segunda-feira, 23 de dezembro de 2013

MEU BRASIL

Djalma de Andrade

 A gente fala, protesta:
 - Nesta terra nada presta,
 O povo é lerdo , indolente...
É a farra, ninguém trabalha
A peste a pátria amortalha
Sob o sol rude, inclemente...
 A lei é mito, pilhéria...
 Ninguém liga a coisa séria,
 Não há remédio , é da raça...
A vida se desbarata:
O pinho, a cuíca, a mulata,
O amarelão, a cachaça...
 A gente murmura, fala,
 Velhos defeitos, propala
Em língua rude e vil:
É a terra pior do mundo!
Mas no fundo, bem no fundo
Quanto amor pelo Brasil!
 Tudo da boca pra fora!
 Porque cá dentro ele mora,
Cá dentro a gente o sente...
Meu Brasil atrapalhado,
Meu Brasil confuso e errado,
 Você vê que o povo mente.
 Você vê que a gente grita, 
Mas vê também que é infinita
Esta paixão por você...
Se a bandeira se levanta,
 Lá vem o nó na garganta ,
E você sabe porquê...
 Você sabe e não se importa,
 A nossa injúria suporta,
E o nosso labéu também...
Deixe que xingue, que bata,
A gente fere e maltrata,
Quase sempre a quem quer bem.
 Meu Brasil, aqui baixinho,
 Ouça, sou todo carinho, E a minha alma você vê...
Qualquer perigo que corra,
 Se for preciso que eu morra
Eu morrerei por você.