domingo, 27 de setembro de 2015

LINGUAGEM - EMPREGO DO MODO SUBJUNTIVO NA LÍNGUA PORTUGUESA DO BRASIL

Prof. Dr. Oscar Luiz Brisolara
Segundo a gramática da Língua Portuguesa, quando se constrói um período composto em que a oração subordinada expressa dúvida, incerteza, o verbo da subordina deve estar no modo subjuntivo.
Porém, basta abrir os jornais ou assistir a um noticiário de televisão ou rádio e, rapidamente, encontraremos exemplos em que isso não acontece. Abaixo, coloco uma pequena demonstração disso
Apenas para quem não está habituado a escrever textos formais, estou colocando entre parênteses a forma do subjuntivo que deveria ter sido empregada. Observemos:

1.   "Os cientistas também suspeitam que o artista aplicou (tenha aplicado) o esmalte diretamente com as mãos, já que não há marcas de pincel na pintura."
2.   “Suspeita-se que o autor criou (tenha criado) tal personagem observando tartarugas marinhas que derramam ‘lágrimas’ ao desovar nas praias. A que correspondem as ‘lágrimas’ das tartarugas marinhas e por que essas tartarugas ‘choram’?”
3.   "Acredito que não foi (tenha sido) só o Janene. ... que elas eram responsáveis pelo pagamento das contas domésticas, mas que a movimentação era de ... Ele não inventou a corrupção , mas já que inventaram , porque não aproveitar?
4.   “Ele julgava que minha mãe só estava (estivesse) interessada em posses e no dinheiro dele.”
Poderíamos creditar que esses seriam textos feitos sob a pressão do tempo, para noticiários de apresentação imediata. Porém, já observei a mesma ocorrência em textos de redatores renomados, como Renato Machado, jornalista da Rede Globo na Europa, reconhecidamente um ótimo redator. Quer me parecer que o uso do subjuntivo está, lentamente, sendo abandonado. Na prática, não é o emprego do subjuntivo que gera uma situação de incerteza, mas a incerteza que exige seu uso. Será que o subjuntivo está morrendo?