domingo, 6 de julho de 2014

ANACREÔNTICAS

    

ANACREÔNTICAS

     São poemas ao modo de Anacreonte, produzidos em diversas literaturas. Na literatura portuguesa, Bocage (Manuel Maria Barboza du Bocage) é um dos grandes poetas anacreônticos.


ANACREONTE – BIOGRAFIA

     Anacreonte (Άνακρέων) Anakréōn foi poeta grego nascido em Teos, perto da cidade atual Esmirna, na Turquia, em 563 a. C., onde também faleceu em 478. Foi o período mágico da literatura grega, especialmente da poesia lírica e da tragédia clássica. 

     Viveu algum tempo em Abdera, Samos e também em Atenas. Foi poeta popular. Compôs canções simples, agradáveis e espirituosas. 
     Segundo o site Greantiga citado abaixo, “A principal fonte do texto grego é o Codex Palatinus 23 (o mesmo da Antologia Palatina), do século X, conservado atualmente na Biblioteca de Heidelberg, Alemanha.”
     “A mais antiga edição é a de Estienne, de 1554, mas as 55 odes "anacreônticas" foram incluídas como obras do próprio Anacreonte. Ele não mencionou os manuscritos utilizados. Depois disso, os fragmentos genuínos e as "odes anacreônticas" foram editado muitas vezes. As edições mais notáveis são a de Brunck (1786), Fischer (1793), Mehlhorn (1825) e Bergk (1834, 41882), Edmonds (1931), Diehl (1949/1952), Gentili (1958). As mais modernas e mais usadas no momento são a de West (1972) e a de Campbell (1989).” 
      “Várias traduções para o português de Anacreonte e das "odes anacreônticas" foram já realizadas. António Ferreira traduziu apenas uma ode, em (1598); depois dele Francisco Manuel S. Malhão (1804), António Teixeira de Magalhães (1819), António Feliciano de Castilho (1866), Luiz Calado Nunes (1917), José Anastácio da Cunha (1930) e Almeida Cousin (1948). Mais recentemente, diversas odes foram traduzidas por Maria Helena da Rocha Pereira (1959) e por Daisi Malhadas e Maria Helena Moura Neves (1976).”(http://greciantiga.org/arquivo.asp?num=0675)
      Anacreôntica de Bocage:

A Rosa

Tu, flor de Vênus,
Corada rosa
Leda fragrante,
Pura, mimosa,

Tu, que envergonhas
As outras flores,
Tens menos graça
Que os meus amores.

Tanto ao diurno
Sol coruscante
Cede a noturna
Lua inconstante,

Quanto a Marília
Té na pureza
Tu, que és o mimo
Da Natureza.

O buliçoso,
Cândido Amor
Pôs-lhe nas faces
Mais viva cor;

Tu tens agudos
Cruéis espinhos,
Ela suaves
Brandos carinhos;

Tu não percebes
Ternos desejos,
Em vão Favônio
Te dá mil beijos.

Marília bela
Sente, respira,
Meus doces versos
Ouve, e suspira.

A mãe das flores,
A Primavera,
Fica vaidosa
Quando te gera;

Porém Marília
No mago riso
Traz as delícias
Do Paraíso.

Amor que diga
Qual é mais bela,
Qual é mais pura,
Se tu, ou ela;

Que diga Vênus...
Ela aí vem...
Ai! Enganei-me,
Que é o meu bem.
Bocage, in 'A Rosa (Cançoneta Anacreôntica)'