sábado, 4 de julho de 2015

DAS TEORIAS DA CONSPIRAÇÃO – MUSSOLINI NÃO MORREU NA SEGUNDA GUERRA MUNDIAL



Prof. Dr. Oscar Luiz Brisolara
Acabo de ler o último livro de Umberto Eco, “Número Zero”.  Aborda a atuação da imprensa, da má imprensa. Na trama policial que a narrativa desenvolve, um dos jornalistas afirma que Il Duce, Benito Mussolini, não foi assassinado em Milão, conforme aprendemos pela história oficial.
Quem teria sido assassinado e exposto na Piazzale Loreto, próxima da Estação Ferroviária Central de Milão, em 29 de abril de 1945 seria um sósia do político italiano. Há mais de uma versão sobre o destino do verdadeiro Mussolini. Segundo algumas versões, teria vivido no interior do Vaticano até sua morte natural no fim dos anos 60, mais precisamente, em 1969. Outra narrativa afirma ter ele migrado para a Argentina, sob a proteção de Perón e aí terminado seus dias.
A Operation Gladio, uma organização da Europa Ocidental, patrocinada pela CIA, seria responsável pela operação que preservou a vida do ditador italiano no final da guerra. A principal razão seria evitar que os “partigiani” tomassem o poder na Itália. Esse grupo poderoso de resistência ao fascismo era ligado ao comunismo. Como os russos já dominavam todo o leste europeu e avançavam pela Alemanha, facilmente entrariam em uma Itália dominada pelos “partigiani”.
As razões parecem muito plausíveis, como afirma o próprio Eco em se livro: “Os aliados não querem que Mussolini seja apanhado pelos partisans porque ele pode revelar segredos que os comprometeriam, suponhamos a correspondência com Churchill e sabe-se lá que outro lance. (...) A maioria dos partisans é comunista, está armada até os dentes, portanto para os russos eles constituem uma quinta coluna pronta a lhes entregar a Itália também. Por isso os aliados, ou pelo menos os americanos precisam preparar uma possível resistência a uma revolução pró-soviética.” (ECO 2015, p. 115).
Assim como todas as teorias da conspiração, esta também possui uma aparência de plausibilidade. Haveria outras tantas razões igualmente aceitáveis para que isso de fato tenha acontecido. Um caso semelhante é o do comandante do nazismo na França Klaus Barbie, que se tornou, após a guerra, colaborador da CIA em suas investigações, sem jamais ter sido julgado por seus inúmeros crimes de guerra.