terça-feira, 25 de agosto de 2015

MINHA PITANGUEIRA VESTIDA DE AVÓ



Prof. Dr. Oscar Luiz Brisolara

Nos tempos ermos da infância,
Nos campos da minha terra,
Nos invernos duros, gelados,
A geada vestia de noiva
Os ramos das pitangueiras.
Embrenhei-me, então, no mosteiro,
Nos vórtices sisudos, tantos.
Por anos, bebi dos livros,
As falas dos velhos sábios.
Depois, foram as classes,
por anos quase sem conta.
Paro em meio à jornada.
Já tenho os cabelos brancos,
Com o branco da pitangueira,
Já não és mais a minha noiva,
Mas a grisalha vizinha.
Nasceste aí nesse canto,
Sem saltos foste subindo
E te inseriste na história.
Vermelha, na primavera,
Deste prazer a meus netos.
Quantas vezes, encantada,
Coloriste de vermelho,
Os lábios da minha amada.
Hoje tens tons de grisalho,
Grisalho te acaricio.
Beijam-te o cálix florido
Abelhas e beija-flores
Eu divido contigo
Esta vida plena de amores.
 CORDAS DE ESPINHO - FAFÁ DE BELÉM