quinta-feira, 23 de julho de 2015

MITOLOGIA – O LEITO DE PROCUSTO – OU O MITO DA INTOLERÂNCIA HUMANA



Prof. Dr. Oscar Luiz Brisolara
Segundo a mitologia grega, de acordo com algumas narrativas, no caminho de Elêusis, cidade da Grécia a 30 km a leste de Atenas, onde se realizavam os rituais de iniciação dos jovens na sociedade adulta, segundo outras, seria na estrada de Mégara, pois num determinado caminho havia uma hospedagem.
O dono da hospedaria conhecido como Procusto construíra um leito metálico baseado em seu exato tamanho. Àqueles hóspedes que fossem maiores do que o leito, o hospedeiro amputava-lhes o excesso. Os que fossem menores do que a referida cama, esticava-os até ficarem de conformidade com o móvel.
Esse horror só teve fim quando o herói Teseu fez a ele o mesmo que ele sempre fazia às suas vítimas, colocou-o na cama, mas um pouco para o lado, sobrando assim  a cabeça e os pés que foram amputados pelo herói.
“O mito de Procusto é uma alegoria da intolerância. Apesar de a diversidade ser uma característica humana, o ser humano tem agido como Procusto, em grande parte acreditando estar sendo justo. Num dos episódios desse mito, Atena, a deusa da sabedoria, incomodada pelos gritos das vítimas, resolveu tomar uma providência e foi ter com o bandido, mas ficou sem palavras quando este argumentou que estava fazendo justiça porque sua cama nada mais fazia do que acabar com as diferenças entre as pessoas. O silêncio de Atena foi interpretado como aprovação e só fez reforçar a crueldade do bandido.” (Jane Maria de Almeida Barbosa, disponível belo texto analisando esse mito, em http://professorjoaopaulo.com/mitologia/o-mito-de-procusto/).
Ao ser procurado por Teseu, no momento em que tentava justificar sua justiça com o argumento de que tratava a todos com igualdade, o herói respondeu-lhe que justiça seria tratar desigualmente os que, por natureza, são desiguais. Teseu concretiza, neste mito, o mitologema do bom-senso.
Esse mito pode ser aplicado ao radicalismo de alguns cientistas que, proferida uma teoria, que julgam perfeita, aplicam-na a todos os casos e situações, amputando e mutilando a realidade, quando esta foge ao arcabouço teórico.