sábado, 5 de setembro de 2015

NAPOLEÃO BONAPARTE - SEUS EXÍLIOS, O PRIMEIRO NA ILHA DE ELBA E O SEGUNDO NA ILHA DE SANTA HELENA

Prof. Dr. Oscar Luiz Brisolara

Napoleão, após a derrota na campanha da Rússia, em 1814, foi deposto e exilado na ilha italiana de Elba. Em 1812, Napoleão invade a Rússia, acreditando depor o czar Alexandre Romanov I, e impor o domínio francês sobre o enorme território russo. Isso lhe daria uma base militar e econômica para dominar e Europa.
Porém, depois de saquear e incendiar Moscou, gradativamente, castigado pelo rigoroso inverno russo, o gênio militar começa a fracassar. Seus mais de quinhentos mil homens não conseguem mais avançar. Por fim, empreendem uma lenta e sofrida retirada.
O renomado escritor russo Leon Tolstoy (Lev Tolstoy) descreve a campanha de Napoleão e a vitória russa numa obra memorável intitulada “Guerra e Paz”.
O general francês perdeu nessa guerra mais de 450 mil homens. Essa derrota provoca também a perda de seus principais aliados, especialmente o Império Austríaco.
Por fim, em 03 de abril de 1814, Napoleão Bonaparte e deposto do trono francês, ou melhor, forçado a renunciar e exilado na ilha de Elba, onde permaneceu por 10 meses. Essa ilha situa-se a pouco mais de 20m da costa italiana da Toscana, cuja capital é a imponente Florença.
As Forças Aliadas declararam que o Imperador Napoleão era o único obstáculo para a restauração da paz na Europa. O Imperador Napoleão, fiel ao seu juramento, declara que renuncia, para si e seus herdeiros, os tronos da França e da Itália, e que não há nenhum sacrifício pessoal, mesmo que de sua vida, que ele não esteja pronto para fazer no interesse da França.
O Tratado de Fontainebleau estabelecia o exílio do general em Elba, uma pensão de 2000 francos e o direito a uma escolta de 400 homens e mantém-lhe o título de imperador.
Porém, com o não pagamento da pensão, ele passa por dificuldades. Além do mais, está separado da esposa e do filho, e sabendo de rumores de que ele iria ser banido para uma ilha remota no meio do Atlântico, ele fugiu de Elba.
O novo governo envia o 5º Regimento para prendê-lo. Napoleão encarou toda a tropa sozinho, desmontou de seu cavalo e, quando encontrou-se sob a linha de fogo, gritou: "Aqui estou eu! Matem seu imperador, se assim o quiserem!" Os soldados responderam com "Vive L'Empereur! (Viva o Imperador!)" e marcharam com Napoleão até Paris, de onde o rei Luís XVIII fugiu. Assim, Napoleão reconquista o poder. Permaneceu na função por mais 100 dias.
Napoleão empreende, então, a elaboração de uma nova constituição baseada no liberalismo, contrariando as expectativas dos republicanos, que queriam a volta da revolução e a perseguição aos nobres. A Europa coligada retoma sua luta contra a França.
Napoleão retoma o comando do exército francês e entra na Bélgica em junho de 1815, mas é derrotado por uma coligação anglo-prussiana na conhecida Batalha de Waterloo e abdica pela segunda vez, pondo fim ao império napoleônico. Mas a expansão dos ideais iluministas continuou.
O general foi novamente preso e então exilado pelos britânicos na ilha de Santa Helena, agora na costa africana, no Atlântico Sul. Lá, com um pequeno legado de seguidores, contava suas memórias e criticava aqueles que o capturaram.
Após uma longa viagem, chega ao exílio em 15 de outubro de 1815. De 1818 em diante, foi permitida ida à ilha para acompanhamento do ex-imperador dos abades Buonavita e Vignali, bem como do médico Antommarchi.
Um almirante e três mil soldados formavam a tropa de segurança do ex-general. Um círculo de 8 quilômetros de diâmetro foi traçado em torno de Longwood. Nas colinas ao redor, havia sentinelas. Em torno da ilha, quatro navios de guerra se revezavam a fim de impedir qualquer desembarque ou toda tentativa de fuga. Situada a dois mil quilômetros da costa africana e a dois mil e novecentos quilômetros da costa brasileira, Santa Helena tem 17 km de comprimento, 10 km de largura e está perdida em meio ao Atlântico Sul.
A monotonia do tempo e do clima criava uma mediocridade de existência. Um ambiente de morosidade se instalava apesar dos esforços de Napoleão para diversificar as jornadas. Mudava os horários das refeições, dos passeios e do descanso.
"À noite, havia muitas vezes um grande jantar, à moda do palácio das Tuileries. Acendiam-se todos os lustres do salão, os exilados vestiam as suas melhores roupas, alguns homens em trajes militares, as mulheres em vestidos decotados. A despeito dos esforços, da mesa farta, as noitadas eram tristes. Por vezes, Mme de Montholon se colocava ao piano e cantava árias de Paesiello ou de Cimarosa.
Intimamente persuadido que iria terminar sua vida nesta ilha, queria convencer os ingleses que não era somente o general Bonaparte, mas que ficaria para a posteridade como o Imperador Napoleão I.
Em abril de 1816 a esperança renasceu: o almirante Cockburn seria substituído pelo general Hudson Lowe. Napoleão acreditou que teria melhores condições  com um artilheiro do que com um marinheiro. A esperança não passou de fogo de palha. Lowe era o personagem para se tornar um carcereiro: meticuloso, vaidoso, rígido, detalhista. O ambiente entre os dois se deteriorou celeremente. Faltando-lhe totalmente a psicologia, tornou impossível a vida de todos os residentes de Longwood.
As restrições impostas acabariam de fechar as portas de Longwood a todos os visitantes estrangeiros. Isto levou a uma lenta degradação física de Napoleão, que praticamente não saia de sua residência. Em 1820, a conselho de seu médico, fazia trabalhos de jardinagem e outros afazeres domésticos. Não obstante, a partir do outono sua saúde declinou e em abril de 1821 era visível a piora. Começa uma agonia que levaria 40 dias em meio a dolorosos sofrimentos.
Napoleão se recusava a ser examinado pelos médicos ingleses e toda a responsabilidade recaiu sobre o doutor Antommarchi, que buscou seu colega inglês Arnott para juntos prescreverem o tratamento e os cuidados. Foi receitado o calomelano - cloreto mercuroso usado como purgativo e anti-sifilítico – a fim de aumentar a secreção biliar.
A partir de abril, o imperador não mais deixava o leito, de onde redigiu seu breve testamento: “Hoje, 15 de abril de 1821, em Longwood, ilha de Santa Helena. Eis meu testamento ou ato de última vontade: 1º - Morro na religião apostólica romana no meio da qual nasci há mais de 50 anos; 2º - Desejo que minhas cinzas repousem às margens do Sena em meio a este povo francês que eu tanto amei".
Em 5 de maio, Lowe foi alertado pelo doutor Arnott que o fim estava próximo. Todos estavam ao pé do leito de morte, lembrando-se do grande homem e de sua imortal epopeia. Napoleão exalou seu derradeiro suspiro. Eram 17h51.
No dia seguinte, em presença de médicos ingleses, Antommarchi fez a necrópsia: morreu de úlcera, provavelmente cancerosa, do estômago, aos 51 anos. Seus restos seriam depositados numa laje funerária anônima até 1840, quando o rei Louis-Philippe obteve autorização do governo inglês para repatriar seu corpo. É no Palácio dos Inválidos, em Paris, às margens do Sena, ao lado de seu povo, que repousa para sempre." (Max Altmann)