terça-feira, 30 de junho de 2015

EROS E THÂNATOS – AMOR E MORTE NA MITOLOGIA GREGA

Prof. Dr. Oscar Luiz Brisolara

Eros (ἔρως) era a divindade grega do amor. Filho do deus primordial Caos, juntamente Gaia (Γαία) a Terra Mãe; (Urano (Οὐρανός), o Céu Estrelado; Nix (Νύξ), a Noite; Érebo  (Ἔρεβος), a Escuridão Profunda,  Eros compunha um conjunto de divindades primordiais. Segundo outra versão do mito, Eros seria filho de Poros (Πόρος), a Abundância e Penia ou Pênia (Πενία), a Pobreza. Seria, portanto, filho da mais completa abundância e da extrema miséria. Isso produziria nele uma carência, um desejo de completude insaciável. Seria a mais completa imagem da curiosidade e do desejo que orientariam toda a busca, desde a curiosidade e a pesquisa científica, até a procura de completude amorosa do coração, englobando também a procura da completude física e sexual.
Em contraposição à pulsão de Eros, do amor, encontra-se a pulsão que busca a morte, Thânatos (θάνατος) na mitologia grega a própria personificação da morte, enquanto Hades reinava sobre o mundo inferior. Thânatos era filho de Nix, a Noite, que por sua vez era filha de Caos, o deus amorfo, assexuado e informe, do qual tudo provinha.
Vejam-se as coincidências das narrativas primitivas. Diz o Gênesis bíblico: "No começo criou Deus o céu e a terra, a terra, porém, era sem forma e vazia..." (Gn 1.1).  Segundo afirma Hesíodo na Teogonia, no principio era Caos (vazio primordial), depois veio Gaia (a Terra), Tártaro (terras abismais) e Eros (Amor). Desse Caos imenso e sombrio , surgiu Érebo (escuridão) e Nix (noite). Nix juntou-se a Érebo dando origem a Éter e Hemera (dia) . De Gaia, nasceram Urano (céu), Montes (montanhas), e Ponto(mar).
Thânatos era filho sem pai, por partenogênese, de Nix, nascido em 21 de agosto, era irmão gêmeo de Hipnos (Ὕπνος), o Sono. Habitavam juntos os Campos Elíseos, região do Hades configurada com o paraíso terrestre.
Eros
A mitologia apresenta uma bela metáfora para compreendermos a amálgama entre as pulsões. No mito grego, Eros (Cupido na mitologia romana) é o deus do amor e Thânatos, deus da morte. Eros, o mais belo dos deuses, possui arco e flecha com os quais costuma enlaçar de amor homens, mulheres e deuses. De acordo com certa narrativa mítica, certo dia Eros adormeceu numa caverna, embriagado por Hipnos (deus do sono, irmão de Thânatos). Durante o sono e os sonhos, suas flechas espalharam-se pela caverna, misturando-se às de Thânatos, a morte. Ao despertar, Eros sabia apenas o número de flechas que possuía. Sem reconhecê-las, recolheu aleatoriamente o número exato. Sem saber, levou algumas que pertenciam a Thânatos.  Sendo assim, Eros passou a portar flechas de amor e morte.
Thânatos
Segundo a teoria psicanalítica freudiana, o psiquismo humano subdivide-se em três instâncias que interagem em reciprocidade. São elas o id, o ego e o superego. O id é responsável pelo inconsciente. É responsável pela satisfação dos desejos e pulsões.
O superego é a região que trabalha com a internalização das regras e princípios que regem os valores sociais, a moral coletiva. Cria modelos de comportamento. Já o ego corresponde ao eu consciente e racional. Estão a seu encargo as soluções dos conflitos psicológicos. Ele é o responsável pelo controle das pulsões instintivas do id. Também rege o superego, conscientizando o sujeito dos preconceitos reinantes no meio social e introduzidos no inconsciente pelo convívio, como se fossem forças naturais. Dessa interação entre esses três elementos psicológicos deve resultar o equilíbrio psíquico do indivíduo. Os desajustes entre eles provocam as neuroses todas e todas as doenças psíquicas.