segunda-feira, 15 de setembro de 2014

ORIGEM DO NOME PRÓPRIO FÁTIMA

Prof. Dr. Oscar Luiz Brisolara

O nome próprio Fátima é muito empregado especialmente em Portugal. Até mesmo o nome geográfico, o conhecido topônimo Fátima, da cidadezinha de Ourém, pertencente ao Distrito de Santarém, próximo a Lisboa, tem a mesma origem, como se verá.
Trata-se de um nome de origem árabe. É sabido que tanto Portugal quanto a Espanha foram dominados pelos árabes, conhecidos como mouros, que, do Marrocos, transpondo Gibraltar, em 711 d. C., instalaram-se na península ibérica, onde permaneceram por mais de 700 anos.
Maomé ter-se-ia casado com Cadija, uma viúva de 40 anos quando ele teria apenas 25. Segundo uma corrente islâmica, os xiitas, teria Maomé gerado com ela uma única filha: Fátima. Teriam tido dois meninos mais velhos, os quais morreriam ainda crianças. As outras três filhas mais velhas atribuídas ao profeta, seriam de Cadija e do primeiro marido.

Fátima fugiu com o pai para Medina e casou-se com Ali. Era muito amiga do pai, e muito virtuosa também. Quando Maomé faleceu, em 632  d. C, não designou nenhum sucessor. Tinha somente a filha Fátima e seu genro Ali.
Seus seguidores porém,  em 08 de junho, de 632, elegeram Abu-Bekr como sucessor do profeta, desprestigiando o genro Ali. O grupo considerado sunita, originado da palavra suna (sunna), ou seja, o designativo do conjunto de preceitos estabelecidos no século VIII baseados nos ensinamentos de Maomé e dos quatro califas ortodoxos. Outros afirmam que suna significa caminho moderado.

O grupo contrário que defendia o genro como sucessor do profeta, criou o partido  Shiat Ali, ou seja, parido de Ali. Sempre foi esse grupo considerado mais radical na interpretação do Corão, o livro sagrado dos muçulmanos. Desde esse tempo, shiitas, em português xiitas, e sunitas vivem em constante conflito, embora se afirme que 80 dos quase um bilhão e meio de muçulmanos do mundo pertença ao grupo sunita.
No século VIII, com a ocupação dos mouros e com o consequente período de lutas, 
o castelo de Montemor-o-Velho foi um ponto estratégico fulcral.

Porém, os muçulmanos que conquistaram a península ibérica conviviam bem entre si e mesmo não tinham conflito com muitos judeus que se transferiram também para a região. Somente no século XI aconteceram as divisões internas entre os árabes ibéricos, as taifas.

O grupo fatimita (xiita) era muito forte na região que hoje recebe o nome de Fátima. Os portugueses tiveram forte influência árabe. Tanto é verdade que o onomástico Fátima tornou-se extremamente popular no país. Quase todas as famílias portuguesas têm uma representante com esse nome.