terça-feira, 1 de abril de 2014

ESCRITORES ÁRABES - GIBRAN KHALIL GIBRAN




GIBRAN KHALIL GIBRAN (جبران خليل جبران بن ميکائيل بن سعد; em siríaco). (Grande parte dos dados aqui apresentados foram extraídos do blog de Michele Christine).

Foi um pensador libanês. Nasceu na cidade dos cedros, Besharre (Bsharri), em 06 de dezembro de 1.883, nas montanhas ao norte do Líbano. A pequena aldeia de Besharre, no Líbano, é tida como guardiã dos cedros sagrados do Líbano e, segundo nos conta a história, foi de lá que o rei Salomão obteve a madeira para construir o Templo de Jerusalém. A aldeia também se situa nas proximidades das ruínas de Baalbeck, considerada uma das cidades mais antigas do mundo.

Próxima a Besharre estende-se a cidade de Caná, onde Jesus realizou o milagre da transformação da água em vinho. Foi nesse ambiente histórico repleto de referências religiosas importantes que nasceu Gibran Khalil Gibran, no ano de 1883. Além de ser considerado um dos artistas mais importantes do Líbano, seu nome é respeitado em todo o mundo pela profundidade mística de sua obra, composta de vários livros e pinturas. Sua principal criação, o livro O Profeta, traduzido para mais de 30 idiomas e ainda hoje um dos maiores best-sellers em todo o planeta, teve grande influência na vida de milhões de pessoas, independentemente de seus credos religiosos e tendências espirituais.

Era apaixonado pela natureza. Nascera muito próximo da floresta de cedros milenares. Conta-se que, aos oito anos, quando passava por sua aldeia um grande vendaval, o menino fascinado pela natureza em fúria, abre a porta e sai a correr com os ventos.

Quando a mãe, apavorada, o alcança e repreende, ele lhe responde com todo o ardor de suas paixões nascentes: “Mas, mamãe, eu gosto das tempestades. Gosto delas. Gosto!” (Um de seus livros em árabe seria intitulado ‘Temporais’).

1894 – Emigra para os Estados Unidos, com a mãe, o irmão Pedro e as duas irmãs Mariana e Sultane. Vão morar em Boston. O pai permanece em Bicharre.

1898/1902 – Vota ao Líbano para completar seus estudos árabes. Matricula-se no Colégio da Sabedoria, em Beirute. Ao diretor, que procurava acalmar sua ambição impaciente, dizendo-lhe que uma escada deve ser galgada degrau por degrau, Gibran retrucou: “Mas as águias não usam escadas!”

1905/1920 – Gibran escreve quase que exclusivamente em árabe e publica sete livros nessa língua: A Música; As Ninfas do Vale; Espíritos Rebeldes; Asas Partidas; Uma Lágrima e um Sorriso; A Procissão; Temporais. Após sua morte, seria publicado um oitavo livro, sob o título de Curiosidades e Belezas, composto de artigos e histórias já aparecidas em outros livros e de algumas páginas inéditas.

1908/1910 – Em Paris. Estuda na Académie Julien. Trabalha freneticamente. Frequenta museus, exposições, bibliotecas. Conhece Auguste Rodin. Uma de suas telas é escolhida para a Exposição das Belas-Artes de 1910. Nesse ínterim, morrem seu pai e sua irmã Sultane. Ele volta a Boston e, no mesmo ano, muda-se para Nova York, onde permanecerá até o fim da vida.

Mora só, num apartamento sóbrio que ele e seus amigos chamam As-Saumaa (O Eremitério). Mariana, sua irmã, permanece em Boston. Em Nova York, Gibran reúne em volta de si uma plêiade de escritores libaneses e sírios que, embora estabelecidos nos Estados Unidos, escrevem em árabe com idênticos anseios de renovação. O grupo forma uma academia literária que se intitula Ar-Rabita Al-Kalamia (A Liga Literária), e que muito contribuiu para o renascimento das letras árabes. Seus porta-vozes foram, sucessivamente, duas revistas árabes editadas em Nova York: Al-Funun (As Artes) e As-Saieh (O Errante).

1918/1931 – Gibran deixa, pouco a pouco, de escrever em árabe e dedica-se ao inglês, no qual produz também oito livros: O Louco; O Precursor; O Profeta; Areia e Espuma; Jesus, o Filho do Homem; Os Deuses da Terra. (Após sua morte seriam publicados mais dois: O Errante; O Jardim do Profeta.) Todos os livros em inglês de Gibran foram lançados por Alfred A. Knopf, dinâmico editor norte-americano com inclinação para descobrir e lançar novos talentos. Ao mesmo tempo em que escreve, Gibran se dedica a desenhar e pintar. Sua arte, inspirada pelo mesmo idealismo que lhe inspirou os livros, distingue-se pela beleza e a pureza das formas. Todos os seus livros em inglês foram por ele ilustrados com desenhos evocativos e místicos, de interpretação às vezes difícil, mas de profunda inspiração. Seus quadros foram expostos várias vezes com êxito em Boston e Nova York. Seus desenhos de personalidades históricas são também célebres.

Em sua relativamente curta, porém prolífica existência (viveu apenas 48 anos), Khalil Gibran produziu obra literária acentuada e artisticamente marcada pelo misticismo oriental, que — por essa razão — alcançou popularidade em todo o mundo. Sua obra, acentuadamente romântica e influenciada por fontes de aparente contraste como a Bíblia, Nietzsche e William Blake, trata de temas como o amor, a amizade, a morte e a natureza, entre outros.

Estudou Letras e Filosofia. Gibran Khalil Gibran faleceu em 10 de abril de 1931 em Nova Iorque.


Obras:

GIBRAN, Khalil. O Profeta. São Paulo: Editora Nova Alexandria, 1997.
GIBRAN, Khalil. Lázaro e sua amada. Rio de Janeiro: Editora Record, 1973.
Além dessas, escreveu:
Asas Partidas
As Ninfas do Vale
Espíritos Rebeldes
Uma Lágrima e um Sorriso
A Procissão
Temporais
O Precursor
Areia e Espuma
O Errante

Pequena antologia: 


Dos Filhos (de O Profeta)

E uma mulher que carregava o filho nos braços disse: “Fala-nos dos filhos.”
E ele disse:
Vossos filhos não são vossos filhos.
São filhos e filhas da ânsia da vida por si mesma.
Vêm através de vós, mas não de vós.
E, embora vivam convosco, a vós não pertencem.
Podeis outorgar-lhes vosso amor, mas não vossos pensamentos,
Pois eles têm seus próprios pensamentos.
Podeis abrigar seus corpos, mas não suas almas;
Pois suas almas moram na mansão do amanhã, que vós não podeis visitar nem mesmo em sonho.
Podeis esforçar-vos por ser como eles, mas não procureis fazê-los como vós,
Porque a vida não anda para trás e não se demora com os dias passados.
Vós sois o arco dos quais vossos filhos, quais setas vivas, são arremessados.
O Arqueiro mira o alvo na senda do infinito e vos estica com Sua força para que suas flechas se projetem, rápidas e para longe.
Que vosso encurvamento na mão do Arqueiro seja vossa alegria:
Pois assim como Ele ama a flecha que voa, ama também o arco, que permanece estável.

Da Dádiva (de O Profeta)

Então um homem opulento disse: “Fala-nos da dádiva.”
E ele respondeu:
“Vós pouco dais quando dais de vossas posses.
É quando dais de vós próprios que realmente dais.
Pois, o que são vossas posses senão coisas que guardais por medo de precisardes delas amanhã?
E amanhã, que trará o amanhã ao cão ultraprudente que enterra ossos na areia movediça enquanto segue os peregrinos para a cidade santa?
E o que é o medo da necessidade senão a própria necessidade?
Não é vosso medo da sede, quando vosso poço está cheio, a sede insaciável?
Há os que dão pouco do muito que possuem, e fazem-no para serem elogiados, e seu desejo secreto desvaloriza suas dádivas.
E há os que têm pouco e dão-no integralmente.
Esses confiam na vida e na generosidade da vida, e seus cofres nunca se esvaziam.
E há os que dão com alegria, e essa alegria é já a sua recompensa.
E há os que dão com pena, e essa pena é o seu batismo.
E há os que dão sem sentir pena nem buscar alegria nem pensar na virtude:
Dão como, no vale, o mirto espalha sua fragrância no espaço.
elas mãos de tais pessoas, Deus fala; e através de seus olhos Ele sorri para o mundo.
É belo dar quando solicitado; é mais belo, porém, dar sem ser solicitado, por haver apenas compreendido;
E para os generosos, procurar quem recebe é uma alegria maior ainda que a de dar.
E existe alguma coisa que possais guardar?
Tudo o que possuís será um dia dado.
Dai agora, portanto, para que a época da dádiva seja vossa e não de vossos herdeiros.
Dizeis muitas vezes: “Eu daria, mas somente a quem merece”.
As árvores de vossos pomares não falam assim, nem os rebanhos de vossos pastos.
Dão para continuar a viver, pois reter é perecer.
Certamente, quem é digno de receber seus dias e suas noites é digno de receber de vós tudo o mais.
E quem mereceu beber do oceano da vida, merece encher sua taça em vosso pequeno córrego.
E que mérito maior haverá do que aquele que reside na coragem e na confiança, mais ainda, na caridade de receber?
E quem sois vós para que os homens devam expor o seu íntimo e desnudar seu orgulho a fim de que possais ver seu mérito despido e seu amor-próprio rebaixado?
Procurai ver, primeiro, se mereceis ser doadores e instrumentos do dom.
Pois, na verdade, é a vida que dá à vida, enquanto vós, que vos julgais doadores, são meras testemunhas.
E vós que recebeis – e vós todos recebeis – não assumais encargo de gratidão a fim de não pordes um jugo sobre vós e vossos benfeitores.
Antes, erguei-vos, junto com eles, sobre asas feitas de suas dádivas;
Pois se ficardes demasiadamente preocupados com vossas dívidas, estareis duvidando da generosidade daquele que tem a terra liberal por mãe e Deus por pai.”

El Amor (de O Profeta)

"Al-Mithra disse-lhe então: Fala-nos do amor.
E ele virou a cabeça e fitou o povo
e sobre todos se abateu um grande silêncio.
E, com voz grave, disse...
Quando o amor vos chamar, segui-o,
mesmo que os seus caminhos sejam íngremes e penosos.
E quando as suas asas vos envolverem,
entregai-vos a ele,
ainda que a espada dissimulada nas suas penas vos possa ferir.
E quando ele vos falar,
crede nele, embora a sua voz possa estilhaçar os vossos sonhos
como o vento do norte devasta o jardim.
Pois assim como o amor vos coroa, também vos crucifica.
E, tal como serve para o vosso crescimento,
também serve para a vossa decadência.
E como ele se ergue até às vossas copas
e acaricia os vossos mais tenros ramos que esvoaçam ao sol,
também às vossas raízes ele desce
e as sacudirá no seu apego à terra.
Quais feixes de trigo, ele vos reúne em si.
Vos amassa para vos pôr a nu.
Vos ciranda para vos libertar do vosso farelo.
Vos mói até à alvura.
Vos amassa até vos tornardes macios.
E, depois, vos entrega ao seu fogo sagrado,
para vos tornardes pão sagrado
para o festim sagrado de Deus.
O amor fará todas essas coisas de vós,
para que possais conhecer os segredos do vosso coração
e vos tornardes,
através desse mesmo conhecimento,
um fragmento do coração da vida.
Mas se, no vosso temor,
procurardes no amor apenas paz e prazer,
faríeis melhor se ocultásseis a vossa nudez
e saísseis do amor, para o mundo sem razão,
onde rireis, mas não com todo o vosso riso,
e chorareis, mas não com todas as vossas lágrimas.
O amor dá-se apenas a si mesmo
e nada recebe se não de si próprio.
O amor não possui nem quer ser possuído.
Porque o amor se basta do amor.
Quando amardes,
não deveis dizer que está no meu coração,
mas antes, no coração de Deus.
E não penseis que sois vós quem orienta o rumo do amor,
pois, se vos achar dignos,
será o amor que conduzirá o vosso caminho.
O amor não tem outro desejo que não realizar-se a si mesmo.
Mas se amardes e sentirdes desejos,
que sejam estes os vossos desejos:
Dissolver-se e ser-se como um regato
que desliza e canta à noite a sua melodia.
De tanta ternura conhecer a dor,
ser ferido pela vossa própria concepção do amor
e sangrar de boa vontade e com júbilo.
Acordar para o amor com um coração alado
e dar graças por um outro dia de amor;
e fazer uma pausa à hora do meio dia
e meditar sobre o êxtase do amor;
regressar à noite ao lar com gratidão;
e adormecer com uma oração no coração pelo amado,
e nos lábios um hino de louvor.




IN ENGLISH 

Children

And a woman who held a babe against her bosom said, 'Speak to us of Children.'
And he said:
Your children are not your children.
They are the sons and daughters of Life's longing for itself.
They come through you but not from you,
And though they are with you, yet they belong not to you.
You may give them your love but not your thoughts.
For they have their own thoughts.
You may house their bodies but not their souls,
For their souls dwell in the house of tomorrow, which you cannot visit, not even in your dreams.
You may strive to be like them, but seek not to make them like you.
For life goes not backward nor tarries with yesterday.
You are the bows from which your children as living arrows are sent forth.
The archer sees the mark upon the path of the infinite, and He bends you with His might that His arrows may go swift and far.
Let your bending in the archer's hand be for gladness;
For even as he loves the arrow that flies, so He loves also the bow that is stable.


God

In the ancient days, when the first quiver of speech came to my lips, I ascended the holy mountain and spoke unto God, saying, 'Master, I am thy slave. Thy hidden will is my law and I shall obey thee for ever more.'
But God made no answer, and like a mighty tempest passed away.
And after a thousand years I ascended the holy mountain and again spoke unto God, saying, 'Creator, I am thy creation. Out of clay hast thou fashioned me and to thee I owe mine all.'
And God made no answer, but like a thousand swift wings passed away.
And after a thousand years I climbed the holy mountain and spoke unto God again, saying, 'Father, I am thy son. In pity and love thou hast given me birth, and through love and worship I shall inherit thy kingdom.'
And God made no answer, and like the mist that veils the distant hills he passed away.
And after a thousand years I climbed the sacred mountain and again spoke unto God, saying, 'My God, my aim and my fulfilment; I am thy yesterday and thou art my tomorrow. I am thy root in the earth and thou art my flower in the sky, and together we grow before the face of the sun.'
Then God leaned over me, and in my ears whispered words of sweetness, and even as the sea that enfoldeth a brook that runneth down to her, he enfolded me.
And when I descended to the valleys and the plains, God was there also.


EN FRANÇAIS

Et une femme qui portait un enfant dans les bras dit,
Parlez-nous des Enfants.
Et il dit : Vos enfants ne sont pas vos enfants.
Ils sont les fils et les filles de l'appel de la Vie à elle-même,
Ils viennent à travers vous mais non de vous.
Et bien qu'ils soient avec vous, ils ne vous appartiennent pas.

Vous pouvez leur donner votre amour mais non point vos pensées,
Car ils ont leurs propres pensées.
Vous pouvez accueillir leurs corps mais pas leurs âmes,

Car leurs âmes habitent la maison de demain, que vous ne pouvez visiter,
pas même dans vos rêves.
Vous pouvez vous efforcer d'être comme eux,
mais ne tentez pas de les faire comme vous.
Car la vie ne va pas en arrière, ni ne s'attarde avec hier.

Vous êtes les arcs par qui vos enfants, comme des flèches vivantes, sont projetés.
L'Archer voit le but sur le chemin de l'infini, et Il vous tend de Sa puissance
pour que Ses flèches puissent voler vite et loin.
Que votre tension par la main de l'Archer soit pour la joie;
Car de même qu'Il aime la flèche qui vole, Il aime l'arc qui est stable.

Parle-nous de la Douleur ?

Il répondit :
Votre douleur est cette fissure
de la coquille qui renferme votre entendement.
Et comme le noyau du fruit doit se briser
afin que le cœur puisse se tenir au soleil,
ainsi vous devez connaître la douleur.
Si votre cœur pouvait continuer
de s’émerveiller des miracles
quotidiens de votre vie,
votre douleur vous semblerait
aussi merveilleuse que votre joie ;
Et vous accepteriez
les saisons de votre cœur,
comme vous avez toujours accepté
les saisons qui traversent vos champs.
Et vous observeriez avec sérénité
les hivers de vos chagrins.
Une grande part de votre douleur
est choisie par vous-mêmes.
C’est la potion amère
avec laquelle le médecin en vous
guérit votre Moi malade.
Ayez confiance en ce médecin
et buvez donc sa potion
en paix et en silence.
Car sa main,
bien que rude et pesante,
est guidée par la tendre main
de l’Invisible.
Et la coupe qu’il vous tend,
bien qu’elle vous brûle les lèvres,
a été faite de cette argile
que le Potier a mouillée
de Ses larmes sacrées.

EN ESPANHOL

TUS HIJOS

Tus hijos no son tus hijos,
son hijos e hijas de la vida
deseosa de sí misma.
No vienen de ti, sino a través de ti,
y aunque estén contigo,
no te pertenecen.
Puedes darles tu amor,
pero no tus pensamientos, pues,
ellos tienen sus propios pensamientos.
Puedes abrigar sus cuerpos,
pero no sus almas, porque ellas
viven en la casa de mañana,
que no puedes visitar,
ni siquiera en sueños.
Puedes esforzarte en ser como ellos,
pero no procures hacerlos
semejantes a ti
porque la vida no retrocede
ni se detiene en el ayer.
Tú eres el arco del cual tus hijos,
como flechas vivas son lanzados.
Deja que la inclinación,
en tu mano de arquero
sea para la FELICIDAD.


Cuando el amor os llame

Cuando el amor os llame, seguidle,
aunque sus caminos sean duros y escarpados.
Y cuando sus alas os envuelvan, ceded a él,
aunque la espada oculta en su plumaje pueda heridlos.
Y cuando os hable, creed en él,
aunque su voz pueda desbaratar vuestros sueños como
el viento del norte asola vuestros jardines.

Porque así como el amor os corona, debe crucificaros.
Así como os agranda, también os poda.
Así como se eleva hasta vuestras copas y acaricia
vuestras más frágiles ramas que tiemblan al sol, también
penetrará hasta vuestras raíces y las sacudirá de su arraigo a la tierra.
Como gavillas de trigo, se os lleva.
Os apalea para desnudaros.
Os trilla para libraros de vuestra paja.
Os muele hasta dejaros blancos.
Os amasa hasta que seáis ágiles,
y luego os entrega a su fuego sagrado, y os transforma
en pan sagrado para el festín de Dios.
Todas estas cosas hará el amor por vosotros para que
podáis conocer los secretos de vuestro corazón, y con
este conocimiento os convirtáis en un fragmento del corazón de la Vida.

Pero si en vuestro temor sólo buscáis la paz del amor
y el placer del amor,
Entonces más vale que cubráis vuestra desnudez y
salgáis de la era del amor,
Para que entréis en el mundo sin estaciones, donde
reiréis, pero no todas vuestras risas, y lloraréis, pero no
todas vuestras lágrimas.

El amor sólo da de sí y nada recibe sino de sí mismo.
El amor no posee, y no quiere ser poseído.
Porque al amor le basta con el amor.

Cuando améis no debéis decir "Dios está en mi corazón",
sino más bien "estoy en el corazón de Dios".
Y no penséis que podéis dirigir el curso del amor,
porque el amor, si os halla dignos, dirigirá él vuestros
corazones.

El amor no tiene más deseo que el de alcanzar su
plenitud.
Pero si amáis y habéis de tener deseos, que sean estos:
De diluiros en el amor y ser como un arroyo que
canta su melodía a la noche.
De conocer el dolor de sentir demasiada ternura.
De ser herido por la comprensión que se tiene del amor.
De sangrar de buena gana y alegremente.
De despertarse al alba con un corazón alado y dar
gracias por otra jornada de amor;
De descansar al mediodía y meditar sobre el éxtasis del amor;
De volver a casa al crepúsculo con gratitud,
Y luego dormirse con una plegaria en el corazón para
el bien amado, y con un canto de alabanza en los labios.

VERSIONE ITALIANA - GIBRAN

I Figli

E una donna che reggeva un bambino al seno disse:
Parlaci dei Figli.
E lui disse:
I vostri figli non sono figli vostri.
Sono figli e figlie della sete che la vita ha di sé stessa.
Essi vengono attraverso di voi, ma non da voi,
E benché vivano con voi non vi appartengono.

Potete donare loro amore ma non i vostri pensieri:
Essi hanno i loro pensieri.
Potete offrire rifugio ai loro corpi ma non alle loro anime:
Esse abitano la casa del domani, che non vi sarà concesso visitare neppure in sogno.
Potete tentare di essere simili a loro, ma non farvi simili a voi:
La vita procede e non s'attarda sul passato.
Voi site gli archi da cui i figli, come frecce vive, sono scoccate in avanti.
L'Arciere vede il bersaglio sul sentiero dell'infinito, e vi tende con forza affinché le sue frecce vadano rapide e lontane.
Affidatevi con gioia alla mano dellì'Arciere;
Poiché come ama il volo della freccia così ama la fermezza dell'arco.

Il Dolore

E una donna gli chiese: Parlaci del Dolore.
Ed egli disse:
Il vostro dolore è il rompersi del guscio che racchiude il vostro intendimento.
Come il nocciolo del frutto deve rompersi perché il suo seme possa ricevere il sole,
così dovete conoscere il dolore.
Se poteste mantenere in cuore tutta la meraviglia per il prodigio quotidiano della vita,
anche il dolore non vi sembrerebbe meno stupefacente che la gioia;
E accogliereste le stagioni del cuore come avete sempre accolto le stagioni che passano sui vostri campi.
E vegliereste sereni nell'inverno della vostra sofferenza.
Molte pene le avete scelte voi.
È la pozione amara con cui il medico in voi cura il vostro io malato.
Fidatevi del medico e bevete il rimedio tranquilli e in silenzio;
Perché la sua mano, anche se rude e pesante, è guidata dalla mano premurosa dell'Invisibile.
E la tazza che vi porge, anche se brucia le labbra,
è stata modellata con l'argilla che il Vasaio ha bagnato con le Sue lacrime sante.

Sprüche und Gedichte von Khalil Gibran

Kinder

Und eine Frau, die ihr Kind ans Herz drückte, sagte:
"Sprich zu uns über Kinder".
Und er sprach:
Eure Kinder sind nicht eure Kinder.
Sie sind die Söhne und Töchter der Sehnsucht des Lebens nach sich selbst.
Sie kommen durch euch, aber nicht von euch,
und wenn sie auch bei euch sind, gehören sie euch dennoch nicht.
Ihr dürft ihnen eure Liebe schenken, nicht aber eure Gedanken.
Denn sie haben ihr eigenes Denken.
Ihr dürft ihren Leib bei euch aufnehmen, nicht aber ihre Seele,
denn ihre Seelen wohnen im Morgen,
das ihr nicht aufsuchen könnt, nicht einmal in euren Träumen.
Ihr dürft danach streben, ihnen gleich zu sein,
aber bemüht euch nicht, sie euch nachzubilden.
Denn das Leben schreitet nicht rückwärts, es verweilt auch nicht im Gestern.
Ihr seid die Bogen, von denen eure Kinder als lebende Pfeile hinaus fliegen.
Der Schütze weiß das Ziel auf dem Pfad der Unendlichkeit,
und Er spannt Dich mit Seiner Macht, auf dass Seine Pfeile weit hinaus schnellen.
Lass' Dich zur Freude von der Hand des Schützen spannen;
denn so, wie er den schnellenden Pfeil liebt, so liebt er auch den starken Bogen.

Liebe

Daraufhin sagte Almitra: " Sprich zu uns über die Liebe."
Und er erhob sein Haupt und schaute auf das Volk,
und eine Stille kam über sie.
Und mit mächtiger Stimme sprach er:
Wenn euch die Liebe ein Zeichen gibt, dann folgt ihr,
mögen ihre Pfade auch beschwerlich sein und steil.
Und wenn sie euch mit ihren Schwingen umarmt,
dann gebt euch ihr hin,
auch wenn euch das Schwert verletzt, das sie darunter verbirgt.
Und wenn sie zu euch spricht, dann glaubt an sie,
mag ihre Stimme auch eure Träume zunichte machen,
gerade so, wie der Nordwind den Garten zuschanden macht.
Denn so, wie die Liebe euch krönt, wird sie euch ans Kreuz schlagen.
So, wie sie euch wachsen lässt, wird sie euch zurückschneiden.
Und so, wie sie sich zum höchsten Wipfel erhebt
und eure zerbrechlichsten Zweige liebkost, die in der Sonne zittern,
so wird sie hinabsteigen zu euren Wurzeln,
die sich in der Erde festklammern,
und an ihnen rütteln.
Wie Ähren bündelt sie euch um sich.
Sie drischt euch, um euch zu entblößen.
Sie siebt euch, um euch von euren Hülsen zu befreien.
Sie mahlt euch, bis ihr weiß seid wie Mehl.
Sie knetet euch, bis ihr geschmeidig werdet;
und dann übereignet sie euch ihrem heiligen Feuer,
auf dass ihr heiliges Brot werdet für Gottes heiliges Mahl.
All dies wird die Liebe mit euch anstellen,
damit ihr die Geheimnisse eures Herzens erfahrt
und in dieser Erkenntnis ein Teil vom Herzinnersten des Lebens werdet.
Falls ihr aber in eurer Furcht nur Ruhe und Lust in der Liebe sucht,
dann ist es besser für Euch, eure Blöße zu bedecken
und vom Dreschboden der Liebe zu gehen
in eine Welt ohne Sommer und Winter,
wo ihr lachen werdet, jedoch nicht eures ganzes Lachen,
und weinen, aber nicht all eure Tränen.
Liebe gibt nichts, als sich selbst und nimmt nichts, es sei denn von sich selbst.
Liebe nimmt nicht in Besitz, noch lässt sie sich besitzen;
denn Liebe genügt sich selbst.
Wenn ihr liebt, solltet ihr nicht sagen:
"Gott ist in meinem Herzen" sondern eher
"Ich bin in Gottes Herz".
Und denkt nicht, ihr könnt den Lauf der Liebe lenken.
Denn sie wird euren Lauf lenken, wenn sie euch für würdig hält.
Liebe hat hat kein anderes Verlangen als sich selbst zu erfüllen.
Wenn ihr liebt und dabei Begierden habt,
dann lasst dies euer Verlangen sein:
Werdet weich und seid wie ein rieselnder Bach,
der sein Lied der Nacht singt.
Wisst vom Schmerz allzu großer Zärtlichkeit.
Seid verwundet vom eigenen Verständnis der Liebe;
und blutet willig und freudig.
Erwacht des Morgens im Herzen beflügelt
und sagt Dank für einen neuen Tag des Liebens;
Ruht zur Mittagsstunde und sinnt nach über die Wonnen der Liebe;
Kehrt heim am Abend mit dankbarem Herzen;
dann geht zur Ruh mit einem Gebet für den Liebsten im Herzen
und einem Loblied auf den Lippen.