sexta-feira, 18 de abril de 2014

CHRISTOPHER MARLOWE – autor do Fausto Britânico



http://pt.slideshare.net/nathanacostantin/marlowe-christopher-a-histria-trgica-do-doutor-fausto
         Christopher Marlowe (1564 -1593) foi um grande dramaturgo, poeta inglês do século XVI. Sua vida particular é marcada de incidentes graves. Nasceu em Canterbury, em português Cantuária, cidade do norte da Inglaterra, pertencente ao condado de Kent. É a sede espiritual da Igreja Anglicana.
         Era filho de um sapateiro e bacharelou-se, primeiramente em artes. A universidade de Cambridge negou-lhe o título de licenciatura sob a acusação de ter-se convertido ao catolicismo e também por sucessivas ausências às aulas.
         Passa, então, segundo se afirma, a fazer parte do serviço secreto da rainha, função nunca confirmada, como é óbvio. A relevância dos trabalhos prestados ter-lhe-ia garantido o título da licenciatura. Com o título, passa a residir em Londres, onde vive até o fim de sua breve existência.
         Na capital, passa integra a companhia de teatro do conde de Nottigham, na qual apresentou a maior parte de suas obras. Teria feito parte da Escola da Noite, grupo de livres pensadores, dos quais faziam parte, entre outros, os matemáticos Thomas Harriot, Thomas Allen e Robert Hues, os filósofos e alquimistas Walter Warner e Walter Raleigh, além do conde de Northumberland que liderava o grupo.
         Porém, o que parece confirmar sua participação no serviço secreto é seu relacionamento com Sir Francis Walsingham, chefe da espionagem da rainha Elisabeth I. Nessa função, ter-se-ia envolvido em pelo menos um assassinato, em consequência do qual permaneceu por um curto período na prisão. Foi assassinado em circunstâncias nunca suficientemente esclarecidas. 
MALALOWE DRAMATURGO
         Sua controvertida história pessoal não diminui a importância de sua obra literária, de modo especial sua produção na área da dramaturgia. Até então, o teatro inglês era muito pobre. O que de mais importante havia eram traduções. Ele cria o teatro novo,  introduz o verso livre e vai ser o modelo para Shakespeare.
OBRAS
Teatro
Tamburlaine
A História Trágica do Dr. Faustus
The Jew of Malta
Edward II
The Massacre at Paris
Dido, Queen of Carthage
Poemas
Hero and Leander
Tradução
Elegias (de Ovídio)
Farsália (de Lucano)


         A grande obra de Marlowe é Doctor Faustus, TEMÁTICA que vai celebrizar o grande dramaturgo alemão Johann Wolfgang Goethe, no século XIX. Porém, o Fausto de Marlowe é muito mais dramático do que o de Goethe. Enquanto, em Goethe, Fausto, na versão final, é libertado por um coro de anjos, o Fausto de Marlowe cumpre o pacto e entrega a alma a satanás. 

Fragmento da obra de Marlowe:

If we say that we have no sinne we decieve our selves, and there is no truth in us.
Why then belike
We must sinne, and so consequently die,
I, we must, die, an everlasting death.
What doctrine call you this? Che sera, sera:
What will be, shall be; Divinitie adiew.
These Metaphysicks of Magitians,
And Negromantick bookes are heavenly.
Lines, Circles, Signes Letters, and Characters,
I these are those that Faustus most desires.
Of power, of honour, and omnipotence,
Is promised to the Studious Artizan?
All things that move betweene the quiet Poles
Shall be at my command: Emperors and Kings,
Are but obey’d in their severall Provinces:
Nor can they raise the winde, or rend the cloudes:
But this dominion that exceeds in this,
Stretched as farre as doth the mind of man:
A sound Magitian is a Demi-god,
Here tire my braines to get a Deity (p. 36-7)

Mas parece então
Que temos que pecar e, por conseguinte, morrer.
Ai... temos de morrer, e morrer para todo o sempre.
Como chamais esta lei? Che sarà, sara: O que for se há-de ver. Teologia, adeus.
Esta metafísica dos mágicos,
Estes livros arcanos é que são divinos.
Linhas, círculos, sinais, letras e caracteres,
Ah! Isto é o que Fausto mais deseja.
Que mundo de lucro e de prazer,
Quanto poder onipotência e honra
Tudo o que se move entre os dois pólos
Terei às minhas ordens: Imperadores e Reis
Só nos seus domínios são obedecidos,
E não podem erguer ventos, rasgar nuvens.
Pelo seu poder que tudo isto excede
E vai até onde a mente humana alcança,
Um mágico sagaz é quase um deus.
Aguça teu engenho, Fausto, e sê divino !