sexta-feira, 18 de julho de 2014

MITOLOGIA GREGA – HESÍODO – TEOGONIA - GREEK MYTHOLOGY - HESIOD THEOGONY


Prof. Dr. Oscar Luiz Brisolara



Hesíodo e a Musa, de Gustave Moreau
     Hesíodo, cujo nome em grego era  σίοδος, foi o grande responsável para que chegasse até nós grande parte dos mitos dessa civilização que mais profundamente marcou a cultura ocidental. O poeta viveu no século VIII a. C., portanto, no século seguinte a Homero, precedendo a todos os demais grandes poetas, mormente os trágicos.
Não há uma data precisa de seu nascimento, mas sabe-se que produziu sua obra entre 750 e 650 a. C. Produziu duas obras de grande importância para nós, a Teogonia e Os Trabalhos e os Dias. Para a mitologia, a que tem maior interesse é a Teogonia. É dessa obra que vamos tratar muito resumidamente a seguir, para que se possa entender a mitologia grega em seu conjunto. Ocorre que Hesíodo era sistemático e tratou dos deuses gregos e suas relações mútuas.
A Teogonia, Θεογονία no idioma grego clássico, etimologicamente, forma-se dos termos gregos Θεός (theós), Θεο (theú), conforme as formas do nominativo e genitivo singular gregos, que tem o sentido geral de deus, somado ao radical γονία,-ας, cujo sentido é origem, nascimento. Portanto, a Teogonia trata da origem dos deuses, no caso específico de Hesíodo, sua teogonia trata da origem das divindades gregas. Por essa razão, há uma tradução portuguesa que traz como subtítulo da obra: genealogia dos deuses, ficando o título assim: Teogonia ou genealogia dos deuses.
A obra é um poema mitológico, composto de 1022 versos alexandrinos, ou seja, hexâmetros, formados de seis pés métricos, de acordo com a métrica clássica grega. Trata-se de uma cosmogonia, isto é, uma narrativa da origem do cosmo, de acordo com a visão daqueles tempos pré-cristãos.
Primeiramente, o autor desenvolve a origem progressiva dos deuses através de famílias divinas, a que se seguem relações e hibridismos humano-divinos. Aparecem os conceitos dos gregos dessa época de uma cosmogênese bem como de uma cosmovisão.
Sua Teogonia consiste numa trajetória do caótico para o ordenado. Parte da divindade primordial Caos (Χάος), o vazio primitivo no tempo primordial, circular e indefinido. Esse deu origem aos primeiros princípios de ordem, com as primeiras divindades como Gaia (Γαα), a terra mãe, que primeiro gera e concede a vida a todos os viventes, depois, nutre-os pelo tempo, na medida de cada um e, por fim, acolhe em seu ventre de exéquias, os restos inertes e as cinzas de todos os mortos.
Depois Caos ainda gera o Tártaro, a escuridão primeva, nas profundidades, mais abissais que o Hades infernal, morada de Hesfesto, Ήφαιστος, e de todos os mortos, depois de atravessado e infernal Estige (Στυξ), pelo remo do tétrico Caronte, Χάρων, em grego clássico. Prosseguindo sua obra, Caos gera Eros (ρως), o eterno desejo que tudo modifica e conduz à renovação da vida, às descobertas da ciência e ao amor infinito. Por fim, produz Hemera (μέρα), o dia luminoso e sua eterna irmã Nix, a tenebrosa noite. Gaia une-se a Ponto e gera Urano. Surgem, então, as três gerações divinas do Olimpo:

PRIMEIRA GERAÇÃO DIVINA: GAIA E URANO


Gaia e Urano
Gaia, a terra mãe, e seu Urano ρανός), o céu infinito, vão constituir a primeira geração de deuses do Olimpo (Όλυμπος). E todas as noites Urano cobria Gaia com sua luminosidade e força. Deles se originaram os Titãs (Τιτάν), os Ciclopes (Κύκλωπες) e os Hecatônquiros (Έκατόνχειρες), seres gigantes de 50 cabeças e 100 braços. Urano aprisionou os filhos mais novos de Gaia no Tártaro, nas entranhas da Terra, causando grande dor à mãe zelosa. Ela forjou uma foice e pediu aos filhos para castrarem Urano. Apenas Cronos, o mais jovem dos Titãs, concordou. Ele emboscou seu pai, castrou-o e lançou os testículos cortados ao mar. Segundo outra versão, castrou-o enquanto se deitava sobre Gaia.

SEGUNDA GERAÇÃO DIVINA: CRONOS E REA


Reha e Chronos

Cronos une-se a sua irmã, a Titânide Rea, e com ela forma a segunda geração divina. Porém, a seguir, devora cada filho que nasce. Assim, Héstia, Deméter, Hera, Hades, Posídon, Prometeu etc. são devorados pelo pai, com pavor de que o viessem a destronar. Até que, ao nascer Zeus, Rea o ludibria, dando-lhe uma pedra enrolada em panos, que ele vorazmente engole.   Zeus foi criado num bosque de Creta e foi alimentado com mel e leite de cabra pelo centauro Quíron.






TERCEIRA GERAÇÃO DIVINA; ZEUS E HERA


Zeus e Hera


     Zeus destrona seu pai Cronos e une-se a sua irmã Hera em mais uma adelfogamia e forma a terceira e última geração divina. Zeus era promíscuo, teve várias amantes (deusas e mortais) e vários filhos destes relacionamentos. Os filhos mais conhecidos de Zeus são: Apolo (deus da medicina e da luz), Atena (deusa da sabedoria e da estratégia), Hermes (deus do comércio e dos viajantes), Perséfone (deusa do mundo subterrâneo), Dionísio (deus do vinho), Herácles (herói grego), Helena (princesa grega, rainha de Esparta), Minos (rei de Creta) e Hefesto (deus do fogo e do Hades, a morada dos mortos).

     Parece que Hesíodo e Homero, quanto à idade, foram mais velhos do que eu em quatrocentos anos, e não mais. Eles são os que compuseram teogonia para os gregos, deram os nomes aos Deuses, distinguiram-lhes honras e artes, e indicaram suas figuras. (Heródoto, II, 53). A mitologia parece ter sido amais sábia forma de ler o universo e seus segredos insondáveis.