segunda-feira, 22 de junho de 2015

O PAPA NEGRO - BLACK POPE

     Prof. Dr. Oscar Luiz Brisolara
       
Padre Adolfo Nicolás Pachón
 Quando se fala em Papa Negro, não nos estamos referindo à cor da pele. Desde há muito, o Superior Geral da Ordem Jesuítica é conhecido como Papa Negro. Quando se interrogam os interessados sobre a origem dessa designação, eles afirmam que o nome se dá em razão da batina e das vestes negras dos jesuítas. Sabe-se, porém, que essa designação, historicamente, provém de razões bem distintas e de fatos de origem bem distante. Atribuem-se a esse mandatário poderes ocultos sobre os papas e mesmo sobre toda a estrutura eclesiástica católica. Alguns creem mesmo que esses poderes ultrapassam de longe o âmbito da religião.
Desde o início século XIII, com a fundação da Ordem Dominicana, também conhecida como Ordem dos Pregadores, pelo frade espanhol Domingos de Gusmão, em Toulouse, na França, esteve ao encargo dessa congregação religiosa uma espécie de patrulhamento mundial da Igreja, através do Santo Ofício, que ficou universalmente conhecido como sagrada inquisição.
Com a eleição do cardeal Ugolino de Anagni, em 1227, como Papa Gregório IX, o qual era amigo pessoal de Domingos, foi criado o Santo Ofício, cuja operação ficou ao encargo de sua Ordem dos Pregadores. A função de Santo Ofício era organizar tribunais da Igreja Católica, para julgar e punir pessoas acusadas de se desviar de suas normas de conduta. Os exageros que cometeram esses juízes no exercício de suas funções, foi a razão de serem denominados de Domini canes, ou seja, cães do Senhor.
Desde esse tempo, os frades, que usavam batina branca e preta, passaram a ter um poder enorme dentro da estrutura da Igreja Católica, julgando, condenando e mantendo a ordem na instituição até as primeiras décadas do século XVI, muitas vezes com julgamentos arbitrários, marcados por interesses de reis e papas. Com o surgimento da Reforma Luterana, houve uma forte ameaça ao poder da Igreja.
Surge, então, outra personagem importante no seio da fé católica. Tratava-se de Ignácio de Loyola, outro espanhol, com formação e relações militares. Quando os dominicanos tentavam inibir sua ação, o Papa de então, Paulo III, declara Loyola intocável, livrando-o da ação do Santo Ofício.
Realiza-se, a seguir, o Concílio de Trento, que confere à Companhia de Jesus, ordem religiosa fundada por Ignácio, o encargo da sucessão na Igreja e a organização dos poderes temporais da instituição nesse momento. Loyola organiza as milícias papais para combater os insurgentes. Ferido em combate, ele chega à conclusão que a forma mais eficaz de lutar contra o protestantismo seria a criação de escolas, vencendo-os pelas ideias e pela educação. Surge, dessa forma, gradativamente, a grande rede de escolas dos jesuítas. 
Querem, então, alguns que, desde esse momento, os jesuítas tenham-se imiscuindo cada vez mais no poder religioso do Vaticano, chegando a um domínio total da instituição. A expressão “Papa Negro” provém dessa concepção. Seria o Superior Geral da Ordem Jesuítica o mandante escuso por trás de toda a atividade do Vaticano, daí um sentido pejorativo desse adjetivo “negro”, muito além da simples cor de sua batina. Hoje, é o padre espanhol, que vivia desde 1964 no Japão, Adolfo Nicolás Pachón, quem ocupa esse cargo. A função é vitalícia, porém, como ocorreu com o Papa Bento XVI, seu antecessor, o padre Peter Hans Kolvenbach, eleito em 1983, renunciou renunciou em 2008. O padre Nicolás já anunciou que, em 2106, convocará uma assembleia geral da Ordem, ocasião em que promoverá novas eleições e renunciará a seu cargo. O mandato se dá por eleição de seus confrades jesuítas. 
Mais ainda, há os que creem que a própria organização conhecida como illuminati, uma suposta ordem secreta universal, responsável por conspiração de toda ordem, que estaria por trás de tudo, desde os governos até todo o tipo de grande empreendimento, responsável por interesses escusos de ordem econômica, política e de poder de um modo geral, seria uma criação jesuítica e que ainda hoje estaria sob a supervisão da Companhia de Jesus.
Essa instituição teria fugido ao controle religioso, tendo-se tornado um organismo ateu, de modelo pagão. Atuaria na política de um modo geral, buscando o que se chama hoje de Nova Era através de uma Nova Ordem Mundial.
Sob seu controle estaria toda a produção, toda a política mundial, em todos os ramos. Assim, os esportes e seus modelos de disputa; as indústrias, toda a ciência e tecnologia dela proveniente; a moda, suas cores e modelos; as obras de arte e os artistas a serem valorizados; o cinema, o teatro e todos os artistas; os moldes literários e seus autores a serem promovidos, enfim tudo o que se come, consome e usa; tudo, tudo, completamente tudo estaria sob o controle desse órgão superior a todos os poderes, que agiria no mundo, através da moderna tecnologia, como o olho que tudo vê e controla. É possível isso a uma única instituição?