sábado, 2 de maio de 2015

ARMÊNIA – HISTÓRIA DESDE A ANTIGUIDADE - NEGAÇÃO TURCA DO GENOCÍDIO

Prof. Dr. Oscar Luiz Brisolara
Ruínas do majestoso templo cristão
de São João, na Anatólia - Turquia
Para se entender a real situação da Armênia hoje, bem como abordar os fatos que envolveram o extermínio de pelo menos um milhão e meio de cidadãos armênios no início do século XX, mais precisamente entre 1915 e 1923, pelo Império Otomano, é preciso recuar no tempo por alguns milênios. 
Nos tempos atuais, somente em 1990, no período pós-dissolução da União Soviética, foi proclamada a República da Armênia, e reconhecida pela ONU, em 1991. Por longo espaço de tempo, existiu a nação Armênia, sem organizar-se em estado reconhecido e sem território próprio. Parte de sua população vivia na União Soviética, parte na República da Turquia.
Porém, o povo armênio existe há milênios. Esse povo formou-se desde a pré-história, havendo mesmo uma antiga tradição que afirma estar situado em seu território o antigo Jardim do Éden ou Paraíso Terrestre.
Situava-se também na antiga Armênia o renomado monte Ararat, sobre o qual, na tradição judaico-cristã, após o dilúvio, teria encalhado a arca de Noé.
Há pelo menos seis mil anos antes de Cristo, já havia um processo agrícola muito desenvolvido nessa região, em que se utilizavam já instrumentos metálicos, que também eram exportados para povos vizinhos.
Em textos produzidos pelos sumérios e acadianos, povos que habitaram a Mesopotâmia antes dos assírios e babilônios, é citado o país de Ararate, como parte da grande Armênia. Os hititas, que chegaram a dominar toda a atual Anatólia turca, no século II a. C., foi o povo mais importante da antiga Armênia.
Após esses tempos de expansão e progresso, sofreram sucessivas invasões, primeiramente do império dos sassânidas da Pérsia, e depois de muitos pequenos povos vizinhos.
Porém, com o advento do cristianismo, a Armênia foi o primeiro país a converter-se oficialmente à religião cristã, tendo, em 301, a reconhecido como a religião oficial do estado armênio.
Entre os séculos V e VII da era cristã, tornou-se o Emirado da Armênia, com certa independência do Império Árabe, constituído por Maomé em 622. No entanto, em 884, com o enfraquecimento dos árabes na região, e constituíram o Reino Bagrátida Armênio, que se estendeu até 1045. Nesse ano, o Império Bizantino conquistou, por curto período, toda a Armênia. Já em 1071, os turcos invadiram toda a região e a Armênia passou a fazer parte do grande Império Turco Seljúcida.
Depois do domínio turco, os armênios gozaram de relativa independência até o século XIII, quando o correram as grandes invasões dos mongóis liderados por Genghis Khan, cujas tropas dominaram a região até serem expulsas, dois séculos mais tarde, pelos turcos otomanos.
No início do século XV, o Império Turco Otomano e o Império Persa dos Safávidas dividiram a armênia entre si. Porém, no início do século XIX, o Império Russo dos Romanov incorporou aos seus domínios a Armênia oriental.
Encontrava-se assim o povo armênio no início do século XX, dividido entre o domínio turco e o domínio russo. Começa, então, a primeira guerra mundial. De um lado, estava a tríplice entente, formada pela Inglaterra, França e Rússia, contra os reinos do centro, compostos pela Alemanha, a Austro-Hungria, o Império Otomano e a Bulgária. Assim, parte da nação armênia estava de um lado, a parte otomana, e outra parte estava ligada ao outro lado, como parte da Rússia.
Um agravante incitou a ira dos turcos contra os armênios: um contingente de voluntários armênios juntou-se às forças russas. Desde esse momento, ou seja, de abril de 1915, começa uma forte repressão aos armênios pelos turcos. Observe-se que os armênios eram majoritariamente cristãos, enquanto 94% dos turcos eram muçulmanos.
O primeiro ato turco foi a prisão e, em seguida, assassinato de 600 intelectuais armênios, nesse momento, cidadãos turcos. Passaram, a seguir, a deportar os habitantes armênios da Anatólia, província asiática da Turquia, para a Trácia, província europeia desse país. Ao mesmo tempo em que os deportavam, saqueavam seus bens e tomavam suas propriedades.
Afirma-se que, paralelamente às deportações, iniciaram-se assassinatos programados. Pelo menos doze mil criminosos teriam sido libertados das prisões para formarem uma milícia, cuja função era o extermínio dos armênios.
Como os russos tivessem enviado os voluntários armênios para a frente europeia de combate, eles se bateram justamente contra as tropas otomanas. O exército otomano, derrotado, acusou os armênios de suas tropas de serem responsáveis pela derrota. Sob essa acusação, removeram os armênios para os trabalhos de logística e aí os massacraram.
Assim, entre 1915 e 1923, houve constantes ações contra os armênios em todo o território turco. Afirma-se que houve assassinatos em massa, estupros, uso de produtos químicos, tendo-se criado, por fim, os campos de extermínio. Além do mais, criaram-se cortes marciais, que condenavam pessoas à morte pelo simples fato de serem de origem armênia. Esse foi considerado o grande genocídio impetrado contra uma raça ocorrido no século XX, que os turcos insistem em negar. Segundo levantamentos efetuados por diversas pesquisas, em torno de um milhão e meio de armênios teriam sido eliminados nesse processo de limpeza étnica e religiosa.