sábado, 15 de julho de 2017

HISTÓRIA DA RÚSSIA A PARTIR DA UNIFICAÇÃO

Pedro, o Grande

Prof. Dr. Oscar Luiz Brisolara
Este trabalho não tem a pretensão de fazer uma análise completa de um povo tão complexo e de um país tão vasto. Viso aqui a estabelecer uma espécie de coluna dorsal para que os leitores venham juntando seus saberes a este arcabouço, facilitando uma operação didática. Parto de Ivan IV, o terrível, porque foi o primeiro monarca a unificar todas as Rússias.
A Rússia é certamente o maior país do planeta em área territorial, com 17.075.400 quilômetros quadrados, sendo quase o dobro do Canadá, país que dela mais se aproxima em extensão. No entanto, sua população é pouco mais de 140 milhões de habitantes.
Ivan, o Terrível
IVAN, O TERRÍVEL - Didaticamente, começo pela unificação territorial, em 1547, por Ivan IV. Com a queda do Império Otomano, em 1453, surgiu, na Rússia, a concepção de uma terceira Roma. A primeira seria a própria Roma italiana, a segunda, seria Constantinopla, capital do Império Romano do Oriente, e a terceira deveria ser Moscou, conforme as pretensões de Ivan III por volta de 1460 d. C.
Ivan IV, conhecido como o terrível, foi coroado como czar de todas as Rússias, em 1547. O próprio título, Czar, ou seja, César mostrava as pretensões desses príncipes. 
Ao reinado de Ivan IV, seguem-se os de Teodoro I, Boris I, Teodoro II, Falso Demétrio II, Basílio IV, Vladislau I, Miguel I, Aleixo, Teodoro III, Ivan V, até Pedro I. (Isso de janeiro de 1547 a maio de 1682.). Nesse ano, começa o reinado de Pedro I Romanov.
PEDRO, O GRANDE - Pedro I Romanov é conhecido como Pedro, o Grande. A partir de 1721, muda o sistema de governo que passa a chamar-se de Império Russo. Era filho da segunda esposa do Czar Aleixo. Tinha apenas 10 anos, quando o pai faleceu, o povo moscovita escolheu-o para substituir o pai. Como tinha um meio-irmão do primeiro matrimônio de Aleixo, Ivan, mais velho, os familiares da primeira esposa não aceitaram sua escolha.
Sofia, meia-irmã mais velha, apoiada pelo exército, nomeou Ivan co-regente, junto com Pedro. Houve uma sangrenta disputa pelo poder, passando Sofia a governar em nome dos dois, que eram menores. Finalmente, quando completou 17 anos, Pedro tomou o poder das mãos de Sofia. Parecia lógico que Ivan fosse o sucessor de Aleixo. Porém, era quase cego, coxo e tinha problemas de fala, enquanto Pedro era forte e muito alto (2,03 m), culto e falava muito bem.
Pedro modernizou a Rússia. Fez acordos com a Inglaterra. Construiu São Petersburgo (Petrogrado), cidade de estilo ocidental. Transferiu para lá a capital do país. Estabeleceu fortes laços com a Europa Ocidental. Tivera dois matrimônios por insistência materna. Porém, não havia se adaptado a nenhuma das esposas anteriores. Então,fez-se amante de Marta Helena, mulher de ascendência sueca, que se converteu à Igreja Ortodoxa Russa e adotou o nome de Catarina, vindo a casar-se mais tarde com o imperador.
Pedro era amigo e mantinha negócios com Guilherme III da Inglaterra. Esse rei, conhecido também como Guilherme de Orange, foi o restaurador da corroa inglesa, sob a orientação do filósofo John Locke. Com auxílio de Guilherme, Pedro remodelou a frota russa.
Há entre eles um fato curioso. Conta-se que na corte inglesa vivia um negrinho muito lindo e muito preto, trazido das colônias africanas. Pedro, depois de muita insistência junto a Guilherme, teve a permissão para levar esse menino para São Petersburgo. Lá, ficou conhecido como “o negro de Pedro, o Grande”. Na corte, o jovem africano ele casou com a Duquesa de Pushkin e deu origem ao mais famoso de todos os poetas e romancistas românticos da Rússia inteira, Alexander Pushkin, que, embora branco, tinha evidentes traços da raça negra.
Pedro e Catarina tiveram 12 filhos, porém somente duas meninas sobreviveram. Com a morte de Pedro I, Catarina assume o poder por pouco mais de um ano. Tendo ela falecido, assume o poder Pedro II, neto de Pedro I, filho de um dos primeiros casamentos do imperador, ocorrido anteriormente ao casamento com Catarina a qual o avô. Pedro jamais se havia preocupado com esse neto.
Catarina, a Grande
CATARINA DA RÚSSIA, A GRANDE - Pedro II foi sucedido por Ana, Ivan VI, Isabel, Pedro III, tendo, a esse momento surgido Catarina II, a Grande. Era esposa de Pedro III, com quem contraiu matrimônio em 1745. Ela não era russa. Era filha de Cristiano Augusto da Prússia. Reinou de 1762, com a morte de seu marido, até 1796, quando veio a falecer. Seu nome de nascimento era Sofia, porém, ao converter-se à Igreja Ortodoxa Russa, assumira o nome de Catarina Alexeievna. Pedro Assumiu o trono em 1762, porém, nesse mesmo ano, Catarina organizou um golpe contra ele. O imperador foi assassinado, tendo ela permanecido no poder.
Catarina revitalizou a Rússia, modernizando-a, tornando-a um dos países mais proeminentes da Europa desse tempo. Porém, promoveu escândalos amorosos que se celebrizaram por todas as cortes europeias. Como dominava os idiomas europeus, mantinha relações culturais com os mais proeminentes intelectuais de seu tempo como Diderot, Montesquieu e Voltaire, com quem manteve correspondência por mais de quinze anos. Voltaire, ao referir-se a ela, tratava-a de “estrela do norte”, ou “Semíramis da Rússia”, fazendo menção à antiga rainha da Babilônia. Na corte de Catarina, falava-se exclusivamente francês. Aumentou o poder da nobreza sobre os pobres mencheviques do campo. Sufocou revoluções com dureza e teve um longo reinado de mais de 30 anos. No entanto, foi protetora das artes e da literatura e desenvolveu grandemente a educação e o refinamento.
Teve diversos amantes, que, não raro, colocava em altos postos, enviando-os para regiões distantes, porém não sem recompensa, quando a paixão arrefecia. Catarina comprava apoios com distribuição de dinheiros, terras e favores. Por fim, faleceu de um avc aos 67 anos. Seu filho, a quem desejava deserdar, sucedeu-a como Paulo I.
REVOLUÇÃO BOLCHEVISTA DE 1917 - Sucederam-na Paulo I, Alexandre I, Nicolau I, Alexandre II, Alexandre III e Nicolau II. Nicolau assumiu o poder, sucedendo ao pai Alexandre III, em 1896. Governou tiranamente por mais de 20 anos. Perseguiu os judeus promovendo os pogroms antissemitas.
Nicolau II foi coroado czar da Rússia em 14 de maio de 1896. Quatro dias depois, um banquete iria acontecer para o povo no campo de Khodynka. Na área foram improvisados teatros, 20 estabelecimentos de bebidas nos quais 150 pessoas iriam distribuir presentes. Na noite de 17 de maio, pessoas que ouviram rumores sobre ricos presentes do czar em ocasião da coroação (os presentes que todos receberiam, eram na verdade um pão francês, um pedaço de salsicha, um biscoito e uma caneca) começaram a chegar antecipadamente.
Tragédia de Khodynka - Ocorreu, então, a maior tragédia em uma festa popular.russa Aproximadamente às cinco horas da manhã do dia da coroação, milhares de pessoas já haviam-se reunido no campo. De repente, um rumor propagou-se entre a multidão de que não teria cerveja e presentes para todos. A força policial falhou em manter a ordem. Estimou-se que 1.429 pessoas teriam morrido e outras de 9.000 a 20.000 teriam saído ficaram feridas. Paralelamente a isso, houve uma festa da alta sociedade na embaixada francesa. Embora notificado da tragédia, Nicolau não se pode furtar à recepção como decidira fazer, devido aos representantes internacionais.
Porém, a pobreza aumentava, as injustiças de um monarca absolutista também. Os trabalhadores rurais, os mencheviques, que eram responsáveis por 80% da receita de um país atrasado e injusto, estavam reduzidos à miséria, em função dos altos impostos para manter as regalias do imperador. Até que começaram os saques por toda São Petersburgo. A polícia reagiu, atirando contra a multidão. No entanto, uma parte dos oficiais do exército e seus comandados, mal pagos e sem motivos para defender o imperador, desobedeceu às ordens do general Khabalov, passando a atirar para o alto.
GOVERNO PROVISÓRIO - Por fim, em 15 de março (2 de março segundo o calendário gregoriano) o imperador foi obrigado a se render. Foi preso. E a DUMA (parlamento) formou um governo provisório.
Nicolau II
Lenin (Vladimir Ilitch Ulianov), presidente do Partido Bolchevique (partido dos trabalhadores urbanos), passou a liderar um movimento revolucionário e recusou a participar desse governo. Criou ‘soviets’ (comitês) por todas as grandes cidades. Decidiram procurar a paz, na guerra mundial. Lenin foi acusado de ser agente da Alemanha e teve de fugir para a Finlândia.
GUERRA CIVIL RUSSA – Entre 1918 e 1922, houve um conflito armado, que pôs em luta revolucionários de todos os matizes, até mesmo o exército russo. O resultado final foi o estado civil russo, ou seja, a República Socialista Federativa Soviética Russa, com a vitória do exército vermelho dos revolucionários, surgindo uma república conhecida também como UNIÃO SOVIÉTICA. Surgiu o primeiro governo provisório liderado por Lenin, mas com muitos outros pretendentes. Nesse, período, mais precisamente em 17 de julho de 1918, Nicolau II, com a esposa, os filhos e alguns serviçais fieis foram executados pelo exército vermelho.
Lenin
Ocorre, então, em 1922 Lenin ter sido acometido por um AVC, recrudescendo a disputa interna, especialmente entre Leon Trotsky e Josef Stalin (Iossif Vissariónovitch Djugashvili), que assumira o cargo de secretário geral do politburo. Por fim, em 1924, morre Lenin. Stalin ordena o assassinato de Trotsky que havia fugido para o México. Isso somente vai acontecer em 1940. Porém, de 1922 até 1953, ano de sua morte, Stalin assume o cargo de Secretário Geral do Partido comunista da União Soviética e também do Comitê Central do Partido Comunista. Isso equivale ao cargo de mandante supremo. Promove, então os planos quinquenais de modernização do país. Promove grandes expurgos, tendo, conforme afirmam alguns historiadores, eliminado mais de 50 milhões de cidadãos russos.
Stalin
A então União Soviética, participa da Segunda Guerra Mundial contra o eixo (Alemanha, Itália e Japão), tendo papel fundamental na derrota dos nazistas. Dessa guerra, resulta uma nova república, URSS (UNIÃO DAS REPÚBLICAS SOCIALISTAS SOVIÉTICAS), que congrega, além da antiga Rússia, todos os países tomados por ela na guerra como: Alemanha Oriental, Polônia, Checoslováquia, Bulgária, Romênia, Hungria, Lituânia, Estônia, Letônia, Coreia do Norte. Essa expansão tornou-a um imenso país de mais de 33 milhões de km².
Com a importação de cientistas desses países, mormente os alemães, que estavam envolvidos em pesquisas de altíssima sofisticação, a Rússia desenvolveu sofisticada tecnologia de guerra, mormente a nuclear, e um pretensioso projeto espacial. Hoje, é uma das potências militares mais respeitadas em todo o mundo, tendo o maior e mais sofisticado arsenal de destruição em massa de toda terra. Além de foguetes intercontinentais e bombas de toda a natureza, possui uma sofisticada indústria de aviões de guerra e de submarinos nucleares da mais moderna geração. Além do mais, é dona de uma das maiores reservas de petróleo e gás natural de todo o mundo.
GUERRA FRIA – Com temor de uma ameaça que proviesse da Rússia e seus países satélites, os USA e o Canadá juntaram-se à Europa Ocidental e criaram um órgão de defesa mútua, a OTAN (Organização do Tratado do Atlântico Norte) com objetivo de defender-se de uma possível invasão russa. Em resposta, os russos, com seus aliados, criaram o TRATADO DE VARSÓVIA, que coligava os países pertencentes ao seu bloco. Criou-se um estado de tensão mundial em que havia perene ameaça de ambas as partes, o que estimulou uma corrida armamentista sem precedentes. Muitos países passaram a fabricar artefatos atômico-nucleares com o pretexto de segurança. Dessa tensão, surgiram alguns conflitos importantes como: a Guerra da Coreia (1950-1953), a Guerra do Vietnã (1962-1975) e a Guerra do Afeganistão (1979-1989), que são alguns dos resultados mais visíveis da Guerra Fria, além da implantação do regime comunista em Cuba, onde os soviéticos tentaram construir uma base nuclear na década de 1960, mas foram barrados pela decisão do Presidente norte-americano John Kennedy. 
Gorbachev
Morto Stalin em 1953, foi substituído nas suas funções por Nikita Khrushchov, cuja única atitude mais hostil foi a tentativa de implantar uma base nuclear em Cuba. Depois veio a longa era de Leonid Brejnev, de distensão e calma. Por fim, veio a PERESTROIKA de Mikhail Gorbachev, com sua GLASNOST, em que acabou o império soviético sobre os países do Leste Europeu. A Alemanha do Leste (REPÚBLICA DEMOCRÁTICA ALEMÃ), permanecera sob o regime soviético, separada por barreiras físicas da ALEMANHA OCIDENTAL livre. Em Berlim, havia um muro eletrizado e protegido por soldados russos, separando a Berlim comunista da Berlim livre. O muro foi derrubado em 1989. Acredita-se que tenha havido interferência e negociações da CIA com Gorbachev. Acontece também que a economia da União Soviética enfrentava problemas nesse período, tornando difícil a manutenção do domínio sobre os países periféricos.
FEDERAÇÃO RUSSA – 25/12/1991 - Atualmente, a Rússia chama-se de Federação Russa. Depois de Gorbachev, foi eleito primeiro ministro Boris Yeltsin em junho de 1991. Foram feitas reformas políticas e administrativas, originando-se a Federação Russa. Em 31 de dezembro 1999, Boris Yeltsin renunciou, nomeando seu primeiro-ministro Vladimir Putin. Submetendo-se ao eleitorado em 2000, Putin foi eleito Presidente. Com a estabilização política e econômica do país, iniciou-se um período de prosperidade, embora haja uma parcela da população que esteja insatisfeita com a administração atual. 
Putin
Em 02 de março de 2008, houve novas eleições, tendo sido eleito para presidente Dmitry Medvedev, ficando Putin como primeiro ministro. Ocorreram novas eleições em 2012, elegendo-se, então, Putin para a presidência e Medvedev passado a primeiro ministro.
Desde há muito tempo, a Rússia destaca-se nas artes e na música, com teatros requintados, escolas artísticas renomadas e artistas do mais alto nível. Também nos esportes o país tem-se distinguido em muitas áreas, bem como nas diversas modalidades de ginástica. Hoje, a Europa toda depende dos gasodutos russos, cuja tecnologia de transporte é a mais aperfeiçoada do mundo. Incrementou-se a indústria bélica, bem como a aérea e a naval. Há reivindicações fortes no sentido do combate à corrupção, e do aperfeiçoamento das instituições democráticas.