segunda-feira, 14 de abril de 2014

MAIS UMA VEZ O EGITO - MISTÉRIOS DO GRANDE CEMITÉRIO DO CAIRO

MESQUITA MUHAMED ALI PASHA - CAIRO

MISTÉRIOS DO GRANDE CEMITÉRIO DO CAIRO
         Pois, numa tarde tórrida de fevereiro de 2008, caminhávamos, minha esposa e eu, diante da grandiosa Mesquita de Alabastro Muhamed Ali Pasha, no Cairo, em companhia de uma jovem egípcia, que nos explicava a situação do seu país nesse momento. Cheios de curiosidade, do alto onde nos encontrávamos, observávamos El Cairo, que se estendia na planície abaixo, com seus mais de dezoito milhões de habitantes.
         O fantástico templo, segundo nos informava nossa interlocutora, havia sido edificado pelo sultão Muhamed Ali Pasha em homenagem a seu falecido filho, entre os anos de 1830 e 1848. Fora este sultão o criador do moderno Egito.
         Nas planícies ao redor do monte em que se situa a mesquita, e pelas encostas, observávamos um trânsito totalmente imobilizado por falta de regras e de quem o organizasse. Sem semáforos, todas as mãos possíveis, todos os estacionamentos permitidos, arrastava-se uma enorme massa de automóveis de todo tipo em todas as direções numa pachorrenta lentidão.
         Retorna-se em qualquer ponto, dizia-nos a morena, tipicamente egípcia, muito maquiada, como a Cleópatra dos filmes, os cabelos envoltos em branco turbante. Para-se. Liga-se a seta e vagarosamente se vai inserindo em meio aos que retornam na mesma pista. Arredam-se uns. Outros param. Impossível irritar-se.
         Um para. Desce. Compra alguma coisa e volta. Troca um pneu. Tudo em meio à frota que avança como dá. Como pode. E as buzinas atordoam os passantes num zumbido ininterminável e absolutamente ineficaz.
         A jovem falou-nos, então, a respeito da economia, do petróleo, e de modo especial dos de salários em seu país. Não havia correção dos proventos do funcionalismo público desde o governo de Gamal Abdel Nasser, que fora assassinado em 1970. Portanto, há mais de cinquenta anos arrastava-se essa situação.
         Contou-nos que os funcionários públicos, com soldos irrisórios, não abandonavam suas funções. Aguardavam que em algum tempo houvesse uma correção. Mas permaneciam nos cargos umas poucas horas e depois iam tratar do sustento em algum outro lugar.
         Quando chegamos junto ao balaústre de pedras que protege os transeuntes de quedas do alto do mirante, avistamos um grande portão de ferro fundido. A nossa interlocutora apontou-nos o imenso cemitério, escondido parcialmente por um alto muro.
         Surpreendendo-nos, ela nos informou de que centenas de pessoas residiam no cemitério. Entre os túmulos? Perguntamos-lhe. Ela nos respondeu que não. Que residiam dentro deles. E convidou-nos para nos dirigirmos ao local.
         Foi somente então que percebemos pessoas saindo de dentro das sepulturas. Túmulos residências. Com todos os mistérios que envolvem tal situação. Lá estavam eles numa posição muito natural. Na maior normalidade da vida, saindo e entrando em suas marmóreas residências, ornamentadas de vasos e bronzes.

         Afirmou-nos que, primeiramente haviam sido autorizados os guardas. Depois outros e mais outros. Moravam nos suntuosos túmulos da cidade imensa. Quem sabe? Um dia? Aqui?

CEMITÉRIO DO CAIRO

MESQUITA MUHAMED ALI PASHA
MESQUITA MUHAMED ALI PASHA
MESQUITA MUHAMED ALI PASHA
VISTA DO CAIRO E SEUS MINARETES
CAIRO - MAIS MINARETES
CAMELO JUNTO À GRANDE PIRÂMIDE

CHEGANDO ÀS PIRÂMIDES I

CHEGANDO ÀS PIRÂMIDES II
CAIRO I

CAIRO II




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