quinta-feira, 21 de abril de 2016

AS FLORES E A LITERATURA - NENÚFAR OU FLOR DE LÓTUS

NENÚFAR OU FLOR DE LÓTUS

Nenúfar ou flor de lótus

"Há muito que a flor de nenúfar está associada às sereias, por isso também foi chamada de flor da sereia. 
Os índios norte-americanos afirmaram que os nenúfares apareceram das faíscas provocadas pela luta entre a Estrela Polar e Héspero, que disputavam o foguetão que havia sido disparado da Terra. De acordo com a lenda, cada nenúfar tem o seu próprio amigo, um duende que nasceu com ela e que também irá morrer quando o nenúfar morrer. 
Um dos parentes chegados do nenúfar branco é o nosso nenúfar amarelo. As folhas do nenúfar não ficam todo o dia na mesma posição, elas seguem os raios solares. À noite a flor fecha o seu rebento e mergulha na água quente. 
O nenúfar floresce durante 3 meses e faz do lago a sua casa. Os Eslavos consideram que o nenúfar tem poderes mágicos e que pode proteger uma pessoa numa viagem. 
Teócrates, um dos mais famosos e antigos botânicos, escreveu que um nenúfar tem a mesma forma que uma papoila, mas é maior e o seu peso equivale ao peso de uma maçã. Tem 4 folhas grandes e verdes, com sementes vermelhas que têm o mesmo sabor que as sementes de trigo. As folhas do nenúfar conseguem flutuar, contêm grandes câmaras de ar no seu interior, para que a flor se mantenha à superfície.
Existe também um nenúfar Mexicano que é chamado "banana de água". Não há flor exótica que seja tão famosa como a "Victoria Regia" (Rainha Vitória); é um nenúfar gigante que se encontra na América do Sul. Acerca do seu florescimento pode ouvir relatos na rádio, na televisão e nos jornais. Pessoas de todas as idades correm para as estufas para verem este milagre acontecer. 
Podem-se ver muitas flores grandes, cada nenúfar tem cerca de 2 metros. As plantas estão à deriva numa piscina enorme, de água quente. As flores da Rainha Vitória são verde claro e violeta na parte debaixo, por isso parece que as flores têm brilho, cada uma com um número infinito de pétalas coloridas. Quando em 1849 a flor da Rainha Vitória floresceu pela primeira vez, causou grande sensação. 
O primeiro homem que descobriu a Victoria Regia foi um botânico alemão chamado Edward Fredrick Poypping. Este viajou pela América do Sul e atravessou o continente, da parte ocidental até à parte oriental, chegando a estar muito perto do equador. Poypping partiu do lado do Oceano Pacífico e chegou ao Chile através dos Andes, depois atravessou o Peru e o Brasil, desceu o rio Amazonas e chegou até ao Oceano Atlântico. 
Em Janeiro de 1832 Poypping encontrou a planta perto do rio Amazonas, a cair para o rio Teffe. Depois publicou numa revista um artigo onde descrevia a flor, de nome "Victoria Regia", mas o artigo não causou sensação. Em 1836 o botânico alemão Robert German Shomburgk reconheceu a planta na Guiana, para a Sociedade Real Geográfica de Londres. Ele incluiu a planta na família dos nenúfares brancos e deu-lhe o nome "Nymphaea Victoria" em honra da bonita jovem de 18 anos que havia subido ao trono do Reino Unido. Devido a este fato, o botânico chamou a atenção de algumas pessoas influentes da época. 
Shomburgk colheu algumas partes da flor e também as suas sementes, fez alguns desenhos e rabiscos e enviou o material para Inglaterra. Em 1837 o professor Lindley estava determinado em apoiar Shomburgk na teoria de uma nova família de nenúfares, ou seja na família dos nenúfares brancos e também no nome de "Victoria" para estes nenúfares. Shomburgk recebeu o título de Sir pelos serviços prestados e passou a ser chamado de Sir Shomburgk. As notícias acerca do florescimento de "Victoria" tiveram impacto nos cientistas, jornalistas e artistas. No momento em que a flor abriu, a estufa estava cheia de gente; ficaram maravilhados com este acontecimento, com a beleza de "Victoria". 
VICTORIA REGIA
A "Victoria Regia" amazônica tem folhas muito fortes, que conseguem aguentar o peso de uma pessoa e são ao mesmo tempo muito bonitas. Um arquitecto inglês, D. Pakston, usou um modelo da folha para o Palácio de Cristal em Londres. 
Na pátria do nenúfar "Victoria" a flor tem mais de 12 folhas. O florescimento desta flor dura duas ou três noites. Durante toda a noite a flor exala o seu aroma e transmite calor; a temperatura do nenúfar "Victoria" é 11º C mais elevada do que o ambiente que a rodeia. De manhã as flores fecham até chegar a noite."

NENÚFAR - BOTÂNICA

Gênero de plantas aquáticas , da família das Ninfeáceas, originalmente enraizadas no fundo da água, com flores e largas folhas que flutuam na superfície.


Nome vulgar: adargas-de-rio; boleira-branca; figos-de-rio; golfão-branco; nenúfar-branco

Família botânica: Nymphaeaceae
Nome científico: Nymphaea alba
Distribuição Geral: grande parte da Europa e Ásia
Distribuição em Portugal: espontânea por todo o território continental; ocorre ainda nos Açores
Habitat: águas doces estagnadas ou de corrente fraca (remansos de rios, charcos, lagoas)
Floração: Março – Outubro
Características:
Planta aquática perene. As suas folhas flutuantes são sustentadas por longos pecíolos com vesículas de ar no interior, permitindo que a planta possa flutuar na água. As suas folhas são carnudas e cerosas, verde-escuro na página superior e avermelhadas na página inferior, apresentando até 30 cm de largura. Encontram-se reunidas em grupo sobre um rizoma carnoso e horizontal, enterrado no fundo lodoso. As flores brancas possuem longos pedúnculos de onde se destacam as anteras intensamente amarelas. As flores são flutuantes, tendo por norma entre 5 e 12 cm de diâmetro. O fruto é esférico, com cicatrizes deixadas pela inserção das pétalas e dos estames. O fruto amadurece debaixo de água libertando depois as sementes que, sendo flutuantes, facilita a sua dispersão.
O nenúfar-branco é muito ornamental, sendo muito usado em jardins como elemento decorativo de tanques e de pequenos lagos.
Durante o inverno perde as folhas, o que facilita a entrada de luz no lago. No verão a sua sombra evita que a água aqueça excessivamente.
Em vasos ou diretamente no lodo, o nenúfar deve ser plantado entre os 40 e os 50 cm de profundidade. Multiplica-se por sementes e por divisão do rizoma.
O nenúfar forma extensos tapetes flutuantes. Deve ser mondado se se revelar excessivamente colonizador.




O Nenúfar e sua Simbologia

"A planta aquática, de folhas largas e redondas, que dá flores de cor amarela, branca ou rosa e que “polvilha” muitos lagos, flutuando na água, sobretudo em países de clima quente, chama-se nenúfar e o seu nome tem origem francesa - nénuphar - termo que, por sua vez, provém do árabe nainûfar.
Nome científico: nymphea alba.
Significado: frieza, indiferença ou pureza do coração.
Mensagem: o teu amor é tão frio.
Também se chama lótus azul, nymphea, flor-de-lis sagrada das águas.
É uma planta de água, que gosta de lugares calmos. O lótus azul, devido ao seu perfume, é o mais procurado pela cosmética.
Foi imortalizado pelo célebre pintor Monet, com uma série de quadros pintados nos anos 1916-1919, a serie sobre nenúfares de Claude Monet (1840 – 1926) constitui o apogeu na forma de captar o intangível da luz na água, dando conta das texturas e da mutabilidade da paisagem no imóvel da tela. Uma das telas da série pintor francês sobre os nenúfares.

Claude Monet - Le Bassin aux Nymphéas

O seu nome teve origem na mitologia grega, nas deusas das fontes , Nymphe. As ninfas costumavam brincar no meio dos nenúfares e talvez, por isso, estejam subtilmente ligados a elas...
Na mitologia grega, o nenúfar está ligado às virgens."
Nos egípcios, o nenúfar fazia parte do nascimento do mundo, juntamente com o deus Sol e o deus Osiris.

LOTUS DO EGITO FLORAL DE SAINT GERMAIN

O lótus do Egito (Nymphaea alba) possui algumas peculiaridades, segundo uma tradição religiosa e mítica muito antiga:
Nível da personalidade: A essência floral Lótus do Egito traz harmonia, enlevo e a visão da vida de forma mais elevada, sem envolvimento do ego. Promove a expansão da consciência, traz a compreensão dos acontecimentos, mais consciência de si, integrado ao Eu Maior. É um floral transmutador de energias. Faz um profundo trabalho de limpeza no chacra básico, como também, faz limpeza em todos os outros chacras. Purifica toxinas psíquicas emitidas por outros, toxinas que desestabilizam nossos chacras, podendo causar até a nossa desconexão com o alto. Elimina toxinas que nos causam muito sofrimento, congestionando o Plexo Solar. 
Nível da Alma: “Floral que leva a devoção inspiracional à Verdade cósmica e à Sabedoria. Manifesta o aspecto mais alto da mente. A mente em sintonia com o Espírito integrado com a Vontade Divina para encontrar Paz e Iluminação, harmonizando para a utilização da informação visionária interna, na compreensão de que sabedoria vem de harmonia, que vem da contemplação, que vem da paz interior, que leva à luz interior e alegria interna.” 
Pesquisa das propriedades medicinais da planta Nymphaea alba: É adstringente, mucilaginoso, antidiarreico, antiblenorrágico, auxiliar no tratamento das doenças das vias urinárias. Possui propriedades sedativas sobre os órgãos genitais na compulsão sexual obsessiva e ninfomania. Possui a propriedade de curar feridas.Um dos historiadores da expedição de Napoleão Bonaparte ao Egito relata que esta planta é uma das três ninfeáceas que no antigo Egito eram chamadas de lótus. 

O LÓTUS BUDISMO E BRAMANISMO
"No Budismo, diz a lenda que Brahma nasceu de uma flor de lótus que teria crescido no umbigo de Vishnou.
A flor-de-lótus (Nelumbo nucifera), também conhecida como lótus-egípcio, lótus-sagrado e lótus-da-índia também é um nenúfar.
Lótus é o símbolo da expansão espiritual, do sagrado, do puro.
A lenda budista nos relata que quando Siddhartha Gautama, que mais tarde se tornaria o Buda, tocou o solo e fez seus primeiros sete passos, sete flores de lótus cresceram. Assim, cada passo do Bodhisattva é um ato de expansão espiritual. Os Budas em meditação são representados sentados sobre flores de lótus, e a expansão da visão espiritual na meditação (dhyana) está simbolizada pelas flores de lótus completamente abertas, cujos centros e pétalas suportam imagens, atributos ou mantras de vários Budas e Boddhisattvas, de acordo com sua posição relativa e relação mútua. Abaixo está o lótus indiano, flor símbolo nacional.
The lotus flower (water lily) is national flower for India.
 Lotus flower is a important symbol in buddha religion.

Do mesmo modo, os centros da consciência no corpo humano (chacras) estão representados como flores de lótus, cujas cores correspondem ao seu caráter individual, enquanto o número de suas pétalas corresponde às suas funções.
O significado original deste simbolismo pode ser visto pela semelhança seguinte: Tal como a flor do lótus cresce da escuridão do lodo para a superfície da água, abrindo suas flores somente após ter-se erguido além da superfície, ficando imaculada de ambos, terra e água, que a nutriram - do mesmo modo a mente, nascida no corpo humano, expande suas verdadeiras qualidades (pétalas) após ter-se erguido dos fluidos turvos da paixão e da ignorância, e transforma o poder tenebroso da profundidade no puro néctar radiante da consciência Iluminada (bidhicitta), a incomparável joia (mani) na flor de lótus (padma).
Assim, o arahant (santo) cresce além deste mundo e o ultrapassa. Apesar de suas raízes estarem na profundidade sombria deste mundo, sua cabeça está erguida na totalidade da luz. Ele é a síntese viva do mais profundo e do mais elevado, da escuridão e da luz, do material e do imaterial, das limitações da individualidade e da universalidade ilimitada, do formado e do sem forma, do Samsara e do Nirvana.
Se o impulso para a luz não estivesse adormecido na semente profundamente escondida na escuridão da terra, o lótus não poderia se voltar em direção à luz. Se o impulso para uma maior consciência e conhecimento não estivesse adormecido mesmo no estado da mais profunda ignorância, nem mesmo num estado de completa inconsciência um Iluminado nunca poderia se erguer da escuridão do Samsara.
A semente da Iluminação está sempre presente no mundo, e do mesmo modo como os Budas surgiram nos ciclos passados do mundo, também os Iluminados surgem no presente ciclo e poderão surgir em futuros ciclos, enquanto houver condições adequadas para vida orgânica e consciente."

OS NENÚFARES E A LITERATURA

O belo poema abaixo consagra a tradição que Ofélia, amada de Hamlet, ter-se-ia afogado "com um nenúfar na mão":

Lição sobre a água
António Gedeão

Este líquido é água.
Quando pura
É inodora, insípida e incolor.
Reduzida a vapor,
Sob tensão e alta temperatura,
Move os êmbolos das máquinas que por isso,
Se denominam máquinas de vapor.
É um bom dissolvente.
Embora com excepções, mas de um modo geral,
Dissolve tudo bem, ácidos, bases e sais.
Congela a zero graus centesimais
E ferve a 100, quando à pressão normal.
Foi neste líquido que numa noite cálida de Verão,
Sob um luar gomoso e branco de camélia,
Apareceu a boiar o cadáver de Ofélia
Com um nenúfar na mão.