sexta-feira, 4 de julho de 2014

ANACREONTE - ODE



"Um dia, lá pela meia-noite,
Quando a Ursa se deita nos braços do Boieiro,
E a raça dos mortais, toda ela, jaz, domada pelo sono,
Foi que Eros apareceu e bateu à minha porta
"Quem bate à minha porta,
E rasga meus sonhos?"
Respondeu Eros: "Abre, ordenou ele;
Eu sou uma criancinha, não tenhas medo.
Estou encharcado, errante
Numa noite sem lua".
Ouvindo-o, tive pena;
De imediato, acendendo o candeeiro,
Abri a porta e vi um garotinho:
Tinha um arco, asas e uma aljava.
Coloquei-o junto ao fogo
E suas mãos nas minhas aqueci-o,
Espremendo a água úmida que lhe escorria dos cabelos.
Eros, depois que se libertou do frio,
"Vamos, disse ele, experimentemos este arco,
Vejamos se a corda molhada não sofreu prejuízo".
Retesa o arco e fere-me no fígado,
Bem no meio, como se fora um aguilhão"
Depois, começa a saltar, às gargalhadas:
“Hospedeiro”, acrescentou, “alegra-te”,
Meu arco está inteiro, teu coração, porém, ficará partido.”