segunda-feira, 21 de novembro de 2016

ARTE FÚNEBRE OU ARTE TUMULAR

Prof. Dr. Oscar Luiz Brisolara
Sempre que vou a Paris, reservo algumas horas para visitar o cemitério Père-Lachaise, o maior e mais belo cemitério da cidade.
Minha visita so túmulo de Alan Kardec

Desde os mais remotos tempos, tiveram os mais diferentes povos o hábito de construir túmulos para seus antepassados mortos. Quanto mais importante e mais rico fosso o defunto, mais suntuosa e artística era sua sepultura.
Esse costume fundou-se na crença da imortalidade do espírito humano, bem como na proteção divina aos seres humanos depois do passamento para a vida pós-morte. Acompanhava essa crença a concepção de que havia espíritos protetores dos mortos e de seus lugares sagrados.
O nome mausoléu, dado às sepulturas suntuosas, provém do nome de Máusolo, um rei da dinastia Aquemênida, sepultado na cidade de Halicarnasso, situada na atual Turquia. Teria sido construído por ordem de sua irmã e esposa Artemísia. Dele existem apenas poucas ruínas, próximo às ruínas da antiga cidade de Éfeso.
Mausoléu de Halicarnasso - túmulo de Máusolo
Um dos mais majestosos conjuntos de sepulturas da antiguidade é o consagrado aos imperadores romanos. Havia, antes deste majestoso túmulo coletivo, alguns túmulos dos primeiros imperadores. É o caso do túmulo do primeiro imperador romano, que se intitulou de Augustus, cujas ruínas permanecem até nossos dias.
Ruínas do Mausoleo do imperador Augusto

Pois as ruínas do famoso túmulo de Augusto, construído no campo de Marte, existem até hoje. Situa-se na Piazza del Populo, próximo à margem do rio Tibre, cercado de prédios residenciais.

Abaixo apresento uma imagem da reconstituição do templo, construído para si próprio pelo imperador no ano 28 a. C. Encontra-se fechado à visitação pública. Somente é acessível pela parte externa.

Os imperadores seguintes, a maioria deles, foram sepultados no próprio mausoleo de Augusto que, como se vê acima, era enorme.

Porém, no século II, já não havia mais espaço para tantos imperadores.

Foi então que o imperador Adriano iniciou a construção do novo mausoléu. Muito maior do que o de Augusto, foi concluído por Antonino Pio, em 139.

Réplica do Mausoléu de Adriano
A partir desse tempo, todos os imperadores romanos passaram a ser sepultados nesse mausoléu. Porém, quando o imperador Constantino converteu-se ao cristianismo, a situação começou a mudar. Os papas passaram a ter grande influência na cidade de Roma, ainda mais quando esse imperador transferiu a capital do império para a cidade de Constantinopla, na fronteira com o Oriente Médio.

Remodelou a antiga cidade grega de Bizâncio, situada ás margens do Bósforo, canal que separa a a Europa da Ásia. Mudou seu nome para Constantinopla e transferiu  sede do Império Romano para lá. Durante o Império Otomano, que teve como capital a mesma cidade, seu nome foi mudado para Istambul.
Essa mudança da capital deixou Roma sob a influência dos papas. Depois da queda do Imperio Romano do Ocidente, no século V, fortaleceu-se mais ainda o poder papal. 
Com o advento do Sacro Império Romano Germânico, com Carlos Magno, no século VIII, o pai deste imperador, Pepino O Breve, concedeu oficialmente aos papas a região central da Itália que se estendia do norte de Nápoles ao sul de Florença.
O papa passou a ser o rei de uma nação que recebeu o nome de Estados Pontifícios. Aí mudou o destino do mausoléu dos imperadores romanos, que já havia sido invadido diversas vezes, com a remoção dos túmulos, transformara-se numa fortaleza militar. Os papas assumiram-no como estava.  Usaram para a sede dos exércitos.
Com o tempo, transformaram-no num castelo o Castel Sant'Angelo, sendo hoje um museu, anexo aos museus do Vaticano. Veja-se sua imagem atual.
Castel Sant'Angelo
Mas durante todos os tempos houve mausoléus e túmulos em todas 
as partes do mundo, até nossos dias.
Há cemitérios famosos, como o de Père-Lachaise, em Paris e tantos mais. Vejam-se alguns túmulos artísticos do Père-Lachaise.
Túmulo de Luísa e Abelardo - triste e famoso casal

Túmulo do músico Chopin
Georges-Rodenbach




Staglieno Cemetery, Genoa, Italy 1927 Dellacasa Tomb by sculptor G. Galletti.

Monumental Cemetery, Milan, Italy
Sculpture on a gravestone in the monumental cemetery in Milan

Cemetery of Montmartre, Paris -

Hooded Sorrow, Verano Cemetery, Rome

Cemitério Père Lachaise, Paris, França

Frau kniet am Sarg Discovered in Nürnberg, Germany

Melaten Cemetery Cologne Germany
In the cemetery of Turin, the angels are legions…

Roman angel This reminds me of Munger's Cemetery in Chicago

Angel in Recoleta Cemetery, Buenos Aires.
Cemetery art at Cementerio de San Pedro in Medellin, Columbia

The Italian Bride, Julia Buccola Petta, Mount Carmel Cemetery 

Prenzlauer Berg cemetery in Berlin
Angel,  Hietaniemi Cemetery,

Hollywood Cemetery, Richmond - Tomb of Winnie Davis, daughter of Jefferson and Varina Davis

Estátua de cemitério , Hungria

Staglieno Cemetary - Genoa, Italy.

Kensal Green Cemetery, London

Montparnasse Cemetery in Paris, France.

Cemitério da Consolação - São Paulo - arquiteto Luigi Brizzolara

Túmulo Família Carvalho - arquiteto Luigi Brizzolara

Mausoléu da Família Matarazzo - Luigi Brizzolara







O Cemitério da Santa Casa, em Rio Grande


FONTE: http://companhiaarte.blogspot.com.br/2010/08/estatuaria-do-cemiterio-catolico-do-rio.html

A Cidade do Rio Grande tem um conjunto de monumentos públicos de grande valor histórico -cultural, em especial o acervo de estatuária funerária existente no seu Cemitério Católico que abriga estátuas de mármore e bronze, feitas por artistas italianos, alemães e da própria cidade. Esculturas do Professor H. Pohlmann, do português Manuel Pitrez, dos italianos Bernardo Fossatie Matteo Tonietti. Estes escultores deixaram um legado de obras importantes. Criaram um acervo não apenas nos logradouros públicos, mas também nos cemitérios da Cidade.


DEUSA GREGA


DEUSA GREGA


DEUSA GREGA - Escultura do Professor H. Plholmann


FIGURA GREGA FEMININA

FIGURA FEMININA


ALEGORIA A SAUDADE 
A FIGURA FEMININA TRAZ CONSIGO UMA FLOR E ESTA DEBRUÇADA SOBRE O TÚMULO COM UMA EXPRESSÃO DE TRISTEZA


"ACEITAÇÃO" OBRA DE MATTEO TONIETTI

"DESOLAÇÃO" OBRA DE MATTEO TONIETTI

FIGURA FEMININA - Escultura de Matteo Tonietti




FIGURA FEMININA


FIGURAS FEMININAS



FIGURA FEMININA


FIGURA FEMININA


NOSSO SENHOR JESUS CRISTO


JESUS CRISTO

JESUS CRISTO - Escultura da Fundição ACD Pelotas 






SÃO JOSÉ E O MENINO JESUS




A SAGRADA FAMILIA


JESUS CRISTO


JESUS CRISTO


JESUS CRISTO



O ANJO



O ANJO





UM ANJO


O ANJO O JUIZO FINAL
OBRA DE MATTEO TONIETTI


UM ANJINHO


O ANJO


O ANJO


O ANJINHO


O ANJO 


O ANJO


FIGURA DE UM ANJO


UM ANJO


NOSSA SENHORA


NOSSA SENHORA


NOSSA SENHORA


NOSSA SENHORA - Escultura do Professor H. Plholmann


CEMITÉRIO DE PELOTAS - BAIRRO FRAGATA


No cemitério antigo, a arte da lembrança e do esquecimento
FONTE:http://pelotascultural.blogspot.com.br/2013/06/no-cemiterio-antigo-arte-da-lembranca-e.html


Nos cemitérios dormem corpos e almas que alguma vez habitaram a cidade. Para não esquecer seus mortos, as famílias construíram neles uma cidade separada do mundo, um limbo de transição entre o céu e a terra, dois universos vizinhos e sem entendimento.

A fundação desses dormitórios devia se localizar originalmente nos confins urbanos, simbolizando o fim-de-mundo, o fim dos tempos e o fim da vida.
Um século depois, a cidade dos vivos se espalhou tanto que a cidade dos finados parecia ter-se deslocado para o meio da vida moderna — uma ilha de vazios, de nadas já esquecidos, de perdas que o tempo terminou preenchendo... rodeada de fantasmas agitados, coloridos e narcisistas.

Todos viajantes em busca de si mesmos, soldados de guerras caóticas, sem ordem no espaço, nem início nem fim.

Como museus de lembranças e lamentos coletivos, os cemitérios antigos se transformaram em depósitos de arte ao ar livre: mausoléus, pórticos, vitrais, esculturas de anjos, cruzes em tamanho natural, epitáfios e epigramas poéticos.
Tudo para marcar os momentos de despedida e para jogar com a zona ambígua entre a desvinculação e a continuidade, lembrando as portas do Paraíso e do Inferno.

A arte tumular precisa dessa imobilidade trágica.

As flores murcham e ressurgem, e até mesmo as lágrimas são novas e diferentes em cada visita, mas os monumentos dos sepulcros não podem ser movidos, nem trocados nem revendidos, sob pena de que aqueles espíritos invocados ameacem vir com suas espadas apocalípticas para cobrar o lugar fixo de suas amarguras e maldições.

— V. cemitério e necrópole na Wikipédia.
— Conheça a pesquisa fotográfica de Helena Schwonke e o trabalho de E. Figueiredo Alves, ambos feitos neste cemitério. 
— V. notícia de 2002 sobre vandalismo no cemitério.

Cemitério Ecumênico São Francisco de Paula, Av. Duque de Caxias nº 454, bairro Fragata.
Fotos: F. A. Vidal