domingo, 27 de julho de 2014

SAGA DO POVO JUDEU PELA HISTÓRIA E PELOS CAMINHOS DAS NAÇÕES - SAGA OF THE JEWISH PEOPLE AND HISTORY BY WAYS OF NATIONS

BANCA - RIO DE JANEIRO
Prof. Dr. Oscar Luiz Brisolara
 O povo judeu tem uma saga histórica e geográfica milenar, envolvendo laços com praticamente todos os povos e países. Segundo a vertente mais consensual, o povo judeu, mais especificamente o povo hebreu, origina-se de Abraão, um migrante da Mesopotâmia. O termo judeu origina-se de Judá, um dos filhos de José, que dava nome a um dos reinos em que esse povo se dividiu na antiguidade: o Reino de Judá e o Reino de Israel, como se verá melhor mais adiante.
Hebreu etnônimo possivelmente oriundo do nome próprio Héber. Segundo o Livro do Gênesis, capítulo 10, versículo 21: “ Noé gerou a Sem; este gerou a Arfaxade, que gerou Salá, que gerou Héber; este gerou a Pelegue, que gerou Reú, que gerou Serugue, que gerou Naor, que gerou Tera, que então gerou a Abrão...” (Gen. 10: 21 e seg.).
Segundo diversos outros textos antigos, alguns deles bíblicos, Abraão teria migrado de Ur da Caldeia, na Mesopotâmia, atualmente Iraque. Ur situa-se ao sul da cidade da Babilônia, na margem direita do Rio Eufrates, nas proximidades do Golfo Pérsico. Vide mapa abaixo: 
MAPA DA MESOPOTÂMIA



Diz o livro do Gênesis ainda: “Taré tomou seu filho Abraão, sua nora (...) e partiu com eles de Ur da Caldeia (...)”. (Gen. 11: 30-32) Isso mostra que os antigos hebreus consideravam-se de origem caldaica, da cidade-estado de Ur.
Segundo ainda o texto bíblico, Abraão parte para Canaã: “... partindo de Ur da Caldeia, indo para a terra de Canaan.” (Gen. 11: 31).



ROTA DE ABRAÃO

Este lugar corresponde ao território onde hoje se situa Israel, vale do Rio Jordão. Observando o mapa acima, percebe-se que Abraão faz um longo trajeto, tendo de ir para o norte e depois voltar para o sul, porque era impossível atravessar o Deserto da Arábia.
No mapa abaixo, veja-se o tamanho de Israel em relação aos demais países do Oriente Médio:





ORIENTE MÉDIO

Veja-se agora apenas Israel, a faixa de gaza, o vale do rio Jordão e a Jordânia, com o Egito (região do monte Sinai) antes do rio Nilo abaixo:

ISRAEL, GAZA, EGITO













      
Abraão saiu da Mesopotâmia, de terras férteis entre o rio Tigre e o Eufrates, sobe para o norte para evitar o Deserto da Arábia, atravessa parte da Síria, descendo depois para Canaã, que vai se chamar de “terra onde corre leite e mel”, evidente metáfora da abundância de alimentos.
Por que essa metáfora? Observe-se que, entre tantos desertos, há uma terra que tem um rio que nasce no norte, desce até o sul do país. No meio, vai formar um grande lago (grande para a região), que têm em torno de 19 km de comprimento e uma largura máxima de 13 km, chamado por uns de Mar da Galileia, por outros de Mar de Tiberíades e ainda de Lago de Genesaré.
LAGO DE GENESARÉ

Cidade bíblica de Caná às margens do Mar da Galileia:

Esse mesmo rio segue até o sul do país, desaguando na maior depressão geográfica da Terra, formando o Mar Morto, que se situa a mais de 400 m abaixo do nível do mar. Como esse mar não tem saída e a região é muito quente suas águas através dos milênios se foram tornando tão densas e pesadas que o banhista flutua sem afundar.





BANHISTA FLUTUANDO

Antes de voltar-me para a palestina pré-cristã, vou fazer um intervalo para me situar em duas regiões atualmente importantes nos conflitos do Oriente Médio: a Faixa de Gaza e a Cisjordânia. A Faixa de Gaza, que recebe essa denominação por estar situada nela a cidade histórica de Gaza, também conhecida como Palestina.
A Palestina, na antiguidade era conhecida como Filistina ou Terra dos Filisteus, inimigos constantes dos hebreus. Continua hoje como região de conflito. Situa-se na fronteira como o Egito, às margens do Mar Mediterrâneo.
A Cisjordânia é uma faixa de terra pertencente à Jordânia que se situa na margem direita do Rio Jordão no sentido em que ele desce para o Mar Morto.
O País de Israel pré-romano situava-se de ambas as margens do Jordão. Porém, Israel moderno, criado pela ONU a partir do pós-guerra mundial de 1939/45, restringe-se à margem esquerda do Jordão. Mas ainda assim, contém, próximo a Jerusalém, uma porção de terras do lado direito do rio, pertencentes à Jordânia, conhecidas como Cisjordânia, de cis (do lado de cá) do Jordão. Logicamente, esse posicionamento do lado de cá esta em relação aos falantes judeus, cujo país esta todo do lado de cá. Os grandes conflitos dos judeus com os povos de origem árabe estão justamente nestes territórios. Observe isso no mapa abaixo, prestando atenção nas regiões cobertas por linhas:
ISRAEL, CISJORDÂNIA, FAIXA DE GAZA













Voltando-nos agora para o passado histórico, vejamos abaixo o primitivo mapa de Israel dos tempos pré-romanos, do período em que havia doze tribos, na linha do tempo, em torno de 1200 a. C. portanto, após o êxodo do Egito:
AS DOZE TRIBOS






Nesse período antigo, sem datas muito precisas, começaram as primeiras narrativas, registrando em textos escritos a história e as crenças do povo judeu. Primeiramente o Torá, conhecido também como Pentateuco. Pente (πέντε), em grego, cinco, e teucos (τεχος) rolo, ou sejam, cinco rolos. Acontece que os livros antigos não eram encadernados como os atuais e sim enrolados em bastonetes de madeira ou metálicos, conforme os modelos abaixo:



LIVRO PRIMITIVO


LIVRO PRIMITIVO
O Torá estava contido em um Pentateuco, ou seja, estava dividido em cinco rolos dos tipos acima, contendo os textos dos livros bíblicos do Gênesis, do Êxodo, do Levítico, dos Números e do Deuteronômio.
Voltemos agora a Abraão, estabelecido já em Canaã. Como sua esposa Sara contasse já 60 anos e não lhe tivesse dado filhos, julgou-se estéril e permitiu ao marido que gerasse um descendente com Hagar, serva egípcia do casal. Hagar gerou, então, Ismael. Deus, porém, anunciou que Sara daria um filho a Abraão. No ano seguinte nasceu, de Sara e Abraão, um menino que recebeu o nome de Isaac.
Isaac desposa Rebeca e dela tem dois filhos gêmeos: Esaú e Jacó. Jacó, o primogênito, o primeiro a sair do ventre materno, como ainda havia poligamia, casa-se com duas irmãs, Lia e depois Raquel. Camões, cantando o amor de Jacó por Raquel, escreve este primoroso soneto:

Sete anos de pastor Jacó servia
Labão, pai de Raquel, serrana bela;
Mas não servia ao pai, servia a ela,
E a ela só por prêmio pretendia.

Os dias, na esperança de um só dia,
Passava, contentando-se com vê-la;
Porém o pai, usando de cautela,
Em lugar de Raquel lhe dava Lia.

Vendo o triste pastor que com enganos
Lhe fora assim negada a sua pastora,
Como se a não tivera merecida,

Começa de servir outros sete anos,
Dizendo: — Mais servira, se não fora
Para tão longo amor tão curta a vida!


Jacó teve doze filhos: Rúben, Simeão, Levi, Judá, Dan, Neftali, Gad, Aser, Issacar, Zabulon, José e Benjamim, os dois últimos da amada Raquel. Seus filhos dariam origem às 12 tribos de Israel.
Houve tempos difíceis para a agricultura em Israel, com muitos anos sucessivos de seca, o que obrigou Jacó e seus filhos a migrarem para o Egito. Acredita-se que os judeus tenham permanecido no Egito por volta de 200 ou 215 anos, no período em que esse país estava sob o domínio dos reis pastores denominados de Hicsos. Teriam permanecido, portanto, esses 200 ou 215 anos no país do Nilo, entre 1800 e 1500 a. C. Então se teria dado o longo retorno a Israel.
Moisés e seu irmão Aarão teriam guiado o povo hebreu para sua terra. Moisés, segundo diversas narrativas, fora criado na corte do faraó Tutmés III. O povo hebreu vivia, a esse tempo no Egito, como escravo. O menino, encontrado às margens do Nilo, havia sido criado pela filha do faraó, educado de acordo com os conhecimentos de uma das civilizações mais avançadas daquele tempo, sendo, inclusive sofisticadamente alfabetizado.
Não há precisão de datas, mas é possível que o êxodo Egito se tenha iniciado por volta de 1450/47 a. C e a chegada de retorno ao seu país por volta de 1410 a. C. Há antropólogos, arqueólogos e historiadores que situam todos esses fatos no século XIII a. C.
William Dever, que é arqueólogo estadunidense, especialista em história de Israel e do Oriente Próximo, professor da Universidade do Arizona, em 2003, publicou um livro intitulado Who Were the Early Israelites and Where Did They Come From?
Nessa obra, ele afirma que, segundo algumas interpretações do Livro do Deuteronômio, os judeus que saíram do Egito seriam em torno de dois milhões de pessoas a caminho, enquanto a população egípcia a esse tempo seria de três a três milhões e meio de cidadãos. Marchando em dez lado a lado, formariam uma fila de 150 quilômetros. Acrescente-se a eles o gado que levariam consigo, seria uma caravana inimaginável. Há quem diga que não seriam tantos, seriam apenas seiscentas famílias. Outros falam de seiscentas mil pessoas.
De qualquer maneira, a saída dos judeus do Egito representou uma perda irreparável de mão-de-obra para o faraó num período em todas as atividades dependiam essencialmente da mão humana.
Surge, então o período áureo da civilização hebreia, segundo um grande número de historiadores e antropólogos, com os reis Davi e seu filho, o sábio e rico Salomão.
Após o retorno do Egito, vagavam os israelitas como nômades, na busca das regiões onde melhor pudessem apascentar seus rebanhos e obter água para si e para os gados, montando suas tendas de vale em vale por muitos anos.
Não possuíam um monarca que os governasse. Os juízes executavam o papel de reger o povo nas questões em que fosse necessário. Segundo afirmam alguns historiadores, teriam sido 349 anos o período em que governaram os Juízes, tendo sido Samuel o último deles. Após, foi escolhido Saul para a função de primeiro rei de Israel. Saul foi sucedido pelo rei poeta e salmista Davi, considerado o maior rei de Israel, teria reinado entre 1010 e 970 a. C. Primeiramente, governou apenas sobre o reino de Judá. A partir de 1002, com a unificação de Israel, assumiu todo o reino.

DAVI - NICOLAS CORDIER -
BASILCA STA. MARIA MAGUIRE





















Depois de construir o palácio real e fazer o projeto do grande templo, faleceu e foi substituído por seu filho Salomão.
PALÁCIO DE DAVI – RECONSTITUIÇÃO POR ARQUEÓLOGOS
PALÁCIO DE DAVI - RECONSTITUIÇÃO


Salomão assumiu o trono de Davi e se constituiu no mais rico dos reis de Israel Salomão assumiu o trono de Davi e se constituiu no mais rico dos reis de Israel. Foi considerado o homem mais sábio de todos os tempos. E construiu o famoso templo de Jerusalém. Fez fama como grande amante acumulando em seu harém mais de setecentas esposas, tendo, ainda, em torno de trezentas concubinas. Uma de suas mais famosas amadas foi a rainha de Sabá, que foi a Jerusalém para conhecê-lo. Ele, se tendo apaixonado por ela escreveu o mais lindo poema de amor de toda a Bíblia conhecido como Cântico dos Cânticos, ou, sob outra versão, Cantares.

     Osculetur me osculo oris sui; quia meliora sunt ubera tua vino, fragrantia unguentis optimis. Oleum effusum nomen tuum; ideo adolescentulæ dilexerunt te. Trahe me, post te curremus in odorem unguentorum tuorum. Introduxit me rex in cellaria sua; exsultabimus et lætabimur in te, memores uberum tuorum super vinum. Recti diligunt te. Nigra sum, sed formosa, filiæ Jerusalem, sicut tabernacula Cedar, sicut pelles Salomonis. (Ct.: 2,5).

Tradução:

       Ah! Beija-me com os beijos de tua boca! Porque os teus amores são mais deliciosos que o vinho, e suave é a fragrância de teus perfumes; o teu nome é como um perfume derramado: por isto amam-te as jovens. Arrasta-me após ti; corramos! O rei introduziu-me nos seus aposentos. Exultaremos de alegria e de júbilo em ti. Tuas carícias nos inebriarão mais que o vinho. Quanta razão há de te amar! Sou morena (negra), mas sou bela, filhas de Jerusalém, como as tendas de Cedar, como os pavilhões de Salomão. (Ct. I: 2,5).
Veja-se uma reconstituição por arqueólogos do majestoso templo de Jerusalém, construído por pelo rei Salomão:


Durante a monarquia hebraica, com os constantes desentendimentos e separações entre o Reino de Israel e o reino de Judá, ocorreu a deportação dos judeus para a Babilônia.
O período foi conhecido como Cativeiro Babilônico designa a deportação em massa e exílio dos judeus do antigo Reino de Judá para a Babilônia pelo rei Nabucodonosor II. Abaixo está o mapa antigo de Israel, apresentando a divisão do país em dois reinos, ao sul, o Reino de Judá e, ao norte, o Reino de Israel:

Este período histórico foi marcado pela atividade dos profetas Jeremias, Ezequiel e Daniel que seguiram para o exílio com o povo. Daniel é colocado em uma caverna cheia de leões famintos que lhe lambem as mãos e Jeremias escreve suas tristes lamentações.
Essa deportação é conhecida também como Primeira Diáspora, tendo início em 598 a. C., ano em que Jerusalém é cercada, e Joaquim, rei de Judá, rende-se. Grande parte da elite da sociedade judaica, os oficiais militares e grande parte da população, juntamente como o rei são levados como escravos para a poderosa babilônia. Por fim, havendo ainda revoltas em Jerusalém, onze anos mais tarde, em 587 a. C., Nabucodonosor manda destruir o grandioso templo de Salomão e fazer uma segunda deportação de mais levas de judeus para seu reino. As topas de Nabucodonosor destoem o templo de Salomão e a cidade de Jerusalém.
Porém, Ciro II, o Grande, rei da Pérsia da dinastia dos Aquemênidas, conquista a Babilônia e permite que o povo judeu retorne a sua pátria, em 539 a. C.
É preciso destacar que tanto o período de mais ou menos 200 anos em que o povo judeu viveu no Egito, bem como os quase 60 anos em que estiveram na Babilônia, foram importantes para os judeus. Embora fossem tempos de sacrifício, levando em consideração que os dominadores eram povos de culturas muito mais evoluídas do que os conquistados, tiveram grande importância na formação cultural e religiosa dos hebreus.
A relação de Alexandre Magno com os hebreus é inusitada. O imperador macedônio, que dominara a Grécia e colocara sob seu cetro o poderoso e sábio império grego, varria o Oriente Próximo montado em seu cavalo Bucéfalo. Ao se aproximar de Jerusalém, temendo que ele destruísse a cidade, o Sumo Sacerdote do templo revestiu-se de gala e saiu ao encontro do vigoroso imperador.
         O jovem rei macedônio, desceu de seu cavalo e inclinou-se diante dele, gesto que o orgulhoso dominador raramente fazia. Segundo a narrativa de Flávio Josephus, quando seu general Parmerio lhe perguntou o porquê de sua atitude, Alexandre respondeu: “Eu não me inclinei perante ele, mas perante aquele Deus que o honrou com o Sumo Sacerdócio; pois eu vi esta mesma pessoa num sonho, com esta mesma roupa.”
Ainda segundo o historiador judeu citado acima, ele interpretou a visão do Sumo Sacerdote como um bom presságio e anexou as terras de Israel a seu império sem nenhum combate e, como agradecimento a sua bondade, os Sábios prometeram que o primeiro menino que nascesse na cidade receberia o nome de Alexandre. Essa anexação se deu em 333 a. C.
Depois da morte precoce do jovem imperador, houve uma grande disputa para a divisão do Oriente Médio entre seus sucessores, os Ptolomeus do Egito e os Selêucidas da Síria. Somente em 198 a. C. Antíoco III da Síria conquistou Israel e outorgou autonomia nacional e religiosa aos hebreus.
Acontece, no entanto, que em 175 a. C. sobe ao poder Antíoco IV, cognominado Epífanes, que implantou a obrigatoriedade do culto grego inclusive no templo de Jerusalém. Houve revolta popular esmagada pelo exército grego.
As humilhações e dominações estrangeiras estavam longe de acabar, para o povo hebreu. No primeiro século antes de Cristo, ocorre a dominação romana. Em 63 a. C., o general romano Pompeu conquista a Judéia e a anexa ao domínio romano. Em 40 a. C., Marco Antônio e Caio Otávio, o futuro imperador Augusto, sob o domínio do qual Jesus Cristo irá nascer, nomeiam Herodes rei da Judéia.
Herodes fez obras esplendorosas, apoiado pelos romanos, principalmente, reformou o templo de Jerusalém. Templo de Herodes:


Em 04 a. C. morre Herodes o Grande e é sucedido por seus filhos: Arquelau, Herodes Ântipas e Filipe. Porém, a partir de 6 d. C., tornou-se a província romana da Judéia, sob o domínio do rei da Síria, sendo Arquelau mandado para o exílio.
O povo judeu passou a criar pequenos focos de revolta até que em 66 d. C. iniciou-se uma revolta geral contra do domínio romano. Então, as legiões romanas comandadas pelo general Vespasiano e depois por seu filho Tito invadiram a região, cercaram e destruíram Jerusalém no ano 70 d. C.
As recusas judaicas ao culto aos deuses e imperadores romanos de há tempo irritavam os administradores de Roma. Com suicídio de Nero em Roma, em junho de 68, e os sucessivos assassinatos dos imperadores Galba, Otão e Vitélio no malfadado 69 d. C., obrigaram Vespasiano a retornar para a capital do império, assumir o trono e restabelecer a ordem.
Flávio Josepho, então prisioneiro dos romanos, narra que Tito cercou a cidade que estava repleta de peregrinos para a Páscoa, cortou o abastecimento de água externo. O historiador judeu afirma que Tito desejava preservar o templo, coforme costume romano em todas as guerras. Segundo o mesmo Josepho, 1.100.000 morreram durante o cerco, a grande maioria judeus, sendo que 97.000 foram escravizados.
Em 132, com novas revoltas judaicas na região, o imperador Adriano promove grandes massacres de judeus e decreta a expulsão do povo judeu da Palestina. Desde esse tempo da chamada segunda diáspora, os judeus se disseminaram por todo o mundo. Denomina, o imperador, toda essa região de Palestina, o que vai gerar uma confusão, entre a Palestina Romana e a antiga Palestina, pequena região habitada pelos Filisteus, hoje Faixa de Gaza.
Esse imperador renomeou Jerusalém como Élia Capitolina, passando a região toda a denominar-se de Síria Palestina. É preciso salientar que sempre permaneceram remanescentes judeus nessa região.
Depois, com os impérios que se seguiram: o Romano do Oriente, o Bizantino e o Otomano, Israel fez parte de cada um deles, sem autonomia. Os cristãos investiram muito no local depois da cristianização do Império Romano com o imperador Constantino. Foram construídas muitas igrejas e basílicas. Mapa da Judeia romana:

Desde os tempos romanos do reinado de Vespasiano e depois de Adriano os judeus marcaram presença em muitos países. Surgem os Sefaradim, termo originado de Sefarad, que significa Espanha, em hebraico.
Esse grupo judeu migrou, primeiramente para o norte da África, originados dos judeus do exílio da Babilônia que preferiram não retonar a Israel. Aí encontraram os berberes, povos árabes mais acolhedores e se fixaram na região em que hoje estão a Argélia, o Marrocos, o Saara Ocidental e a Mauritânia. Com a migração árabe para a Espanha no século VIII d. C., migraram com eles. Originaram um idioma, o Ladino, com vocábulos do espanhol medieval e do hebraico. Juntando-se aos mouros e ciganos, os judeus deram origem ao flamenco, que até hoje é tocado e bailado como um hino à liberdade.
Porém, no século XV, os reis católicos Fernando II de Aragão e Isabel I de Castela, casando-se, e tendo a proteção eclesiástica em Roma de um papa espanhol, Alexandre VI (Rodrigo Borja), instigados pelas riquezas de muitos judeus, incentivaram a Sagrada Inquisição a persegui-los, executá-los em autos-de-fé e apoderarem-se de seus bens.
Muitos judeus migraram para Portugal e tiveram papel importante como mentores da Escola de Sagres, na medida em que tinham conhecimentos científicos que possibilitaram o desenvolvimento das navegações portuguesas. Porém, a ganância lusitana voltou-se para os bens deles. D. Manuel, o venturoso navegador, intensificou um processo de perseguição a eles. Condenou muitíssimos à morte, especialmente no famoso Massacre de Lisboa, em que centenas de judeus foram mortos em praça pública.
Desse grupo Sefaradim, originário dos judeus da Babilônia, houve migrações menores para todos os países da Europa. Deles fazem parte os mais antigos judeus disseminados pelo mundo.
No reinado franco de Carlos Magno, no século VIII d. C., houve um incentivo por parte desse imperador para que outro grupo de judeus migrasse pelo vale do Rio Reno, o longo rio do norte europeu. Simultaneamente ao Grupo Sefaradim, esse grupo que se denominou  ashkenazim, cujo nome provém do termo hebraico Ashkenaz, que significa Alemanha.
Foram convidados por se dedicarem a funções essenciais como a fabricação de vinhos e ao comércio e por serem excelentes conhecedores das rotas do mar Mediterrâneo e do Oriente Médio. Do vale do Reno, migraram mais para o leste, para a região da Polônia atual, onde, no século XVII, foram atacados pelos cossacos.
Já havia ocorrido conflitos entre judeus e outras regiões: haviam sido expulsos da Inglaterra no final do século XIII e da França, no início do século XIV. Assim, gradativamente, o antissemitismo vai-se disseminando por diversos países.
Tratava-se de uma nação sem estado e sem território. Esse povo tinha de recorrer a outras estratégias para constituir uma identidade nacional. Criaram para isso parâmetros religiosos e mais especificamente étnicos. Em qualquer país, eram sempre estrangeiros, apenas tolerados, quando não abertamente rejeitados. Buscavam segurança no desenvolvimento das capacidades pessoais para sobreviver em qualquer parte como excelentes profissionais e, mais especificamente nas reservas monetárias e capitalistas.
Assim como os Sefaradim haviam criado o Ladino, os  ashkenazim criaram o Ídiche, que é uma mescla de alemão medieval com termos hebraicos e eslavos. Eles foram migrando para o leste, chegando à Lituânia, Ucrânia, Moldávia e Rússia. Gradativamente foram sendo isolados em guetos que recebiam nomes diversos de acordo com cada país. Tendo vivido em regiões muito diferentes de sua região nativa original por quase dois milênios, a própria natureza encarregou-se de transformá-los fisicamente, de acordo com os países nos quais passaram a viver.
Sendo o Sefaradim e o ashkenazim grupos de origem judaica espanhol e alemão, não foram, contudo, os únicos. Muitos judeus migraram para a Itália, de modo especial depois da destruição de Jerusalém, com Tito e Adriano, uns escravizados e outros migrantes voluntários. Também migraram para a Itália muitos sefaradins.
Outro grupo conhecido por Mizrahim desenvolveu-se na Síria, no Egito e outros países do Oriente Médio. Falam idiomas árabes e têm nomes árabes. No Iraque há ainda judeus descendentes dos escravizados por Nabucodonosor. Muitos foram expulsos depois da criação do moderno estado de Israel.
Os Teimarem são judeus que vivem no Iêmen possivelmente desde os tempos de Salomão. Têm pele escura como a maioria dos árabes e usam o idioma árabe. Também, na esmagadora maioria, foram expulsos após 1948.
Há ainda os judeus etíopes, em parte negros, segundo uma tradição, parcialmente descendentes de Salomão e a rainha etíope de Sabá, repatriados a Israel, nas décadas de 1980 e 90. Por esses séculos todos mantiveram as tradições judaicas e o shabat.
Essa é apenas uma demonstração da presença de judeus pelo mundo. Poder-se-ia encontrá-los em todos os países do mundo em maior ou menor número. Não o faremos, pois não é o escopo deste estudo.
Quanto ao antissemitismo, é preciso destacar que o próprio cristianismo teve papel importante nos movimentos racistas contra o povo judeu, incentivando s ganância de muitos reis e administradores públicos a persegui-los, condená-los e executá-los, muitas vezes com interesses menos nobres. O próprio papa João Paulo II pediu-lhes perdão por esse pecado.
Com a Revolução Francesa e os subsequentes movimentos de igualdade racial, os judeus puderam sair dos guetos e receber a cidadania dos países em que viviam. Assim, personalidades importantes Albert Einstein e Sigmund Freud, apenas como um pequeno exemplo, receberam nacionalidades de países europeus.
Porém, no século XIX, o racismo antissemita recrudesceu em todo mundo, de modo especial na Europa, de modo especial como o teórico radical francês Joseph Arthur de Gobineau (1816-1882) e o inglês naturalizado alemão Houston Stewart Chamberlain (1855-1929), grandes defensores da superioridade da raça ariana. Portanto eram partidários da superioridade de uma raça e da inferioridade de outros.
Esses teóricos, com suas obras, aliados a muitos outros, geraram o retorno a movimentos racistas generalizados que, novamente atingiram o povo judeu, voltando-se aos guetos separatistas e aos extremismos, chegando às perseguições e extermínios nazistas que é desnecessário comentar, devido à grande divulgação que já tiveram.
Finalmente, terminada a Segunda Guerra Mundial, encontrava-se grandíssimo número de judeus refugiados nos mais diferentes países, com famílias desbaratadas, sem teto e sem pátria, o que intensificou o movimento sionista, que exigia um território para essa nação.
Então, fundada a ONU em 1945, usaram desse foro internacional para apresentar suas reivindicações. Depois de quase dois mil anos apátridas, em maio de 1948 a ONU destinou-lhes uma parte da antiga pátria e o direito de retornarem ao Oriente Médio.
Em 1947 houve um plano de partilha da Palestina em que o Brasil teve papel fundamental. O gaúcho Osvaldo Aranha chefiava a delegação brasileira na recém-fundada Organização das Nações Unidas e presidiu II Assembleia Geral da ONU, que votou o plano para a partição da Palestina.
Já desde 1917, com a declaração dos britânicos que administravam uma parte da região conhecida como Declaração de Balfour, havia uma manifesta intenção de repatriar judeus para a Palestina. Em 1922, criara-se o Emirado da Transjordânia.  Em 1947, o Estado de Israel. No dia 14 de maio de 1948, o líder sionista David Ben Gurion proclama a independência de Israel. No dia quinze, já de prontidão, tropas do Egito, da Transjordânia, da Síria, do Líbano e do Iraque invadem o país. Lutando até a paz de 1949, os judeus vencem a guerra. Mapa de partilha da Palestina de 1947:

Terminado o conflito de 1947, sucessivas guerras se deram na região envolvendo judeus e árabes, sendo as mais importantes a Guerra dos Seis Dias, de 5-10 de junho de 1967 e a Guerra do Yom Kippur de 6-26 de outubro de 1973. Porém, os embates foram muito mais frequentes, quase que constantes, desde a fundação do Estado de Israel em 1948.

As reflexões apresentadas aqui não têm a intenção de defender ponto de vista algum, mas apenas buscam ajudar a quem não acompanhou esse povo em sua peregrinação pela história e pelo espaço geográfico por milênios para que consigam compor uma síntese dessa saga.