terça-feira, 8 de julho de 2014

MEU BRASIL (Djalma Andrade)


A gente fala, protesta,
Nesta terra nada presta.
O povo é lerdo, indolente...
É a farra, ninguém trabalha,
A peste, a pátria amortalha,
Sob o sol rude, inclemente...

A lei é mito, pilhéria...
Ninguém liga a coisa séria
Não há remédio, é da raça.
A vida se desbarata,
O pinho, a cuíca, a mulata,
O amarelão, a cachaça...

A gente murmura, fala,
Velhos defeitos propala,
Em língua rude e vil.
É a pior terra do mundo.
Mas no fundo, no fundo,
Quanto amor pelo Brasil!

Tudo da boca pra fora!
Porque cá dentro ele mora
Cá dentro é que gente o sente.
Meu Brasil atrapalhado,
Meu Brasil confuso e errado
Você vê que o povo mente.

Você vê que a gente grita,
Mas vê também que é infinita
Esta paixão por você...
Se a Bandeira levanta,
Lá vem o nó na garganta,
E você sabe por quê...

Você sabe e não se importa,
A nossa injúria suporta
E o nosso labéu também...
Deixe que xingue, que bata.
A gente fere e maltrata,
Quase sempre, a quem quer bem.

Meu Brasil, aqui baixinho,
Ouça, sou todo carinho,
e a minha alma você vê...
Qualquer perigo que corra,
Se for preciso que eu morra,
Eu morrerei por você...