domingo, 22 de março de 2015

POESIA ALEMÃ - Else Lasker-Schüler (1869-1945) - DEUTSCHE LITERATUR - GERMAN LITERATURE


MEU PIANO AZUL (melhore a tradução)

Prof. Dr. Oscar Luiz Brisolara
Eu tenho em casa um piano azul
Mas não conheço nenhuma nota.
Encontra-se à sombra da porta do porão,
Desde a decadência do mundo.
Mãos de quatro estrelas, tocam harmonia
- a Lua virgem cantou em seu barco –
Agora ratos dançam nas claves.
Quebrado está o teclado...
Lamento pela triste morte.
Ah, amado anjo, abra para mim
- pois tenho comido pão amargo –
Em mim já existe o portão do Paraíso,
Enquanto ainda continuo viva,
Mesmo que contra o decreto legal.

MEIN BLAUES KLAVIER
Ich habe zu Hause ein blaues Klavier
Und kenne doch keine Note.
Es steht im Dunkel der Kellertür,
Seitdem die Welt verrohte.
Es spielten Sternenhände vier –
Die Mondfrau sang im Boote.
– Nun tanzen die Ratten im Geklirr.
Zerbrochen ist die Klaviatur.
Ich beweine die blaue Tote.
Ach liebe Engel öffnet mir
– Ich aß vom bitteren Brote –
Mir lebend schon die Himmelstür,
Auch wider dem Verbote.

MY BLUE PIANO
At home I have a blue piano
But have no note to play.
It stands in the shadow of the cellar door,
There since the world's decay.
Four star-hands play harmony
-The Moon-maiden sang in her boat-
Now the rats dance janglingly.
Broken is the key board...
I weep for the blue dead.
Ah, dear angel, open to me
-What bitter bread I ate-
Even against the law's decree,
In life, heaven's gate.

Else Lasker-Schüler (1869-1945) foi uma poeta e dramaturga judia-alemã, de Berlim, que se destacou pela vida boêmia. Pertenceu ao pequeno grupo feminino ligado ao expressionismo. Fugiu do nazismo e refugiou-se em Jerusalém ainda antes da criação do moderno estado de Israel.
Sua obra teatral era inspirada, principalmente seu pai, um banqueiro judeu, e sua poesia inspirou-se na própria mãe. Seu estilo boêmio tornou difícil sua vida no Oriente Médio.
Lasker-Schüler deixou sem publicar vários volumes de poesia e três peças de teatro, bem como diversas narrativas curtas, ensaios e muitas cartas. No decorrer da vida, publicou seus poemas em várias revistas, entre as quais a revista Der Sturm, editada por seu segundo marido, e Karl Kraus’  ‘Fackel. Ela também publicou diversas antologias de poesia, algumas das quais foram ilustradas por ela mesma. Exemplos de suas publicações são:
Styx (volume publicado pela primeira vez da poesia, 1902)
Tag Der Siebente (segundo volume de poesia, 1905)
Meine Wunder (primeira edição, 1911)
Gesammelte Gedichte (1917)
Mein Blaues Klavier (1943)