terça-feira, 30 de janeiro de 2018

CRÔNICA DE TODA HORA


Alma das pedras...
Passava por entre as pedras...Redondas... Pontiagudas... Por entre elas, outrora, há muito... muito tempo... plantara sonhos... semeara vibrações incertas... Longas horas, sentado, menino... O gelo das almas delas caminhava pelas minhas carnes... chegava aos ossos... e à minha própria alma...
Musgos... capim... arbustos... tudo cresceu sobre elas... E cresceu também na minha alma... Por anos nos distanciamos...
Hoje passeio entre elas... a custo as reconheço... tropeço... meus pés trôpegos traem minhas intenções... quase desabo...
Minha alma também tropeça... e, nesse quase cair, surpreendo a alma de minha mãe... falando-me por entre o que não mais vejo... um balbucio leve que não ouço... mas levemente reanimam-se nossos suspiros comuns...
E os sonhos das pedras juntam-se aos nossos num desejo que provoca um estranho reencontro... 
Sinto um beijo arrepiante...
E as almas de tudo juntam-se num imenso suspiro universal... na busca... de quê?