quarta-feira, 16 de dezembro de 2015

NOSTRADAMUS NÃO ESTARIA SENDO USADO PELOS ALARMISTAS QUE TIRAM VANTAGENS DAS CALAMIDADES?


Nostradamus


Por José Fernando Nandé - tradução, estudo e interpretação.------------------------ Para acessar o conteúdo do livro é só clicar nos títulos abaixo. O conteúdo é gratuito, pois nada me custou, porque tudo me foi dado.
INICIO
INTRODUÇÃO
O COLAPSO DA ECONOMIA
A III GUERRA
O ANTICRISTO
PROFECIAS CONCRETIZADAS
O FENÔMENO PROFÉTICO
PRINCIPAIS FATOS - 2011
BIBLIOGRAFIA
EDIÇÃO ORIGINAL FRANCESA


A III GUERRA

A TERCEIRA GUERRA


As revoltas na África do Norte, aquecimento global e o terrorismo colocam o Ocidente contra o Oriente.

17. A “arte” da guerra


Não existe guerra sem um grande teatro: são os campos de batalha, as cidades, mares e céus; são os territórios bárbaros, em que nossos instintos primitivos se sentem soltos, vagando em desumanidades. Criamos até um nome para esse espaço dos desatinos – Teatro de Operações – expressão militar, muito poética e até mesmo meiga para designar o palco da carnificina e da loucura. Por isso, é que celerados entendem a guerra como arte, a triste arte de matar semelhantes em nome do poder, de crenças e da cobiça.
Nos capítulos anteriores estudamos o clima de crise econômica necessário para se forjar uma guerra. Agora vamos ver como aparecem os grandes oportunistas para governar a guerra decorrente da falta de recursos – sim, na crise que determina a guerra procuramos salvadores! Eles nascem do nosso medo e pelo nosso medo crescem!
Na crise econômica, tememos a fome e os enganadores aí aparecem a nos prometer riquezas, porém só nos trazem a miséria. Temos medo da violência e eles só nos dão os corpos nadando em sangue nos campos de batalha. Temos medo da guerra e eles são a guerra.
Sim, há uma arte muito antiga nos conflitos bélicos! A arte de iludir e comprar corações com palavras vazias. Em suas propagandas de poder, os senhores da guerra nos falam de virtude enquanto não passam de grandes escroques. Fala-nos de orgulho, honra e inflamam multidões, cheios do único orgulho que possuem: o orgulho de não ter honra alguma.
Mesmo que as Centúrias não passem de milhares de versos compostos por um ancião entediado ao escrever a mais louca das epopeias – com seus bufos-heróis atuando em lugares incertos –, nada disso pode tirar o valor da mais sábia das mensagens que se pode dar aos homens: evitem cometer os mesmos erros; cuidai de quem vos governa; a guerra é a morte, a destruição; a verdadeira virtude está em viver em paz, respeitando essa grande casa que é comum a todos – a Terra; a honra está em tolerar as diferenças; a glória do homem é viver e deixar viver, nada mais. Em nossa curta vida, cheia de tantos desencantos, em que tudo é abreviado pela morte, a qualidade moral está em tentar compreender este minúsculo lapso temporal em que respiramos.



No caso específico da Segunda Guerra, verifiquem se há algum engano nesses alertas de Nostradamus contra o ódio e horrores que a guerra gera. Hitler, Mussolini na Europa e África e os sanguinários comandantes japoneses no Pacífico são a prova inconteste de nossa falta de juízo em tempos ruins, ou a qualquer tempo. Em decorrência das sandices sanguinárias desses ditadores, não nos assusta a idéia de que um degenerado como o anticristo, um dia, venha conduzir a humanidade ao desastre. Infelizmente, são sábias e verdadeiras as palavras do Salmo 42: “Um abismo chama outro abismo”.

18. Vida feliz: TV, transporte e computadores


I.63
Les fleurs passees diminue le monde,
Long temps la paix terres inhabitees:
Seur marchera par ciel, terre, mer et onde,
Puis de nouueau les guerres suscitees.
[As hidras tornam o mundo menor, por um longo período a paz nas terras inabitadas. As pessoas viajarão com segurança por terra, água e ar. Então as guerras recomeçarão. – Francês: passe-fleur, anêmona. Latim: como em português, o adjetivo se coloca ordinariamente depois do substantivo, concordando em gênero, número e caso, por isso, fleures passees].


A anêmona aquática é associada à Hidra, que na mitologia grega aparece como uma criatura fantástica, monstruosa serpente com sete cabeças que se regeneravam quando eram cortadas (Hidra de Lerna). Ela aparece no primeiro verso. Nostradamus pode estar descrevendo algum equipamento eletrônico com fios, tentáculos, e que encurta as distâncias entre lugares e pessoas – televisão e computadores, por exemplo. Os animais do gênero Hydra descritos pela biologia, são verdes, cinzas ou pardos e vivem presos a paredes rochosas ou à vegetação aquática. A intenção nessa quadra é de descrever como se dá a comunicação e o fluxo de pessoas entre lugares por meio de recursos tecnológicos estranhos a Nostradamus: “As pessoas viajarão com segurança por terra, água e ar”.
Observem que ele utiliza os primeiros três versos para descrever a sua visão sobre a modernidade e no último já retorna ao seu foco, que é a guerra. Num homem do século XVI, é de se imaginar o espanto com os modernos navios e submarinos cruzando os mares. Em 1550, navegar era sinônimo de naufrágio em toscas naus de madeira. Nostradamus deparar-se com trens e metrôs com suas velocidades fantásticas, enquanto ele dispunha para viagens os veículos de tração animal – e isso para quem podia pagar, pois a maioria das pessoas se deslocava a pé mesmo. Os aviões devem ter deixado o profeta maravilhado, simplesmente inimaginável naquele tempo em que boa parte dos homens tinha no céu apenas a habitação do divino e de tudo quanto era inexplicável.

19. As causas da Terceira Guerra


Ao examinarmos este grande épico às avessas que são as Centúrias, podemos observar que certos fatores, como de ordinário para outras guerras, contribuem sobremodo para a criação do clima de animosidades entre os países e decorrente Terceira Guerra. Em nosso entendimento, quatro são os pontos chaves nas previsões deste evento:


Economia – falência do mundo financeiro;
Meio ambiente – aquecimento global e uma sucessão de eventos catastróficos;
Crise energética – alta nos preços do petróleo;
Política – falhas na diplomacia e manutenção da paz.


É evidente que esses fatores não atuam sozinhos, todos concorrem para um panorama de crise global nunca antes experimentada pela humanidade. Assim, a falência do mundo financeiro está relacionada com o aquecimento global, a alta nos preços do petróleo e com a política desenvolvida pelas nações. Todos esses itens misturam num emaranhado de único e frágil fio de lã. Acontece que o fio pode arrebentar e desencadear a sucessão dos eventos que determinarão a guerra, conforme veremos nas Centúrias.
Sobre os problemas econômicos, em especial os macroeconômicos, mercado financeiro e de capitais, já tivemos oportunidade de adiantar alguns aspectos no capítulo anterior. Quanto aos outros três pontos, vamos examiná-los com mais paciência nos próximos capítulos. Fiquemos por enquanto com essa quadra que, em outras palavras, nos diz que a paz sempre foi efêmera:

II.40
Vn peu apres non point longue interualle,
Par mer et terre sera faict grand tumulte:
Beaucoup plus grande sera pugne nauale,
Feux, animaux, qui plus feront d'insulte.
[Pouco depois do intervalo não muito longo, por terra e mar será um grande alvoroço: as batalhas navais serão as mais importantes, a ferocidade será maior do que a própria guerra].

20. Meio ambiente: o aquecimento global


Présage XLI. Iuillet.
Predons pillez chaleur, grand seicheresse,
Par trop non estre. cas non veu, inoui:
A l'estranger la trop grande caresse,
Neuf pays Roy. l'Orient esblouy.
[Os ladrões farão pilhagens durante uma longa seca, que constituirá um acontecimento jamais visto. Os países estrangeiros serão tratados com pouca energia. O Oriente seduzirá nove países].


A grande seca nos parece ser decorrência dos desequilíbrios de temperatura na superfície terrestre, ao qual chamamos de aquecimento global. Seca e fome têm que ser conjugadas sempre juntas. Logo, as pilhagens serão proporcionais ao tamanho da seca e da fome. E numa louca tentativa para salvar a economia mundial, movidos mais por medo do que por convicções políticas, nove países do Ocidente se deixarão seduzir pelo Oriente, no caso, a China com mais de 1,3 bilhão de habitantes, prontos para deixarem suas fronteiras em busca de meios de sobrevivência. Essa equação nos parece simples: a soma de seca com fome e penúria tem por resultado a guerra.
Essa grande seca, a qual se refere Nostradamus, e seus efeitos estão presentes em quase todas as quadras e presságios que tratam da Terceira Guerra e seus desdobramentos. Portanto, é necessário que façamos aqui um breve estudo das atuais condições climáticas para verificarmos o grau da possibilidade imediata desse acontecimento catastrófico.
O aquecimento global é decorrente da junção de vários outros fatores relacionados ao meio ambiente, como por exemplo, o efeito estufa, com uma concentração além do normal de gases na atmosfera que aprisionam calor sobre a superfície terrestre. Mas não é só isso, junto ao fenômeno do efeito estufa também está o aparecimento de buracos na camada de ozônio, o que nos deixa vulneráveis aos efeitos nocivos da radiação ultravioleta emitida pelo Sol.
Esses fenômenos, sentidos com maior intensidade a partir do final do século passado, são causados diretamente pelo homem, com o aumento da poluição verificada a partir da Revolução Industrial, ocorrida nos meados do século XVIII. A indústria trouxe o progresso para o mundo e permitiu o atual estágio em que vivemos. O problema é que o nosso suposto conforto, obtido com esse não menos suposto progresso, aponta para danos terríveis à natureza. A desertificação é um sinal claro que o nosso modo de vida está afetando o meio em que vivemos. De acordo com dados do Worldwatch Institute, cerca de 15% da superfície terrestre sofre algum tipo de desertificação – com a redução da vegetação e capacidade produtiva do solo. Coloquemos nessa conta de subtração, as chuvas ácidas, a poluição do solo e das águas, o desmatamento, a erosão e teremos um quadro nada promissor para a saúde do planeta.
O aumento de 1º Celsius na temperatura média da terra é suficiente para alterar o clima de várias regiões e, segundo os cientistas que apresentaram trabalhos no Painel Intergovernamental Sobre Mudança no Clima (IPCC) das Nações Unidas, o século passado foi o mais quente dos últimos 500 anos, com aumento da temperatura média entre 0,3 ºC e 0,6 ºC. Ora, somos forçados a apontar novamente a falta de parâmetros para Nostradamus fazer suas previsões, principalmente no que se refere ao clima. Pelo que sabemos, em sua época, nem mesmo o termômetro havia sido inventado. O primeiro termômetro só apareceria em 1592, exatos trinta e seis anos depois da morte do profeta, inventado por Galileu Galilei (1564-1642).
No século em que viveu Nostradamus e nos anteriores a ele, não existem registros de seca ou crise agrícola, muito pelo contrário, o século XVI foi de superprodução na Europa. “No século XVI a elevação generalizada dos preços e a conseqüente propensão a investir levaram a um crescimento da produção, que no século XVII estava acima da possibilidade de absorção do mercado”. [Franco Júnior & Chacon, p.132]. Além disso, o período de maior fome na Europa (1315-1317), portanto, 200 anos antes do nascimento de Nostradamus, foi causado pelo excesso de chuvas, que não permitiam a germinação das sementes dos cereais, elas simplesmente ficavam podres.
Mas, voltemos ao nosso fértil solo, às profecias de Nostradamus, e poderemos verificar que outros fenômenos podem concorrer com o aquecimento global, inclusive para aumentá-lo, como por exemplo, o deslocamento dos pólos magnéticos em relação ao eixo terrestre, ou ainda, a alteração na inclinação desse eixo:


I.56
Vous verrez tost et tard faire grand change,
Horreurs extremes et vindications:
Que si la Lune conduite par son ange,
Le ciel s'approche des inclinations.
[Mais cedo e mais tarde você vai ver grandes mudanças, horrores extremos e vinganças: e se a Lua tivesse sido levada por seu anjo. O céu se aproxima das inclinações].


Um claro aviso de Nostradamus sobre os horrores da guerra e uma mudança generalizada nas coisas que afetam o nosso planeta. O céu e a Lua, símbolos da constância estariam em desacordo com o que se espera deles. A Terra mergulhada em tal escuridão (o anjo da morte) que nem se pode mais ver a Lua. O eixo terrestre estará muito inclinado devido aos desastres naturais, terremotos e vulcões e até mesmo grandes explosões atômicas:


IV.30
Plus unze fois Luna Sol ne vouldra,
Tous augmenté et baissez de degrez:
Et si bas mis que peu or on coudra,
Qu'apres faim peste, descouuert le secret.
[Por mais de onze vezes Lua e Sol desaparecerão, tudo aumentado e diminuído de grau: colocados tão embaixo que até o ouro escurecerá. Depois da fome e da peste, descoberto será o segredo].

21. Um pacto para salvar a Economia


Na quadra I.63, além de apontar maravilhas da engenhosidade humana, o profeta nos fala em um período relativamente longo de paz entre guerras, nas terras desérticas (países produtores de petróleo). Porém, a paz será interrompida por nova guerra, que envolverá seis países que pertencem a um grupo de sete e mais um terceiro que sai de um grupo de cinco, e todos contra o Oriente, os árabes, persas e turcos:


II.88
Le circuit du grand faict ruineux,
Le nom septiesme du cinquiesme sera:
D'vn tiers plus grand l'estrange belliqueur:
Mouton, Lutece, Aix ne garantira.
[O conjunto do grande pacto desastroso, o sétimo nome da quinta será: um terceiro, o maior e estranho guerreiro que não garante: o Papa (Roma), Paris e Aix-en-Provence].


Um belo enigma! Vamos interpretá-lo: o G-7 é composto pelos países mais ricos e industrializados do mundo: Estados Unidos, Japão, Alemanha, Reino Unido, França, Itália e o Canadá. Vamos lembrar que a guerra se dará por motivos econômicos, pois a esta altura o sistema financeiro internacional estará falido. Um desses países do G-7 não aceitaria o pacto de guerra, por fraqueza militar, ou por problemas internos. A eles virá se somar um estranho e grande guerreiro do G-5, composto por países emergentes: Brasil, México, Índia, África do Sul e China, ou seja, parte do antigo Terceiro Mundo. Porém, mesmo com o pacto firmado, este “estranho guerreiro” não conseguirá dar apoio bélico à Itália e à França. Dos países do G-7, o Japão é o único país que não pertence à Organização do Tratado do Atlântico Norte (OTAN – em inglês, NATO). Do G-5, o Brasil, o México aparecem no contexto quando Nostradamus se refere ao Ocidente. Pois para ele, a Europa é o centro que divide o mundo em Ocidente e Oriente. Os maiores em população são a China (1,3 bilhão) e a Índia (1,2 bilhão). A China também tem o maior território e apresenta o sistema de governo estranho aos outros, Comunista, mas caminha a largos passos para o Capitalismo.
Logo, a China, que já é a segunda maior economia do mundo, altamente dependente do petróleo, surge como uma candidata ao “pacto desastroso” de guerra. Há uma década, qualquer pessoa que vislumbrasse tal aliança tática entre os exércitos da China e OTAN seria sumariamente apedrejada em praça pública! Eis, portanto, o nosso cuidado em descrever aqui somente uma aliança tática, que prevê um objetivo imediato, no caso, a garantia de fornecimento de petróleo pelos países produtores, especialmente os árabes. Algo muito diferente de uma aliança estratégica e permanente em busca de um único objetivo comum e duradouro.
E lá vai mais um ponto para a China em sua marcha capitalista: no final de abril de 2011, a agência de notícias EFE informava que O Fundo Monetário Internacional (FMI) apontou em um relatório que o Produto Interno Bruto (PIB) da China superará o dos Estados Unidos em 2016, em uma comparação baseada no poder paritário de compra (PPC), ou seja, a economia real. O relatório do órgão demonstra que o PIB chinês aumentará de US$ 11,2 trilhões em 2011 para US$ 19 trilhões em 2016. Essa quantia supera as previsões do PIB americano, que nessa data alcançaria os US$ 18,8 trilhões, a partir dos atuais US$ 15,2 trilhões.

22. A crise energética


Nostradamus deixa bem claro que um dos estopins da Terceira Guerra Mundial está aceso no Oriente e Ásia, e os recentes acontecimentos no Norte da África e que rumam para o Oriente Médio nos revelam a fragilidade de todo nosso sistema baseado no ouro negro. Nunca, em tempo algum, o mundo esteve tão exposto aos humores das relações internacionais e, em especial, nessas regiões. Somem-se a isso tudo, as abissais diferenças culturais e religiosas e teremos um grande barril de pólvora apenas esperando a fagulha para ir aos ares.


II.86
Naufrague à classe près d’onde Hadriatique,
La terre tremble, esmüe sus l’air em terre mis,
Égypt tremble augment Mhaométique,
L’Héraut soy rendre à crier est commis.
[Navios vão naufragar bem perto do Adriático, A terra tremerá quando uma frota aérea atacar a terra. O Egito treme aumentado pelos maometanos. Será exigida a rendição do comandante-em-chefe].

III.27
Prince libinique puissant en Occident,
François d’Arabe viendra tant enflammer
Scavant aux lettres sera condescendent,
La langue Arabe em François translater.
[Um príncipe líbio poderoso no Ocidente virá a inflamar muitos árabes contra os franceses, depois virá uma personagem culta e complacente que mandará traduzir a língua árabe para o francês].


Escrevo este capítulo no final de bela tarde do sétimo dia de abril de 2011, uma quinta-feira. A televisão está ligada e transmite os horrores dos conflitos no Norte da África, em especial na Líbia, e também registra a catástrofe atômica na usina de Fukushima, no Japão, que havia sofrido nesse dia mais um forte abalo sísmico (7,1 graus na escala Richter) e na mesma região do terremoto dia 18 do mês anterior. Desta vez, quatro foram mortos e 130 pessoas ficaram feridas.
Bela era-me a tarde! A mesma tarde desesperadora para as famílias de 11 crianças assassinadas por um maluco no Rio de Janeiro. A mesma tarde aterrorizante para centenas de africanos que acabavam de sucumbir em naufrágio, muito perto do Adriático, numa fuga desesperada da fome e da guerra. Segundo o que noticiava a agência italiana Ansa, o barco de imigrantes e refugiados somalis, bengalis, sudaneses e eritreus, vindo da Líbia, transportava 300 pessoas e afundou a 65 quilômetros de Lampedusa, em águas territoriais de Malta. A Guarda Costeira da Itália e pescadores sicilianos haviam retirado da água 48 das 300 pessoas que estariam a bordo da precária embarcação. O capitão de um pesqueiro siciliano que conseguiu resgatar três pessoas disse que a cena foi impressionante. "O que nós vimos foi terrível. As cabeças dos náufragos ficavam fora da água e depois mergulhavam. Todos gritavam por socorro", disse Francesco Rifiorito à Ansa. "Nós fizemos tudo o que foi possível". Esta não foi a primeira embarcação que afundou naquelas águas depois do início dos protestos e certamente não seria a última, pois a situação humanitária nos países africanos tornava-se a cada dia mais grave.
Olhei para o resultado do meu trabalho naquela tarde – a tradução dessas duas quadras que cito no início deste capítulo – e reconheci nelas alguns desses acontecimentos recentes. De repetente me dei conta que, pelo cansaço e pelo que sentia em relação àquelas tragédias, qualquer coisa que escrevesse estaria contaminada com uma boa dose de revolta e espanto. Resolvi andar pelo bairro até que a razão tornasse a me guiar novamente. E assim passou a noite. Nada escrevi. Hoje (a manhã seguinte!), tornei ao meu ofício nas linhas que vão adiante sobre os versos que o meu filho Matheus havia me mostrado, e que motivam este livro.
Nas quadras iniciais deste capítulo temos a notícia das revoltas no Egito. O país tremeu em protestos populares exigindo a renúncia do presidente Hosni Mubarak (1928-). Mubarak ficou no poder por quase 30 anos e não resistiu à revolta popular que persistiu por 17 dias seguidos e que deixou mais 300 mortos e cinco mil feridos. O ditador e sua família foram detidos e seus bens bloqueados no exterior. A queda de Mubarak foi resultado do efeito dominó dos protestos que atingiram o Norte da África em 25 de janeiro na Tunísia que também teve seu presidente deposto, depois que um camelô ateou fogo nas próprias roupas em protesto contra os impostos e a ação violenta da polícia para repreender os pequenos comerciantes informais. A partir daí, como um rastilho de pólvora, os protestos alcançam praticamente toda África setentrional, habitada por povos de língua árabe e de maioria mulçumana.
Depois do Egito, a Líbia do coronoel Muammar al-Gaddafi era apenas a bola da vez. Gaddafi havia mandado abrir fogo contra a sua própria gente, numa louca reação aos protestos que chegaram ao país. Queriam-no fora do poder, usurpado desde um golpe em 1969. O Ocidente já não podia mais tolerá-lo, como o tolerou até mesmo quando se suspeitou que ele ordenara ataques terroristas contra alvos civis em outros países. A reação de Gaddafi contra a população desprotegida não ficaria impune. Agora, com a Líbia em guerra civil, os aviões e navios da OTAN, liderada pelos EUA e França, bombardeavam alvos militares no solo líbio. O coronel estava encurralado, com os recursos pessoais, da família e do estado bloqueados nos países estrangeiros. Poucas eram as saídas para Gaddafi, resistir até a última bala, morrer, ou conseguir fugir para algum dos raros países amigos, como a Venezuela. Em todos os casos, se chegaria ao momento do cessar fogo, com diplomatas redigindo tratados de paz que, certamente, seriam escritos em árabe e traduzidos para outras línguas ocidentais, entre elas o francês, como antevê a profecia de Nostradamus. É bom observar que, independentemente do que ocorra com Gaddafi, a Líbia continuará sendo um barril de pólvora, pois não conta com instituições democráticas sólidas, isso sem contar a população, sempre dividia em poderes tribais. Por estar em posição geográfica estratégica, qualquer conflito na região do Mediterrâneo ou Adriático, a Líbia terá papel relevante, não importando quem esteja ocupando o governo. Há de se lembrar que a guerra será pelo controle do petróleo:

V.16
A son haut pris plus la lerme sabee,
D'humaine chair par mort en cendre mettre,
A l'isle Pharos par Croissars pertubee,
Alors qu'a Rodes paroistra deux espectre.
[Quando o preço da gota de sabá, não mais se puder manter no ponto máximo, na época em que cadáveres humanos forem calcinados pelo fogo, e a ilha do Faros for inquietada por cruzadores, aparecerá em Rodes temível espectro de terror].


O Iêmen, país que teria sido governado pela da lendária rainha de Sabá, é o principal parceiro comercial da China no fornecimento de petróleo. Os cruzadores inimigos do Ocidente passarão perto da antiga ilha de Faros, hoje uma península, na cidade egípcia de Alexandria. Rodes é uma ilha grega do Mar Egeu. É lá que vai aparecer o espectro do terror, talvez um navio armado com explosivos atômicos.

23. A morte do tirano num porto muçulmano


IV.45
Par conflict Roy, regne abandonnera,
Le plus grand chef faillira au besoing,
Mors profligez peu en reschapera,
Tous destranchés, vn en sera tesmoing.
[Durante o conflito, o Rei vai abandonar o seu reino, maior chefe irá falhar na hora da necessidade: inoperante, arruinado, poucos escaparão, todos massacrados, um será a testemunha].


I.94
Au port Selin le tyran mis à mort,
La liberté non pourtant recouvreé:
Le nouveau Mars par vindicte et remort,
Dame par force de frayeur honorée.
[No porto muçulmano o tirano posto a morte, a liberdade não será recuperada: porém, a nova guerra virá por retribuição e remorso, a Dama é ameaçada pela força do terror. – Selin é palavra de origem grega, quarto crescente da Lua, símbolo muçulmano].


Essas duas quadras nos parecem complementares e referem-se aos recentes conflitos na África e Oriente Médio. A diplomacia e a ajuda militar dos EUA (ou França) vão falhar em relação a um país aliado. O chefe de governo desse país terá que abandoná-lo e o povo perecerá numa guerra civil.
Ora, tiranos não faltam para morrer em algum porto do Norte da África e durante as revoltas no mundo árabe é bem provável que a liberdade não seja conquistada pelo povo, pobre em instituições sólidas para garantir essa liberdade. “A Dama ameaçada por força do terror”, pode ser uma alusão à União Européia ou especificamente à França, que tem como um dos símbolos da Revolução a dama de Eugène Delacroix (1798-1863) La Liberté guidant le peuple – A Liberdade guiando o Povo, pintura de 1830.

24. As tentativas para se manter paz


IX.52
La paix s'approche d'vn costé, et la guerre,
Oncques ne fut la poursuitte si grande:
Plaindre hôme, femme sang innocent par terre,
Et ce sera de France a toute bande.
[De um lado, preparam-se para assinar a paz e do outro, para fazer a guerra. Jamais as duas serão tão procuradas: depois serão lamentados os homens e mulheres; o sangue inocente vai correr sobre a terra e em todos os lados da França].


VI.64
On ne tiendra pache aucune arresté,
Tous receuans iront par tromperie:
De paix et trefue, et terre et mer protesté.
Par Barcelone classe prins d'industrie.
[Os tratados de paz não serão respeitados. Todos passarão por enganos. Por terra e por mar serão feitas proclamações de paz. O exército será posto em atividade até Barcelona].

XII.59
L'accord et pache sera du tout rompuë:
Les amitiez pollues par discorde:
L'haine enuiellie, toute foy corrompuë,
Et l'esperance. Marseille sans concorde.
[O acordo de paz será quebrado por todos: as amizades envenenadas pela discórdia, o ódio virá a corromper a fé e a esperança. Não se encontrará a harmonia em Marselha].


VI.21
Quant ceux du polle arctic vnis ensemble,
Et Orient grand effrayeur & craints:
Esleu nouueau, soustenu le grand tremble,
Rodes, Bisence de sang Barbare teincte.
[Quando os do Polo Ártico estiverem unidos globalmente, no Oriente grande terror e medo: o recém-eleito, sustentado pelo grande álamo negro, Rodes e Bizâncio de sangue bárbaro tingida – Francês: tremble, faia preta (árvore, álamo)].


Pelo visto nessas quadras, o grande momento se aproxima. A Europa está mais do que unida na sua grande comunidade econômica. As relações dos Estados Unidos com o Canadá e a Rússia são relativamente boas. No Oriente, o quadro é exatamente de terror e medo com as revoltas populares e as atividades terroristas dos fundamentalistas islâmicos.
Barack Obama (1961-), sustentado por uma forte população negra nos EUA, trabalha pela reeleição. Mas, tudo isso se faz ilusório, o sangue árabe está sendo derramado na África e Oriente nas revoltas populares. Assim, os ataques terroristas e os velhos ódios voltarão para rasgar os frágeis tratados de paz e o sangue dos inocentes fluirá como se fosse num rio.

25. A morte de Osama Bin Laden


III.30
Celuy qu'en luitte et fer au faict bellique
Aura porté plus grand que luy le pris:
De nuict au lict six luy feront la pique
Nud sans harnois subit sera surprins.
[Aquele que enegreceu com luto e arremessou o dardo num feito de guerra, ao guiá-lo no céu de alguém maior do que ele: à noite, seis o farão ficar de pé, despido e sem defesa ele será surpreendido – Francês: fer, metal, espada, punhal, lança, dardo; porter, levar, levar a, guiar; la pique, a prumo, verticalmente, em perigo, em risco. Latim: ferrum, ferro, arremessão com dardo; aura, vento brando, brisa, o céu, os ares, o firmamento].


Osama Bin Laden (1957-2011) deixou uma nação inteira de luto ao comandar (guiar) o ato terrorista que arremessou aviões contra alvos em solo norte-americano, em especial às torres gêmeas do World Trade Center de Nova Iorque, em 11 de setembro de 2001. Feito que determinou a imediata guerra contra o terror e a invasão do Afeganistão pelas tropas dos EUA.
Na noite de primeiro de maio de 2011, o Seal Team Six, em 40 minutos levou a cabo a operação que matou de Osama Bin Laden. O Seal Team Six é uma unidade das forças de elite americanas com operacionais vindos da Marinha, Força Aérea e do Exército (“a equipe dos seis”). Consta dos primeiros relatos da Casa Branca que Osama se levantou da cama antes de ser morto. Os de detalhes que podem esclarecer se ele estava vestido, ou não, ainda não haviam sido fornecidos oficialmente por Washington.
Até o encerramento da redação deste livro, as informações sobre como teria sido a morte do terrorista foram dadas pela rede de televisão dos Estados Unidos CBS. No dia 13 de maio, a rede de TV revelou que Osama Bin Laden refugiou-se em um quarto ocupado por suas mulheres e filhas durante a operação militar em que foi morto. Membros do Team Six tentaram disparar enquanto ele estava no patamar do segundo andar, mas fracassaram. As imagens da operação foram feitas por câmeras instaladas nos capacetes dos soldados. Osama teria fugido em seguida para um quarto onde se encontravam suas mulheres e filhas. O primeiro soldado que entrou no dormitório afastou as filhas, enquanto o segundo empurrou uma das esposas, que se atirou contra ele. O soldado disparou então contra Bin Laden, ferindo-o no peito, antes que um terceiro membro do Team Six atirasse em sua cabeça.


VI.33
Sa main derniere par Alus sanguinaire,
Ne se pourra par la mer garentir:
Entre deux fleuues craindre main militaire,
Le noir l'ireux le fera repentir.
[Suas mãos, derradeiras para o Cultuado sanguinário, não podem pelo mar chegar ao recolhido num abrigo: entre dois rios o respeito nas mãos dos militares ao irado homem negro que fará ele se arrepender. – Francês: garer, abrigar, recolher num abrigo; craindre: temer, recear, suspeitar, respeitar, acatar. Latim: Alus, Alo, deidade obscura romana, adorada e cultuada por poucos].


Em território norte-americano, o presidente Barack Obama acompanhou passo a passo (praticamente online) o desenrolar da ação do Team Six. Embora tenha sido usada uma tropa da Marinha, o ataque à fortaleza, onde se abrigava Bin Laden, teve que ser feito por meio de aeronaves. O Team Six acessou o abrigo após descer pelas cordas e cabos lançados por helicópteros. Em Washington, capital localizada num distrito entre os rios Potomac e Anacostia, os militares saudaram efusivamente com continências o presidente negro que havia cumprido a promessa feita ao povo norte-americano de matar Bin Laden. Não sabemos quais foram as últimas palavras do terrorista nem se ele teve tempo de dizer alguma coisa, porém a quadra aponta que ele se arrependeu antes de morrer.
A divindade Alus praticamente não aparece na literatura romana, somente há registro dela em algumas inscrições, portando, Alus deve ter sido adorado ou cultuado por um número reduzido de pessoas, ou até mesmo uma seita. Em Roma, cada casa tinha seu próprio deus, chamado Lar, fora os que eram cultuados de forma comum pelo povo, como Diana, Júpiter, Marte etc. Havia também os deuses penates, adorados pelas famílias, mas sem nomes. Dessa maneira, traduzimos Alus, por "Cultuado" por um número não muito grande de homens ou mulheres.

26. A vingança dos seguidores de Bin Laden


VI.67
Au grand Empire paruiendra tout vn autre,
Bonté distant plus de felicité:
Regi par vn issu non loing du peautre,
Corruer regnes grande infelicité.
[Um homem bem diferente atingirá o grande império mais distante da bondade do que da felicidade: regido por alguém vindo de longe de sua cama, tal regente se precipita num grande infortúnio].


Bin Laden atingiu em cheio o orgulho do império norte-americano. Um pouco antes deste momento terrível, duro com os seus inimigos, o país passava por uma euforia. Agora regido por alguém que veio de longe do continente – Obama nasceu em Honolulu, capital do Havaí, estado norte-americano localizado no Pacífico – o império será atingido pela infelicidade, revide dos fundamentalistas árabes ao se vingarem de Bin Laden.
Passados três dias da morte de Bin Laden, o Al-Qaeda, a organização terrorista de Bin Laden, comunica que a felicidade dos americanos deve virar tristeza. "Nós enfatizamos que o sangue de Osama Bin Laden é precioso para todos os muçulmanos e não foi derramado em vão", lamentava o grupo fundamentalista islâmico.
No dia 13 de maio, um ataque com homem-bomba contra uma academia paramilitar no Noroeste do Paquistão matou 80 pessoas. Várias pessoas ficaram feridas no atentado. O Talibã paquistanês assumiu a autoria do atentado e revelou que foi uma vingança pela morte do líder e fundador do Al Qaeda, Osama Bin Laden, por forças especiais norte-americanas. O atentado ocorreu no momento em que cadetes recém-formados entravam em ônibus para sair de folga.

V.19
Le grand Royal d'or, d'airain augmenté,
Rompu la pache, par ieune ouuerte guerre:
Peuple affligé par vn chef lamenté,
De sang barbare sera couuerte terre.
[O grande Real de ouro, de bronze aumentado, o acordo rompido, a guerra aberta por um jovem: povo atingido por um chefe lamentado, de sangue bárbaro será coberta a terra].


Esses acontecimentos vão se dar quando o Ocidente estiver iludido com o suposto valor do dólar ou do euro. Na Idade Média, uma das crises econômicas aconteceu quando os reis adicionaram metais de menor valor nas moedas de ouro. O acordo dos estados que compõe a Comunidade Econômica Européia vai ser rompido e a guerra será desencadeada por um jovem governante, inconformado com o derramamento de sangue de seu povo.



27. O Ataque terrorista no parque


X.83
De batailler ne sera donné signe,
Du parc seront contraints de sortir hors:
De Gand l'entour sera cogneu l'ensigne,
Qui fera mettre de tous les siens à morts.
[Da batalha não será dado signo, do parque serão obrigados a sair: ao redor do Gândamo será conhecida a insígnia, que vai levar todos os seus à morte. – Latim: Gandamus, Gândamo, antiga cidade próxima ao Mar Vermelho].


Não será dado sinal prévio algum da luta que os terroristas travam. O sinal do ataque suicida será dado pelo chefe deles na cidade de Gândamo, próximo ao Mar Vermelho, no Oriente Médio. O parque vai ter que ser evacuado. Ora, se esse ataque terrorista for uma resposta à morte de Bin Laden, ele terá que ser feito num grande parque para incutir medo nas pessoas e ter seu efeito multiplicado pela mídia. Nos Estados Unidos, as cidades que têm grandes parques: Nova Iorque (Central Park) e depois, Washington.



28. Ataques terroristas na Espanha e Itália


V.55
De la Felice Arabie contrade,
N'aistra puissant de loy Mahometique:
Vexer l'Espagne, conquester la Grenade,
Et plus par mer à la gent Lygustique.
[De uma região da Arábia Feliz, nascerá poderoso de lei de Maomé: ofenderá a Espanha, para conquistar Granada, e fará mais para o povo da Ligúria].


Arábia Feliz (em latim Arabia Felix) é a denominação dada pelos romanos a uma região da Península Arábica, que corresponde hoje à parte da Arábia, Iêmen e Omã. Osama Bin Laden nasceu em Riad, capital da Arábia Saudita.
Em 11 de março de 2004, um atentado reivindicado pelo grupo terrorista brigadas de Abu Hafs Al Masri, em nome da Al-Qaeda, explodiu quatro trens em Madri. Os números do governo italiano apontam para 191 pessoas mortas nesse ataque com bombas.
Nessa quadra, também encontramos a ameaça de golpe mais terrível ainda na região de Gênova, Noroeste da Itália (Ligúria). Na seguinte quadra, Nostradamus descreve outro ataque terrorista na região de Florença:


X.33
La faction cruelle à robe longue,
Viendra cacher souz ses pointus poignards,
Saisir Florence le Duc et lieu diphlonque,
Sa descouuerte par immurs et flangnards.
[A seita cruel dos que usam longa túnica virá, ocultando armas sob suas vestes. O líder deles tomará Florença e a queimará duas vezes, enviando à frente homens hábeis e sem lei].

29. Itália sofre com a guerra químico-biológica


IV.48
Planure Ausonne Fertille, spacieuse,
Produira taons si tant de sauterelle,
Claré solaire deviendra nubileuse,
Ronger le tout, grand pest venir d’elles.
[Uma tal quantidade de mosquitos e gafanhotos avançará sobre a fértil planície italiana em que o sol será obscurecido. Todos comeram, a grande peste virá deles. – Latim: planura, planície; Ausonia, antiga região da Itália; produco, faço avançar].


Esse cenário corresponde a um ataque ou contra-ataque sobre a Itália, no fértil Vale do Pó. As armas utilizadas parecem ser químicas ou biológicas, lançadas por grande número de aeronaves (de dois tipos). A contaminação se dará pelo consumo de alimentos infectados que causará uma séria doença semelhante à peste. Assustador para os italianos, que têm em seus territórios as bases de onde partem os ataques dos aviões da OTAN ao Norte da África.
Algumas linhas são necessárias para que tenhamos ideia do perigo ao qual a Itália e outros países estão expostos com esses tipos de ataques terroristas. Quanto à guerra biológica, é bom saber que temos notícias muito antigas de sua procedência. Ela era praticada na Antiguidade, quando os exércitos usavam cadáveres putrefatos para contaminar o abastecimento de água de uma cidade sitiada, ou atiravam dentro das muralhas inimigas cadáveres de vítimas de varíola, peste ou outra doença contagiosa.
Mas isso é passado, nos interessa agora a possibilidade de uma guerra químico-biológica se repetir em nosso tempo e com mais tecnologia agregada à matança em massa.
Os Estados Unidos sempre acusaram os países que não são simpáticos à política da Casa Branca de fabricarem ou ter em estoque armas químicas e biológicas. Assim se deu com o Iraque, com o Irã e também com a Líbia. Depois que o ex-presidente George W. Bush (1946-) usou diante das Nações Unidas o falso argumento de que Iraque possuía também tais armas e por isso era preciso ocupá-lo militarmente, quaisquer acusações semelhantes são, no mínimo, suspeitas.
Em dezembro de 2003, em plena lua de mel com o Ocidente, a Líbia concordou em abrir mão de todos seus estoques de armas químicas, biológicas e nucleares. A promessa veio depois de um longo processo de negociações com a Grã-Bretanha e os Estados Unidos. Em troca, a comunidade internacional acabaria com os embargos e sanções contra a Líbia.
E quais seriam as possíveis pestes (vírus ou bactérias) espalhadas por essas armas biológicas? Várias. Vejam uma pequena listinha:
Varíola – transmitida por vírus – a contaminação pode ser pelo ar, taxa de mortalidade de 30% ; sintomas parecidos com o da gripe. A erupção de pústulas na pele é uma das características da doença;
Ebola – vírus – a mortalidade atinge quase 100%. Contaminada pela água, alimento, ou ar, a pessoa passa a sentir febre, dor de cabeça, falta de ar; diarréia com sangue e expectoração também hemorrágica. A morte se dá no máximo em duas semanas. O Ebola é uma arma letal e sem tratamento;
Peste bubônica – a peste bubônica pode ser disseminada por pulverização, mísseis, bombas ou por meio de pulgas infectadas. Apenas cinqüenta quilos de esporos podem contaminar uma cidade de cinco milhões de habitantes. Infectada, a pessoa vai contagiar todas as outras com que tiver contato. Em três dias, os sintomas aparecem semelhantes a uma gripe e depois se formam pústulas e úlceras na pele;
Anthrax – bactéria que dá o nome a doença. Caso fosse lançada por avião, o anthrax iria contamina o ar, a água, o solo e os alimentos. Não pode ser detectado porque é incolor e sem cheiro. O anthrax pode lesar a pele, contaminar os pulmões ou causar doenças intestinais e também começa como se fosse uma gripe e termina em hemorragia, edema e falência dos órgãos.
Essas são os mais importantes vírus e bactérias que podem ser usadas numa eventual guerra. Mas também temos outras armas de origem biológica, como a toxina botulínica e toxina T-2, ambas mortais para os animais e seres humanos.


Présage CXXV. Iuillet.
Par pestilente et feu fruits d'arbres periront,
Signe d'huile abonder. Pere Denys non gueres:
Des grands mourir. mais peu d'estrangers sailliront,
Insult, marin Barbare, et dangers de frontieres.
[Pelo fogo e pestilência as árvores os frutos perecerão, sinais de petróleo abundante. O Pai em Saint-Denys não será escutado: os chefes de estado morrerão, mas poucos estrangeiros. A marinha bárbara ameaçará as fronteiras com seus ataques].


Mais um reforço de Nostradamus sobre a tragédia que se abaterá em parte da Europa. Nem mesmo os chefes de estado serão poupados. O Pai ao qual se refere Nostradamus é o Santo Papa que não será escutado. Em 31 de março de 1980, em visita a Saint-Denys, o papa João Paulo II assim se dirigiu aos trabalhadores na homilia: “O nosso mundo contemporâneo vê crescer a ameaça terrível de destruição duns pelos outros, em particular com a acumulação dos meios nucleares. Já só o custo destes meios e o clima de ameaça que eles provocam, fizeram que milhões de homens e povos inteiros vissem reduzir-se as suas possibilidades de pão e de liberdade. Nestas condições, a grande sociedade dos trabalhadores, precisamente em nome da força moral que se encontra nela, deve perguntar categórica e claramente: onde, até que ponto e por que foi ultrapassado o limite da nobre luta pela justiça, da luta pelo bem do homem, em particular do homem mais marginalizado e mais necessitado? Onde, até que ponto e por que se transformou esta força moral e criadora em força destruidora, o ódio, nas novas formas do egoísmo coletivo, que deixa aparecer a ameaça da possibilidade duma luta de todos contra todos, e duma monstruosa autodestruição?” [Homilias de João Paulo II, 1980. Anais do Vaticano].



30. O pré-sal das águas territoriais brasileiras


Ainda no presságio do capítulo anterior, temos uma informação importante para determinar a época da realização da profecia. Será num tempo de sinais de abundância de petróleo. Ou seja, os sinais existem, porém a ação se dará em função do petróleo já existente em poços que estão em produção. Carros e indústrias não funcionam apenas com sinais de petróleo.
Como exemplo desses sinais, podemos citar o caso brasileiro. Estima-se que a camada do pré-sal no oceano contenha o equivalente a cerca de 1,6 trilhão de metros cúbicos de gás e óleo. Entretanto, esses sinais de abundância hoje para nada nos servem. O Brasil ainda não dispõe de recursos necessários e tecnologia para retirar o óleo de camadas tão profundas e de forma imediata.
Um dos campos, o de Tupi, se encontra a trezentos quilômetros da costa, a uma profundidade de sete mil metros e sob uma camada de dois quilômetros de sal. Ainda não foi inventado material que suporte tamanha pressão e consiga chegar a tal profundidade. Então, podemos dizer que o petróleo abunda, mas não está totalmente disponível para suprir a demanda, baixar os preços e evitar um conflito do Ocidente industrializado com o Oriente produtor da energia que move nossas indústrias.
IV.15
D'où pensera faire venir famine,
De là viendra se rassasiement:
L'oeil de la mer par auare canine
Pour de l'vn l'autre donra huyle, froment.
[De onde se pensava que viria a fome, de lá virá a saciedade: os olhos para o mar pelos quarenta cães, para um dará o óleo, para outro dará o pão].


Esse é um claro aviso para quem vai deter a fortuna do mundo nos próximos anos. Embora disfarcem, os cães estão de olho no petróleo encontrado em águas territoriais brasileiras. Há duas décadas, pouca gente acreditava que o Brasil conseguiria sair da lista dos países mais pobres e desiguais do mundo e tirasse uma grande massa de pessoas da miséria. Durante muito tempo, os pessimistas acreditaram que o povo brasileiro estaria condenado à fome. Hoje, com as imensas reservas de petróleo, ainda não exploradas, a nação brasileira é promissora quanto ao futuro de sua gente. Mas há de se cuidar desse tesouro, pois os cães logo mostrarão seus dentes.



31. A Itália invadida pelos árabes


II.65
Le pare enclin grande calamité,
Par l'Hesperie et Insubre fera:
Le feu en nef peste et captiuité,
Mercure en l'Arc Saturne fenera.
[Com a economia em baixa, haverá uma grande calamidade no Ocidente: na Itália, a guerra, a calamidade e o cativeiro atingirão a Igreja. A pilhagem arruinará Roma. – Latim: parcus, econômico; inclino, baixo; Monoeci Arx, Mônaco; feneror, arruinar. Origem grega: Hesperie, Ocidente],


VI.42
A logmyon sera laissé le regne,
Du grand Selyn qui plus fera de faict:
Par les Itales estendra son enseigne
Sera régi par prudent contrefaict.
[A eloquência terá deixado o reino, o Crescente vai fazer grande parte da obra: em toda a Itália ele vai estender sua bandeira, que será governada por um prudente que se passará por inteligente].


Mais duas alusões claras da invasão da Itália pelos muçulmanos. A Itália sendo governada por alguém temeroso e que usará sua falta de eloquência para demonstrar-se inteligente. Além disso, o momento será de crise econômica no Ocidente. Muitas são as semelhanças com o tempo presente. Mas, vamos examinar as outras quadras para ver se chegamos a datas de acontecimento desses vaticínios:


V.14
Saturne et Mars en Leo Espagne captive,
Par chef libyque au conflict attrapé,
Proche de Malte, Heredde prinse vive,
Et Romain sceptre sera par coq frappé.
[Saturno e Marte em Leão Espanha cativa, pelo chefe líbio ao conflito arrastada, próximo de Malta, o herdeiro tomado vivo e o romano cetro será pelo Galo golpeado. – Latim: heres, herdeiro].


Vamos juntar A com B e veremos que esses eventos não estão, talvez, muito longe de nós: quando Saturno e Marte estiverem em Leão, quando o líder líbio for arrastado ao conflito, quando a Espanha ficar cativa (de outros estados por suas dívidas) e quando o herdeiro for aprisionado vivo, o governo italiano receberá um golpe vindo da França.

IV.68
En lieu bien proche non esloigné de Venus.
Les deux plus grands de l'Asie et d'Aphrique,
Du Ryn et Hister qu'on dira sont venus,
Cris pleurs à Malte et costé Ligustique.
[Num lugar muito próximo não longe de Venus, os dois maiores da Ásia e da África, do Reno e Danúbio dirão estar chegando, grito, choro em Malta e do lado do Golfo de Gênova. Latim: Ligusticus Sinus, o golfo de Gênova].


Essa quadra se direciona possivelmente à invasão simultânea de hordas norte-africanas através de Malta e Gênova, e outras vindas da Ásia que colocariam em alerta os habitantes do entorno dos rios Reno e Danúbio, na Europa.
Em Fontbrune, o primeiro verso assim aparece: En l’na bien proche esloigné de Venus... (No ano em que estiverem próximos de se afastarem do engano...). Vênus para os romanos e Afrodite para os gregos, deusa do amor, beleza e procriação, também está relacionada a engano. Em nossa interpretação, Nostradamus está se referindo a Chipre e a Grécia, lugares onde se iniciaram o culto a essa deusa.
Alguns intérpretes do século passado, no desejo de transformar Hister em Hitler, usaram essa quadra na descrição de eventos relativos à Segunda Guerra, o que não nos parece o caso.

X.97
Triremes pleines tout aage captif,
Temps bon à mal, le doux pour amertume:
Proye à Barbares trop tost seront hatifs,
Cupid de voir plaindre au vent la plume.
[Os barcos levarão cativos de todas as idades, bom momento para o mal, o doce para o amargo: presa a bárbaros derrotada será muito em breve, Cupido reclamando para ver a pena ao vento].


Essa quadra, além de mostrar a qualidade da poesia de Nostradamus, nos fala de barcos levando prisioneiros: homens, velhos e crianças. Isso se dará num momento crítico que criará as condições para que o mal floresça. O malicioso (Cupido) irá reclamar dos outros países da União Européia que não deixam os “cativos” circularem livres por seu território: Metre la plume au vent, “flutuar ao vento”. Roma, casa do deus Cupido, será cativa dos bárbaros (habitantes dos Norte da África) e também será derrotada por eles.
Em meados de abril de 2011, a imprensa internacional registrava que o Sul da Itália, sobretudo a ilha de Lampedusa, enfrentava uma vaga de imigração sem precedentes, depois de mais de 25 mil pessoas terem chegado àquela ilha desde meados de janeiro, essencialmente provenientes da Tunísia. Ao mesmo tempo, subiam as temperaturas nas já quentes relações entre Roma e Paris, devido à emissão de autorizações de residência temporária que o partido de extrema-direita Liga do Norte, aliado do primeiro-ministro italiano, Sílvio Berlusconi (1936-), desejava conceder aos imigrantes provenientes do norte de África que já estavam na Itália. Com estas autorizações, os imigrantes, na sua maioria de origem tunisiana, poderiam viajar para países europeus como a França.
No dia 26 de abril, as agências internacionais de notícias informavam que os líderes de França e Itália pediam uma reforma do Tratado de Schengen, que permite a livre circulação de pessoas entre a maioria dos países da União Europeia. Criado em 1985 e colocado em prática uma década depois, o Tratado de Schengen permite que residentes legais da maioria dos países da União Européia e viajem ultrapassem livremente as fronteiras.



32. Berlusconi e o escândalo sexual


Présage LX. Auril.
Le temps purgé, pestilente tempeste,
Barbare insult. fureur, inuasion:
Maux infinis par ce mois nous appreste,
Et les plus Grands, deux moins, d'irrision.
[Os tempos serão de licenciosidade, peste e violência, um terrível ataque bárbaro e invasão. Grandes desastres em abril. Chefes de estado serão ridicularizados, com exceção de dois].


Nesse presságio, válido para certo mês de abril, Nostradamus volta a citar o ataque ou o insulto bárbaro. Ele também destaca as características morais reinantes, violentas e licenciosas. Na Itália, a licenciosidade parece começar pelo governo.
De acordo com a agência de notícias France Press, o primeiro-ministro italiano Silvio Berlusconi apresentou-se, em 11 de abril de 2011, no tribunal de Milão para uma audiência do processo Mediaset, em que é acusado de fraude fiscal. Na semana anterior, ele havia faltado a uma audiência de outro caso, o Rubygate. “Neste processo, o que pode ter consequências mais graves para o chefe do governo italiano, Berlusconi é acusado de ter dado dinheiro a uma prostituta menor de idade e de abuso de poder” informou a agência de notícias. Vamos conferir a quadra seguinte, como que Nostradamus nos conta essa história com requintes poéticos:


II.54
Pour gent estrange, et Romains loingtaine,
Leur grand cité apres eaue fort troublee:
Fille sans trop different domaine,
Prins chef, ferreure n'auoir esté riblee.
[Por culpa de gente estrangeira e dos próprios romanos, sua grande cidade sofre descalabro depois da água: uma menina sem mão segura o chefe. As grades não conseguiram detê-la. – Francês: fille, menina, moça, donzela, rapariga, prostituta; domaine, bens da coroa, patrimônio, poder, autoridade].


Em 27 de maio de 2010, a marroquina Karima El Mahroug, uma dançarina de 17 anos, conhecida pelo nome artístico Ruby Rubacuori, foi detida pela polícia em Milão acusada de roubo. Os policiais a levaram para a sede da polícia local. Como era menor de idade, um juiz ordenou à polícia que a levasse a um abrigo para menores.
Berlusconi estava em Paris, mas mesmo assim ligou para o chefe da polícia de Milão e pediu a soltura de Ruby, alegando que a moça era a sobrinha de Hosni Mubarak, na época, presidente do Egito. Em janeiro de 2011, Berlusconi foi colocado sob investigação criminal por supostamente ter relações sexuais com uma prostituta menor de idade e por abuso de poder no exercício de suas funções ao pedir que Ruby (sem “suas mãos” no poder) não fosse presa. Notem que Berlusconi se apresenta ao tribunal em 11 de abril de 2011, um mês depois do terrível terremoto e das águas do tsunami no Japão (11 de março): “sua grande cidade sofre descalabro depois da água”, diz a quadra.

33. A guerra ganha força no Mediterrâneo


X.65
O vaste Rome ta ruyne s'approche,
Non de tes murs, de ton sang et substance
L'aspre par lettres fera si horrible coche,
Fer pointu mis à tous iusques au manche.
[Ó grande Roma, tua ruína se aproxima, não a de teus muros, mas a de teu sangue e substância. A áspera literatura fará um entalhe muito horrível. Ferro pontiagudo contra todos até o cabo].


Nostradamus nos dá conta de um atentado moral por meio da literatura que provocará a ruína de Roma e de seu povo. Ora, é de Roma que saem as encíclicas católicas. Não podemos precisar, mas em função de todas as previsões anteriores, acreditamos que a profecia se refere a uma provocação contra o Corão, que necessariamente não precisa partir da Igreja Católica, mas de qualquer escritor ou fanático que queira queimar ou destruir o livro sagrado dos muçulmanos, como fez o pastor norte-americano integrista Terry Jones, que ateou fogo a um exemplar do Corão no dia 20 de março de 2011. Pura intolerância e com um alto custo, pois o escritório das Nações Unidas em Mazar-i-Sharif (Afeganistão) foi atacado do por uma multidão enfurecida de mulçumanos, com 12 mortes, e entre eles, sete funcionários das Nações Unidas.
A história demonstra que mexer com alheias convicções religiosas não é um bom negócio. Aí estão mais de 20 séculos de testemunhos de que a intolerância religiosa só produziu mais intolerância e mais guerras.


Présage XXIX. Iuillet.
Guerre, tonnerre, maints champs depopulez,
Frayeur et bruit, assault à la frontiere:
Grand Grand failli. pardon aux Exilez,
Germains, Hispans. par mer Barba. banniere.
[Guerra, raio, muitos campos despovoados, terror e barulho, assalto à fronteira: grandioso caído, perdão aos exilados, germanos, hispânicos. por mar Barba. bandeira].


Temos a descrição de ataques vindos do céu, em certo mês de julho, e que despovoarão os campos, com muito terror e barulho. Num ataque à fronteira de seu país, um grande chefe cairá. Os exilados serão perdoados e os alemães e os espanhóis terão problemas com os bárbaros pelo mar. Uma nova bandeira será erguida, provavelmente de um novo país que surgirá durante o conflito.

VII.6
Naples Palerne, et toute la Sicille,
Par main Barbare sera inhabitee:
Corsique, Salerne et de Sardeigne l'Isle,
Faim, peste guerre, fin de maux intentee.
[Nápoles, Palermo, e toda a Sicília pela mão do Bárbaro serão desabitadas: A Córsega, Salerno e a ilha da Sardenha, a fome, a peste, a guerra no final dos males trazidos].


X.60
Ie pleure Nisse, Mannego, Pize, Gennes,
Sauonne, Sienne, Capuë Modene, Malte:
Le dessus sang, et glaiue par estrennes,
Feu, trembler terre, eau. malheureuse nolte.
[Choro por Nice, Mônaco, Pisa, Gênova, Savona, Siena, Cápua, Modena, Malta: cobertas de sangue pelas armas, fogo, tremor de terra, a água. infelicidade jamais vista].


A guerra no mediterrâneo, especialmente na Itália, recebeu muita atenção de Nostradamus. Nessas quadras, não temos dúvida quanto ao que é descrito. Novamente aparecem as perspectivas de um ataque em que se produzirá a peste e a fome e pelas mãos do povo Bárbaro.

VIII.21
Au port de Agde trois fustes entreront,
Pourtant l'infect, non foy et pestilence,
Passant le pont mil milles embleront,
Et le pont rompre à tierce resistance.
[No porto de Agde três fustas entrarão, trazendo o infecto sem fé e pestilência: passando o mar mil milhares fugirão, E o mar romperá à terceira resistência].


Agde, cidade portuária ao Sul da França fundada pelos gregos, significa “boa sorte”. Nostradamus nos fala de três navios de guerra que entram no porto de Agde, próximo aos locais descritos na quadra anterior, trazendo o veneno, um desprovido de fé (cristã) e a peste. Milhares e milhares de pessoas fugirão pelo mar, depois que a resistência no mar tiver sido rompida às três horas da madrugada.



34. Uma pausa para os terremotos do Japão


Estamos estudando os cenários da guerra próxima. Porém, tenho que abrir um parêntesis para algo que não está relacionado ao cenário de guerra propriamente dito. Os recentes terremotos no Japão e o acidente nuclear que os procederam, aparecem vinculados aos acontecimentos dos capítulos anteriores.
Fatos aparentemente distintos: a crise na África setentrional, no entorno do Mediterrâneo, e o terremoto em solo japonês, não fosse a coincidência de acontecerem ao mesmo tempo. Quanto aos tremores de terra no Japão, que ocorrem em paralelo aos desdobramentos desses episódios narrados, eles podem estar expressos nas duas vezes em que Nostradamus repete a palavra temble na quadra II.86.
Nesta seguinte quadra, Nostradamus nos dá notícias de mortes num círculo no Oriente, provocado provavelmente por uma explosão nuclear.

II.91
Soleil leuant vn grand feu l'on verra,
Bruit et clarté vers Aquilon tendants:
Dedans le rond mort et cris l'on orra,
Par glaiue, feu faim, mort les attendants.
[Onde o Sol se levanta será visto um grande fogo, seu ruído e luz alcançarão uma águia, dentro do círculo de morte gritos serão ouvidos, através do aço, o fogo da fome, a morte os esperando. – Latim: aquila, águia. Francês: on, pronome indefinido, alguém, alguma, um, uma].


Dúvidas de que Nostradamus não esteja falando das usinas atômicas do Japão? Especialmente a de Fukushima, arruinada depois dos recentes terremotos naquele país onde “o sol se levanta”. Em acidentes nucleares, como temos visto na televisão, as autoridades costumam estabelecer um círculo de segurança para isolar a usina nuclear.
Apreciem a dantesca imagem que somente a poesia nos permite: “através do aço, o fogo da fome, a morte os esperando”. Interessante também lembrar, que a águia é símbolo dos EUA, que pode ter parte de seu território banhado pelo Pacífico atingido pela radiação ou ainda suas finanças abaladas pela situação econômica japonesa.
Um novo tremor do dia 7 de abril deixou várias usinas nucleares sem energia novamente e mais uma usina começou a apresentar problemas. Na usina de Onagawa, na província de Miyagi, a água radioativa vazou das piscinas de contenção. À medida que o tempo passa, o governo japonês amplia a área de isolamento em torno da usina de Fukushima. Os moradores dos povoados de Iitate e Kawamata, num círculo de 40 km da instável usina nuclear, deixaram suas casas. De acordo com a rede de televisão NHK, mais 7.700 moradores abandonaram a região. Os primeiros a partir foram famílias com filhos pequenos e mulheres grávidas.



35. Conflitos no Oriente antecedem Guerra


Fechado o parêntesis para o Japão, vamos continuar em nosso exame sobre os cenários da guerra. Na seguinte quadra, Nostradamus nos dá pistas de um conflito que inicia ou antecede a Terceira Guerra, no Oriente, próximo ao mar Adriático:


I.9
De l’Orient viendra le coeur Punique
Fascher Hadrie et les hoirs Romulides,
Accompagné de la classe Libique,
Tremblez Mellites et proches iles vuides.
[Do Oriente virá o ato pérfido que atingirá o mar Adriático e os herdeiros de Rômulo, com a frota da Líbia, tremei, habitantes de Malta e ilhas desertas. – Púnico: de má fé, pérfido, mentiroso. Latim: Melita, Malta].

II.60
La foy Punique en Orient rompue,
Grand Iud, et Rosne Loire, et Tag changeront
Quand du mulet la faim sera repue,
Classe espargie, sang et corps nageront.
[O ato pérfido (má-fé) provocará uma ruptura no Oriente (Médio), devido a uma grande personagem da Judéia, o Ródano, o Loire e o Tejo verão mudanças quando for saciada a fome da mula, a frota destruída, o sangue e os corpos dos marinheiros nadarão].


Nessas duas quadras, unidas por um ato pérfido praticado no Oriente, Nostradamus nos fala de algum artefato de morte atingindo o Adriático e também Itália, França e Portugal. Será um ato violento porque uma frota será destruída e marinheiros terão seu sangue espalhados no mar. Na quadra II.60, o profeta nos adianta que tal ato se dará “quando for saciada a fome da mula” – uma alusão histórica ao que dizia o rei da Macedônia: não havia fortaleza inexpugnável onde se pudesse fazer passar um burro carregado de ouro. Filipe também discorreu sobre o poder irresistível do ouro – portanto, “quando a fome de ouro for saciada”.

Ora, que ouro há nos países orientais, além do petróleo? Ou seja, quando os atuais conflitos no Norte da África forem resolvidos favoravelmente ao Ocidente e o petróleo alcançar novamente os níveis e preços considerados normais. E tudo por causa de um suborno!


III.61
La grande bande et secte crucigère,
Se dressera em Mésopotamie,
Du proche fleuve compagnie lege,
Que telle loy tiendra pour ennemie.
[O grande bando e sectários anticristãos se erguerão na Mesopotâmia perto do Eufrates, com um exército blindado e considerará a lei como inimiga. – Latim: crucifigere, crucificar, pôr na cruz].
Parece-nos uma alusão clara à Síria. As revoltas populares neste país, que se serve do Eufrates, questionam a legislação que colocaram os sírios por mais de 50 anos sob os desmandos do governo.

36. Israel envolvido no conflito


Mas que ato pérfido seria esse citado no capítulo anterior que viria depois da “mula saciar sua fome” e capaz de matar e destruir uma frota, atingir Malta, Portugal, Itália França e envenenando rios? – Há na última quadra outra pista: o “grande personagem da Judéia” introduzirá definitivamente o Oriente Médio no conflito, conforme elucidam os próximos versos:


III.2
Par la tumeur de Heb, Po, Tag, Timbre et Rome,
Et par l’estang Leman et Aretin:
Les deux grands chefs et citez de Garonne,
Prins, morts, noyez. Paritr humain butin.
[Os conflitos de Hebron chegarão ao Pó, ao Tejo, ao Tibre, a Roma, ao lago de Genebra. Os dois dirigentes de Garone serão feitos prisioneiros, mortos e afogados. Será levado o espólio humano. – Latim: tumeur, tumor, conflito, agitação].

VI.88
Un regne grand demourra desolé,
Aupres de l’Hebro se feront assemblées.
Monts Pyrénées le rendront consolé,
Lorsque dans May seront terres trembles.
[Um grande país ficará desolado, Perto de Hebron se fará a Assembléia. A França e a Espanha virão consolá-lo quando a terra tremer em maio].


Os cenários são praticamente os mesmo das quadras do capítulo anterior, parte do Sul da Europa, península Ibérica e Israel. A Síria que ficará desolada (destruída) e será socorrido pelos países dos Pirineus quando estiver ocorrendo uma importante conferência em Hebron para discutir a crise. Isso se dará em certo mês de maio, durante um terremoto (ou quando carros de combates começarem a se locomover). As cidades da região de Garone são as modernas Bordeaux e Toulouse. Espólio humano são os filhos e descendentes dos dois governantes mortos.



II.34
L'ire insensee du combat furieux,
Fera à table par freres le fer luire:
Les desparrit blessé, et curieux,
Le fier duelle viendra en France nuire.
[A ira insensata do combate furioso, o brilho do ferro vai estar na mesa dos irmãos, a ferida de morte será curiosa, o duelo orgulhoso vai prejudicar a França].


Fontbrune sugere a seguinte interpretação para a quadra II.34, envolvendo os irmãos árabes e judeus: “a insana cólera do combate furioso fará brilhar o ferro entre irmãos sentados à mesma mesa; para apartá-los, será preciso que um deles seja ferido de morte de modo curioso, inusitado; seu duelo feroz será nocivo para a França”.

37. Rumores da grande guerra


II.46
Apres grâd troche humain plus grâd s'appreste
Le grand moteur les siecles renouuelle:
Pluye sang, laict, famine, fer & peste,
Au ciel veu feu, courant longue estincelle.
[Após grande assembleia, uma maior se prepara, Deus renova os séculos: chuva, sangue, leite, fome, ferro e peste. No céu o fogo é visto, correm longas centelhas de fogo, execução].


Nostradamus anuncia uma guerra muito maior do que as anteriores. Depois da doce vida (leite, símbolo da fartura e doçura), com a falência do sistema financeiro internacional, reinarão no mundo a fome e as doenças contagiosas que causarão a guerra. Por meio de foguetes e mísseis balísticos que percorrerão os céus, as populações das cidades vão ser apanhadas de surpresa e executadas.
E aqui aparece a expressão le grand moteur les sicles renouuelle: “Aquele que tudo move renova os séculos”. Um verso que tira todas as esperanças dos apocalípticos que enxergam o fim do mundo em tudo. Nostradamus não nos fala em fim do mundo ou coisa que o valha, o profeta nos revela uma mudança profunda no destino da humanidade, assim como foi na Revolução Francesa, a grande inflexão que tivemos em nossa história recente. Essa assembléia em Hebron é o marco da virada, o início do pesadelo, mas não o fim da esperança.


II.95
Les lieux peuplez seront inhabitables,
Por champs avoir grande division:
Regnes livrez à prudens incapables,
Entre les frères morte t dissention.
[Os lugares populosos serão inabitáveis, para os territórios em grande divisão: reinos nas mãos do prudente incapaz, entre os irmãos morte e dissensão].


O que faz um território inabitável? – A contaminação radioativa, alguma epidemia, fome, sede ou guerra. Cidades populosas nessas condições são rapidamente abandonadas. Tirando o abandono das cidades durante as grandes epidemias de peste, ou durante as invasões bárbaras ao Império Romano, de acontecimento igual ao descrito temos apenas o exemplo recente do acidente na Usina Nuclear de Chernobil, em 1986. A cidade e parte do território que evolve esta usina na Ucrânia encontram-se praticamente desabitados devido à radiação atômica.
De que território Nostradamus fala? – Palestina (em grande divisão). De que irmãos? –Árabes e Judeus. Logo, temos uma situação de guerra e desolação num cenário específico, porém de fácil dedução, pois essa relação de guerra entre árabes e judeus se arrasta por séculos e ultimamente se agravou na disputa pela Terra Santa, com a construção de muros, com a tomada de territórios e por ataques armados dos dois lados. A personagem que aqui aparece como “prudente e incapaz”, italiana, ainda é uma incógnita, mas vamos ver outros versos, talvez nos apareçam mais algumas evidências de quem seria ele.
Outra pergunta que devemos fazer: como se chega à conclusão de que os dois irmãos são árabes e judeus e o território é o da Palestina? O método não é complicado, no estudo de Nostradamus, algumas palavras e expressões se fazem recorrentes, repetem-se inclusive em quadras nas quais se reportam a fatos acontecidos e profetizados, como a criação de Israel. Essas expressões e palavras de coisa já acontecidas nos servem de paradigmas na interpretação daquilo que ainda está por vir. Por isso, incluímos no final deste livro parte das profecias realizadas e já confirmadas, para que o leitor possa fazer suas próprias comparações e ter uma idéia do grau de acerto dos vaticínios.

I.92
Souz vn la paix par tout sera clamee,
Mais non long temps pille, et rebellion,
Par refus ville, terre et mer entamee,
Morts et captifs le tiers d'vn million.
[Sob um homem de paz, ela será proclamado em toda parte, mas não por muito tempo, logo após saques e rebelião, pela recusa de Paris, a terra e o mar serão invadidos, mortos ou capturados um terço de um milhão].


Por esforços de uma grande personagem, a paz será proclamada. Rusgas anteriores parecem impedir a sua consolidação. Paris ignora acordos. A França será invadida e 300 mil homens serão mortos ou capturados.

38. Explosão no acelerador de partículas


V.98
A quarante huict degré climaterique,
A fin de Cancer si grande seicheresse:
Poisson en mer, fleuue: lac cuit hectique,
Bearn, Bigorre par feu ciel en detresse.
[Desde o paralelo 48 até o fim do Trópico de Câncer haverá uma seca muito grande: o lago agitado; vai ferver peixes no mar, no rio. Bearn, Bigorre em perigo por causa do fogo no céu. – Béarn: antiga província da França no pé dos Pirineus. Biggorre: corresponde à região da Gasconha, em França].


VI.97
Cinq et quarante degrez ciel bruslera
Feu approcher de la grand cité neuue
Instant grand flamme esparse sautera
Quand on voudra des Normans faire preuue.
[Perto do paralelo 45 o céu arderá em chamas, o fogo se aproxima da grande cidade nova, de repente ergue-se ao céu enorme chama, quando os homens do Norte fizerem a experiência].


Essas duas quadras são importantes para determinarmos a extensão e a localização das grandes catástrofes previstas nas Centúrias. Estaríamos aqui, neste ponto, entrando em outro conflito e de proporções mundiais. Observemos:



Coordenadas geográficas



Nova Iorque: 40º 43’ 00” N – 74º 00’ 00” W.


Londres: 51º 30’ 18” N – 00º 07’ 41” W.


Paris: 48º 52’ 00” N – 02º 19’ 58” E.


Berlim: 52º 31’ 00” N – 13º 23’ 40” E.


Genebra: 46º 12’ 00” N – 06º 09’ 00” E.


Brasília: 15º 48’ 00” S – 47º 51” 50” O.

Nos versos anteriores, Nostradamus nos diz de uma possível explosão de algum experimento científico que vai arruinar parte do hemisfério Norte, do paralelo 48 até o Trópico Câncer (23º 26’ 16” N). Do Norte para o Sul, da região abaixo de Paris até chegar ao Norte da África, Oriente Médio, boa parte da China, Japão e EUA. O epicentro da explosão se localizaria em Genebra. Os peixes cozidos nas águas dos lagos, rios e mares. Os “homens do Norte” seriam os responsáveis por essa experiência malsucedida e que pode ser realizada por qualquer povo acima do paralelo 45.
Por quase 500 anos, os intérpretes de Nostradamus trataram a cidade de Genebra (Terra Nova) como sendo a “cidade nova” citada nas Centúrias. Mas, desde os ataques terroristas de 11 de setembro de 2001, persistem as dúvidas: qual seria essa cité neuue, ou cité neufve – Nova Iorque ou Genebra? – Em nossa interpretação, existe uma diferença sutil entre uma e outra, porque Nostradamus usa para Nova Iorque o adjetivo neufue (algo de novo, recente) e para Genebra, neuue (novo, apenas):


I.87
Ennosigee feu du centre de terre,
Fera trembler autour de cité neuue
Deux grâds rochers long têps feront la guerre,
Puis Arethuse rougira nouueau fleuue.
[Fogo e tremor irrompendo do seio da terra fará estremecer os arredores da nova cidade. Dois blocos conduzem longa guerra. Depois Arethusa tingirá de vermelho novo rio].


Ora, o que temos ao redor de Genebra, exatamente ao Norte, muito próximo do paralelo 45 – O CERN, a Organização Européia para Pesquisa Nuclear, e que controla o maior acelerador de partículas do mundo, o LHC (Large Hadron Collider: Grande Colisor de Hádrons). Lá, os físicos brincam de deuses num túnel subterrâneo de 27 quilômetros de extensão, onde o LHC está instalado, num círculo, dividindo os territórios da França e Suíça.
O objetivo dessa máquina é obter uma colisão controlada de sub-partículas atômicas, no caso os hádrons, numa velocidade bem próxima a da luz. Os físicos querem detectar o “bóson de Higgs”, a “Partícula de Deus” presente no Big Bang – a explosão inicial que teria permitido a expansão do Universo.
Mas parece que algo não vai funcionar direito, pelo menos é o que sugere Nostradamus, porque haverá uma grande explosão vinda do centro da terra e dois blocos de países entrarão em guerra prolongada, depois que Arethusa, deidade da virtude, fizer correr sangue nos rios e fontes até Siracusa, na Sicília.
Temos que considerar também outras hipóteses: com a França em guerra, o CERN torna-se alvo estratégico, podendo ser atingido por sabotagem, ato de terrorismo ou deliberadamente por foguetes atômicos:



II.96
Flambeau ardant au ciel soir sera veu,
Pres de la fin et principe du Rosne,
Famine, glaiue: tardue secours pourueu,
La Perse tourne enuahir Macedoine.
[Uma tocha será vista no céu durante a noite entre a foz e a nascente do Ródano. A ajuda chegará tarde: fome e guerra quando a Pérsia começar a invadir a Macedônia].


O Ródano (Rhône, como os franceses o chamam atualmente) é efluente do lago Léman, o lago de Genebra, nasce, portanto, na Suíça, atravessa a França para o Sul e deságua no Mediterrâneo. Um foguete vai seguir o curso do rio da foz para a nascente e atingirá um alvo em terra, na região de Genebra. Sem ajuda imediata, depois do ataque a população do entorno começa a passar fome. A guerra estará em curso.
Enquanto isso, os países que compunham a antiga Pérsia iniciam a invasão da Macedônia. Nostradamus usa nessa quadra as antigas denominações de dois impérios: a Macedônia de Alexandre III, o Grande (356-323 a.C) e a Pérsia de Dario III (380-330 a.C). A citação desses nomes é para destacar a magnitude do conflito, de um lado grande parte da Ásia e Oriente Médio e, do outro, a Europa. Por ser um ataque coordenado e sincrônico, um foguete atômico contra Genebra e a invasão pela Grécia, concluímos: primeiro, a hipótese da explosão do acelerador por causas próprias tem que ser descartada; segundo, o foguete teria sido disparado por um país do antigo Império Persa. Hoje, o único país desta região que comprovadamente possui ogivas atômicas é o Paquistão, embora se especule que a Turquia e o Irã já detenham tecnologias para o desenvolvimento dessas armas. A confusão gerada por esses eventos vai ser tão grande que até mesmo as forças de defesa dos outros países do Ocidente terão dificuldades em dar uma resposta imediata:


IV.90
Les deux copies aux mers ne pourrôt ioindre,
Dans cest instan trembler Misan, Ticin:
Faim, soif, doutance si fort les viendra poindre
Chair, pain, ne viures n'auront vn seul boucin.
[Os dois exércitos ao mar não se unem para a defesa. Nesse instante tremerão em Milão e Ticínio, onde a fome e a sede deixarão inquietos os habitantes que não terão bocado algum de carne e pão e meios para viver].

A existência de dois exércitos ao mar é uma informação importante para delinearmos em definitivo a natureza mundial desse conflito. Naturalmente, um desses exércitos deve ser composto por forças da OTAN, sobra-nos, portanto, mais um exército para ser identificado e que, pela proximidade do conflito com o seu território, deve ser formado por tropas da Federação Russa.

39. O grande horror na Suíça


Présage XI. Septembre.
Pleurer le ciel. à il cela faict faire,
La mer s'appreste. Annibal fait ses ruses:
Denys mouille. classe tarde. ne taire,
Na sçeu secret. Et à quoy tu t'amuses.
[Clamor do céu. Para praticar ato, ele se aproxima do mar. Aníbal fez os seus truques: Saint-Denys em lágrimas. A armada em breve. Não te cales, tudo foi tramado em segredo. Enquanto todos se divertiam].


Présage IV. Feburier.
Prés du Leman la frayeur sera grande,
Par le conseil, cela ne peut faillir:
Le nouueau Roy fait apprester sa bande,
Le ieune meurt faim, poeur fera saillir.
[O terror será grande perto do lago Léman, em razão de uma resolução e isso é inevitável: o novo chefe manda preparar seu exército, quando o jovem chefe morrer de fome, todos sucumbirão de medo].

X.92
Deuant le pere l'enfant sera tué,
Le pere apres entre cordes de ionç
Geneuois peuple sera esuertue,
Gisant le chef au milieu comme vn tronc.
[A criança será morta na frente de seu pai, que depois vai ser aprisionado. Os habitantes de Genebra serão destruídos, seu chefe decapitado].


IX.44
Migrés, migrés de Geneue trestous.
Saturne d'or en fer se changera,
Le contre FAYPOZ exterminera tous,
Auant l'aduent le ciel signes fera.
[Saiam, saiam todos de Genebra! A idade do ouro se transformará na idade da guerra. O que se faz contra Faypoz exterminará a todos. Antes desse evento haverá sinais nos céus].


Os presságios e as quadras são esclarecedores em relação à tragédia que deve atingir Genebra e arredores. Neste ponto, não há mais dúvidas quanto à “cidade nova” a qual se refere Nostradamus, que nos fala também de uma resolução que será o estopim do conflito. Talvez, bloqueio em bancos de recursos de algum dirigente ou nação.
O ataque virá de uma armada estacionada no Mediterrâneo. O comandante que ordenará o disparo será semelhante a Aníbal (248-183? A.C) um dos maiores generais que lutou contra Roma. Aníbal quer dizer “graça de Baal”, um deus não cristão.
Raypoz é um anagrama de Zopira, que corresponde a Zopirus (Zópiro), nobre persa citado por Heródoto e que ajudou Dario I (549-485 a.C) a tomar o trono, o que reforça a tese de que o ataque se dará por um dos países que fazia parte do antigo Império Persa.
Aparecem aqui três chefes de estado: um novo que manda preparar o exército; um jovem que morrerá de fome; e um terceiro chefe de Genebra, que será decapitado. Há também um relato de sequestro de uma criança ou jovem seguido de morte presenciada pelo pai do sequestrado. O apelo de Nostradamus é veemente: saiam, saiam de Genebra, pois ficar na cidade será morte certa.
“Quando uma nação ou uma cidade está destinada a sofrer uma grande desgraça, essa desgraça é geralmente precedida de certos sinais”. [Heródoto, p.279]. E o maior sinal será dado com o fim da abundância, com o fim da idade do ouro, Genebra será tomada pela fome e sede:

II.64
Secher de faim, de soif, gent Geneuoise,
Espoir prochain viendra au defaillir:
Snr point tremblant sera loy Gebenoise,
Classe au grand port ne se peut accueillir.
[A gente de Genebra secará de fome e de sede; sucumbirá sem esperança próxima. Neste ponto, a lei muçulmana será abalada. Marselha não poderá receber o exército. – Latim: gebanitae, gebanitas, povo da Arábia Feliz].

40. A Guerra é resultado da crise econômica


De acordo com as quadras anteriores, a metade do mundo vai estar mergulhada no caos, e isso de um momento para o outro, coisa rápida, muito provavelmente sofrendo com os efeitos radioativos da explosão no CERN. Os alimentos, imprestáveis para o consumo, de imediato devem sumir das prateleiras dos mercados. A economia em baixa entrará em colapso total. Além dessa explosão provocada pelas mãos humanas, outros desastres naturais também concorrem para dar cores tenebrosas ao inferno em que se viverá aqui na terra: a destruição da camada de ozônio; o efeito estufa; o aquecimento global e depois a glaciação; as mudanças das correntes marinhas; a inversão magnética; e o deslocamento do eixo terrestre, em função de terremotos e atividades vulcânicas, são alguns dos horrores aos quais estaremos sujeitos enquanto a guerra se desenrola.

IX.63
Plainctes et pleurs cris, et grands hurlemens
Pres de Narbon a Bayonne et en Foix,
O quels horribles calamitez changemens,
Auant que Mars reuolu quelquefois.
[Grandes queixas e lágrimas, gritos e uivos próximos a Narbonne e Baixos Pirineus até Ariège (Médios Pirineus). Oh, que horríveis calamidades e mudanças, antes que a época da guerra passe!].


Aqui só temos um reforço ao prognóstico da explosão no acelerador de partículas. É de se notar, a localização inequívoca da catástrofe e seus efeitos imediatos na região dos Pirineus. A vida durante a guerra será de calamidades e mudanças para o homem.
É evidente que, perante um desastre desses, com implicações mundiais, as nações devem entrar em conflito, com acusações mútuas e busca aos culpados:

XII.56
Roy contre Roy et le Duc contre Prince,
Haine entre iceux, dissension horrible:
Rage et fureur sera toute prouince,
France grand guerre et changement terrible.
[Governante contra governante e o general contra o primeiro-ministro, ódio, dissensão horrível: raiva e fúria habitam toda a província, grande guerra na França e a mudança terrível. – Latim: dux, duque, comandante, general; princeps, príncipe, primeiro].

Nessa altura, Nostradamus fixa definitivamente o epicentro da discórdia e a mudança terrível na vida das pessoas, furiosas e com raiva. Os governos estarão “rachados” interna e externamente.


IV.74
Du lac Leman et ceux de Brannonices:
Tous assemblez contre ceux d'Aquitaine:
Germains beaucoup encore plus Souisses,
Seront desfaicts auec ceux d'Humaine.
[Do lago de Genebra até o Eure: todos reunidos contra os de Aquitânia (Sudoeste da França): Muitos alemães e principalmente suíços serão encaminhados juntamente com os dos humanos].


Essa quadra nos mostra uma reunião geral na região mais atingida pela explosão no CERN. Divergências para decidir se abandonam o lugar em que estão fixados, rumo ao Sudoeste, ou se ficam em seus lares. Alemães e suíços serão evacuados e receberão ajuda humanitária.

41. Oriente é atacado por causa do petróleo


Na seguinte quadra temos o que nos parece ser um dos motivos da invasão da antiga região da Macedônia pela Pérsia:


X.86
Comme vn gryphon viendra le Roy d'Europe,
Accompagné de ceux d'Aquilon,
De rouges et blancs conduira grand troupe,
Et iront contre le Roy de Babylon.
[Como uma ave de rapina virá o rei da Europa, acompanhada por aqueles de Aquilon, vermelhos e brancos para levarem uma grande tropa, e eles vão contra o rei de Babilônia].


O presidente do Conselho Europeu, acompanhado de seus aliados da América, formará e conduzirá um grande exército contra o antigo Império Babilônico, que compreende hoje a Pérsia (Irã), Iraque, Síria, parte da Arábia, Egito, Turquia, Geórgia, Azerbaijão e Chipre. Certamente, eles tentarão a rapinagem sobre o petróleo, produto escasso nos EUA e Europa depois do acidente no acelerador de partículas. O contra-ataque por parte dos Persas será violento.
Uma explicação necessária: outros intérpretes de Nostradamus colocam Aquilon como sendo a Rússia. Discordamos, a águia-de-cabeça-branca (Haliaeetus leucocephalus) é o símbolo oficial dos Estados Unidos desde 20 de setembro de 1782. Nos primeiros selos postais e até hoje, a ave é desenhada nas cores vermelha e branca. Em latim, águia é aquila. Para a tradução, partimos da composição aquila + on, “uma águia”, ou “águia em”. O brasão de armas da Rússia apresenta uma águia com duas cabeças de corpo dourado e era utilizado na época do Império. Depois do desaparecimento da URSS, esse símbolo foi retomado pela Rússia, em 1993.
Nostradamus refere-se ainda a um rei europeu agindo como uma “ave de rapina”, por exclusão, dentre os 27 estados que compõem a União Européia, podemos deduzir que esse líder pode ser de qualquer nacionalidade que tenha a águia como brasão de armas – Alemanha, Áustria, Polônia ou Romênia.

42. Oriente reage e contra-ataca na Europa


I.28
La tour de Boucq craindra fuste Barbare,
Vn temps, long temps apres barque hesperique:
gês, meubles, tous deux ferôt grâd tare,
Taurus, et Libra, quelle mortelle picque?
[A torre do Port-de-Bouc (Sul da França) temerá a frota bárbara, tardiamente, virá uma frota ocidental. As duas frotas provocam perdas materiais, a morte de pessoas e gado será generalizada, Touro e Libra, o que é uma animosidade mortal? – Do grego, hesperique, ocidente].


Ao mesmo tempo em que a França enfrenta problemas internos e também ao Norte com a Suíça, ela sofrerá ataques pelo Sul desferidos pelos bárbaros do antigo Império Babilônico – árabes profundamente atingidos pela grande seca que deve chegar ao Trópico de Câncer e provocados pelo ataque da coalizão Europa-EUA. Fontbrune sugere a seguinte tradução para o último verso: “Que atentado mortal à fecundidade e à justiça” (Touro e Libra relacionados à fecundidade e à justiça).
Logo, uma das partes fará o ataque em desrespeito às convenções e tratados anteriores por meio de uma arma que afeta a procriação humana, dos animais e das plantas. O socorro virá para Port-de-Bouc, porém tardiamente. A torre (La Tour de Bouc) ainda está lá, no Sul da França, esperando esses acontecimentos,


VI.56
La crainte armee de l'ennemy Narbon
Effrayera si fort les Hesperidues:
Parpignan vuide par l'aueugle d'arbon,
Lors Barcelon par mer donra les piques.
[O temido exército do inimigo em Narbonne assusta muito fortemente os ocidentais: Perpigan será abandonada por causa da perda de poder de Narbonne; então, perto de Barcelona, as estacas serão enviadas pelo mar. – Francês: piquet, estaca].


Nessa quadra temos a continuação da descrição da batalha marítima anterior, com submarinos disparando estacas (mísseis, torpedos) pelo mar, na costa espanhola, entre Barcelona e a ilha da Sardenha.

I.5
Chassez seront pour faire long combat,
Par les pays seront plus fort greuez:
Bourg et cité auront plus grand debat.
Carcas. Narbonne auront coeur esprouuez.
[Serão derrotados sem longos combates, os poderosos dos países serão atormentados. Cidades e vilas sofrerão com os combates. O centro das cidades de Carcassonne e de Narbonne será duramente castigado].


Versos que fazem alusão a uma derrota rápida das forças francesas após um bombardeio na região de Narbonne. O ambiente é de revolta popular, com líderes de vários países sendo atormentados e as cidades destruídas.


IV.94
Deux grands freres seront chassez d'Espaigne,
L'aisne vaincu sous les mons Pyrenees:
Rougir mer, Rosne, sang Lemand d'Alemaigne,
Narbon, Blyterre, d'Agth contaminees.
[Dois grandes irmãos serão expulsos de Espanha, o mais velho vencido ao pé dos montes Pireneus: o mar ficará vermelho, sangue no Ródano, no lago de Genebra e na Alemanha, Narbonne, Béziers, de Ágata contaminadas].
Não é possível identificar nessa quadra quem seriam esses “grandes irmãos”, deduzimos que são dois países aliados, mas podem ser personagens envolvidos na guerra. Agatha é o nome de uma santa da igreja primitiva, que foi perseguida e torturada pelos soldados do Império Romano. É padroeira de Malta. Antes de morrer, os torturadores teriam lhe cortado os seios. Essa imagem triste e poética nos dá a ideia de que as mães dessas regiões estariam impossibilitadas de amamentar e procriar por causa da contaminação radioativa.



43. A guerra alcança a Inglaterra


VIII.37
La forteresse aupres de la Tamise
Cherra par lors le Roy dedans serré:
Aupres du pont sera veu en chemise
Vn deuant mort, puis dans le fort barré.
[A fortaleza perto do Tamisa vai cair quando o rei estiver lá dentro: perto da ponte será visto em camisa, um morrerá antes e depois ele será preso no forte]


II.1
VERS Aquitaine par insuls Britanniques
De par eux-mesmes grandes incursions
Pluyes, gelees feront terroirs iniques,
Port Selyn fortes fera inuasions.
[Sobre a Aquitânia e ilhas britânicas haverá grandes desembarques de tropas, chuvas e um inverno rigoroso farão esses territórios desgraçados. Do porto árabe sairá a forte invasão].

III.71
Ceux dans les isles de long temps assiegez,
Prendront vigueur force contre ennemis:
Ceux par dehors morts de faim profligez,
En plus grand faim que iamais seront mis.
[Os habitantes das ilhas ficarão sitiados por muito tempo, resistirão bravamente, mortos vencidos pela fome, na maior fome jamais vista].


Nessas três quadras podemos ver que a guerra sai da Europa continental e alcança as ilhas britânicas. Nesta altura, a Europa deverá estar sofrendo grande desabastecimento de petróleo e as pessoas não terão como se aquecer no frio. A água e os alimentos vão estar contaminados e os transportes estar prejudicados pelo Atlântico, caso ainda reste alguma esperança de se receber mercadorias do hemisfério Sul, dos países abaixo do Trópico de Câncer, os menos afetados com as explosões atômicas.

44. Destruição de Paris


VI.92
Prince de beauté tant venuste,
Au chef menee, le second faict trahy.
La cité au glaiue de poudre, face aduste,
Par trop grand meurtre le chef du Roy hay.
[O primeiro-ministro será de beleza agradável e vai ser traído, no segundo governo, pelo presidente. Paris será entregue à violência e queimada por foguete. O governante será odiado pela enorme mortandade. – Latim: fax, (face), tição; adustus, queimado].


VI.96
Grande cité à soldats abandonnee,
On n'y eu mortel tumult si proche:
O qu'elle hideuse mortalité s'approche,
Fors vne offence n'y sera pardonnee.
[Paris será abandonada aos soldados; jamais se viu conflito igual perto da cidade: Oh, que pavor e mortandade que dela se aproxima!].

VI.34
De feu voulant la machination,
Viendra troubler au grand chef assieger:
Dedans sera telle sedition,
Qu'en desespoir seront les profligez.
[Uma máquina aérea de fogo virá perturbar o chefe dos sitiados. No interior haverá tamanha revolta que os infelizes ficarão desesperados. – Latim: machinatio, máquina].


Essas três quadras nos parecem inseridas no contexto do ataque à Genebra. Nas duas grandes guerras do século XX Paris foi preservada. A sorte da cidade no terceiro conflito não será a mesma, porque além de ser atingida por uma máquina fumegante que se desloca acima da superfície, ela estará nas mãos dos soldados.


VI.43
Long temps sera sans estre habitee,
Où Signe et Marne autour vient arrouser:
De la Tamise et martiaux tentee,
De ceux les gardes en cuidant repousser.
[A junção do Sena e do Marne ficará muito tempo sem ser habitada, quando os soldados que atacarem a Inglaterra quiserem dar combate à defesa].

VI.4
La Celtiq fleuue changera de riuage,
Plus ne tiendra la cité d'Agripine:
Tout transmué hormis le vieil langage,
Saturne, Leo, Mars, Cancer en rapine.
[O rio francês mudará seu curso, já não vai à cidade de Agripina: tudo, exceto a velha linguagem mudará, Saturno, Leão, Marte, Câncer no saque].


III.84
La grande cité sera bien desolee,
Des habitans vn seul n'y demeurera
Mur, sexe, temple & vierge violee,
Par fer, feu, peste canon peuple mourra.
[A grande cidade ficará desolada. Nenhum de seus habitantes nela ficará. Moças e mulheres serão violadas. O povo morrerá pelo ferro da guerra, pelo fogo, pela doença e pela artilharia].


As imagens da destruição de Paris devem ter impressionado muito a Nostradamus que se refere a ela como grande cidade ou cidade apenas. Para não deixar dúvidas, o profeta dá a localização exata do local onde esses fatos devem ocorrer: na confluência do Sena e Marne, localização da capital francesa.

Notem que a Inglaterra também deve estar sendo atacada em paralelo a esses acontecimentos. Agripina é relacionada por Nostradamus à Paris – Nero matou Agripina, sua mãe, um pouco antes de se matar.

45. A derrota dos países do G-7
IV.50
Libra verra regner les Hesperies,
De ciel et tenir la monarchie:
D'Asie forces nul ne verra peries,
Que sept ne tiennent par rang la hierarchie.
[A justiça verá reinar os ocidentais, o poder absoluto dominará o céu e a terra: mas as forças da Ásia não serão destruídas enquanto os sete países mantiverem a hierarquia].


II.18
Nouelle et pluye subite, impetueuse,
Empeschera subit deux exercites.
Pierre ciel, feux faire la mer pierreuse,
La mert de sept terre et marin subites.
[Nova revolta, rápida e violenta, vai perturbar subitamente os dois exércitos. Aerólitos cairão do céu e o mar ficará pedregoso. A morte súbita dos sete em terra e mar].


A Real Força Aérea (RAF) e tropas de infantaria da Inglaterra conseguirão dominar o céu e a terra, mas a justiça só retornará ao Ocidente quando a antiga ordem econômica estiver desfeita, ou seja, quando o G-7 não conseguir mais dar as cartas no mundo. A derrota desses sete países se dará subitamente no mar e causada por ataques aéreos.

46. Portugal e Espanha na Guerra


IX.60
Conflict Barbar en la Cornette noire,
Sang espandu, trembler la Dalmatie:
Grand Ismael mettra son promontoire,
Ranes trembler secours Lusitanie.
[Conflito bárbaro no Mar Negro, o sangue que eles derramam fará tremer a região da Dalmácia, onde o grande chefe mulçumano atingirá seu ponto máximo, o povo tremerá, o socorro virá da Lusitânia].


X.95
Dans les Espaignes viendra Roy trespuissant,
Par mer & terre subiugant or Midy:
Ce ma fera, rabaissant le croissant,
Baisser les aisles à ceux du Vendredy.
[Da Espanha virá um Rei muito poderoso, por terra e mar subjugando do Sul: diminuindo novamente o crescente, fazendo que os adores de sexta-feira abaixem suas asas].

Nessas duas quadras podemos verificar fatos importantes para os ibéricos. Portugal como porta de entrada para a ajuda na libertação do coração da Europa, ação que vai barrar o avanço do chefe muçulmano que virá do Leste e o rei de Espanha que expulsará, em outra frente, os mulçumanos que invadiram a Europa pelo Oeste.

47. O Oriente e o Ocidente enfraquecidos


VIII.59
Par deux foix haut par deux foix mis à bas,
L'orient aussi l'occident foyblira:
Son aduersaire apres plusieurs combats,
Par mer chasse au besoing faillira.
[Duas vezes potência, duas vezes abatido, o Oriente, assim como o Ocidente, se enfraquecerá. Seu adversário, depois de vários combates, será perseguido por mar e vencido pela penúria].


I.16
Faux à l'estang ioinct vers le Sagittaire,
En son haut AVGE de l'exaltation,
Peste, famine, mort de main militaire,
Le siecle approche de renouation.
[Falso aliada à lagoa de Sagitário, em sua exaltação maior ascendente, peste, fome, morte das mãos de militares; o século se aproxima de sua renovação].


Esses versos, que seriam válidos para 2015, anunciam o fim melancólico tanto para o Oriente quanto para o Ocidente em função das longas guerras que se iniciam – uma com duração de pouco mais de 3 anos e, na sequência, outra de 27 anos.
Os países do Leste em relação à Europa tiveram seus bons tempos no Império bizantino até a queda de Constantinopla (330-1453) e depois até a queda do Império Otomano (1453-1922). O Oriente vencerá seu inimigo, mas o preço será tão alto que ele sairá tão enfraquecido da guerra como o Ocidente. A guerra, que terá uma duração de mais de 27 anos, reduzirá drasticamente a população, a fome e a pobreza vão levar os homens a um estado quase que primitivo, nada mais será como outrora, os sistemas financeiros e a ausência de moedas confiáveis farão com que as relações de troca voltem aos patamares do escambo da pedra polida.
A produção de bens de há muito deixou de ser voltada ao consumo das pessoas e sim para o consumo das máquinas de guerra. Mesmo as máquinas de guerra estarão sofrendo com a falta de combustíveis, aço e outras matérias primas. Os centros produtores estarão contaminados, já que foram os primeiros alvos estratégicos na guerra atômica que se seguiu à primeira explosão em Genebra.
Já próximo ao final da guerra, o clima no planeta, com as sucessivas explosões atômicas, deve estar totalmente alterado e insuportável. Primeiro, uma grande onda de calor e depois uma escuridão de meses ou anos com a queda violenta das temperaturas.
Falta água potável e alimentos. As habitações serão precárias, porque os grandes centros urbanos foram destruídos e são inabitados devido à radiação. Os poucos que sobreviveram devem formar tribos nômades, hordas de coletores das sobras da fartura da supressa sociedade industrial. Sem cidades, sem estados, sem leis, os habitantes do hemisfério Norte passarão por um longo processo de penúria, sujeitos a modificações genéticas, sob os efeitos degenerativos da radiação.
A esta altura, as esperanças da raça humana estarão voltadas para o Sul do planeta que não foi afetado diretamente pelas explosões atômicas, porém sofre todos os efeitos das violentas transformações climáticas. Apenas algumas ilhas de prosperidade se estabelecerão em pontos isolados, fortificados para evitarem o assédio das hordas famintas que vierem a bater em suas portas.
O fim do mundo não veio, mas o fim de um ciclo está sendo encerrado. O homem vai ter que começar tudo novamente, sem cometer erros, num ambiente totalmente adverso. Sobreviverá por certo, mas com que alma?

48. A humanidade no estado primitivo


VII.5
Si grand famine par vnde pestifere.
Par pluye longue le long du polle arctiques
Samatobryn cent lieux de l'hemisphere,
Viuront sans loy exempt de pollitique.
[Fome terrível, pela onda da peste. Como a chuva, ao longo do pólo ártico, Samarobrin, a cem léguas do hemisfério, eles viverão sem lei, livres da política].


A humanidade estará esgotada por quase três décadas de guerra. As doenças se proliferaram, poucos são os que sobreviveram. As inversões térmicas, as grandes secas nos lugares outrora habitados, entre os trópicos, forçam os sobreviventes a se deslocarem para onde ainda há chuva e talvez água potável. O pólo ártico se torna um lugar habitável. A cidade Samarovka, na Rússia, aparece como um grande refúgio, com seus habitantes vivendo num estado próximo ao primitivo, sem lei e livres da política. A guerra vai terminar por falta de tropas e descrença no antigo sistema.

I.100
Long temps au ciel sera veu gris oyseau,
Aupres de Dole et de Toscane terre:
Tenant au bec vn verdoyant rameau,
Mourra tost grand et finera la guerre.
[Por muito tempo um pássaro cinzento será visto no céu e se aproxima de Dôle e das terras toscanas: ele segura um ramo de flor em seu bico, mas o grande morre muito cedo e a guerra termina].


Vamos deixar para comentar esse aparente enigma na próxima parte, depois de analisarmos o anticristo. Por enquanto essas questões ficarão no ar: que pássaro seria esse, com um ramo verde na boca, grande o suficiente para ser visto tanto em França quanto na Itália? E quem é esse maioral que morrerá muito cedo e que, com isso, permitirá o fim de uma guerra prolongada e já sem objetivos?