sábado, 23 de abril de 2016

FLOR DE ABÓBORA - PARECE TRIVIAL, MAS ME TRAZ MAMÃE E A INFÂNCIA

flores de abóbora, masculinas e femininas
Talvez pouca gente costume comer flores de abóbora. Mamãe, que já está no céu, era exímia em prepará-las à milanesa.
A aboboreira, o nome é estranho, cucurbitácea, espreguiça-se e se contorce pelo solo das lavouras, espalhando flores e enormes bolotas pelo solo. Suas folhas grandes, verdes elevam-se de talos verdes, viçosos.
Isso me faz lembrar aquele reformador do mundo que de sob uma gigantesca jabuticabeira criticava o Criador. Esta árvore tão grande, com esses frutinhos miúdos e a coitada da aboboreira, com seus disformes frutos, sofrendo aí no campo. Não seria mais justo que a mais forte, a mais alta carregasse mais peso?
Eis que despenca uma pequena jabuticaba do alto do galho mais extremo e espatifa-se no nariz do "sábio" reformador. Ainda limpando uma mancha de sangue misturada à massa mole do fruto, constata: se fosse uma abóbora, teria sido uma tragédia.

RECEITA:
Flor de abóbora frita:
Essa receita veio da Itália, do tempo de minha bisavó, que a foi passando a todas as suas filhas e que minha mãe executava com prática e rapidez.
Ela ia ao campo, que estava muito próximo de nossa casa, e recolhia uma cesta de flores de aboboreira. Dizia, flor de abóbora é inútil. As flores fecundas agora são abóboras. As não fecundadas não servem para nada. Se não as comermos, as joaninhas e formigas o farão. Ou, então, irão apodrecer na terra.
Chegava com elas, lavava. Ovo, farinha e frigideira. Em pouco, estavam na mesa. Era muito rápido.
Acho que não tinham gosto de nada. Era o sabor do ovo batido, do sal e dos temperinhos. Mas lá no fundo havia o carinho agasalhado no calor do azeite e, bem no fundo, os sonhos de minha mãe. Essa era toda a diferença. Cada vez que lembro as flores de abóbora no prato farto retomo os sonhos da infância.
Aboboreira com frutos

Propriedades medicinais e alimentares da flor de abóbora:
Pouca gente sabe que flores de abóbora são comestíveis. Quase ninguém comeu flores de abóbora. Veja os benefícios que elas podem trazer para a saúde:

1 – São ricas em cálcio e fósforo, por isso são indicadas para a fase de crescimento. Evitam especialmente a osteoporose e outros males resultantes da descalcificação.
2 – Também são responsáveis pela formação de enzimas reparadoras e enzimas anticancerígenas, e ajudam a bloquear o desenvolvimento de células malignas.
3 – Estimulam a produção dos leucócitos responsáveis pelo processo imunológico de todo o corpo, defendendo o organismo contra agentes infecciosos ou outros ataques externos.

4 – Contribuem para a proteção contra problemas de visão, como catarata, retinopatia diabética e degeneração macular, que geralmente aparecem em pessoas na meia idade ou em pessoas que sofrem com diabetes, a qual causa danos aos vasos sanguíneos que irrigam a retina.
5 – É responsável pela oxidação do LDL, o colesterol ruim, e pela preservação e produção do HDL, ou seja, o colesterol bom.
6 – Têm papel importante no processo digestivo garantindo o bom funcionamento de todo o sistema. O consumo das flores e da própria abóbora é importantíssimo para crianças, que estão formando o próprio organismo, para os adultos na manutenção dos processos orgânicos, e na velhice, retardando males próprios dessa fase da vida.
"As flores, amarelas, podem ser refogadas, recheadas com carne, queijo ou legumes, empanadas, misturadas a risotos e omeletes, servidas como salada ou batidas em sucos. Já os brotos e as folhas novas, chamados de cambuquira, são ótimos para reforçar sopas e refogados. Também podem ser consumidos como saladas e fazem boa parceria com farinha de milho. Há ainda as sementes: assadas com sal e um fio de azeite, tornam-se um delicioso aperitivo."
Como minha mãe fazia, evite colher para consumo aquelas flores que por baixo possuem uma aboborinha. Essas são as fêmeas e são responsáveis pelas novas abóboras. Deve-se consumir apenas as flores masculinas, assim se evita perda de produção. Essas se caracterizam por serem apenas um cálice, sem um pequeno fruto por baixo.

Classificação Botânica:
"As abóboras pertencem à Família das Cucurbitaceae e à Tribo das Cucurbiteae. O gênero Cucurbita compreende vinte e sete espécies conhecidas. As cinco mais comumente cultivadas nas nossas hortas são as seguintes: 1. Cucurbita pepo. Um certo número de variedades no seio dessa espécie, é brenhosa. As folhas e os caules possuem espinhos. As folhas, sempre profundamente cortadas, também se caracterizam por lóbulos angulosos. O pedúnculo dos frutos se caracteriza por divisões (de 5 a 8, e às vezes mais) muito marcadas e não se alarga no lugar da inserção. Essas divisões se prolongam, sobre os frutos como costelas ou colorações diferentes. As sementes são esbranquiçadas e achatadas. Elas estão sempre na margem e são de cor branco-cinza uniforme."

A flor de abóbora na literatura:
Pela milenar cultura de seu povo, na China, as pessoas têm pelo menos três nomes: o primeiro, recebem ao nascer; na idade escolar; recebem o segundo, pelo qual são conhecidas por professores e colegas, entre os sete e nove anos; e, por fim, o terceiro, pelo qual vão ser designadas na sociedade, o nome social. Esse é definido entre os dezesseis e vinte e cinco anos.
Pois, Flor de Abobrinha detestou seu segundo nome. Era sua festa de aniversário. Havia presentes para comemorar o evento. Ela, porém, profundamente revoltada, a-se a participar dos festejos. Exigia que se escolhesse outro nome.
Foi então que se recorreu ao avô, Mil Bocas, que conseguiu convencê-la, narrando a fantástica história do Dragão da Noite. Aí apareciam a Lua de Outono, o Perfume do Vento, A Estrela Fantástica, A alegria dos Bosques. A Flor de Aboborinha passeava no céu entre as estrelas e encontrava um Príncipe Encantado que por ela se apaixonava e saíam pelo Céu Infinito num passeio fantástico.
E a menina sorriu, abriu os presentes. Comeram todos os quitutes e foi uma noite muito feliz para todos. Na escola, como todos eram apresentados por seus novos nomes, ninguém estranhou nome algum e ela passou a ser Flor de Aboborinha, por toda a fase escolar, sem trauma nem dor.
As abóboras aparecem em muitos mitos, contos de fadas e seus carros. Mesmo o grande filósofo latino Sêneca escreveu uma sátira contra o imperador romano Claudius, intitulada Divi Claudius Apocolocyntosis (ou seja, O Divino Cláudio que se Transformou em Abóbora).
Carro da Cinderela
A Abóbora é uma planta que se tornou um objeto icônico nas narrativas da Cinderela. Desde então passou a fazer parte do imaginário popular.
Quando Cinderela precisava comparecer ao baile do príncipe, a Fada Madrinha percebeu que ela não tinha uma carruagem. Então, encantou a planta mais próxima e chamou-a em sua direção. Ao chegar à casa da mocinha, transformara-se numa bela carruagem e transportou a jovem ao requintado salão da casa real.