terça-feira, 23 de setembro de 2014

ARTE BIZANTINA POR UM DILETANTE


Quem me apresentou a arte bizantina foi São Francisco de Assis. Francisco tinha, na pequena capela de São Damião, um crucifixo bizantino. Quando, em 1956, ingressei no seminário franciscano e fui introduzido nos rudimentos da cultura específica da Ordem Franciscana, encantei-me com esse Cristo tão diferente dos demais.
CRUCIFIXO BIZANTINO DA CAPELA
DE FREI DAMIÃO, EM ASSIS

Observando esta imagem do Cristo Crucificado, percebe-se, já à primeira observação, a enorme diferença entre ele e os crucifixos anteriores. Os crucifixos comuns reproduzem apenas um homem crucificado, mutilado e sofredor. Na cruz bizantina, não se reproduz um Cristo das dores. Embora crucificado, ele tem uma imagem serena, conforme o princípio cristão de que sua cruz é o princípio de sua própria glória. Mas não se trata de uma glória de quem se exalta pela vitória. É a vitória humilde do simples, que venceu porque assim tinha de ser.
A figura central do ícone é o Cristo, não só por seu tamanho, mas também por ser o Cristo a figura luminosa que domina a cena e transmite luz para as demais figuras. "Eu sou a luz do mundo; aquele que me segue não andará em trevas, mas terá a luz da vida" (Jo 8, 12). Os olhos de Jesus estão abertos: Ele olha para o mundo que salvou. Ele vive e é eterno. A veste de Jesus é um simples pano sobre o quadril - um símbolo tanto do Sumo Sacerdote como de Vítima. O tórax e o pescoço são muito fortes. Atrás dos braços esticados do Cristo está seu túmulo vazio, representado pelo retângulo preto.  Essa análise simples mostra o essencial da arte bizantina (http://franciscodeassis.no.sapo.pt/bizantino.htm).
ASCENSÃO

A mesma fonte anterior apresenta uma análise da ascensão do Senhor. A ascensão é retratada no círculo vermelho: Cristo está saindo dele segurando uma cruz dourada que, agora é Seu símbolo de realeza. As vestimentas são douradas, símbolo de majestade e vitória. A estola vermelha é um sinal de sua autoridade e dignidade supremas exercidas no amor. Anjos lhe dão boas-vindas no Reino dos Céus. IHS são as três primeiras letras do nome de Jesus em grego. NAZARÉ é o Nazareno.
A arte bizantina desenvolveu-se em Constantinopla, que é a própria cidade grega de Bizâncio, rebatizada pelo imperador Constantino, quando no século IV d., torna o cristianismo a religião oficial do Império Romano. A capital do Império Romano será, nesse período, Constantinopla. A arte bizantina terá seu apogeu no século VI d. C., como expressão máxima da arte religiosa desse momento.
Maestà - Cimabue

















A arte bizantina ressurge no gótico florentino dos séculos XIII e XIV, com artistas como Giotto e Cimabue. Vejam-se, agora, imagens de Nossa Senhora de acordo com os moldes artísticos bizantinos.
Giotto - Madona

Essa é uma pequena observação de um leigo em arte e diletante do belo sobre a arte bizanrina, ao mesmo tempo diferente e bela.