sexta-feira, 20 de dezembro de 2013

O PRÍNCIPE FELIZ - OSCAR WILDE

Oscar Wilde

No ponto mais elevado da cidade, sobre uma alta coluna, erguia-se a estátua do Príncipe Feliz. Era toda revestida de finas folhas de ouro, tinha por olhos duas brilhantes safiras, e um grande rubi vermelho reluzia no punho de sua espada. Em razão disso, a estátua era por todos admirada.
– É bela como um cata-vento –  observou um dos conselheiros da cidade, que pretendia passar por homem de bom gosto artístico – só não é muito útil – acrescentou, temendo que o tomassem por homem pouco prático, o que de fato não era.
– Por que não és como o Príncipe Feliz? – perguntou um dia uma mãe sensível ao filho que pedia a lua, chorando. –  O Príncipe Feliz nunca chora por motivo algum.
– Fico satisfeito que haja alguém no mundo que seja realmente feliz - murmurou um homem desapontado, enquanto fitava a estátua maravilhosa.
Parece mesmo um anjo – diziam os meninos do orfanato, ao saírem da catedral com suas capas de vivo escarlate e aventais muito alvos.
– Como sabeis? - disse o professor de matemática-, nunca vistes nenhum.
– Ah! Nós os vimos em sonhos – responderam os meninos; e o professor de matemática franziu as sobrancelhas, com semblante muito severo, pois não aprovava que meninos sonhassem.
Uma noite, voou sobre a cidade uma pequena andorinha. Suas companheiras haviam partido para o Egito havia seis semanas, mas ela ficara para trás, apaixonada que estava por um gracioso junco. Ela o conhecera no princípio da primavera, enquanto voava rio abaixo atrás de uma mariposa amarela, e de tal forma a atraíra a cintura esbelta do junco, que se detivera para falar-lhe.
– Permites que te ame? - disse a andorinha, que gostava de perder tempo com rodeios. O junco fizera-lhe uma profunda reverência.  Voara então repetidas vezes à roda dele, roçando as águas com a ponta das asas, produzindo mil ondulações de prata. Era sua maneira de lhe fazer a corte, que se prolongou pelo verão inteiro.
Que afeição mais ridícula – chilrearam as outras andorinhas – ele não tem dinheiro e tem parentes demais.
E, na verdade, o rio estava cheio de juncos.
Quando veio o outono, todas as andorinhas voaram para longe.
Depois que partiram, começou ela a sentir-se muito solitária e enfastiar-se de seu amado.
– Ele não diz uma palavra, e temo que seja galanteador, porque está sempre flertando com a brisa.
E, de fato, toda vez que a brisa soprava, o junco fazia as mais graciosas mesuras.
– Além do mais ele é muito caseiro – continuou – enquanto eu adoro viajar, e meu esposo, consequentemente, também deveria gostar de viagens.
– Queres vir comigo? – perguntou-lhe, por fim.
Mas o junco meneou a cabeça; era por demais arraigado a seu lar para segui-la.
– Estavas somente gracejando comigo – disse ela.
– Vou para as pirâmides.  Adeus!  E se foi.
Voou o dia inteiro e à noite chegou à cidade.
– Onde pernoitarei? Espero que a cidade esteja preparada para me abrigar.
Viu então a estátua do Príncipe Feliz sobre a alta coluna.
– Vou me acomodar ali, murmurou. É um esplêndido lugar, com bastante ar fresco.
            – Assim, pousou entre os pés do Príncipe Feliz.
– Tenho um aposento de ouro - disse baixinho para si, olhando ao redor, e preparando-se para dormir; mas no momento em que colocava a cabeça sob a asa, uma enorme gota de água caiu sobre ela.
– Que estranho! Murmurou. Não há uma única nuvem no céu, as estrelas cintilam e, não obstante, está chovendo. O clima no Norte da Europa é mesmo horrível.
 O junco gostava de chuva, mas isso era puro egoísmo dele. 
 Então caiu uma nova gota.
– Para que serve uma estátua, se não é capaz de me proteger da chuva? – Tenho que procurar uma boa chaminé – disse ela.
E já ia levantar voo.
Mas antes que abrisse as asas, uma terceira gota caiu. Levantou os olhos e viu... Ah!  O que viu ela?
Os olhos do Príncipe Feliz estavam rasos de lágrimas, e lágrimas banhavam-lhe as faces douradas. Tão belo era seu rosto batido pelo luar que a pequena Andorinha encheu-se de compaixão.
– Quem és tu?  Perguntou-lhe.
– Sou o Príncipe Feliz.
– Por que choras, então? - Perguntou a andorinha.
Encharcaste-me por completo.
– Quando era vivo e tinha um coração humano –  respondeu a estátua –  eu não sabia o que eram lágrimas, pois vivia no Palácio de Sans-Souci, onde é vedado o ingresso à tristeza.
Durante o dia, brincava com meus companheiros no jardim, e à noite conduzia a dança no grande salão. Em roda do jardim corria um muro muito alto, mas nunca me importei em saber em saber o que existia além dele. Tudo ao meu redor era tão lindo. Meus cortesãos chamavam-me Príncipe Feliz, e feliz em verdade eu era, se o prazer é felicidade. Assim vivi e assim morri. E agora, depois de morto, colocaram-me aqui tão alto que posso ver a fealdade e toda a miséria de minha cidade e, embora meu coração seja de chumbo, não posso fazer outra coisa senão chorar.
– O quê? Ele não é de ouro maciço? –  disse a andorinha para si. Era muito educada para fazer comentários pessoais em voz alta.
– Lá longe –  continuou  a estátua em voz baixa e musical –  muito longe numa rua estreita, há uma casinha pobre. Uma janela está aberta e vejo uma mulher sentada à mesa. Tem o rosto magro e abatido, e as mãos ásperas, picadas pela agulha, pois é costureira. Está bordando flores-da-paixão num vestido de cetim para a mais adorável dama de honra da rainha vestir no próximo baile da corte. Num leito, no canto do quarto, está deitado seu filho doente, tem febre, e pede laranjas. Mas ela nada tem nada para lhe dar, exceto água do rio, e por isso ele está chorando.
– Andorinha, andorinha, pequena andorinha, não quer levar-lhe o rubi do punho da minha espada? Meus pés estão presos a este pedestal e não posso me mover.
– Esperam-me no Egito - disse a andorinha. 
 Minhas amigas estão voando sobre o Nilo, conversando com as grandes flores de lótus. Em breve vão recolher-se na tumba do grande rei. O próprio rei está ali, em seu sarcófago coberto de adornos. Está enrolado em linho amarelo e embalsamado com especiarias. Em seu pescoço há um colar de jade verde-pálido, e suas mãos são como folhas secas.
– Andorinha, andorinha, pequena andorinha –  disse o Príncipe –  não queres ficar comigo por uma noite apenas, e ser minha mensageira? O menino está com tanta sede, e a mãe tão triste...
– Eu não simpatizo com meninos - respondeu a andorinha.
– No verão, quando eu estava no rio, havia dois meninos rudes, os filhos do moleiro, que estavam sempre atirando pedras em mim. Nunca me acertaram, é claro; nós andorinhas voamos bem demais para que nos acertem, e venho de uma família famosa pela agilidade; ainda assim, foi um sinal de desrespeito.
Mas o Príncipe Feliz parecia tão triste que a andorinha se condoeu: 
– Está muito frio aqui, mas permanecerei contigo por uma noite, e serei tua mensageira.
– Muito obrigada, andorinha - disse o Príncipe.
Então a andorinha tirou o enorme rubi da espada do príncipe e voou, levando-o no bico por sobre os telhados da cidade.
Passou pela torre da catedral, onde estavam esculpidos anjos de mármore branco. Passou pelo palácio onde ouviu o rumor de uma dança. Uma jovem formosa apareceu na sacada com seu namorado.
– Como estão maravilhosas as estrelas – disse ele – e como é maravilhoso o poder do amor!
– Espero que meu vestido fique pronto a tempo para o baile de gala, respondeu a jovem.
– Mandei bordá-lo de flores-da-paixão, mas a costureira é tão preguiçosa!
Atravessou o rio e viu as lanternas que pendiam dos mastros dos navios. Passou sobre o gueto e viu velhos judeus negociando entre si, pesando moedas em balanças de cobre. Finalmente, chegou à casa pobre e espiou. O pequeno agitava-se febrilmente no leito, e a mãe caíra no sono, tão cansada estava. Saltou para dentro e deixou suavemente o grande rubi sobre a mesa, ao lado do dedal. Então voou suavemente em volta do leito, abanando a fronte do menino com as asas.
– Sinto-me refrescar – disse o pequeno – acho que estou melhorando - e mergulhou num delicioso sono.
Então a andorinha voltou ao Príncipe Feliz, e contou-lhe o tinha feito.
– É curioso – observou ela – mas agora sinto calor, embora esteja tão frio.
– É porque praticou uma boa ação – disse o Príncipe. E a pequena andorinha começou a pensar, adormecendo logo em seguida. Pensar sempre a fez ficar com sono.
Quando o dia raiou, ela voou ao rio e tomou um banho.
– Que fenômeno notável – disse o professor de ornitologia ao passar pela ponte.
– Uma andorinha no inverno!
E escreveu uma longa carta sobre isso no jornal local. Todos a citavam, porque estava cheia de palavras que não compreendiam.
Esta noite parto para o Egito - disse a andorinha, bastante animada com a perspectiva.
Visitou todos os monumentos públicos, e ficou pousada por um longo tempo no topo do campanário da igreja. Onde quer que fosse, os pardais aplaudiam, dizendo uns aos outros:
– Que estrangeira distinta! E ela se divertiu bastante com isso.
Quando a lua surgiu, voltou ao Príncipe feliz e disse:
– Tem alguma encomenda para o Egito? Já estou partindo.
– Andorinha, andorinha, pequena andorinha - disse o Príncipe -, não queres passar mais um noite comigo?
– Esperam-me no Egito   respondeu a andorinha –  Amanhã minhas amigas voarão até a segunda catarata. Os hipopótamos deitam-se ali entre os juncais, e num grande trono de granito está sentado o deus Mémnon. Durante a noite inteira ele contempla as estrelas, e quando brilha a estrela da manhã, ele solta um grito de alegria e depois silencia. Ao meio dia os leões vêm à margem das águas para beber. Têm olhos que se parecem com berilos verdes, e seus rugidos são mais estrondosos do que o rugir das cataratas.
– Andorinha, andorinha, pequena andorinha – disse o Príncipe – longe, no outro lado da cidade, vejo um jovem numa água-furtada. Está debruçado sobre uma mesa coberta de papéis, e num copo ao seu lado há um maço de violetas murchas. Tem o cabelo castanho e crespo, uns lábios tão vermelhos como uma romã, e uns olhos grandes e sonhadores. Ele tenta terminar um peça para o diretor do teatro, mas sente muito frio para continuar escrevendo. Não há lenha no fogão, e ele já vai desfalecer de fome.
– Ficarei contigo mais um noite –  disse a andorinha, que no fundo tinha um bom coração.
 Devo levar-lhe outro rubi?
– Ai de mim! Não tenho mais rubis –  disse o Príncipe – ; meus olhos são tudo o que me resta. São feitos de safiras preciosas, trazidas da Índia há mil anos. Arranca um deles e leva ao jovem. Ele a venderá ao joalheiro, comprará comida e lenha, e terminará a sua peça.
– Caro Príncipe – disse a andorinha – não posso fazer semelhante coisa - e pôs-se a chorar.
– Andorinha, andorinha, pequena andorinha  disse o Príncipe –  faz o que te ordeno.
Então a andorinha arrancou o olho do Príncipe e voou até a água-furtada do estudante. Era muito fácil entrar já que havia um buraco no telhado. Arremessou-se através dele e entrou no quarto. O jovem tinha a cabeça enterrada nas mãos, e não viu o bater das asas; quando levantou os olhos, encontrou a bela safira pousada sobre as violetas murchas.
– Começo a ser apreciado. Isto deve ser de algum admirador. Agora posso terminar minha peça – gritou   parecendo muito contente.
No dia seguinte, a andorinha foi ao porto. Pousou no mastro de uma grande embarcação e observou os marinheiros puxando arcas enormes do porão do navio. – Upa! - gritavam eles a cada arca que levantavam.
– Vou para o Egito! –  bradou a andorinha –  mas ninguém lhe deu atenção, e quando a lua surgiu, voou até o Príncipe Feliz.
– Vim para dizer-lhe adeus.
– Andorinha, andorinha, pequena andorinha – disse o príncipe –  não queres ficar mais uma noite comigo?
– É inverno – retorquiu ela - e a fria neve logo vai chegar. No Egito, o sol é quente sobre as palmeiras, e os  crocodilos deitam-se na lama e olham preguiçosamente ao redor. Minhas companheiras estão construindo um ninho no templo de Baalbeck, e as pombas rosadas as observam, arrulhando entre si. Caro Príncipe, tenho que deixá-lo, mas nunca o esquecerei; e na próxima primavera trarei duas lindas joias para substituir as que doou. O rubi será mais rubro que a rosa vermelha, e a safira tão azul quanto o imenso oceano.
– Na praça logo abaixo – disse o Príncipe Feliz – há uma pequena vendedora de fósforos. Ela os deixou cair na sarjeta, e estão todos estragados. Seu pai baterá nela se não levar dinheiro para casa, e por isso ela está chorando. Não tem sapatos nem meias, e sua cabecinha está descoberta. Arranca-me o outro olho e leva-lhe, para que seu pai não a maltrate.
– Ficarei contigo mais uma noite – disse a andorinha – mas não posso arrancar outro olho. Tu ficarias completamente cego.
– Andorinha, andorinha, pequena andorinha – disse o príncipe – faz o que te ordeno.
Ela arrancou então o outro olho do Príncipe e alçou voo. Precipitou-se sobre a vendedora de fósforos e deixou cair a joia na palma de sua mão.
– Que lindo pedacinho de vidro – disse ela   e correu para casa sorrindo.
A andorinha voltou ao Príncipe e disse:
– Estás cego agora; então ficarei contigo para sempre.
– Não, pequena andorinha – disse o Príncipe – deves partir para o Egito.
– Ficarei contigo para sempre –  disse a andorinha – e adormeceu aos pés do Príncipe Feliz.
Durante todo o dia seguinte, ficou pousada no ombro do Príncipe, e contou-lhe histórias sobre coisas que viu em terras estranhas. Falou-lhe dos íbis vermelhos, que pousavam em longas fileiras nas margens do Nilo, apanhando peixes dourados com os bicos; da Esfinge, que é tão antiga quanto o próprio mundo, vive no deserto e tudo sabe; dos mercadores, que caminham vagarosamente ao lado de seus camelos e levam contas de âmbar nas mãos; do rei das montanhas da Lua, que é negro como o ébano e cultua um imenso cristal; da grande serpente verde, que dorme numa palmeira e tem vinte sacerdotes para alimentá-la com bolos de mel; e dos pigmeus que navegam sobre um grande lago em largas folhas e que estão sempre em guerra com as borboletas.
– Querida andorinha – disse o Príncipe – tu me contas coisas espantosas, mas mais espantoso é o sofrimento de homens e mulheres. Não há mistério maior que a miséria. Voa por sobre minha cidade, pequena andorinha, e conte-me o que vir por lá.
Assim, a andorinha voou sobre a grande cidade e viu os ricos divertindo-se em suas residências luxuosas, enquanto os mendigos sentavam-se em frente aos portões. Voou por becos escuros e  e viu os rostos pálidos das crianças esfaimadas, olhando apaticamente para as ruas sombrias. Sob o arco de uma ponte, estavam deitados dois meninos, abraçados um ao outro, tentando manter-se aquecidos.
– Temos tanta fome! – diziam eles.
– Vocês não podem ficar aqui –  gritou o guarda noturno –  e eles se retiraram, vagando sob a chuva.
Então a andorinha voltou e contou ao Príncipe o que tinha visto.
– Sou coberto de ouro puro - disse o Príncipe -, tu deves tirá-lo folha por folha, dá-lo aos meus pobres; os vivos cuidam que o ouro pode fazê-los felizes.
Folha após folha de puro ouro a andorinha arrancou, até que o Príncipe Feliz ficasse fosco e acinzentado. Folha após folha de puro ouro levou aos pobres, e os rostos das crianças tornaram-se mais rosados, e elas riam e brincavam na rua.
– Agora temos pão - gritavam as crianças.
Então veio a neve, e depois da neve, o gelo. As ruas pareciam feitas de prata, de tão luminosas e brilhantes; pontas de gelo, longas como adagas de cristal, pendiam dos beirais das casas; todos passavam vestindo casacos de pele, e as crianças usavam gorros escarlate, patinando sobre o gelo.
A pobre andorinha sentia cada vez mais frio, mas não queria deixar o príncipe, pois o amava muito. Apanhava as migalhas à porta do padeiro quando ele não estava olhando, e tentava se aquecer agitando as asas.
Mas por fim sentiu que iria morrer. Mal tinha forças para voar uma vez mais ao ombro do príncipe
– Adeus, querido Príncipe – murmurou – deixa-me beijar suas mãos?
– Fico contente que vás para o Egito afinal   pequena andorinha –  disse o Príncipe Feliz.
  Ficaste muito tempo aqui, mas deves beijar-me os lábios, pois te amo.
– Não é para o Egito que vou –  disse a andorinha. 
– Vou para a casa da morte. A morte é irmã do sono, não é mesmo?
Então beijou o Príncipe Feliz nos lábios e caiu morta aos seu pés.
Naquele momento, um estranho estalo soou dentro da estátua, como se algo se tivesse quebrado. A verdade é que o coração de chumbo despedaçou-se em dois. Era certamente um gelo terrível.
Na manhã seguinte, bem cedo, o prefeito caminhava na praça em companhia dos conselheiros da cidade. Ao passar pela coluna, olhou para a estátua:
– Santo Deus! Que aspecto miserável tem o Príncipe Feliz! - disse ele.
– Muito miserável, realmente - disseram os conselheiros da cidade, que sempre concordavam com o prefeito.
 Na verdade, é pouco mais que um mendigo!
– Pouco mais que um mendigo –  disseram os conselheiros da cidade.
E há até um pássaro morto aos seus pés! – continuou o prefeito.
– Devemos emitir um decreto que proíba os pássaros de morrerem aqui.  E o secretário da cidade anotou a sugestão.
Então, puseram abaixo a estátua do Príncipe Feliz.
– Como já não é belo, já não é mais útil - disse o professor de Arte na universidade.
Assim, fundiram a estátua numa fornalha e o prefeito convocou uma reunião com a corporação, para decidir o que seria feito do metal.
– Naturalmente, precisamos ter outra estátua – disse ele – e será com minha imagem.
– Com minha imagem – disse cada um dos conselheiros da cidade – e começaram a discutir. Da última vez que soube deles, ainda estavam discutindo.
– Que coisa estranha! – disse o contramestre da fundição.
– Este coração de chumbo não derrete na fornalha. Vamos jogá-lo fora. - Assim, jogaram-no em um monte de lixo onde estava também a andorinha morta.
– Traze-me as duas coisas mais preciosas da cidade –  disse Deus a um de seus anjos; e o anjo trouxe-Lhe o coração de chumbo e o pássaro morto.
– Escolheste muito bem – disse Deus – pois, no jardim do Paraíso, este passarinho cantará eternamente e, em minha cidade dourada, o Príncipe Feliz me louvará.