunta que formulara. A morte era uma coisa jamais mencionada, porque no instante em que as almas desencarnadas não conseguem mais expressar sua existência nas pessoas deixadas na terra, reconhecem que estão sofrendo a transformação chamada morte; algo que talvez as tornasse apreensivas em todos os seus dias na terra. Uma vez que a religião exotérica de então, como as de agora, só ensinava uma morte, o recém-chegado ao devachan não conhecia outra nem conjeturava sobre outra.

Por consequência, para uma alma desencarnada a morte era e continua sendo um conceito desconhecido. Bem, na realidade não existe morte. Nem dor ou tristeza. O devachan menor é como o devachan maior (Nirvana), um estado particularmente referido em Apocalipse XXI:4. Acontece, meu amigo, que não estou postulando um argumento; devo recusar-me a argumentar e, embora isso possa lembrar os métodos medievais, também devo recusar-me a discutir contigo.

O propósito desta história é relatar o que conheci pela experiência, e não me cabe expor ideias teóricas. Se levares alguns pequenos pontos deixados sem explicação para o santuário interior de tua alma e ali meditares neles, verás que se tornam claros para ti, como a água que mitiga tua sede. Tens ouvidos para ouvir? Então segue este conselho. Dirijo-me apenas àqueles que seguem estas páginas com o propósito do seu próprio aprendizado.


Como o recém-chegado ao devachan só se apercebe de uma mudança e de que é diferente do que foi ensinado a temer pela religião, muitas almas que entram no céu concebem no momento da morte que a morte não existe e que os ensinamentos recebidos dos sacerdotes na terra não passavam de ficções eclesiásticas. Não é que estejam muito enganados, pois não há outra morte a não ser a simples mudança do estado objetivo do ser para o subjetivo, exceto a segunda morte de que falo em minha última página.

Para ser paradoxal, a morte é diferente por não ser diferente, tanto quanto as almas possam perceber, da rápida visão da vida recém-encerrada; uma visão que todas as almas têm, mesmo que brevíssima. Isso explica por que eu não tinha apreendido a ficção chamada morte quando perguntei ao meu pai se eu não tinha estado sempre ali.

A religião ensina hoje, como o fazia naquele remoto passado, que a morte faz cessar toda a tristeza terrena. Isto só é verdade por um tempo limitado pelo período em que a alma permanece no devachan. As brumas nascidas na terra não penetram ali pelo fato de que, sendo nascidas na terra, devem necessariamente ter seu lar na terra e só influenciar os que lá se encontram. “O mal que os homens fazem a eles sobrevive.”

Sim, essa é a verdade; e, sob forma de disposição cristalizada para errar, esse mal que foi praticado espera por seu retorno à vida terrena; é a erroneamente chamada tendência “Adâmica” para pecar e, embora o pecador esteja livre de seu poder no devachan, a semente, tal como o joio no trigo, está pronta a gerar uma colheita de tristeza junto com a vida em crescimento do recém-encarnado; e até que uma boa ação expie o mal feito, esse mal continuará a crescer.

Felizmente o homem tem uma eternidade à sua frente para fazer a compensação* e, seguindo as leis de Deus e sendo fiel ao bem, seja qual for sua fonte, o joio será pouco a pouco arrancado. Uma boa ação apaga uma ação má, que é “freqüentemente enterrada com os ossos”, dessa forma completando a filosofia de Hamlet.

Em toda parte à minha volta no devachan estavam meus entes queridos. Com a aparente passagem do tempo, fui me tornando consciente da presença de meus amigos. Anzimee, Menax, Gwauxln, Ernon, Lolix sem sua sombra-, esses e milhares de outros cujo nome o leitor desconhece, estavam ali. Eles não vinham até mim; não, eles estavam comigo, tal como eu os concebia. Eles eram meus conceitos, pois eram subjetivos e não objetivos; eram meu ideais, não pessoas reais, e formavam o meu mundo.

Não me ocorreu que eles não fossem reais. Já te passou pela mente, leitor, que o mundo dos teus sentidos é o único que tens? Que se não tivesses visão, olfato, audição, paladar ou tato, não terias um mundo mesmo que tua alma estivesse aprisionada num corpo morto, embora dotado de vida vegetativa? Assim como a alma de cada homem, mulher ou criança vivente é diferente das outras almas, assim também o mundo é diferente para cada pessoa, nunca havendo dois mundos iguais*.

É o registro da alma, feito de imperecível substância mental, que constitui grande parte da vida após a morte do corpo físico; o registro se funde numa realidade e tudo parece igualmente real, tão real como quando os sentidos (físicos) combinados a percebiam antes; em verdade essa vida do além é uma vida terrena reconstituída e invertida, subjetiva em vez de objetiva. Meu suposto amigo pode ser um inimigo real, mas se eu morrer pensando nele ou nela como sendo um amigo, esse conceito será levado para a outra vida, e vice-versa.

Meus amigos todos estavam à minha volta. As coisas e lugares registrados pelos meus sentidos, eram as cenas nas quais todos esses amigos se moviam. E enquanto eu tinha esse meu mundo à minha volta, um conceito de mim existia no mundo-imagem de cada amigo que eu tivera no passado. Não que eu estivesse com eles, mas o conceito deles sobre mim estava com eles. Assim era a realidade de todos os conceitos que não estivessem emaranhados e fossem simples e facilmente assimiláveis ao serem lembrados a partir do registro astral, ou, por assim dizer, fossem como filmes da memória da alma contendo cada incidente, grande e pequeno, simples ou complexo, cada impulso e até cada atividade cerebral inconsciente. Chamo tua atenção agora para um detalhe de vasto interesse, visto que afirma o que eu aparentemente neguei, ou seja, qualquer associação real da alma no devachan com outras almas individuais.


O devachan seria um céu realmente tristonho se os amigos da vida mundana nunca passassem de “figuras de sonho”. Sonhos eles seriam, se os incidentes criados por nossas esperanças na terra, e transformados no devachan em algo real na aparência, fossem um simples fato. Mas, ao contrário, se isso fosse tão complexo que para resolver a equação se tornassem necessários os esforços conjuntos de duas almas trabalhando em harmonia, então também no devachan os resultados dessa ação complexa afetariam ambas essas almas e, durante a assimilação de seus resultados, isto é, durante a cristalização desses resultados em traços do caráter, as duas almas estariam efetivamente tão juntas quanto teriam estado na terra. Se mais que duas pessoas tivessem um envolvimento na terra, então todas essas almas se congregariam no devachan.

Quando o processo estivesse completo, viria a separação. Por isso aconteceu que num momento de experiência assimilativa todos os meus conceitos eram apenas fantasmas como as pessoas que vemos em sonhos; e no momento seguinte ficaram mais complexas, pois meus associados eram egos reais como eu. Para mim tudo isso era ignorado; tudo parecia real e talvez o fosse. Mas é agradável sentir que estamos tratando com um filho, filha, mãe, esposa ou amigo; que as consequências de acontecimentos mais sérios de nossa vida diária na terra nos reunirão no céu de nossas esperanças; que a esposa que abrigaste em teu coração e a quem confiaste planos elevados para a felicidade de teus entes queridos, e que para serem realizados requerem que tu e ela trabalhem nobremente e com empenho, atravessarão o abismo da morte corporal e estarão contigo ou com ela no Navazzimin.

Agradável é saber que tua mãe, teu pai ou outro amigo querido às vezes estarão em realidade contigo e que juntos lembrareis vossos múltiplos registros e vos deleitareis numa realidade aparente, o que não foi na terra mais que uma esperança nunca materializada. Ao encontrar Anzimee, que ainda vivia na terra, algumas vezes encontrei o meu conceito dela e, outras vezes, seu ser mais elevado. Como esta última possibilidade pôde ocorrer? Pelo fato de que ela tinha tantas saudades de mim que essa sua parte se desenvolveu e lhe deu condições de projetar sua alma pura ao meu plano.

Isto não só foi benéfico e agradável a ela, dando-lhe a visão de coisas invisíveis de que fala o apóstolo Paulo, mas foi também uma sagrada alegria nos encontrarmos dessa forma-, ela podia vir até mim, mas eu não podia ir até ela. Não existe retrogressão. Em comunhão com esse ideal recebi minha recompensa, pois nada aconteceu que fosse contrário ao meu desejo. Mas ao vivenciar essa recompensa, também assimilei inconscientemente o valor de minha vida anterior na terra. Assim, minha ligação com a política de Poseid me fez entrar em contato com homens e métodos, e desses contatos nasceram esquemas nos quais eu deveria ter desempenhado um papel de liderança.

Esses esquemas agora me eram trazidos ao estado subjetivo e, nessa forma, me pareceram estar em andamento. A partir dessas aparentes ações, minhas capacidades foram desenvolvidas e foram realizados testes sobre o valor de minhas concepções. Tudo isso resultou numa dedução concreta que tornou-se parte do meu ser mental, como consequência, numa nova encarnação eu viria à terra dotado com órgãos frenológicos com maior capacidade para lidar com questões sociais e políticas. Talvez esse poder não viesse a ser ativamente empregado, se outras tendências fossem mais fortes; não obstante, teria crescido em força e estaria pronto para ser usado em caso de necessidade.

A mesma coisa se aplicaria a todas as almas realmente associadas a mim, anteriormente na terra e posteriormente no céu: os resultados, valores e conclusões de nosso devachan contemporâneo dar-lhes-iam novos traços ou tendências mentais; ou aumentariam a força dos traços antigos, e a reencarnação nos reuniria como associados na terra uma outra vez. Isso efetivamente aconteceu, ou eu não teria escrito esta história para teu benefício, caro leitor. Minha educação como geólogo no Xioquithlon foi testada no mesmo céu subjetivo e disso resultou um acréscimo de minha capacidade geológica – em suma, um conhecimento intuitivo desse assunto e o desejo de estudá-lo novamente após reencarnar.

Nessa oportunidade, os livros serviriam para trazer à tona a tendência para a geologia que eu poderia vir a manifestar. Eu poderia continuar dando outros exemplos desse processo de resumir e organizar vivenciado por aqueles que têm a sepultura e o berço entre eles e a terra. Mas será suficiente dar a entender ao leitor que em minhas palavras está a verdade que suaviza os “Pensamentos da última e amarga hora de severa agonia, de mortalha e palio.”

Espero, meu amigo, que meu esforço em fazer a morte parecer menos aterrorizante, relatando minhas próprias experiências com ela, tenha tido bom êxito e que estas palavras te sustentem de tal maneira que possas 

“Aproximar-te do túmulo como alguém que se envolve com os lençóis de seu leito e deita-se esperando deleitosos sonhos.”


Zerah Colburn, o maravilhoso menino matemático, não adquiriu seu conhecimento nas escolas desta moderna era, mas o trouxe consigo, na forma de um legado de séculos, de suas vidas passadas; seu poder latente foi apenas revelado nesta era. Não argumento contigo, meu leitor, quando dizes que, se tiveste uma vida anterior na terra, não poderias “tê-la esquecido, terias trazido suas memórias contigo”. Não, não desejo discutir. 

Deixo à tua própria inteligência decidir se estou ou não certo, quando lembrares que os hábitos da vida formam-se pelas ações repetidas desde a infância, cujos detalhes desaparecem da memória. Sabendo que assim é, poderás decidir se as ações de uma vida vivida muitos séculos antes podem ser lembradas, especialmente sabendo que o intervalo entre o passado e o presente ocorreu num plano (o Devachan) diferente de existência, no qual nenhuma lembrança foi introduzida, nem o poderia ser segundo as leis de Deus. Eu sei do que falo, por experiência.

Finalmente chegou um tempo em que eu não me importava mais com a aparência da ação, nem com os conceitos de pessoas, lugares ou coisas ligadas com a atividade aparente. Passei principalmente a me preocupar em permanecer num ponto tranquilo e ouvir Anzimee, a real Anzimee e não o seu conceito, quando ela lia para mim ou falava comigo. Eu também dormia muito. Certa manhã não levantei, pois me faltou vontade. Não estava doente, pois nunca ninguém esteve doente no devachan.

Contudo, tinha perdido todo o desejo de ver ou ouvir o que fosse. O que eu sentia era langor, não desânimo. Então virei-me novamente para a parede e voltei a adormecer. Essa foi a última ocorrência do último capítulo de um longo descanso da vida que, embora eu não o soubesse então, tinha durado doze mil anos contados pelas ações dos homens na terra.

A morte nunca surgiu naquele lar da alma, pois meus conceitos não tinham morrido, apenas desapareceram das vistas de seu criador. Nem as almas reais dos homens e mulheres morreram. Mas quando voltaram, uma por uma, ao despertar retributivo do berço, suas vidas no céu continuaram associadas à minha, desde que não tivessem ido para algum outro lugar do devachan, como vizinhos se separam e ficam a um mundo de distância e depois desaparecem, como meus conceitos desapareceram após eu ter assimilado sua valia.

Elas desapareceram porque todos os atos da vida anterior na terra (como Zailm em Atlântida) tinham se cristalizado na forma de traços do caráter e estavam prontas para novamente encarnar. Só eu podia estar consciente de minha própria mudança; não podia estar consciente da mudança delas. Eu estava pronto para uma nova atividade. Dormi e nesse sono morri para aquela vida de passividade e acordei novamente na Terra, dentro de um corpo na forma de um recém-nascido em seu berço. Nasci para ver o meu Mestre nesta nova vida e penetrar no Grande Repouso com ele!

OBS.: Mas virá alguém depois de mim que te dirá muito mais sobre a Grande Profundeza da Vida do que eu. Aguarde as palavras dele. O Autor.

FIM

Permitida a reprodução, desde que mantido no formato original e mencione as fontes.

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