sábado, 21 de maio de 2016

QUAL O DESTINO DE MARIE-THERÈSE, FILHA DE MARIA ANTONIETA E LUÍS XVI, OS REIS EXECUTADOS PELA REVOLUÇÃO FRANCESA

Prof. Dr. Oscar Luiz Brisolara

Marie-Thérèse e Louis- Joseph
Marie-Thérèse já nasceu num ambiente hostil. Sua mãe era malvista pela maioria dos membros da corte francesa. Sua mãe demorou mais que o esperado para engravidar. Quando isso aconteceu, todos esperavam um herdeiro para o trono. Ao nascer uma menina, houve uma decepção em todo o reino. Assim, Marie-Thérèse, embora princesa, numa das cortes mais prestigiadas do mundo, e no palácio de Versailles, o mais suntuoso de toda a Europa, veio ao mundo sob maus auspícios.
Nascida a 19 de dezembro de 1778, portanto, sob o signo de sagitário e como todo o sagitariano, inflexível e teimosa, enfrentou desde a infância a resistência do ambiente, O pior que poderia ocorrer em sua vida foi a deflagração da Revolução Francesa em 1789, quando era ainda uma menina de apenas dez anos.
Os reis da França vinham enfrentando forte oposição popular, organizada por líderes antimonarquistas, desde há muito anos. Haviam dado razões para isso com administrações perdulárias e esbanjadoras, que culminaram com a suntuosa construção do Palácio de Versailles. Para lá transferiu-se a corte, nesse espaço fora da cidade de Paris. Somaram-se dívidas, resultado de más administrações e guerras,  a
Acumularam-se dissabores até que em 21 de setembro 1792 os revolucionários depõem o rei, que é condenado, e executado em 21 de janeiro de 1793.
Sophie Béatrice de France,
No momento em que a família real foi presa, o rei Luís XVI e sua esposa Maria Antonieta, os filhos ainda vivos, Marie-Thérèse Charlotte e Louis Charles foram presos em companhia dos pais. Os outros dois, Louis-Joseph de France e Sophie-Béatrice  haviam falecido. 
 Louis-Joseph de France, o filho mais velho do casal real e herdeiro do trono era de saúde muito frágil e faleceu em 4 de junho de 1789, em plena revolução.
Sua irmã mais nova, Sophie Béatrice, viveu apenas onze meses. Foi a mais nova descendente da família real francesa e nasceu em 9 de julho de 1786,  Faleceu de tuberculose em 19 de junho de 1787.
Louis-Charles de France,
Restaram, então, o novo príncipe herdeiro, cuja história até hoje provoca controvérsias. Junto com Marie-Thérèse, Louis-Charles foi conduzido à terrível Prisão do Templo ou Torre do Templo, antiga fortaleza dos cavaleiros templários, nos arredores de Paris, destruída por ordem de Napoleão em 1808.
Depois da execução do pai, Louis-Charles, como quer a imprensa da época, teria vindo a falecer em 1795, com apenas dez anos de idade. Porém, há diversas versões que o menino enterrado em 1795 teria sido um sósia, tendo o verdadeiro delfim sido libertado pelos monarquistas e levado pata a Alemanha, onde teria mudado o nome e casado, deixando uma descendência que hoje reclama o trono francês. Veja-se o seguinte artigo: Novos dados sobre a morte do filho de Luís XVI e Maria Antonieta
: (disponível em http://oscarbrisolara.blogspot.com.br/2016/05/o-filho-de-luis-xvi-e-maria-antonieta_20.html).
Por fim, restou apenas Marie-Thérèse Charlotte, que apesar da tragicidade de sua existência, sempre esteve envolvida com a monarquia francesa.
Durante todo o período de reclusão no templo, Maria Teresa nunca soube o que realmente havia acontecido com sua família. Tudo o que sabia era que seu pai estava morto e sentiu-se completamente isolada e infeliz. Quando Napoleão mandou destruir o prédio onde ela estivera presa, como medida destinada a apagar totalmente a memória da família real, foram encontradas em sua cela na prisão as seguintes inscrições:"Maria Teresa é a criatura a mais infeliz no mundo. Não pode obter nenhuma notícia de sua mãe, embora lhe tenha pedido mil vezes. (…) Viva, minha boa mãe! quem eu amo tanto, mas de quem eu posso não ouvir som algum. Oh, meu pai! olhe para mim daí do céu, a vida é tão cruel. Oh, meu Deus! perdoe aqueles que fizeram minha família morrer."
Acredita-se que o líder da revolução Robespierre a tenha visitado na prisão. Depois do período de terror e condenações da Revolução Francesa, foi relaxada a prisão de Maria Teresa e lhe foi permitido ir para Viena, onde foi recebida por seu primo Francisco II, imperador do Sacro Império Romano Germânico. Na verdade, ela foi trocada por prisioneiros políticos.
Francisco II tinha responsabilidade sobre a morte da mãe dela por não ter sido suficientemente firme e exigido sua expatriação. O primeiro a reclamar pela posse da menina fora o rei da Espanha Carlos IV, que também era da família Bourbon
Anos mais tarde, casou-se com seu primo Luís Antônio d'Artois, duque d'Angoulême, filho do conde d'Artois e futuro Carlos X, e passou a ser conhecida como duquesa d'Angoulême. A partir desse casamento, junta seu destino a seu tio paterno Luís XVIII, que vai ser o restaurador do trono com a queda de Napoleão em 1814.
O futuro rei usou muito da imagem de Maria Teresa, como a "mártir da revolução" para congregar os monarquistas ao redor de si. Ela vivia mais na casa do tio do que na do esposo. Entre os monarquistas franceses contrários a Napoleão ela é apresentada como heroína, comparada à Antígona da mitologia grega.
Em 1814, os Bourbons retornam para a França e Maria Teresa é apresentada como uma figura triste, a mítica princesa dos "olhos vermelhos". Aparece como personagem de literatura em obras como "A Órfã do Templo". 
Faleceu em 19 de outubro de 1851, aos 72 anos de idade. Encontra-se sepultada na Igreja de Santa Maria da Anunciação, na Cripta da Família Bourbon  em Nova Gorica, na Eslovênia.
Tornou-se um mito na literatura e na cultura francesa, como a imagem de uma injustiçada, da mulher triste, marcada pela adolescência na prisão, bondosa, que perdoa mesmo aqueles que condenaram à morte os seus pais.