terça-feira, 18 de julho de 2017

DA GERMÂNIA ANTIGA À ALEMANHA ATUAL

Júlio César
Prof. Dr. Oscar Luiz Brisolara
Este estudo é uma caminhada breve na busca das origens de um povo que deu origem à Alemanha atual. Também é uma revisão histórica limitada e breve para quem deseja fazer uma retrospectiva de conjunto, sem grande aprofundamento.
Parto do surgimento desses povos na mais longínqua antiguidade, passando pelo período romano.
Passo pelo desenvolvimento dessas nações após o fim do Império Romano do Ocidente, no século V d. C., período feudal, chegando à civilização alemã de hoje.
Há evidências da presença do gênero “homo” nessa região desde um antigo tempo que se situa entre 500.000 e 600.000 anos passados. Porém, a descoberta arqueológica conhecida como “homo heidelbergensis” possui apenas cerca de 130.000 anos. Vestígios do “homo sapiens” da era cro-magnon foram encontrados nas cavernas Suábia Alba com cerca de 35.000 a 40.000 anos. No entanto, a partir do segundo milênio a. C. começaram migrações de tribos Celtas para região. 
GERMÂNIA ROMANA - Em 58 a. C., as tropas romanas de Júlio César invadiram todo o norte europeu e estabeleceram o domínio sobre os Celtas, criando uma enorme província, que passou a se chamar genericamente de Gália Transalpina. Incluía todos os povos que se distribuíam para além dos Alpes romanos. (Caesar, De Bello Gallico). 
Dentre esses povos que habitavam o norte da Europa havia um grupo de tribos não celtas, os germanos, que se identificavam por falar a língua germânica e que se tinham estabelecido especialmente na região do rio Reno e proximidades. 
GERMÂNIA FEUDAL - Porém, foi somente com a queda do Império Romano do Ocidente no século V d. C. (476), que esses povos passaram a ter maior autonomia. Porém, do século V ao século VIII, houve um período de disputas entre os líderes regionais, duques, condes, barões no feudalismo primitivo, em que os castelos de um chefe serviam de abrigo a seus vassalos em momentos de invasões de concorrentes. Esses servos plantavam as terras de seus senhores e recebiam em paga uma parte da produção para a própria sobrevivência, ficando vinculados à gleba que habitavam, como fazendo parte dela. A venda ou conquista de terras incluía seus habitantes.
SACRO IMPÉRIO ROMANO GERMÂNICO (Primeiro Reich) - No século VIII, surge o Sacro Império Romano Germânico, que vai permanecer como sistema unificador até 1806, portanto, um reich de mais de mil anos. Esse império incluía a Alemanha, a Áustria, a República Checa, os Países Baixos, a Polônia, grande parte da França, a Suíça e parte da Itália. Esses imperadores davam sustentação aos papas.
REFORMA RELIGIOSA – Protestantismo. Foi um movimento de renovação religiosa dentro do cristianismo surgido no início do século XVI, na Alemanha. Martinho Lutero (Martin Luther) liderou uma grande facção dentro do cristianismo para opor-se à linha religiosa sustentada pelos papas de Roma. Houve uma forte reação do catolicismo romano. Ocorreu, então, o Concílio de Trento, em que os reformistas foram condenados. Aconteceram guerras e perseguições. Por fim, Ignácio de Loyola, ferido em combate, decide criar a Companhia de Jesus (Jesuítas), para combater os que ele vai chamar de hereges pelas ideias e pelas escolas.
Martin Luter
REINO DA PRÚSSIA – (Segundo Reich) Em 1701, nasce dentro da Sacro Império, e com a permissão dele, o Reino da Prússia, com Frederico I, tendo como capital Berlim. Quando o Sacro Império tombou sob o ataque de Napoleão, no início do século XIX, foi o Reino da Prússia que sobreviveu. Durou de 1701 a 1918. O auge da unificação vai dar-se quando Guilherme I é nomeado Kaiser (César) e Otto Von Bismark escolhido como primeiro ministro. Em 1871, Bismark venceu Napoleão III na guerra franco-prussiana, cobrou uma pesada indenização aos franceses e tomou-lhes duas províncias: a Alsácia e a Lorena. Consolida-se a unificação germânica. Ao lado do Reino da Prússia, existia outro império também composto fortemente pela nobreza germânica, mas aliada à nobreza húngara. Trata-se do IMPÉRIO AUSTRO-HÚNGARO, que, muitas vezes lutou ao lado do Reino da Prússia, como na Primeira Guerra Mundial. 
REPÚBLICA DE WEIMAR – Perdida a Primeira Guerra Mundial, pelo Tratado de Versalhes, a Alemanha deveria indenizar os vencedores, devolver à França a Alsácia e a Lorena. Foram impostos à Alemanha também limites para suas forças armadas, controle sobre as minas de carvão e sobre as margens do Reno e lhe foi imposta mais uma série de sanções humilhantes.
Paul von Hindenburg
Surgiu a República de Weimar – em 1918, ainda durante a guerra, quando o Kaiser Guilherme II abandonou o país e o II Reich foi convertido em república parlamentar. Assim, o chanceler deveria prestar obediência ao Reichstag (Parlamento) e não ao imperador.
TERCEIRO REICH - Porém, a república ia mal. As imposições dos vencedores da guerra eram demasiadamente pesadas. A inflação era enorme. A miséria e a fome devastavam a nação. Então, um líder político, Adolf Hitler, filia-se ao DAP Deutsche Arbeiterpartei (Partido dos Trabalhadores Alemães). Muda-se o nome do partido para NSDAP (Nationalsozialistische Deutsche Arbeiterpartei – ou seja - Partido Nacional Socialista dos Trabalhadores Alemães, mais conhecido como Partido Nazista). Os termos NAZI ou NAZISTA são acrônimos do nome do partido (vêm de National Sozialist). 
De 1925 a 1930, o governo alemão passou de uma democracia para um regime conservador-nacionalista do presidente e herói da Primeira Guerra Mundial, Paul von Hindenburg, que se opôs à natureza liberal democrática da República de Weimar. O partido que apoiou um estado mais autoritário, foi o Partido Popular (o Deutschnationale Volkspartei, DNVP ou Partido Nacional do Povo Alemão). No entanto, depois de 1929, cada vez mais, o público passou a apoiar os nacionalistas mais radicais.
Nenhum dos chanceleres nomeados pelo velho general Hindenburg conseguia resolver os problemas nacionais. Como o NAZI se havia tornado o segundo maior partido em número de representantes no Reichstag nas eleições de 1930 com um crescimento fabuloso. Passara das insignificantes 12 cadeiras no Reichstag de 577 postos, para 107 cadeiras, que aumentaram para 230 nas eleições de 1932.
Diante de todos os fracassos administrativos, Hindenburg, que se reelegera para a Presidência da República em 1932, num ato de desespero, decide nomear Hitler chanceler da Alemanha em 1933. No ano seguinte, o velho general morreu e Hitler declarou que, estando o cargo vazio, ele seria "Führer und Reichskanzler", Chefe de Estado e Chanceler. O Reichstag aprovou em 24 de maio de 1933 o Ato de Autorização pelo qual transmitia suas funções legislativas ao poder executivo. Aconteceu, então, a Segunda Guerra Mundial, com seus conhecidos e desastrosos resultados. Hitler propunha a criação de III Reich, que deveria durar mil anos. Porém, os nazistas fracassaram.
ALEMANHA A PARTIR DE 1945 – Perdida a guerra, a Alemanha foi dividida: três zonas que formaram a República Federal da Alemanha (conhecida como Alemanha Ocidental), enquanto que uma quarta zona dominada pela Rússia passou a formar a República Democrática Alemã (conhecida como Alemanha Oriental ou Comunista). Essa divisão se manteve até 1989, quando aconteceu a unificação do país. A capital da Alemanha Ocidental, que nesses anos fora transferida para Bonn, com a unificação, retornou para Berlim. O prédio do parlamento, o Reichstag, foi restabelecido como parlamento de toda a Alemanha.
REPÚBLICA PARLAMENTARISTA – Inicia-se a reconstrução da Alemanha com o velho Chanceler Konrad Adenauer, que implanta um austero sistema de recuperação do país. Com auxílio do Plano Marshall, a Alemanha instaurou um programa de desenvolvimento que tornou o país, em pouco mais de meio século, o mais rico e poderoso país da Europa.
CHANCELERES DA ALEMANHA DO PÓS GUERRA
Angela Merkel
CONRAD ADENAUER (1949-1963). Governou conservadoramente até os 87 anos de idade. Foi responsável pela mais dura etapa de reconstrução. Ficou 14 anos no poder. Ludwig Erhard (1963-1966) - Kurt Georg Kiesinger (1966-1969) - Willy Brandt (1969-1974) – Helmut Schmidt (974-1982) - Helmut Kohl: 1982-1998 - Gerhard Schröder (1998-2005) - Angela Merkel (2005).
Com chanceleres de longos mandatos, a Alemanha dá sinais de estabilidade política e econômica. Os alemães apagaram todos os traços da guerra. A Alemanha comunista progrediu em ritmo muito mais lento do que a parte democrática. Porém, depois da unificação, essa parte também passa por um processo fortíssimo de reconstrução. De minhas muitas viagens ao país, cada vez me encanto mais diante da prosperidade e bem-estar em que vive seu povo. Há quem diga que esse progresso se deve em parte ao ouro nazista que foi negociado em 1945, antes do desfecho da guerra. O fato é que a tecnologia desse país nos encanta.