terça-feira, 3 de março de 2015

ZEUS E GANIMEDES - A HOMOAFETIVIDADE MASCULINA NA MITOLOGIA GREGA


Prof. Dr. Oscar Luiz Brisolara 
O mito e suas funções entre os gregos é uma temática fascinante. Esse termo origina-se do da palavra grega Μύθος (mythos), que constitui uma narrativa de sentido simbólico-imagético. Estabelece relações entre fatos narrados como ocorridos em um tempo primordial, anterior ao nosso, em que as coisas se davam de outro modo.
Os mitos explicam, de maneira figurativa, a origem de todas as coisas: do mundo; dos homens; dos animais; das doenças; dos objetos; do amor; do ódio; da mentira e das relações, seja entre homens e homens, homens e mulheres e mulheres e mulheres, humanos e animais; enfim, de todos os elementos por mais fantasiosos que sejam.
Os mitos associam-se a ritos específicos, em função dos quais sua materialização se concretiza ou não. Os ritos são as ações que se desenvolvem na atualização de um mito. Constituem-se de danças, preces, cantos e sacrifícios, cruentos, quando envolvem derramamento de sangue e incruentos, quando não exigem.
O mito de Zeus e Ganimedes (Γανυμήδης) tem larga difusão, especialmente nas sociedades homoafetivas, desde a mais arcaica sociedade grega.
Ganimedes - Rubens
Zeus (Ζεύς), o supremo mandatário da terceira geração dos deuses olímpicos, era filho de Cronos (Κρόνος) e Reia (Ρέα). É conhecido, na mitologia grega, como πατρ νδρν τε θεν τε (patēr andrōn te theōn te) pai dos deuses e dos homens. Exercia autoridade suprema sobre divindades e demais seres, incluindo os humanos. Tinha por esposa sua também irmã Hera (ρα) que se pronuncia como Hēra, com o agá aspirado ao modo da língua inglesa. Esses casamentos entre irmãos, muito comuns nas fases primitivas da própria humanidade, são conhecidos como adelfogamias.
São símbolos divinos de Zeus o carvalho, o raio, o touro e a águia. Tratava-se de uma divindade muito promíscua, mantendo relações com muitas divindades e muitos humanos também.
Pierre-et-Gilles - Zeus et Ganymede
É famoso o mito de Zeus e Leda, esposa de Tíndaro, rei de Esparta. Havia, diante do palácio real, um grande lago. Zeus, transformado em cisne, aproximava-se da margem e mantinha relações com a rainha. Assim, ela teve quatro filhos, dois humanos e dois divinos. Das duas filhas mulheres, Helena (λένη) que se transcreve como Helénē, era filha de Zeus e Clitemnestra (Κλυταιμνήστρα) (Clitaimnestra), filha de Tíndaro. Dos meninos, Pólux (Πολυδεύκης), em grego, mais conhecido pela forma latina Pollux, era filho de Zeus e Castor (Κάστωρ) (Cástor), de Tíndaro.
Pois o promíscuo Zeus, conheceu Ganimedes, pastor das montanhas troianas. O jovem troiano era um lindo príncipe que cuidava os rebanhos da família. Quando Zeus o avistou, ficou deslumbrado com tanta beleza em um ser humano.
O poderoso chefe dos deuses metamorfoseou-se em enorme águia, arrebatou o jovem e o possuiu ainda em pleno voo. Depois disso, Zeus transportou seu novo tesouro para o Olimpo, morada dos deuses, sob os protestos veementes de sua esposa Hera.
Sem dar importância aos apelos da esposa, encarregou o jovem de substituir Hebe (Ήβη), a deusa da juventude, e filha legítima de Zeus e Hera, em sua função de servir néctar e ambrosia aos deuses. Em homenagem ao belíssimo jovem, Zeus inseriu-o na Constelação de Aquarius.