terça-feira, 27 de janeiro de 2015

CONSTANTINO, FUNDADOR DO CRISTIANISMO

Prof. Dr. Oscar Luiz Brisolara
Há quem afirme, e com certo grau de razão, que teria sido o Imperador Constantino, O Grande, no século III d. C., o verdadeiro fundador do Cristianismo. Sem a participação desse imperador, o cristianismo não teria sido o que foi.
Porém, o cristianismo criado pelos imperadores romanos foi o do descaminho. O cristianismo dos reis, das elites, da corrupção e do crime.
Constantino jamais foi de fato cristão. Usou do cristianismo, incipiente no Império Romano, e prestigiado entre a plebe, para firmar-se no poder.
Quando Diocleciano assume o poder em Roma, no fim do século III, não mais por pertencer à família dos Césares, mas por ser um respeitável general de origem humilde, divide com seu colega Maximiano, o poder, embora se considerasse superior a esse.
Palácio Laterano
Tornando-se impossível manter a unidade do império, formou uma tetrarquia com outros três colegas também generais, e dividiu novamente o vasto império construído pela poderosa Roma. Eram eles Maximiano, Galério e Constâncio Cloro.
Por fim, Diocleciano e Maximiano abdicam em favor de Constâncio Cloro e Galério. Constâncio casara com Júlia Helena, de quem havia nascido Constantino. Depois, abandonou-a, para ligar-se a Fausta, irmã de Maxêncio e filha de seu colega Maximiano.
A decadência do império era evidente. As reformas de Diocleciano eram paliativas. Não havia harmonia entre Constâncio Cloro e Galério. A vida de Constâncio teve um fim trágico com seu assassinato na Britânia. O exército, então, nomeou como seu substituto o filho dele Constantino, que acompanhava o pai como general do exército romano.
Maxêncio, filho de Maximiano, assume o poder de uma facção do império. Maximiano suicida-se. Maxêncio e Constantino disputam o poder, militarmente. Maxêncio é morto e Constantino unifica o império.
Júlia Helena, mãe de Constantino, era cristã. Ele se vale disso para usar do cristianismo para influenciar suas tropas nas lutas contra Maxêncio. Narra aos soldados que Cristo lhe havia aparecido e dito que se tivesse como símbolo a cruz, venceria. Criou, então, a expressão emblemática “In hoc signo vinces”, (Por este sinal vencerás.), que se tornou o lema de seu exército. Daí em diante, aproxima-se da cúpula da Igreja.
San Giovanni in Laterano
Dá início ao que se vai tornar um estado sacerdotal, monárquico, governado pelo Papa. Até esse momento, os papas eram pobres. A maioria deles foi mártir nas mãos dos imperadores romanos, desde o primeiro, São Pedro, que foi crucificado e morto, sob a condenação de Nero, no ano 67 d. C..
Constantino estabelece, primeiramente, a liberdade religiosa e proíbe qualquer tipo de perseguição aos cristãos. Pelo Tratado de Latrão, destina o Palácio Laterano, no monte Célio, como residência papal. Numa eleição, manipulada pelo imperador, é escolhido para novo Papa, Silvestre I. Silvestre era uma homem fraco e comodista e curvou-se a todas as exigências do imperador, aceitando as regalias de vida próprias de um rei.
O Palácio Lateranense, também conhecido como Palácio de Latrão, situa-se do lado externo dos muros de Roma, à esquerda de quem sai pela Porta de São João. Há, ao lado do palácio, um obelisco egípcio dos faraós Tutmés III e IV, trazido para Roma pelo Imperador Constantino II.
Durante o Império Romano, esta área ao lado das altas muralhas da capital do mundo pertencia à família dos Lateranos, Laterani, em Latim. Sextus Lateranus foi o primeiro cônsul da antiga República Romana, do período pré-cristão, que construiu ali o palácio que existe até hoje. Constantino destinou-o aos Papas e construiu ao seu lado a igreja que ficou conhecida como Basílica de São João de Latrão. A esta, seguiram-se tantas outras monumentais, por diversas partes do mundo.
Até serem construídos a Igreja e o Palácio do Vaticano, próximos ao Rio Tibre, local onde São Pedro foi crucificado, o Palácio Laterano e a Basílica de Latrão foram a sede da Igreja Católica. Aliás, o nome Vaticano provém de Vates, os sacerdotes que faziam vaticínios entre os antigos romanos pagãos.
Esse foi o começo da formação dos Estados Pontifícios, um reino que, ia, no auge de sua magnificência, desde o norte de Nápoles até próximo a Florença. Gradativamente, os Papas tornaram-se também reis materiais, tendo um território no centro da Itália a administrar, e um povo a reger.
Essa situação fez com que muitos deles, atingidos pela paixão pelo poder e pela cobiça do dinheiro, abandonassem sua missão fundamental, ou seja, cuidar das almas e das fragilidades humanas, da justiça social, sendo mediadora entre os governantes nas disputas políticas. Pois essa ação destruidora de Constantino criou o grande descaminho e decadência da Igreja. Fanáticos imperadores cristãos, como Teodósio I, foram iconoclastas, destruindo muito da arte pagã. Felizmente, no século passado e neste, parece que uma estrela brilha na mente e na alma de alguns Papas que se voltaram para a justiça e a fé. Salve João XXIII, salve João Paulo II, salve Francisco.