sábado, 27 de junho de 2015

A IMPORTÂNCIA DO MITO PARA O HOMEM MODERNO

Na verdade, a paideia grega, de ensinar através de narrativas, é muito mais moderna do que qualquer outro método que se possa conceber. Já assim o fazia Jesus Cristo com suas parábolas. A narrativa é sempre polissêmica em suas amplitudes interpretativas. Cada geração, cada povo as lê a partir de seus patamares específicos.
Assim, a abordagem mitológica é sempre atual e se renova com o escoar dos tempos, colocando sempre, de novo, o homem em novas abordagens frente o mundo que o cerca.
"Na verdade, o mito, como verdade última, é elemento de orientação do ser. O homem, desde suas origens, não produz os mitos. As ideias mitologicas ocorrem nele; ele não as pensa, mas é pensado por elas, poderíamos dizer. Os núcleos componentes de todos os mitos das diversas culturas, os mitologemas, representam estruturas mentais básicas de todos os homens. Estas moléculas estruturais do psiquismo são expressão do inconsciente coletivo (Jung), sempre inesgotável em suas manifestações, sempre presente. Geia, Deméter, Selene expressam o Arquétipo da Grande Mãe, a origem de tods as formas simbólicas e do próprio ego. Dioníso-Zagreu, Hermes e Apolo, como crianças, o arquétipo da criana, nossas potencialidades de vir-a-ser, nossa criatividade e também nossas regressões patológicas a um infantilismo inadequado. O ciclo dos heróis... a energia psíquica do inconsciente para a consciência... Econtramos, enfim, uma infinidade de entidades e configurações no panteão grego que refletem nossas próprias tendências inconscientes." (Walter Boechat).
Os mitologemas habitam de sempre nosso espírito e estão em constante transformação no inconsciente coletivo. Segundo M. Certeau, eles fazem parte do nosso próprio DNA, pois trazemos céluas, cuja estrutura está marcada pelas vivências de nossos ancestrais.
Segundo Heráclito, outros passaram por esta senda, a única novidade está na implacável força da repetição. A sabedoria, portanto, consiste em repetir aquilo que já foi dito de há milênios com o mesmo vigor com que foi dito pela primeira vez.
Assim, a mãe fera é tão mãe entre a perene imanência e transcedência eterna do ser, quanto a mais incauta das fêmeas que conduz suas crias nos rasgos que a natureza pôs diante de seus pés, para cujo destino procura conduzir sua prole com a sábia paciência inexorável dos tempos.