sexta-feira, 16 de junho de 2017

AS MULHERES NA FILOSOFIA GREGA - HIPÁTIA DE ALEXANDRIA


Hipátia

Prof. Dr. Oscar Luiz Brisolara
Ao contrário do que ocorreu em outras civilizações, na Grécia, um número considerável de mulheres dedicou-se às artes, às letras e até mesmo a filosofia. Uma das mais importantes delas é Hipátia, segundo algumas versões Hipácia. Seu nome no alfabeto grego grafa-se Υπατία, que se lê. Ypatía.
Ela viveu já na era cristã, mais precisamente no século V d. C. (teria nascido em 08 de março de 355), na cidade de Alexandria. Há algumas controvérsias quanto a seus dados biográficos. É considerada seguidora do neoplatonismo. É a primeira mulher na história a ser reconhecida como ilustre conhecedora das matemáticas, como, aliás, o era seu modelo, o filósofo ateniense Platão. Foi líder da escola platônica em Alexandria no seu tempo. Lecionou, Matemática, Filosofia e Astronomia.
Foi discípula do pensador Plotino, que a incentivou a estudar Lógica e Matemática. Dedicou-se também ao estudo do Direito. Quer uma tradição que tenha sido assassinada pelos cristãos em razão de ser acusada de incitar o conflito entre o governador Orestes e o bispo Cirilo, ambos de Alexandria.
Era filha de um renomado filósofo, conhecido como Téon de Alexandria, também ele astrônomo, matemático e professor. Era estudiosa e seguidora do exemplo do pai. Mantinha rigorosa disciplina para ter um corpo são e uma mente sadia conforme o ideal grego e romano de "Mens sana in corpore sano".
Além de suas áreas do saber preferidas, como se viu acima, era leitora contumaz, tendo travado leituras de literatura, especialmente poesia, mas dedicou parte de seu tempo também ao estudo da religião e da oratória.
Tela representando Hipátia e seu pai no Museu de Alexandria
De acordo com o relato de Sócrates, o Escolástico, "numa tarde de março de 415, quando regressava do Museu, Hipátia foi atacada em plena rua por uma turba de cristãos enfurecidos. Ela foi arrastada pelas ruas da cidade até uma igreja, onde foi cruelmente torturada até a morte. Depois de morta, o corpo foi lançado a uma fogueira." 
Essa importante pensadora, que vivia em Alexandria, no Egito, estava sob o domínio do Império Romano do Ocidente, cujo fim se aproximava. 
Embora a Biblioteca de Alexandria tivesse sido destruída, a ciência produzida por seus estudiosos mais importantes permaneceu. A trajetória de Hipátia pelo mundo possui todos os ingredientes aristotélicos de uma tragédia grega. Ela teve a firmeza de se opor aos radicalismos religiosos introduzidos nas províncias romanas pelo imperador Teodósio, que instituiu definitivamente, depois de Constantino, a religião cristã como, de fato, a religião oficial do estado. Essa ortodoxia gerou diversos conflitos, inclusive o que provocou o assassinato de Hipátia.