sexta-feira, 5 de janeiro de 2018

POESIA MEDIEVAL PORTUGUESA - CANTIGA DE AMOR

CANTIGA SUA PARTINDO-SE

Senhora, partem tão tristes
meus olhos por vós, meu bem,
que nunca tão tristes vistes
outros nenhuns por ninguém.

Tão tristes, tão saudosos,
tão doentes da partida,
tão cansados, tão chorosos,
da morte mais desejosos
cem mil vezes que da vida.
Partem tão tristes, os tristes,
tão fora de esperar bem
que nunca tão tristes vistes
outros nenhuns por ninguém.

(João Ruiz de Castelo Branco - Cancioneiro Geral, III, p. 134)