domingo, 5 de abril de 2015

CALENDÁRIO GREGORIANO

Prof. Dr. Oscar Luiz Brisolara
Em Lisboa, no oceanário
Promulgado pelo Papa Gregório XIII, em 1582, é praticamente o calendário empregado na maioria das nações, hoje. Não teve aceitação imediata por todos os países. Primeiramente, foi adotado pelos governantes católicos europeus. Os povos de religião luterana e anglicana adotaram esse calendário mais tardiamente, somente assumiram o Calendário Gregoriano no século XVIII e, assim mesmo, nem todos no mesmo ano.
Nesse perído de efervecência cultural e científica, marcado pela existência de grandes sábios como o iluminado Leonardo da Vinci, havia uma pressão sobre a Igreja, substituta do antigo Império Romano na condução das organizações mundiais, a fim de que aperfeiçoasse o calendário, pois já se tinha condições científicas para tal.
Diversos astrônomos aconselhavam o papa a proceder uma reforma no velho calendário romano, que se mantinha inalterado já havia mais de um milênio e meio. Acontece que, com o passar dos tempos, o calendário já somava uma diferença de dez dias em relação ao ano solar. Precisavam fazer o equinócio da primavera na região norte retornar para o dia 21 de março.
Valeu-se, então, o papa do auxílio do sábio matemático alemão, o jesuíta Christopher Clavius, e do astrônomo, filósofo e médico italiano Luigi Lilio ou Giglio, que recalcularam o calendário.
O papa emitiu uma bula intitulada Inter Gravíssimas em que se instituiu o novo calendário. Na prática, suspendeu-se a contagem do ano e deixaram de existir os dias do intervalo entre 4  e 15 de outubro de 1582. (os dias de 5 inclusive a 14 inclusive deixaram de existir naquele ano). Na realidade, o dia 4 de outubro, uma quinta-feira, prolongou-se até o dia 15 de outubro, que passou a ser sexta-feira.
Por outro lado, nos países católicos, a Páscoa passou a comemorar-se por um novo critério, seguindo um processo lunissolar. As chamadas festas móveis como o carnaval, a quaresma, a Semana Santa, Pentecostes (50 dias depois da Páscoa), Santíssima trindade, Corpus Christi, todas comemorações que se relacionam com uma única festa, a comemoração da Ressurreição de Cristo ou Páscoa, passaram a reger-se por esse mesmo critério.
CALENDÁRIO GREGORIANO
Nao Kk.
Nome
Duração em dias
1
Janeiro
31
2
Fevereiro
28 ou 29
3
Março
31
4
Abril
30
5
Maio
31
6
Junho
30
7
Julho
31
8
Agosto
31
9
Setembro
30
10
Outubro
31
11
Novembro
30
12
Dezembro
31
        
Uma grande contribuição do calendário gregoriano é a eliminação de, pelo menos um ano bissexto, em cada 400 anos. De fato, há regras matemáticas que indicam as exceções em que o quarto ano a partir do bissexto anterior não é bissexto, ou seja, fevereiro não tem 29 dias e o ano não tem 366 dias. São elas:
A primeira exceção é que, além de ser múltiplo de 4, deve também sê-lo de 100, assim, deixa de ser bissexto. É o caso do ano 2100.
E a segunda exceção é que se for múltiplo de 4, de 100 e também de 400, então é bissexto. Um exemplo foi o ano 2000. Por exemplo, o ano de 1914 não foi bissexto e o ano de 2114 também não o será, uma vez que não são múltiplos de 4, porém, o ano de 2004 foi ano bissexto pois é múltiplo de 4 e atende a todos os critérios matemáticos da regra.
A Igreja Cristã Ortodoxa, porém, herdeira da cristandade do Império Romano do Oriente, que se prolongou até o domínio turco otomano em 1453, ainda emprega o Calendário Juliano.
O Calendário Gregoriano é apenas um aprimoramento do Calendário Juliano, do primeiro século a. C., orientado pelas novas conquistas matemáticas e astronômicas de mais de mil e quinhentos anos de evolução.