sexta-feira, 3 de abril de 2015

O EFÊMERO CALENDÁRIO PROPOSTO PELA REVOLUÇÃO FRANCESA

Prof. Dr. Oscar Luiz Brisolara

Paris - Jardins de Luxemburgo
Os revolucionários de 1789 desejavam marcar sua vitória com mudanças em todos os sistemas em instituições. Assim, em 1792, promoveram uma Convenção Internacional, que propôs também uma reformulação do calendário. Esse passou a denominar-se Calendário Revolucionário ou Calendário Republicano. Essa reforma simbolizava a quebra da ordem antiga e a proposta de uma nova ordem, inclusive um novo modo de olhar para o próprio ano solar.
Buscavam marcar na própria divisão e nomenclatura uma visão do ano que abandonasse os símbolos religiosos e históricos do Calendário Gregoriano, proposto pelo Papa Gregório XIII, em 1582, cujo modelo fora o calendário juliano, proposto por Júlio César e seus astrônomos.
O Calendário Juliano foi imposto ao povo romano pelo cônsul Júlio César, durante sua ditadura, em 46 a. C. Valeu-se o ditador dos conhecimentos do astrônomo grego Sosígines para fazer os estudos do ano solar. Esse calendário trazia grandes marcas da religião e da política romana, já nos nomes dos meses. Março era dedicado ao deus Marte e julho era dedicado ao próprio Júlio César.
Visando a apagar todas essas marcas e propondo uma nova visão, os revolucionários, na convenção de 1792, apresentaram um novo calendário. Mantinham ainda a divisão do ano em doze meses. O parâmetro básico que seguiram era o mês de 30 dias e a semana de dez dias. No final do ano, acresciam-se mais cinco dias, seis nos anos bissextos, para acomodar o novo ano ao ano solar. Buscavam ao máximo aplicar ao calendário o sistema decimal.
Os meses do ano foram denominados de acordo com a proposta do poeta Fabre d’Eglantine, o qual se valeu para isso de André Thouin, jardineiro do Jardin des Plantes, de Paris.
Assim, o primeiro mês seria o vindemiário (referente ao mês da vindima, colheita das uvas – início do outono); o brumário (mês da brumas); o frimário (mês das geadas, frimas, em francês); o nivoso (das neves – início do inverno); o pluvioso (das chuvas); o ventoso (dos ventos); o germinal (da germinação, da brotação – início da primavera); o floreal (da floração); o pradial (Période des récoltes des prairies - Período de culturas de pastagens); o messidor (mês das colheitas, moissons, em francês- início do verão); o termidor (mês do calor - termo); e o frutidor (mês da frutificação).
A semana denominar-se-ia de decâmetro ou década. Cada dia de um decâmetro receberia o seu nome conforme segue: primidi, duodi, tridi, quartidi, quintidi, sextidi, septidi, octidi, nonidi e decadi.
Para o dia, fez-se uma divisão em dez horas, cada hora dividia-se em 100 minutos e cada minuto em 100 segundos. Esse foi o maior problema para os revolucionários quanto ao calendário. Para marcar esse novo horário, seria necessário um novo modelo de relógio. Ocorre que a maioria dos fabricantes de relógios, nessa época, eram suíços. Esses, pelo imenso trabalho que essa mudança exigiria, negaram-se a fazê-lo. Por essa razão, nunca, de fato, foi aplicado o horário do dia do calendário da revolução francesa.
         Para que as decisões revolucionárias não se perdessem no esquecimento, em 1793, foi criado o Clube dos Jacobinos, que seriam os radicais guardiães dos ideais revolucionários. O nome jacobino se deve à rua da sede da instituição, que se havia instalado no Convento dos Jacobinos, Rue Saint Jacques (Iacobus, ou em latim).

Um decreto Havia estabelecido o dia 22 de setembro de 1792 como o primeiro da era francesa. Para os anos seguintes, o dia primeiro do ano seria o do equinócio de inverno em Paris. Todos os documentos da república deveriam seguir esta datação. Porém, esse calendário vigorou apenas até 1805, quando Napoleão editou um decreto que estabelecia o retorno ao calendário gregoriano.