segunda-feira, 7 de setembro de 2015

ESTARÍAMOS ASSISTINDO AO CREPÚSCULO DAS NOVELAS E DA PRÓPRIA GLOBO?

Prof. Dr. Oscar Luiz Brisolara
Contemplando o azul do Danúbio em Viena
Estaríamos assistindo ao crepúsculo inevitável da poderosa Rede Globo de Televisão, como se sobre ela recaísse o inevitável destino de todos os seres: nascer, crescer e morrer. Justamente ela que, ao modo dos mamíferos mais poderosos que trucidam os filhotes do macho vencido, sempre contratou profissionais das concorrentes para suprimir programas que despontavam com promissores índices de audiência.
Com o crescimento do cinema on-line, das mídias instantâneas e pessoais, as camadas mais jovens da população estão, gradativa e progressivamente, num ritmo vertiginoso, deixando de lado a velha televisão e migrando para  meios mais pessoais e participativos de comunicação de massas.
Veja-se o que disse há poucos dias o jornalista Paulo Nogueira, no jornal da internet Diário do Centro do Mundo:
“A nova novela sendo gravada: cadê o público?
Na noite de quinta subiu uma hashtag no Twitter: #Globo19,8.
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Para os internautas, foi uma diversão. Para a Globo, um pesadelo. 19,8 era o Ibope da nova novela da Globo, A Regra do Jogo. O número virou mania no Twitter porque a novela Os Dez Mandamentos, da Record, estava na frente.
O problema da Globo não é Os Dez Mandamentos. É ela mesma, e isso torna tudo mais difícil.
Num clássico triunfo da esperança, a Globo imaginou que o fracasso de audiência de Babilônia fosse um caso isolado. O público puritano de cara não suportou o beijo de língua de duas anciãs e ponto.
Não, não e ainda não.
Babilônia marcou o fim da Era das Novelas. Hoje, é difícil acreditar que houve um tempo em que final de novela da Globo dava 100% de audiência.
Mas, como tudo, as novelas chegaram, floresceram e murcharam.
O desempenho miserável delas reflete a deterioração da tevê como mídia.
A tevê parece um dinossauro na Era Digital.
Anos atrás, novela era pop no Brasil. Era tema de discussão nas rodas de bar e nos cafés das empresas.
Hoje, são nada.
Ninguém comenta, ninguém se importa e, pior, ninguém vê.
Nesta semana, por exemplo, o assunto é Narcos, a nova série da Netflix que conta a história de Pablo Escobar.
A discussão é sobre a qualidade do espanhol de Wagner Moura e coisas do gênero.
Quem quer saber de A Regra do Jogo?
As pesquisas mostram um envelhecimento brutal do público da tevê. Os jovens estão na internet.
O fim da Era das Novelas é, a rigor, o fim da Era da Televisão.
O público já debandou. Falta agora os anunciantes debandarem, o que é inevitável.
Isso só não aconteceu ainda porque a Globo tem uma espécie de propina para as agências, o BV (Bônus por Volume). Quanto mais uma agência coloca anúncio na Globo, mais ganha em BV.
Quase todas as agências dependem do BV da Globo para não quebrarem.
Mas o anunciante, que afinal paga a conta, uma hora vai perceber que está colocando uma fortuna numa mídia de almas mortas, para usar o título do grande romance de Gogol. (Nele, fazendas aparentemente enormes eram povoadas, na verdade, de almas mortas, pessoas que só existiam no papel.)
Em algum momento no futuro próximo, ocorrerá com a Globo o que ocorreu com a Abril. Consolidou-se entre os anunciantes a convicção de que anunciar em revista é uma obsolescência porque ninguém mais as lê. O mesmo se dará com a tevê.
A Globo é a Abril amanhã.
Penso comigo que, se há alguém na Globo feliz com a baixa pontuação da nova novela, é Gilberto Braga, o autor de Babilônia.
Ele se martirizou com o Ibope de sua novela, e presumo que as reuniões com os burocratas da Globo para mudar o enredo tenham sido matadoras.
Mas Aguinaldo Silva era o menos culpado.
Babilônia lutou para ter 30 pontos, um horror quando se mede os índices passados da Globo.
A Regra do Jogo talvez lute para ter 20 pontos, como sugere a hashtag #Globo19,8.
Nada é tão forte quanto uma ideia cujo tempo chegou, sabe-se.
E nada é tão fraco quanto um produto cujo tempo passou, como as novelas.” (Diário do Centro do Mundo - Postado em 05 set 2015 - por Paulo Nogueira).