sábado, 29 de abril de 2017

LIÇÕES DOS BEM-TE-VIS, PÁSSAROS AMARELOS


Oscar Luiz Brisolara


Hoje, na calada do silêncio matutino,
um bem-te-vi cantou na minha alma.
Na amazônia, um velho indígena confidenciou-me, certa vez, que os bem-te-vis, anualmente, retornam à árvore onde nasceram,
para construir, seus ninhos,
para garantir as raízes da especie
e os destinos de sua estirpe.
Quantos bem-te-vis hodiernos terão perdido o caminho da árvore natalícia!
Esses são os pássaros desgarrados,
sem história e sem origem.
Olvidaram o limiar da própria história.
Perderam o horizonte da existência,
a razão do ruflar das próprias asas pelos céus sem limites.
Já não sabem em que bosque depositarão suas cinzas,
para servir de exemplo a seus rebentos,
de orientação aos pósteros pelos tempos,
per omnia saecula saeculorum...