terça-feira, 7 de julho de 2015






FERNANDO
PESSOA
Poemas de
Alberto Caeiro

     



VII
    DA MINHA ALDEIA vejo quando da terra se pode ver no Universo....
    Por isso a minha aldeia é grande como outra qualquer
    Porque eu sou do tamanho do que vejo
    E não do tamanho da minha altura...
    Nas cidades a vida é mais pequena
    Que aqui na minha casa no cimo deste outeiro.
    Na cidade as grandes casas fecham a vista a chave,
    Escondem o horizonte, empurram nosso olhar para longe de todo o céu,
    Tornam-nos pequenos porque nos tiram o que os nossos olhos nos podem dar,
    E tornam-nos pobres porque a única riqueza é ver.
       Alberto Caeiro, em "O Guardador
       de Rebanhos"
    .

    Fernando Pessoa é o poeta mágico da língua, que misticamente  cria "outros eus", aos quais chama de heterônimos. Um deles é Alberto Caeiro, a quem atribui o poemeto acima. Ele o caracteriza como o Mestre Ingênuo dos restantes heterônimos Ávaro de Campos e Ricardo Reis e outros de somenos importância. Além dos poemas atribuídos aos heterônimos, publicou poemas que os analistas costumam caracerizar como poemas de Fernando Pessoa, ele mesmo, cuja obra principal é "Mensagem",  que se completa com poemas publicadas em revistas e jornais.
    Albero Caeiro, na biografia que Fernando Pessoa faz dele, é o mestre dos demais, apesar de apenas ter concluído a instrução primária. Foi um poeta ligado à natureza, que despreza e repreende qualquer tipo de pensamento filosófico, afirmando que pensar obstrui a visão ("pensar é estar doente dos olhos"). Proclama-se assim um anti-,etafísico. Afirma que, ao pensar, entramos num mundo complexo e problemático onde tudo é incerto e obscuro. À superfície é fácil reconhecê-lo pela sua objetividade visual.  Apresenta-se como um simples "guardador de rebanhos" que só se importa em ver de forma objetiva e natural a realidade. É um poeta de completa simplicidade, e considera que a sensação é a única realidade.