segunda-feira, 26 de fevereiro de 2018

AMOR PELAS FLORES - AS ROSAS


Oscar Luiz Brisolara
A rosa é uma das flores mais populares entre todos os povos e todas as civilizações e culturas. Foi aculturada, aprimorada e acompanha o homem em suas moradas de há tempos sem conta. Consta que teria aparecido no Oriente há mais de cinco mil anos.
Porém, em sua forma silvestre, sua existência perde-se nas malhas do tempo. Fósseis de rosas na forma agreste foram encontrados em diversos pontos do oriente datados de mais de 35 mil anos.
Os pesquisadores botânicos classificaram-na na família das Rosáceas (Rosaceae), do gênero Rosa, com mais de 100 espécies.
Fisicamente, apresenta-se de diversas formas desde arbustos a trepadeiras. Processos de enxertia e cruzamentos tornam a roseira e suas flores um adorno sempre mais encantador e poético.
Quase sempre são providas de acúleos que tentam protegê-las dos muitos predadores desde insetos, como as formigas, até roedores e ruminates.
Afrodite - Herbert Draper
Os cultivadores da espécie e os comerciantes criaram datas e cerimoniais para cujo brilho elas colaboram intensamente. Sua produção e comércio são responsáveis por uma próspera área agrícola e por um florescente ramo de negócios.
Em torno delas, criou-se todo um processo de simbologias, especialmente ligadas ao amor, à pureza, à fragilidade e transitoriedade da existência.
O dicionário de símbolos afirma que "A rosa simboliza a perfeição, o amor, o coração, a paixão, a alma, o romantismo, a pureza, a beleza, a sensualidade, o renascimento; e, de acordo com sua cor, pode simbolizar a lua (branca), o sol (amarela) ou o fogo (vermelha). Universalmente, essa flor complexa e aromática representa o símbolo do amor e da união, famosa por sua beleza e seu perfume. Não obstante, o desabrochar do botão da rosa simbolize o segredo e o mistério da vida."* 

A Rosa e os Mitos
A mitologia grega associava a Rosa a Afrodite, divindade do amor e da fecundidade, da beleza, da maternidade e da paixão. Nos passos dessa, a mitologia romana ligou-a a Vênus, a equivalente de Afrodite na antiga civilização de Roma.
Relacionava-se também à deusa grega Héstia, divindade ligada ao fogo, símbolo da fertilidade e ao mesmo tempo da purificação, do lar, da família e da proteção materna. Sua equivalente em Roma é a deusa Vesta, cujas sacerdotisas constituíam-se de uma plêiade de virgens, cuja representante primordial foi Rea Sílvia, virgem vestal que teria gerado, do deus Marte, os fundadores de Roma: Rômulo e Remo.
La Vénus d'Arles

Ainda de acordo com outro mito grego, a rosa vermelha ter-se-ia originado de Adônis. Disputado por mulheres lindas, princesas e deusas, foi ferido de morte e Afrodite, para preservá-lo, tê-lo-ia transformado em uma rosa vermelha, uma vez que a deusa portava uma rosa branca, cujo espinho, ferindo o delicado dedo da divindade, escorreu sobre a flor, que originou as rosas vermelhas.
As rosas passaram a receber significados de acordo com suas cores:

Rosa Vermelha
Consagrou-se, no ocidente, a rosa vermelha como símbolo do amor, da paixão e do ardente desejo, da perfeição e da sensualidade. Entre os cristãos, tornou-se símbolo da ressurreição, do sangue de Jesus e dos mártires que morriam pela fé. Na cultura cultura islâmica, representa o sangue do profeta Maomé e de seus filhos maometanos tombados em combate.

Rosa Amarela
Esteve historicamente ligada ao ciúme, ao amor moribundo. Porém, depois, ligada ao sol, passou a ser símbolo da riqueza, da alegria e, principalmente, da amizade. No catolicismo, é o símbolo papal. A partir daí assume o sentido sagrado dos valores imateriais.

Rosa Branca
É símbolo consagrado da pureza, da virgindade, da inocência, da humildade e do segredo. O cristianismo ligou-a à virgem Maria. Associa-se também às divindades lunares e à água, cujas simbologias se confundem mutuamente.

Rosa Azul
Símbolo das conquistas impossíveis, representa o amor verdadeiro, o mais alto nível de relacionamento entre dois seres.

Além do mais, a rosa está ligada à deusa egípcia Ísis, que muitas vezes é retratada com uma coroa de rosas. O miolo da rosa, fechado, em muitas culturas, é o mais acabado símbolo do segredo. Assim, passou a ser pintado nas salas de reuniões, significando que tudo o que ali fosse tratado deveria permanecer no mais absoluto segredo.
ISIS

Na alquimia, o botão da rosa simbolizava o órgão genital feminino. De acordo com a tradição Hindu, Lakshmi (deusa do amor), teria nascido de uma Rosa. Essa flor, naquela cultura, simbolizava a beleza e a pureza, a perfeição em todos os sentidos.
Já na Idade Média essa flor passou a ser símbolo da Virgem Maria com significado de pureza. Assim, os rosais das catedrais góticas, foram dedicadas a Maria, representando o feminino em oposição ao símbolo masculino da cruz. Aliás, de acordo com o próprio nome,  os rosários originais eram feitos com pétalas de rosa. A palavra “rosário”, sinônimo de terço, deriva do latim “rosarium” cujo sentido é roseiral.
Concluindo, a rosa é símbolo essencial do amor em todas as suas variantes, desde o sentido espiritual, religioso e construtivo, até as oscilações passionais, da sensualidade, do arroubo físico e carnal.
Como ser vivo, que acolhe em seu seio a vida e suas vibrações universais, responsáveis pela existência e expansão diastólica de todas as galáxias, desde o big bang inicial, ela aponta e a um termo abriga nossos anseios que nos conduzem nesse poderoso movimento de parusia universal, cujo final será o destino de todos os seres.

* (Dicionário de Símbolos on line:
http://magisterandre.blogspot.com.br/2013/05/dicionario-de-simbolos-on-line.html).