domingo, 27 de setembro de 2015

O MITO DE DON JUAN

Prof. Dr. Oscar Luiz Brisolara
Don Juan -
Alexandre-Évariste Fragonard
Segundo a lenda, Don Juan, depois de uma existência frívola de conquistas amorosas, em que abandonava suas vítimas logo após atingir seu propósito amoroso carnal, acabara de seduzir uma jovem de nobre família espanhola. O cúmulo de sua perversidade foi o assassinado o pai da moça.
Porém, não satisfeito com isso, teria procurado o cemitério onde se encontrava o túmulo e uma estátua do assassinado e, zombeteiramente, instado a  sua vítima para comparecer a um jantar em sua companhia.
Inesperadamente a estátua aceitara alegremente o convite. O fantasma do homem assassinado rondava o cemitério. Petulantemente, Don Juan apertara a mão da estátua de sua vítima. Porém, o fantasma prendera-o, então,  fortemente pela mão e o arrastara ao inferno.
Na literatura, há muitas versões deste mito. No entanto, a obra que mais se destaca na literatura espanhola é a do frade Tirso de Molina, intitulada “El Burlador de Sevilla y Convidado de Piedra”. Tirso viveu entre 1579 e 1648.
Outro escritor espanhol que tratou do tema, escrevendo um drama, cujo título é “Don Juan Tenorio”, foi Jose Zorrilla y Moral, poeta e dramaturgo romântico espanhol, o qual viveu entre fevereiro de 1817 e janeiro de 1893.
Na França, Molière, o célebre dramaturgo clássico, escreveu sua versão a que deu o título simples de “Dom Juan” ou “Le Festin de Pierre”. Trata-se de uma tragicomédia em que Molière, pseudônimo de Jean Baptiste Poquelin, apresenta o mito espanhol ao gosto da sofisticada plateia francesa.
A obra de Molière  apresenta um personagem infiel, sedutor, libertino, blasfemo, valente e hipócrita: Don Juan é apresentado como um aristocrata bon vivant, residente agora na Sicília, que coleciona conquistas amorosas, seduzindo tanto moças da nobreza quanto simples criadas, com o mesmo charme e êxito. O única intuito que o move é a conquista. Logo que atinge o seu intento, abandona suas conquistadas e sai no encalço de nova vítima.
Suas conquistas despertam inimizades que o obrigam a bater-se em duelos, aos quais, também não se furta. Ponteia com cinismo seus relacionamentos com as pessoas de seu meio e questiona tanto os homossexuais quanto os dogmas religiosos. Incapaz de resistir a um desafio, terá então de encarar o repto final: um jantar com a estátua do Comendador, que o levará para o além.

Estes e tantos outros textos literários sobre a lenda fizeram com que esse mito medieval passasse a ser o símbolo do conquistador barato, que acaba vítima de seu próprio caráter e comportamento.